After Party
12 Capítulo 12 - Presente
Depois da festa, chegaram à casa de Teppei, arrumaram suas coisas e se preparam para deitar. Hyuuga havia notado a mala quase pronta ao lado da escrivaninha. Ao passo que estava feliz por ter cumprido a promessa, também estava triste por saber que não teria a mesma rotina com o trato dos beijos, os abraços, as exaltações e os carinhos. Tinham começado a namorar e não teriam como aproveitar isso. Bem, ainda possuíam uma última noite.
Algumas vezes, Hyuuga se pegou pensando naquilo. Ele ficava desesperado só de imaginar como seria. Afinal, ambos eram homens, seria muito esquisito. Mas já sentira diversos arrepios e outras coisas quando Teppei intensificava os beijos, por isso sempre saía correndo na primeira oportunidade. No final das contas, acabou aceitando que um dia fariam isso. E Teppei parecia gentil o suficiente para ser carinhoso. Eu vou ter que deixar ele fazer tudo, não sei nem por onde começar. Fala sério, isso é um pesadelo, refletia depois que havia se resignado. Entretanto, ele sempre havia pensado que só aconteceria quando estivessem mais maduros. Mas seus planos foram por água abaixo quando Teppei fez o pedido de namoro. Ele não podia ficar para trás, precisava dar algo em troca que fosse tão bom ou até melhor. A única resposta que conseguiu encontrar foi aquela. E, se não acontecesse naquela noite, não poderia retribuir em menos de um ano. Por fim, decidiu-se.
– Kiyoshi... – Hyuuga coçou a nuca meio sem jeito, ambos estavam sentados na cama, encostados na parede. Teppei terminava de checar seus e-mails.
– Hm? – desviou o olhar do celular e o fitou.
– Sabe... – Hyuuga ficava mais e mais corado.
– Você quer dormir já? Estou te atrapalhando?
– Não, não é isso... – e desviou o olhar. – Como eu devo pôr em palavras? Hm... Não consigo dizer! – fungou bravo consigo mesmo.
– O que foi? Diga pra mim sem medo.
– Não é medo. É... É vergonhoso dizer isso! – Hyuuga se exaltou, empurrando o celular de Teppei contra o rosto dele.
Teppei sorriu, deixando o celular no criado-mudo ao lado da cama, e segurou suas mãos, fitando-o.
– É algo sobre nós?
Hyuuga acenou com a cabeça, seu semblante estava fechado.
– Quer dizer algo sobre nós? Quer dizer que me ama?
– I-Idiota! – Hyuuga tentou soltar suas mãos, mas Teppei segurou seus pulsos, brincando.
– É algo de errado?
– Não... E me solta!
– Não solto enquanto não disser! – e ambos ficaram trocando movimentos com os braços.
– É por isso que eu te odeio! Fala sério! É-É algo sobre o pedido de namoro!
Teppei empurrou seu corpo para cima do corpo de Hyuuga, deitando-o e prensando-o contra a cama, sem soltar seus pulsos.
– Tem algo de errado com o pedido de namoro? Eu não vou parar de te dar selinhos enquanto não disser. – e começou a beijar Hyuuga delicadamente a cada instante.
– A-Assim eu não con-consigo mesmo dizer... – Hyuuga havia desistido de lutar. Sentia o corpo de Teppei sobre o seu e aquilo estava o tirando do sério. Já não sabia mais onde esconder o rosto de tanta vergonha.
Teppei não entendia o que estava em jogo. Hyuuga queria retribuir o pedido de namoro, mas também queria comemorar a vitória da Winter Cup. De certa forma, também queria eternizar aquele momento antes que Teppei partisse para a cirurgia. Havia muito significado ali, apesar de parecer que não daria certo. Finalmente respirou profundamente e criou coragem.
– Eu quero te dar meu presente pra retribuir o pedido de namoro.
– Presente? Cadê?
– Tá olhando pra ele.
Teppei finalmente percebeu do que se tratava e se corou, fitando-o.
