Afterlife

7 Claire – Desespero


Eu não sabia o que tinha feito de errado. Andava e pensava. Pensava no que havia acabado de acontecer entre mim e Michael. E Rick também. De começo, sentia raiva. Depois, comecei a imaginar que talvez eu tivesse merecido aquilo. Não por parte de Rick, pois ele devia estar me odiando por eu simplesmente me encontrar em uma posição em que todos daquele lugar desejavam, e isso não era minha culpa.

Mas em relação a Michael... Eu assumi que ele estava bem e logo comecei a falar de mim. Eu definitivamente me preocupo com ele, mas naquele momento eu simplesmente coloquei-me em primeiro plano. Ele deve ter passado por algo horrível também... Eu não podia nem iria começar a ver minha situação como “boa” nem “menos mal”, porém eu sabia que havia cometido um erro ao ter desconsiderado a dele. Além disso, parecia que Rick e Michael se tornaram próximos. E eu ainda falei para ele se distanciar do outro...

Ao mesmo tempo, outra parte de mim dizia que eu não havia feito nada para merecer aquela reação. Ele disse que estava bem, e eu parti daí. Não tinha como eu saber. Eu não estava lá. Mas talvez fosse exatamente isso. “Eu não estava lá”. Michael passou por aquele período sem mim, enquanto eu estava de certa forma mais confortável que ele. Eu entendi o porquê de ele ter reagido daquela maneira.

“Por que ele não queria que você se preocupasse com ele. Ele obviamente a ama. É trágico que não se sente da mesma forma”.

As palavras de Rick começaram a ecoar em minha cabeça. De fato, Michael sentia algo por mim o qual nunca seria recíproco. Ele é carinhoso, charmoso, educado... Uma ótima pessoa. Eu tentava gostar dele da mesma forma, tentava com todas as minhas forças, mas não conseguia. Realmente era algo trágico, e isso me machucava. Mas provavelmente não era nada comparado à dor que ele devia sentir por não poder me ter.

Tudo aquilo apertava meu coração e me fazia querer chorar. Parei de frente à porta do “meu” quarto. Decidi que iria voltar. Precisava conversar com Michael. Eu não queria que ficássemos brigados por mais nenhum minuto. Girei em meus calcanhares, dei dois passos, e fui puxada pelo guarda de frente àquela porta. Eu estava tão pensativa que não havia percebido a presença de apenas um dos dois que normalmente ficam ali.

— O que foi?! — perguntei indignada, enquanto sentia a dor de meu braço sendo apertado.

Ele não proferiu nenhuma palavra, apenas abriu a porta e me empurrou para dentro, fechando-a em seguida. Havia dois homens e uma mulher lá. Eram prisioneiros também.

Engoli em seco. Eu senti o que iria acontecer. Meu corpo começou a ficar trêmulo. Eles, com suas feições demoníacas começaram a vir em minha direção. Virei de uma vez para tentar abrir a porta, mas foi em vão. Através do vidro presente pude ver o guarda fingir que nada acontecia. Foi quando fui atingida pela primeira vez.

Com imensa dor do soco que levei nas costas, ouvindo a mim mesma gritar, eu me virei para tentar fazer alguma coisa, mas logo levei outro, dessa vez na face. Lembro-me de ter levado vários socos na barriga e ter tido minha cabeça empurrada com força contra a parede. Até que fui ao chão, e eles começaram a me chutar.

Eu nunca havia sentido tanta dor em toda minha vida. Era excruciante. Além disso, eu podia ouvir o barulho dos ossos do meu corpo se quebrarem. Eu cuspia e sentia o cheiro do sangue. Meu corpo estava inteiramente molhado. Não sei quanto tempo fiquei ali sendo espancada, porque pouco depois desmaiei em minha própria poça escarlate.

Notas finais
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