After Party

11 Capítulo 11 - Resposta


O último degrau. O mais difícil, mas certamente deveria ser superado. Não era só um título que estava em jogo. Estava relacionado a uma promessa, algo que toca o coração mais do que uma medalha. E Hyuuga sabia que Teppei partiria para sua cirurgia no dia seguinte. Certamente, a atmosfera era a mais pesada de todos os outros jogos anteriores. Seirin já estava se preparando quando Shutoku venceu Kaijo pelo terceiro lugar. Com Kise fora, foi difícil segurar Midorima. Mas não estavam tristes, agora podiam sorrir novamente porque seus espíritos estavam renovados, tudo graças a Kuroko e seu time.

Rakuzan e Seirin se posicionaram. A partida começou com Kagami pegando a bola. Ele se sentia pleno com a final. De surpresa, já iniciou com um Meteor Jam, entrando na zona. Era cedo demais para isso acontecer, mas ele não se conteve. Kuroko foi substituído por um instante, com Mitobe entrando em seu lugar. Não seria fácil, uma vez que Rakuzan possuía o implacável Akashi. Quando Kagami foi passá-lo, acabou caindo devido ao seu Emperor Eye. Mas Mitobe defendeu a cesta com classe. Apoiando a mão no ombro de Kagami, acabou por ajudá-lo a se acalmar e sair da zona.

Kuroko voltou ao jogo, mas não conseguia realizar seus passes com eficácia. O problema se dava devido à perda de sua habilidade fantasma, graças aos passes especiais que havia desenvolvido. Kuroko desanimou, mas não desistiu. O primeiro período terminou empatado. No segundo período, uma surpresa para Seirin. Mayuzumi estava realizando o mesmo movimento de Kuroko, Misdirection. Ele também era um sexto membro fantasma. Os jogadores do primeiro ano entraram para tentar trazer calma ao time, mas a pressão de Akashi era tão intensa que suas energias se esgotavam rapidamente.

Hyuuga era marcado por Reo. Ele também era um arremessador brilhante e sempre fora motivo de admiração devido à delicadeza e, ao mesmo tempo, fúria de seus lances. Embora essa admiração tivesse acontecido, não era hora de fazê-lo com seu adversário, ainda mais em uma final tão decisiva em sua vida. Reo era um rei sem coroa e fazia jus a sua alcunha, possuindo três tipos de arremesso: Céu, Terra e Vácuo. Quando realizou o Vácuo, Hyuuga não conseguiu reagir, deixando de saltar para defender. Ele sentia uma forte hesitação diante do seu rival. Por sorte, Teppei estava ao seu lado, conseguindo preservar sua condição mental.

Embora quisesse demonstrar que estava ali para ser a tala de Hyuuga, ele também precisava provar seu valor contra seu adversário. Eikichi era um jogador fortíssimo, seu corpo conseguia impedir Teppei de recuperar a bola e até mesmo de marcar. Quando percebeu que não conseguia reagir, sentiu-se agoniado. Imayoshi, vendo o movimento, comentou:

– Kagami e Kuroko são novatos poderosos, mas o time não venceu só por causa deles. Foi tudo graças aos jogadores do segundo ano. Hyuuga e Kiyoshi são as chaves do interior e exterior. Se eles se quebrarem, todo o time ficará abalado.

Embora não quisessem acreditar, Seirin estava mesmo sendo quebrada. Akashi conseguiu bloquear posição por posição do time adversário, levando-os à beira do desespero. O terceiro período chegou. A agonia devido à impotência estava tirando Hyuuga da razão. Não consigo fazer nada contra esse idiota. Preciso desesperadamente marcar, Seirin tem que vencer!, pensava enquanto tentava agir. Mas sua falta de concentração o impedia de ser bem-sucedido. Para piorar, Reo conseguiu enganá-lo e fazê-lo cometer uma falta de ataque, sua terceira no jogo. Desesperado, começou a discutir com o juiz, o que acarretou em sua quarta falta. Riko não teve escolha a não ser substituí-lo. Teppei observou à cena e se sentiu de mãos atadas. Ele tentou ao máximo trazer estabilidade a sua mente, mas nem ele próprio conseguia exercer sua função de escudo e tala. Preciso reagir. Preciso trazê-lo de volta.

Com uma diferença de 25 pontos, Seirin estava quase se apagando. Kuroko, então, levantou-se, determinado a mudar o destino. Mesmo que não pudesse ser eficaz, ele não desistiria sem lutar. Graças a isso, o time se reergueu. Kagami voltou à zona, enquanto Kuroko conseguiu subscrever Mayuzumi. A luz e a sombra da Seirin puxaram todos de volta ao combate.

