After Party
7 Capítulo 7 - Escada
Finalmente o grande jogo havia chegado. Seirin VS Touou, uma colisão de desejos e sonhos que ambos os times carregavam. Todos sabiam o nível de dificuldade. E todos queriam carregar o sonho de Teppei nas costas.
Kuroko fraquejou diante da monstruosidade de Aomine. Kagami se esforçou além da medida para trazê-lo de volta ao jogo, o que de certa forma foi efetivo. Mas Aomine estava determinado em um nível absurdo, a ponto de entrar na Zona. Kagami se sentia frustrado, especialmente por cansar de ver seu time chorar e por não poder cumprir a promessa com Teppei. Não havia tempo para esperar o próximo ano porque ele não estaria mais no time. Carregando o sonho de todos nas costas como um verdadeiro ás, Kagami também entrou na Zona e equilibrou o jogo. Nos desesperadores últimos segundos, o rebote do arremesso de Teppei foi conquistado por Kagami, mas Aomine não havia recuado um único passo sequer. Kuroko pegou a bola e a devolveu a Kagami, marcando o último ponto antes de o tempo zerar. Seirin saiu vitoriosa por um triz, 101 – 100. Aquela vitória não era vingança. Era apenas um passo que deveriam dar para chegar mais perto da taça. Era a sensação de dever cumprido, especialmente de Kuroko que precisava desesperadamente provar que seu basquete era digno e salvar os amigos da Geração dos Milagres.
Exaustos, os jogadores dormiram no vestiário. Mais tarde, desejaram comemorar todos juntos com uma refeição. Teria sido excelente, não fosse o jantar que havia sido preparado por Riko. Ninguém sobreviveu. Pelo menos, por um certo tempo. Após se recuperarem, voltaram para suas casas. Hyuuga e Teppei se despediram da mesma forma dos dias anteriores: um beijo seguido de um abraço apertado.
O próximo desafio era contra Nakamiya Minami. Não era um jogo que reservava um jogador da Geração dos Milagres, mas a Seirin estava pesarosa desde o embate contra a Touou. Riko se encarregou de dar um tapa em cada um deles para que acordassem. Foi efetivo, vitória de 83 – 77. Mais um passo em direção à taça.
Outro desafio também foi superado, Seirin VS Morizono Kita, 87 – 82. Estavam cada vez mais perto da vitória, mas cada passo exigia mais esforço para subir o próximo degrau. Quando voltavam juntos para suas casas, Hyuuga percebeu a preocupação nos olhos de Teppei.
– Por que essa cara de desolação, idiota?
– Hum, você sempre percebe quando estou tentando esconder algo... Bom, fui pego. O próximo jogo me preocupa. – por mais tenso que estivesse, sua fala nunca se exaltava.
– Algum problema com Yosen? Quer dizer, além de ter um membro da Geração dos Milagres...
– Antes de entrar para a Seirin, minha escola, Shoei, enfrentou a Geração dos Milagres. Hyuuga, eu quero muito proteger o nosso time. Quero ser a muralha que sustenta nossos sonhos. Eu consegui segurar os machucados de vocês contra a Kirisaki, mas estou com medo de falhar contra a Yosen... Estou com medo de não conseguir proteger vocês...
– Você é idiota mesmo ou o quê? Não adianta nada eu retrucar sua fala se o óbvio está debaixo dos seus olhos e você não percebe. Só espero que amanhã você entenda isso.
– Hã? O que quer dizer com isso?
– Como eu disse, não adianta. Você precisa perceber sozinho. A única pista que posso te dar é que olhe ao seu redor com atenção.
– O que tem ao meu redor? Fala pra mim! Não me mate de curiosidade, Hyuuga! – Teppei se agitava em sua frente enquanto caminhavam.
– Ah, que irritante! Pela última vez, não adianta. Acalme seu coração e pare de sofrer por antecedência. Seirin não é feita só de Kiyoshi. É feita de Izuki, Kuroko, Kagami, Mitobe, Koganei, todo mundo. Você não carrega o time sozinho. Ficamos um ano sem você, não se esqueça disso.
– Entendo... Eu só quero compensar minha ausência e não deixar que a Seirin experimente o desespero de um placar disparado, sabe? Ah, a propósito, faltou uma pessoa na sua conta.
