After Party

6 Capítulo 6 - Bola


Após as eliminatórias para a Winter Cup, os times agora teriam um mês de treinamento e preparo. Touou seria o time adversário logo no primeiro jogo, não havia tempo para descanso. Riko e seu pai eram responsáveis pelo treinamento pesado dos jogadores e, mesmo assim, os titulares davam seu máximo treinando até mesmo após o horário regular. Alguns se isolavam, em quadras abertas, enquanto outros permaneciam na quadra da escola. O tempo havia passado rápido naquele mês. Desde a confissão e o primeiro beijo, Hyuuga imaginava o que o futuro esperaria de tudo aquilo. Talvez seja só um momento passageiro, talvez Kiyoshi nem sinta algo de verdade e tudo acabe antes mesmo da Winter Cup, era o que ele pensava. Mas não era nem de perto o que acontecia. Toda vez que ficavam sozinhos, Teppei roubava-lhe um beijo. E o pior de tudo é que ele nem podia gritar ou reclamar, eles sempre estavam na rua quando isso acontecia. Um beijo por dia era o que Teppei cobrava, mas às vezes ele se aproveitava e aumentava a quantia. Hyuuga nunca reclamou desse combinado, muito menos dos excessos. Ele simplesmente deixava, claramente porque gostava de seus beijos e carícias, mesmo nunca admitindo, nem para si mesmo.

Teppei também era gentil e sabia o limite das incertezas e medos de Hyuuga. Apesar de ser uma pessoa estranha que não lidava bem com metáforas, seu coração, mesmo com seu apelido, era tranquilo e gentil. Seus planos eram até mesmo platônicos, pois vivia um dia de cada vez, objetivando apenas a taça da Winter Cup. Ele demonstrava seu afeto da maneira que conseguia. Hyuuga, apesar de ser expansivo e eloquente, não lidava bem com assuntos do coração.

Mesmo com tantas diferenças entre si, eles compartilhavam algo em comum: ambos sabiam o exato momento em que seus corações bateram em sintonia. Quando Teppei conheceu Hyuuga, o pivô havia conhecido um garoto ranzinza e revoltado. Apesar de a primeira impressão ser a mais marcante, Teppei nunca havia se incomodado com sua personalidade explosiva, mas também nunca havia sentido algo de especial. Somente depois que conseguira amolecer o coração impenetrável dele é que percebera certa beleza em sua determinação. Mas Hyuuga sempre deixara claro o quanto odiava Teppei, o que de certa forma era um pouco triste, apesar de entender seus motivos. Desde que ambos jogassem basquete do fundo de seus corações, não importava o tipo de relação que ambos teriam. Até aquele incidente.

Desde que possamos jogar basquete juntos, era uma ideia que parecia ser eterna. Nada importava mais que honrar o nome da Seirin. Mas Teppei havia se machucado seriamente. O que era perfeito e simples tornou-se complicado. Se não podemos mais jogar basquete, o que nos resta?, esta dúvida incomodava ambos, tinham mais coisas em comum do que imaginavam. Hyuuga sabia que sem Teppei não tinha graça. Não tinha sentido jogar basquete sem o cara que o convenceu a voltar a jogar. Foi então que surgiu a promessa.

Teppei sentiu pela primeira vez sua impotência, mas também sentiu que poderia contar com Hyuuga para voltar e realizar seu sonho. Suas lágrimas não eram apenas de tristeza, também escondiam uma alegria por saber que existia um amigo (ou rival, afinal ele o odiava) disposto a comover seu coração dessa maneira. A imagem dele de costas enquanto o sol se punha sempre ficara marcada em sua memória. E Hyuuga também havia se surpreendido consigo mesmo, com suas palavras e sua atitude. Não era uma postura apenas de um capitão, era a postura de um amigo. Por mais que o odiasse, não era um ódio verdadeiro. Talvez fosse apenas raiva por Teppei ter desarmado seu coração de uma maneira tão sutil e efetiva. Quando pensou justamente neste ponto, seu coração também acelerou.

Nenhum dos dois deu brecha a essas emoções. Teppei havia partido para sua cirurgia e reabilitação enquanto Hyuuga cuidava do time. Era um tanto quanto enfadonho. Só havia algo que os unia: saudade. Por mais difícil que fosse admitir, era bem triste não ter o fundador do time por perto. Com a virada do ano veio a adição de novos membros. Isso deu um pouco de motivação e distração, afinal, agora possuíam membros com potenciais elevadíssimos. Derrotar a Geração dos Milagres não era mais um sonho distante. Só espero que você esteja aqui para jogar conosco, senão não terá sentido algum, idiota, Hyuuga pensava enquanto via Kuroko e Kagami treinando seus passes.

Até que a notícia de sua volta estremeceu seu coração novamente. Por mais que quisesse tê-lo por perto, era difícil se controlar. Certamente gritaria muito com ele por sua lerdeza, por suas esquisitices, por estar sempre tramando algo que lhe escapava o raciocínio. Isso o cansava mentalmente. Tinha também a vergonha e a felicidade por sua volta, duas coisas que deveria esconder no mais profundo da sua alma.

Todos estes pensamentos acabaram levando Hyuuga ao extremo. Falta de concentração e hesitação, perceptíveis para todo o time. E então adveio a sucessão de eventos: a corrida em volta da quadra, as caminhadas para casa, o presente, os jogos, o beijo. Parecia que o destino conspirava para que Hyuuga se deixasse levar por sua frustração.

Mas chorar pelo passado não mudaria nada, o presente estava bem ali na sua frente, alto, lerdo e irritante. Estavam ambos treinando sozinhos na quadra da escola. Teppei havia notado a cara amarga do parceiro.

– Algum problema, Hyuuga?

– Nenhum. Preste atenção nesse passe, é importante. – e jogou a bola em sua direção.

– Está mais mal-humorado do que de costume. – segurou a bola enquanto sorria.

– Idiota. Eu não sou mal-humorado, apenas sou sério e focado.

Teppei jogou a bola em sua direção para provocá-lo. A bola bateu em sua cabeça e chegou a acertar seus óculos, derrubando-o.

– Hyuuga, você está bem? Machucou? Sinto muito – correu em sua direção, ajoelhando-se.

– Fala sério – disse, pegando seus óculos – estou bem. Só assustei.

Teppei beijou sua cabeça onde a bola havia batido e o abraçou gentilmente.

– Ei, não seja meloso. – respondeu, um pouco incomodado.

– Né, você está muito tenso. Posso ver seu estresse a quilômetros. O que eu posso fazer pra ajudar a aliviar essa tensão? Quer uma massagem?

– Hum, não precisa...

– Ah, não seja orgulhoso, apenas fique aí sentado – Teppei se moveu para trás de Hyuuga e ajoelhou-se novamente, apertando seus ombros.

Novamente sentiu o conforto e a gentileza de suas mãos, particularmente exímias no quesito massagem. Seus ombros começaram a ficar relaxados e seu pescoço foi pendendo. Ele realmente tem mãos boas. Será que elas também são boas em...

Hyuuga se levantou de súbito.

– Tá bom! Já treinamos muito! Você vai embora? Porque eu vou! Estou indo! Tchau! – pegou sua mochila e saiu correndo novamente como se estivesse em uma maratona.

Teppei notou que o rosto do parceiro parecia uma pimenta. Sorriu por saber que, de certa forma, ele deixava Hyuuga envergonhado. Vou ter trabalho pra tirar essa vergonha toda, mas sou paciente, pensou enquanto pegava sua mochila e saiu às pressas também.

– Hyuuga! Você não me beijou ainda, volta aqui!