No intervalo de tempo, Teppei sentou-se ao lado de Hyuuga, que estava cabisbaixo com uma toalha escondendo seu rosto.

– Desculpa... Recomeçamos, mas eu... – disse hesitante, mordendo os lábios.

– Você está pensando muito nisso, idiota.

– Isso é... – olhou, surpreso.

– Você roubou minha fala no jogo da Kaijo. Isto é a minha vingança. Mas aquela quarta falta me deixou um pouco irritado. – e sorriu de volta.

– Eu sei, por isso não esfregue sal na minha ferida, Teppei-san. – disse, irônico.

– Confie em seus companheiros, Hyuuga. Ser encurralado por quatro faltas é um problema, mas ainda não acabou. Tenho certeza de que precisaremos dos seus lançamentos. Contamos com você, capitão. – disse, levantando-se.

Mesmo diante do precipício, encontrou felicidade. Era a primeira vez que Hyuuga havia dito seu primeiro nome, mesmo que de maneira irônica. Ele sabia que o companheiro estava abatido por não poder lutar por sua promessa, mas não era hora de desistir. Hyuuga ficou pensando naquelas palavras. Bateu com suas mãos em seu próprio rosto. Certo! Não é hora pra hesitar. Vou descobrir seu truque, seu desgraçado, pensou enquanto começou a observar atentamente os movimentos de Reo.

Izuki enfrentou Hayama. Embora não pudesse acompanhar sua velocidade, venceu na estratégia, com ajuda dos companheiros. Mesmo reagindo, a diferente não diminuía. Precisavam desesperadamente de arremessos de três pontos. Koganei passou a marcar Reo. Ele conseguiu instintivamente pular quando enfrentou o Vácuo, apesar de não conseguir alcançá-lo a tempo. Mas foi graças a isso que Hyuuga percebeu o truque.

– Ah, eu descobri. Descobri como impedi-lo. – levantou-se, determinado.

No quarto período, finalmente Hyuuga voltou. Seu medo de cometer a última falta e estragar tudo foi superado com um forte tapa de Riko. Agora suas mãos estavam firmes e prontas. Reo apareceu em sua frente, com a mesma estratégia de fazê-lo cometer uma falta. Mas agora era diferente. Foi um lance perfeito. Não apenas atacou, como defendeu, superando o Vácuo.

Teppei sorriu por vê-lo de volta à ativa. Não poderia ficar para trás, então decidiu superar sua dificuldade com seu joelho. No rebote disputado contra Eikichi, ele hesitou um pouco, não fosse Hyuuga para acordá-lo.

– Kiyoshi! Há quanto tempo você joga como pivô? Não perca pra essa montanha de músculos!

Ouvindo isso, lembrou-se de sua capacidade, saltando sem medo das consequências. Recuperou a bola e passou para Kagami, marcando. Teppei e Hyuuga se fitaram por um breve momento, aquilo significava muito para os dois. Porém, só mais tarde poderiam conversar a respeito.

Rakuzan começou a fraquejar com a recuperação de Seirin. Foi quando Akashi abandonou seus companheiros de time, entrando na zona para vencer sozinho. Parecia que nada impediria seu ataque e defesa, mesmo com o ás da Seirin na zona. Mas Kuroko também é um jogador inteligente e descobriu uma forma de derrotar seu Emperor Eye. Com ajuda de Kagami, impediu o avanço de Akashi, roubando-lhe a bola. A última esperança de Rakuzan havia morrido, Akashi já não fazia passes precisos, estava inseguro e tornou-se um fardo na quadra. No intervalo de tempo, pensaram em substituí-lo, mas Mayuzumi despertou sua outra personalidade. Com isso, voltou à quadra com seu novo trunfo.

Seirin estava receosa, sabia que algo estava errado. E tinham razão. Akashi entrou na zona, levando o time inteiro a compartilhá-la. Agora Rakuzan possuía um sexto membro fantasma, três reis sem coroa e um ex-membro da Geração dos Milagres, todos na zona. Parecia ser o fim. Quando tudo parecia perdido, Ogiwara apareceu no topo da torcida e gritou:

– Esforce-se, Kuroko!

Não somente Ogiwara, mas Aomine, Kise e Midorima também gritaram para motivar o time. Foi suficiente para reacender a chama em seus corações. Kagami conseguiu entrar na zona novamente, embora Akashi tenha o impedido com seu Emperor Eye, marcando mais uma cesta. O tempo estava acabando, faltava menos de um minuto. Hyuuga recebeu a bola, precisavam muito de uma cesta de três pontos. Com concentração, conseguiu marcar e ainda ganhar uma falta a seu favor, 104 a 105. A esperança renasceu para Seirin. Com 10 segundos, ganharam um arremesso livre, apesar de saberem que havia uma grande possibilidade de Hyuuga errar. Por isso, organizaram-se pensando no rebote e no contra-ataque.