– Hy-Hyuuga... Não me diga que você... – soltou seus pulsos por um instante, ficando corado com o que havia pensado. – Desculpe ter brincado. – e deitou seu corpo sobre o dele, encaixando seu rosto no ombro de Hyuuga, sussurrando. – Agora não consigo me conter, acho que meu coração vai explodir de alegria.
– Idiota... Quase estragou tudo...
– Me deixa tentar consertar. – Teppei se sentou sobre o corpo de Hyuuga e tirou seus óculos delicadamente. Seu sorriso estava ainda mais gentil.
Teppei segurou a mão de Hyuuga. Gradualmente, começou a beijá-la e foi descendo os beijos pela extensão de seu braço até chegar ao seu pescoço, mandíbula e lábios.
Quando começaram a se beijar, Teppei se deitou sobre o corpo de Hyuuga, prensando-o contra a cama. Hyuuga ofegou instintivamente, de maneira abafada devido ao beijo. Suas mãos, antes desajeitadas e soltas, agora exploravam as costas de Teppei com gentileza, enquanto a mão direta de Teppei apertava levemente a coxa de Hyuuga conforme a conduzia para subir um pouco.
Pararam um pouco o movimento para tirarem suas respectivas camisetas, voltando rapidamente ao beijo. Teppei começou a puxar a calça de Hyuuga, também de maneira recíproca. Era a primeira vez que se tocavam de uma forma tão íntima. Apesar da leve vergonha, estavam deixando-se levar pelo momento, nada mais seria motivo para se segurarem. Inclusive, era tarde demais para pensarem em parar. Teppei interrompeu o beijo e sentou-se, tirando a boxer de Hyuuga. Depois, colocou as pernas de Hyuuga sobre seus ombros e começou a acariciar levemente seu membro.
Hyuuga virou a cabeça para o lado, mordendo os lábios e apertando os olhos com força. Como eu havia imaginado, sua mão é mesmo enorme, pensou enquanto sentia sua carícia, segurando para não começar a gemer com todo o prazer que estava sentindo. Teppei ofegava enquanto prestava o máximo de atenção ao rosto de Hyuuga. Era importante saber se estava gostando o suficiente, embora fosse bem evidente. Vou te fazer o homem mais feliz do mundo, Hyuuga, espere pra ver. Estava realmente decidido.
Então, com sua mão livre, acariciou seu rosto e, delicadamente, introduziu seus dedos indicador e médio em sua boca. Hyuuga, corado, começou a chupá-los, meio sem graça. Desajeitado, enroscava sua língua nos dedos de Teppei, tentando se concentrar nos dois movimentos. Enquanto isso, sentia o nariz de Teppei deslizando por suas coxas, seguindo de longas ofegadas que o deixavam ainda mais desconcentrado.
Quando seus dedos já estavam bem molhados, tirou-os da boca de Hyuuga e percorreu todo o seu corpo. Para distraí-lo do momento exato, introduziu o membro dele em sua boca, ao mesmo tempo em que o penetrou com seus dedos. Hyuuga virou sua cabeça para trás, segurando um gemido abafado. Nunca havia sentido aquilo antes. Ao mesmo passo que era uma sensação estranha, também era prazerosa.
Teppei tentava se concentrar em manter o ritmo de seus dedos iguais ao de sua boca e, quando conseguia uma brecha, abria os olhos para ver como Hyuuga reagia. Nada a se preocupar, estava realmente gostando, ao que seus gemidos indicavam. Enquanto sentia os dedos de Teppei, ele apertava o travesseiro com força. Queria empurrar a cabeça de Teppei pra aumentar o ritmo, mas estava com vergonha de fazê-lo. De alguma maneira, queria sentir mais.
– M-Mais... – conseguiu dizer de forma bem abafada devido aos seus gemidos.
Teppei escutou e tirou seus dedos, assim como sua boca. Fitou ofegante a feição do namorado, então segurou as pernas de Hyuuga, dobrando-as. Encaixou seu quadril por baixo do dele e deitou-se sobre seu corpo, segurando seus pulsos enquanto distribuía leves chupões por seu pescoço. Mordeu o lóbulo de sua orelha e, de surpresa, o penetrou com seu membro. Hyuuga virou a cabeça para trás, tentando se controlar para não soltar um gemido alto. Teppei ofegava em seu ouvido, isso só o deixava mais e mais excitado. Apesar de sentir um pouco de dor, também sentia prazer, conforme Teppei ia movimentando seu corpo para frente e para trás, aumentando o ritmo gradualmente.
