O homem de olhos verdes, completamente ensopado em seu próprio suor e sangue gemia incontrolavelmente de tanta dor. Ele tentava respirar, mas era complicado demais.

— Não morra! — uma voz feminina gritou.

Ela surgira imediatamente, debruçando-se sobre Michael, e uma luz começou a radiar. Aquela luz era provavelmente o que o mantinha vivo.

A agonia era imensa. O homem estava muito assustado. Conseguia visualizar a garota, mas com a visão embaçada. Queria dizer para que fugisse, mas nada saía de sua boca. Ele estava em um estado deplorável e torturante.

— Segura firme! — a garota debruçada sobre ele disse.

Ela tirou uma de suas mãos sobre seu ferimento e direcionou ao monstro, que já se virara para os dois. Ela gritou como se tentasse usar todo seu poder, e uma luz exageradamente brilhante foi lançada da palma de sua mão como um súbito estouro de energia, fazendo um som parecido com o de um raio. O semblante de aflição e falta de esperança exposto em seguida no rosto dela deixou bem claro que não surtira efeito.

O monstro inclinou sua cabeça para a esquerda, encostando-a no ombro de uma forma bizarra e doentia. Naquele momento, foi como se o caráter sinistro daquilo pudesse fazer com que os outros sentissem que iria atacar novamente. E foi o que ele fez.

Para a salvação dos dois no chão, um homem com um grande porte físico e o corpo inteiramente coberto por aço os protegeu, porém ainda arduamente.

— O que está fazendo, Karen? — ele perguntou, sua voz trêmula. Estava tendo dificuldades em segurar o monstro.

— Eu... Eu preciso curá-lo — ela disse, voltando a focar no ferimento, daquele caído em sua frente com ambas as mãos.

Era óbvio o tamanho do medo que aquela garota estava, mas mesmo assim tentava salvar um completo estranho.

— Você não deveria perder seu tempo com quem nem conhece — o homem coberto por aço falou.

— Mas...

— Está tudo bem — ele a interrompeu — Farei o que estiver em meu alcance para protegê-la. Fuja assim que puder! — ele disse firmemente e em um tom de voz alto.

— Max...

— Faça como eu digo! — o grande homem gritou. — Nós nos veremos novamente — ele disse.

O homem, então, desferiu um soco no monstro, criando um estrondoso barulho de impacto, e depois deu vários outros. Em seguida, ele jogou o monstro para bem longe e foi atrás para ocupá-lo. Algo molhado caiu sobre o corpo de Michael. Eram as lágrimas manifestadas pelo desespero de Karen.

Após algum tempo, a garota de olhos azuis e cabelos longos, lisos e loiros, que mais parecia uma fada de tão maravilhosa, perguntou:

— Você consegue respirar?

— Si... Sim — Michael respondeu, ainda com dificuldade.

Ele não estava nem próximo de completamente curado, mas teria de ser o suficiente.

— Nós temos que ir! — O espanto era claro na voz de Karen.

— Ok — O rapaz ferido começou a se levantar lentamente. — Mas não posso ir com você. Tenho que ir atrás de meus amigos.

A loira agarrou a mão dele e o auxiliou. Depois colocou o braço dele em volta de seu pescoço para poder ajudá-lo a andar, e disse:

— Não vou te deixar.

Michael ficou surpreso com a reação dela. Com tanta crueldade por ali, ele realmente não esperava que tudo aquilo fosse acontecer.

— Eu estou profundamente grato. Você salvou minha vida — ele disse.

— É o que eu faço. Agora, diga-me para onde ir.

O homem de olhos verdes, então, começou a mostrar o caminho. Eles avançavam de forma lenta, tentando não se deparar com nenhum inimigo. O coração de ambos estavam apertados, e Michael imaginava coisas terríveis. Enchia-se de pavor por saber que Claire ou Ryan poderiam se encontrar com monstros tão aterrorizantes quanto aqueles. Karen, por sua vez, tentava apenas pensar que seu amigo seria vitorioso e saíria vivo, pois a alternativa era muito angustiante.

Depois de andarem muito, os dois finalmente chegaram ao destino. Eles estavam próximo à sala de Claire, mas não precisaram entrar, pois ela já estava do lado de fora. Acompanhado a ela havia um homem aparentemente em seus 30 e poucos anos, bonito, alto, forte, de pele escura e cabelo bem curto que parecia a estar ajudando. Havia alguns guardas no chão, derrotados. Michael se encheu de alegria por vê-la bem, e gritou seu nome. Ela deu um enorme sorriso que mesclava com sua expressão de desolação, e correu até ele.

Os dois se abraçaram fortemente. Michael gemera por conta de sua ferida, a qual Claire parecia ter ignorado completamente. Mas ela só fizera isso porque algo muito pior era o centro de seu foco.

— Michael... — A respiração de Claire era descompassada. Lágrimas desciam de seu rosto.

— O que aconteceu? — ele perguntou. Não demorou muito para perceber que alguém estava faltando.

O homem de olhos verdes sentiu uma pontada em seu coração. Tivera um pensamento sombrio. Um pensamento que, para sua tremenda infelicidade e desgraça, viera a se concretizar.

— Ryan... — Claire não queria dizer, mas precisava. — Ele se foi.

Michael franziu a testa. Sentiu um nó em sua garganta. Ele não queria acreditar. Aquilo não podia estar acontecendo. Não. Não quando ele acabara de encontrá-lo depois de todos esses anos.

A mulher em sua frente sentia-se mal cada vez mais ao vê-lo daquele jeito. Michael, o qual era uma pessoa que mal chorava, desatou num choro melancólico. Ele o perdera novamente. Porém, dessa vez, seria para sempre.

***

— Eu não gosto de chorar — o homem mais alto disse.

— Por quê? — o outro perguntou.

Os dois estavam sentados no sofá da sala de Ryan, um do lado do outro.

— Demonstra fraqueza — Michael respondeu, cabisbaixo.

Ryan deu uma leve risada.

— Fraqueza? — retrucou. — Fraqueza é fingir que algo não te afeta, quando isso não é verdade. Se não quer demonstrar fraqueza, admita que algo o deixa triste. Chore. E, a partir daí, levante-se e siga em frente. — ele disse veemente.

Michael olhou nos olhos de Ryan, o qual continuou a falar:

— E, para ser honesto, de qualquer maneira, você nunca será fraco para mim, Michael. — O mais baixo sorriu — Você é uma das pessoas mais fortes que já conheci.

Aqueles lindos e puros olhos verdes começaram a derramar várias lágrimas, que desciam em seu rosto ocupado por uma expressão de profunda mágoa. Em seguida, Ryan o abraçou amavelmente.

***

Notas finais
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