– Deixem a bola do rebote comigo. – Kagami disse.

– Não se preocupe com isso, Kagami. Apenas se concentre no contra-ataque. Os rebotes são minha responsabilidade. Por isso, não marque sem querer, Hyuuga.

– Eu não quero ouvir isso de você! – disse, dando um soco de brincadeira em seu queixo. Teppei sorriu de volta.

– Vamos nos divertir. Essa é a jogada final.

Todos se posicionaram diante do garrafão. Hyuuga segurou a bola, mas sentiu suas mãos tremerem. Hã? Isso não é bom. Estou com vontade de chorar. Droga, tudo porque aquele idiota usou a palavra “final”. Eu sei que é a nossa última vez jogando, não precisava me lembrar. Ah, fala sério, acho que eu vou acabar errando. Foi mal, mas vou depender de você. Não consigo carregar esse fardo, decidir uma partida quando há tanta coisa em jogo. Nosso futuro, o futuro do time. Sinto muito em colocar a responsabilidade no seu joelho. Mas, se vale como consolo, pra mim e pra você, eu já sei o que responder. Apenas pegue esse rebote. Vamos comemorar juntos. Não temos tempo pra arrependimentos, não é, idiota?, foi seu último pensamento antes de arremessar.

Como previu, a bola não entrou. Mas não havia problema. Teppei recuperou a bola e passou para Kuroko. Não temos tempo para arrependimentos, Hyuuga. Vamos nos esforçar, vamos vencer juntos. Todos se concentraram no ataque. Akashi chegou a tempo de impedir Kuroko, mas ele não queria fazer o último lance sozinho. Foi então que passou a bola para Kagami, fazendo um alley-oop perfeito no último segundo. 106 – 105, vitória da Seirin.

Ninguém acreditava. Era mesmo verdade. Haviam vencido. Seirin era a melhor do Japão. Todos gritaram felizes e se abraçaram. Era muita alegria para ficar contida. O time inteiro comemorava. Hyuuga, depois que cumprimentou todos, virou-se para Teppei, apontando o dedo, e disse:

– Kiyoshi! A resposta é sim!

Teppei parou um momento para pensar. Não havia entendido o sentido da frase. Hyuuga ficou indignado por perceber que não havia entendido.

– Como pode ter esse tamanho todo e ser tão lerdo...

Depois de alguns segundos, Teppei piscou de súbito e entendeu.

– Eh? Sério? Sim? Eh? – disse, sem acreditar, correndo em sua direção e o abraçando com força, erguendo seu corpo e o rodando no ar.

– I-Idiota! Me larga!

– Mas eu estou tão feliz!

– Eu vou te matar!

– Sem problemas! Eu vou morrer de qualquer forma, de tanta alegria que estou sentindo, né? – e continuava rodando Hyuuga no ar enquanto ria de forma boba.

Depois de comemorarem e tirarem fotos segurando suas medalhas e a taça, foram embora. Mas não queriam ir pra casa, finalmente poderiam ter a merecida diversão. Então o time todo foi para um karaokê. Cantaram, riram, parecia que o tempo havia parado. A felicidade transbordava em seus sorrisos.

Depois de algumas horas, partiram para suas respectivas casas. Hyuuga e Teppei caminhavam juntos, agora mais calmos depois da farra. Teppei estava corado porque havia lembrado que agora eram namorados. Então estendeu sua mão, segurando a mão de Hyuuga.

– Só por hoje, você andaria de mãos dadas comigo?

– I-Idiota. – disse, corado, mas sem soltar sua mão.

– Eu nunca senti tanta felicidade em um dia só. Estou tão leve que sinto que vou voar.

– Sua cabeça já é avoada mesmo, só falta o corpo de girafa criar asas. – e riu com sua própria provocação.

– Né, não seja tão rude! – e riu de volta. Ficou um instante em silêncio e replicou. – Né. Durma comigo essa noite.

– D-De novo com essa perversão?

– Já disse que não farei nada. É só que... Amanhã à noite não estarei mais aqui pra caminhar de mãos dadas com você...

– Eu sei...

– Além disso, você me deve uma. Aquele Reo não parava de dar em cima de você. Né, Junpei-chan?

Hyuuga arrepiou a espinha.

– Eu vou matá-lo na próxima, com certeza. – seus olhos pegavam fogo. Depois que se acalmou, voltou a falar. – Está bem. Você venceu.

– Ah, estou tão feliz! Tenho o melhor namorado do mundo!

– C-Cala a boca! Não fique falando essa palavra!

E, entre gritos e carícias, dirigiram-se para a casa de Teppei.