Hyuuga sentia seus pulsos presos pelas mãos grandes de Teppei, mas não queria se soltar, gostava de sentir aquela pressão. Estava gostando de tudo, mesmo que fosse embaraçoso. Por mais que tentasse segurar seus gemidos, ele estava quase saindo de controle. A intensidade dos movimentos aumentava conforme sentiam seus corpos levemente suados e quentes se friccionando. Era um quente diferente de tudo o que haviam experimentado. Não era como se fosse um incômodo, pelo contrário, era aconchegante.
Apesar de sentir vergonha da situação em que se encontrava, Hyuuga só queria cada mais vez mais sentir o corpo de Teppei ao seu. Desejava muito dizer seu nome em meio aos gemidos, mas se segurava para não se sentir ainda mais submisso. Seu orgulho já havia sido enterrado há algum tempo, só não aceitava o fato de que estava adorando ser dominado. Como as coisas haviam chegado a esse ponto? O cara que ele sempre odiou agora o penetrava com todo o prazer que podia proporcionar. Ah, Hyuuga, desista de lutar, você já perdeu. Olha só aonde chegou, gemendo de prazer por causa desse maldito. Não consigo mais lutar contra isso, nem me reconheço mais, não tenho mais nem a dignidade a perder, pensou enquanto permanecia com a cabeça virada para o lado, de olhos fechados.
– Ha... Ki... Yoshi... Ha...
Teppei sorriu ainda mais quando ouviu seu nome da boca da pessoa que ele amava. Segurou para não chorar e derrubar algumas lágrimas em cima do rosto de Hyuuga. Então se aproximou de seus lábios e disse:
– Eu amo você.
Com isso, Hyuuga gozou. Era seu limite. Não conseguia segurar mais nada, nem seu gozo. Estava completamente derrotado, embora feliz e muito satisfeito. Alguns movimentos depois, Teppei também gozou, deitando-se sobre o corpo de Hyuuga. Ainda estavam ofegantes, mas agora ouviam perfeitamente seus corações acelerados. Queriam se abraçar, mas estavam cansados demais. Não era só físico, o esforço de que tudo fosse perfeito e a batalha pela resignação cansaram suas mentes. Mas nada disso importava agora.
Teppei rolou e se deitou ao seu lado. Hyuuga se virou, encolhendo-se na cama.
– Hyuuga... Tudo bem? – perguntou, abraçando-o por trás.
– Sim... Só... Estou cansado.
Teppei ficou preocupado, com medo de que não tivesse gostado. Mas não ousou perguntar, não naquele momento. Por sorte, Hyuuga percebeu.
– Não fique com paranoia. Foi ótimo.
– Ha? Mesmo? Mesmo, mesmo?
– Que irritante... Mesmo. Só... É meio embaraçoso.
Teppei entrelaçou sua mão na dele e se aconchegou ainda mais.
– É embaraçoso demonstrar afeição?
Não houve resposta. Embora não conseguisse superar sua vergonha, Hyuuga estava muito feliz. Afinal, ele amava e era amado, uma sensação incrível. Agora podia descansar tranquilo, havia retribuído o presente de namoro com sucesso, de forma esplendorosa. Só havia algo que o incomodava. Adorava viver o presente, mas o futuro estava bem ali, batendo para entrar. É uma pena que não poderemos fazer de novo amanhã, pensou enquanto fechava os olhos para dormir. Pelo menos, poderia dormir sentindo um carinho em sua nuca.
No dia seguinte, levantaram-se juntos. Por Hyuuga, tomariam banho separadamente, mas não foi o que aconteceu. Teppei o forçou a ir com ele, mesmo que só tivessem trocado algumas carícias mais íntimas. Depois que saíram do banho, arrumaram-se e se preparam para sair de casa. Teppei entregou um envelope para Hyuuga, dizendo:
– Só abra quando eu já tiver ido embora.