– Não faltou não. Os reservas já estavam inclusos no “todo mundo”.
– Você não é reserva, é titular.
Hyuuga se corou.
– E-Eu também já estava incluso.
– Hum, às vezes você se subestima como capitão. Mas, desde que voltei, eu percebi o quanto você cresceu como líder. Eu estava certo em confiar o time aos seus cuidados afinal.
– Fica quieto! Está me deixando com vergonha falando essas coisas, não lido bem com elogios, fala sério.
Teppei parou de andar e segurou a mão de Hyuuga. Ele se virou e ficaram frente a frente, ambos se fitando. Teppei acariciou o rosto de Hyuuga calmamente, enquanto este desviava o olhar por vergonha.
– Você sempre desvia o olhar, então eu aproveito os poucos momentos em que você me olha pra admirar seu rosto.
Hyuuga detestava quando Teppei fazia isso. Sentia seu rosto esquentando e corando, enquanto seu coração parecia que iria saltar para fora de seu peito.
– Já sei. Vamos ficar um pouco juntos hoje no playground, esquecer um pouco as pressões que o basquete traz. Que tal?
– Hum, acho que não tem problema...
Caminharam até o destino e sentaram-se no mesmo banco em que haviam se beijado pela primeira vez. Teppei aproximou seu corpo ao de Hyuuga para abraçá-lo. Quando Hyuuga via seu corpo se aproximando, sentia-se indefeso. Era diferente da intimidação de um adversário. Teppei se aproximava e, magicamente, suas defesas e seus ataques eram desarmados. Abraçaram-se de uma maneira bem carinhosa. Teppei sussurrou em seu ouvido:
– Você ainda me odeia como costumava dizer?
– Claro que não...
– Que bom! Mesmo você me chamando de idiota e gritando comigo o tempo todo, né? – e sorriu gentilmente.
Hyuuga ficou surpreso com o comentário e respondeu com um pouco de timidez.
– São velhos hábitos. Ainda não sei lidar com isso...
– Isso o quê?
– Eu e você.
– Entendo... Isso significa que você não sabe o que fazer com tanto amor, não é mesmo? – e começou a rir com a mão atrás de sua cabeça.
– N-Não é isso! N-não é como se eu estivesse a-apaixonado ou coisa do tipo!
Teppei se surpreendeu e se corou com sua fala.
– Então você realmente gosta de mim, não é? Não é? – perguntava enquanto jogava o corpo pra cima de Hyuuga.
– P-Para com isso! Daqui a pouco alguém vai ouvir a gente! – dizia enquanto segurava os pulsos de Teppei.
– Mas eu quero saber!
– Ah, como você é irritante, Kiyoshi! Eu gosto! Agora para!
Ambos pararam de se mover por um instante.
– Então é verdade, não é? No futuro, certamente vamos nos casar! – Teppei fechou os olhos e começou a babar com a ideia na sua mente.
– Cala a boca! Como se isso fosse acontecer! – e Hyuuga deu um tapa em sua cabeça.
Teppei continuou sorrindo e fez um súbito movimento, deitando-se no colo de Hyuuga.
– O céu está bem nublado, mal consigo ver a lua. Não tem nenhuma estrela também.
Hyuuga virou sua cabeça para o alto para observar enquanto acariciava o cabelo de Teppei.
– De fato. – fizeram uma pausa na conversa – Kiyoshi. Sei que está preocupado com a partida de amanhã, mas preciso te dizer algo. Desde que seu joelho se complicou, você tem tentado subir uma escada sozinho. Mas isso é estupidez. Você não consegue sozinho. E não tem problema depender de outra pessoa. Veja Kuroko e Kagami, ajudando um ao outro a alcançarem seus objetivos sem medo de parecerem fracos. O mesmo vale pra você. Você sabe que pode... Hum... Pode se apoiar em mim pra subirmos essa escada juntos, não sabe?
Teppei se surpreendeu novamente. Se eu não conseguir mais subir os degraus, eu conto com você para me apoiar, foi o que pensara naquele dia do presente. Mesmo sem nunca ter lhe dito essas palavras, Hyuuga o respondeu, como se pudesse ler sua mente.
– Conto com sua ajuda. Vamos nos divertir amanhã. – sorriu enquanto entrelaçava sua mão na mão livre de Hyuuga.
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