Depois, segurou o rosto de Hyuuga e o beijou delicadamente, embora de maneira bem prolongada.
– Sei que terá vergonha de fazer isso quando estivermos lá. Então me adiantei. – sorriu, pegando a alça da mala.
– F-Fica quieto. – e tirou a mala da mão de Teppei. – Não vou deixar você carregar peso, já ferrou seu joelho demais por uma vida.
Seguiram em direção ao aeroporto, onde encontraram Alex e alguns veteranos do time. Não haviam combinado nada, mas estavam ali para se despedirem. Hyuuga ficou distante, cabisbaixo. Estava tentando lidar com vários sentimentos: raiva, frustração, tristeza, saudade antecipada. Queria dizer tantas coisas, mas todos diziam antes dele. Era a última vez que veria Teppei naquele ano, não podia se dar o luxo de hesitar. Tomou coragem e se aproximou. Desviou o olhar por um instante, mas conseguiu fitá-lo em seguida.
– Estaremos esperando. – disse, sorrindo de canto.
Teppei fez o mesmo, acenando positivamente. Retribuiu o olhar por alguns segundos, longos segundos. Antes de embarcar, mandou um e-mail para o celular de Hyuuga. “Quando eu voltar, vamos nos casar. Amo você.”, era o que a mensagem dizia. Hyuuga ficou branco e segurou sua vontade de gritar, respondendo a mensagem com um “morra”. Teppei sorriu ao vê-la e entrou no avião. Os outros foram na frente em direção à saída, enquanto Hyuuga ficou observando o avião decolar e desaparecer no céu.
O time voltou à escola para treinar. Havia um ano pela frente, não tinham tempo para descanso, já estavam habituados. Hyuuga estava calmo. Apesar de sua tristeza, também estava aliviado. Teppei havia partido, mas deixado claro que retornaria para ficarem juntos. A promessa estava cumprida e agora o desfecho de sua recuperação o aguardava, bastava apenas aceitação e paciência.
Quando caminhava de volta para casa, sentiu um grande vazio.
– É bem solitário fazer esse trecho sozinho... Fala sério.
Quando entrou em sua casa, tirou os sapatos e foi até seu quarto. Deitou na cama, fitando o teto por um longo tempo. Estava curioso quanto ao envelope, mas não queria abri-lo, uma vez que não teria mais nenhuma surpresa de Teppei depois daquilo.
– Ah, que saco. Dane-se, vou abrir. – sentou-se na cama, puxando sua mochila e tirando o envelope.
Abriu-o com cuidado. Havia duas coisas. A primeira era uma carta, bem curta. Apenas dizia que voltaria logo e que sempre estaria pensando em Hyuuga. A segunda era uma foto. No verso, uma rápida explicação. “Agora que você não me odeia mais, pode se lembrar de mim através dessa foto, né?”. A foto era um raro momento em que Hyuuga sorria quando estava ao lado de Teppei, só os dois. Fora antes de se declararem, em um dos passeios do time. Não que não gostassem de tirar fotos, mas a rivalidade e a eloquência do ala-armador impediam que pudessem gravar momentos de felicidade sincera. Essa deve ser a nossa única foto juntos. Droga, não tinha uma pessoa melhor pra você se apaixonar, Kiyoshi?, pensou enquanto empurrava seu corpo com força contra a cama para se deitar, com os braços abertos. Não conseguiu se segurar, algumas lágrimas escorreram pelo seu rosto.
– Só... Por favor... Não se esqueça de mim. – disse, contendo-se para não soluçar.
~
Um ano se passou. Era madrugada, aproximadamente 4 da manhã, um dia bem frio no meio do inverno. O aeroporto estava praticamente vazio devido ao horário, mas uma figura estava ali há algumas horas, sentada na cadeira da sala de espera.
– Fala sério. Está atrasado.
Hyuuga ouviu o barulho de um avião chegando. Levantou-se, dirigindo-se ao desembarque. Alguns minutos depois, uma figura alta se aproximou dele lentamente. Teppei soltou sua mala e abraçou Hyuuga com toda a força que conseguiu.
– Estou de volta.
– Bem-vindo. – sorriu, abraçando-o de volta.
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