After Party
10 Capítulo 10 - Apego
Na véspera do jogo da Seirin contra a Kaijo, os membros do time permaneceram treinando. Por mais que tivessem vencido o amistoso, isto não contaria como vitória.
– É a primeira vez que estamos jogando contra a Kaijo. – disse Hyuuga. – Um amistoso pode nos dar esperanças, mas não conta como vitória. Só um jogo oficial pode nos trazer essa sensação.
Quando terminaram de treinar, foram todos para suas respectivas casas. No caminho, Teppei puxou assunto:
– Hyuuga. Sei que não joguei com vocês no amistoso, então será minha primeira partida contra Kaijo. Mas quero que saiba que meu sentimento é o mesmo.
– Hã? Do que está falando, idiota?
– Mesmo que não conheça esse sentimento de revanche, eu não vou hesitar. Temos um campeonato para ganhar.
Hyuuga bateu em sua cabeça como uma cancela de estacionamento.
– Eu já falei. É a primeira vez para todos nós. Mesmo que você não saiba o que é ser desafiado pela revanche deles, você sabe o desespero de perder quando estamos tão perto. Não jogue pensando nisso. Jogue pensando que está a dois passos de realizar seu sonho. Não dá pra pular um degrau, tem que subir no penúltimo pra chegar ao último. Tenha confiança.
Teppei sorriu com a resposta e, perdendo a compostura séria, fechou os olhos e se aproximou fazendo biquinho de quem quer um beijo. Hyuuga novamente bateu em sua cabeça.
– Mas também não fique tão relaxado!
– Ai! Mas eu quero meu beijo do dia!
– Cala a boca, eu sei! – Hyuuga fungou e, em um movimento sagaz, deu um selinho rápido e saiu correndo.
– Hyuuga! Volta aqui, esse não valeu! Eu vou colocar esse na nossa conta!
No dia seguinte, todos se preparavam para as semifinais. O primeiro jogo seria Rakuzan VS Shutoku. Seirin observava, ao lado da quadra, analisando o Olho do Imperador de Akashi. Midorima, assim como o resto do time, deu seu máximo, dependendo inclusive de Takao para seu novo passe combinado. Mas nada foi suficiente para parar a estratégia de Akashi, combinada ao olho especial. 86 – 70, vitória de Rakuzan.
Agora era vez de a Seirin entrar em quadra. Enquanto os dois times se aqueciam, Kise pegou a bola e fez um alley-oop na cesta do lado em que a Seirin aquecia. Hyuuga repreendeu Kagami, mandando-o retornar a declaração de guerra. Kuroko e Kagami fizeram o alley-oop original, marcando também. Parecia um clima bem amigável, apesar da rivalidade. Kasamatsu se dirigiu a Hyuuga e apertou sua mão. Sentiu a firmeza do aperto, de fato o capitão da Seirin havia crescido e estava maduro o suficiente para o cargo.
Início de partida. Seirin queria entrar em vantagem logo no começo para evitar que o Perfect Copy de Kise controlasse o jogo no final. Entretanto, Kise já começou a partida com sua habilidade, usando todos os movimentos que copiou, inclusive da Geração dos Milagres. Kaijo começou a abrir uma grande vantagem, o que deixou a Seirin desestabilizada. Furihata entrou para trazer cautela e tranquilidade, levando o time a racionalizar suas jogadas. Passados três minutos, Kise parou de usar sua Perfect Copy, era preciso guardar dois minutos para o final.
Kagami foi enfrentar Kise na marcação. Com toda sua determinação, conseguiu vencê-lo e pontuar. Entretanto, o pé de Kise estava com problemas desde a pisada de Haizaki. O técnico percebeu e o substituiu, apesar de sua relutância. Com Kise fora da partida, Seirin controlou o fluxo do jogo. Kasamatsu foi impedido pelo Eagle Spear de Izuki. Mas o jogador não desistiu e descobriu o segredo por trás do Phantom Shot de Kuroko, um pouco antes de ser substituído. A força da Kaijo não parou, exercendo uma pressão absurda. Teppei tentou marcar pelo garrafão, mas acabou cometendo falta em Kobori, que o encarou e disse:
– Não pense que vou perder para alguém que não esteve no amistoso. Você não entende o sentimento de revanche, você não sabe o quanto ansiamos por uma vitória.
Teppei ficou um pouco cabisbaixo com aquilo, não encontrando palavras para responder. De fato, já fazia algum tempo que não se sentia encaixado por causa de toda a ferocidade e rivalidade do jogo. Foi quando sentiu um tapa nas costas, era Hyuuga, como sempre.
– Você não vai responder?
– Bem, eu não pensei em nada pra falar...
– Hã? Já se esqueceu da noite passada?
– Eh?
– Fala sério. Você tá muito distraído, Coração de Ferro!
– Bom, poderia não me chamar disso novamente?
– Hã? Por que está se incomodando com isso, Coração de Ferro?
– Então...
– Coração-de-ferro. Coração-de-ferro. Coração-de-ferro.
Teppei perdeu a compostura e se exaltou:
– Eu já avisei antes. Mesmo que seja você, eu ficarei irritado se me chamar assim!
Os dois começaram a discutir apontando seus defeitos em quadra. Kagami ficou preocupado com essa atitude, estava receoso de que ambos se desentendessem e jogassem fora de sincronia por causa disso. Mas Izuki acalmou seu coração quando disse que, desde o começo, é normal isso acontecer.
– Dizem que, quanto mais se briga, mais forte a amizade se torna.
De fato, é uma afirmação verdadeira. Mas Hyuuga e Teppei não eram mais só amigos. Eram quase namorados, o que tornava o laço ainda mais intenso devido à intimidade. Quando o jogo voltou, ambos estavam irritados, com caras fechadas. Mesmo com toda a chateação, os dois se concentraram ainda mais, efetuando passes e bloqueios. Teppei refletiu sobre as palavras rudes que ouvira. Não é que eu tenha me esquecido do que você me disse ontem. Eu não entendo mesmo a revanche da Kaijo, mas eu estou jogando por nós. Eu sei o que você sente, Hyuuga. Não estamos em vantagem, este é um primeiro jogo muito difícil. Não importa se eu não estava lá, não importa o que eles sintam. Tudo o que importa é que estejamos juntos subindo a escada da Winter Cup, terminou seu pensamento fazendo um arremesso certeiro. Voltou-se para a defesa e correu lado a lado de Hyuuga, dizendo:
– Bom passe, mas...
– Bom bloqueio, mas...
Mesmo com expressões fechadas, desviaram seus olhares para o outro lado e sorriram. Izuki se sentiu confiante e replicou a Kagami:
– Viu? Estão ainda melhores agora.
– Entendi, senpai... Só é meio estranho, não? – e sorriu, determinado.
Seirin estava disparada no placar. Kise se sentia frustrado por não poder ajudar, ele necessitava voltar ao jogo, não importava o preço que poderia lhe custar. Faltando quatro minutos, o técnico concedeu seu desejo. Foi então que ele ativou sua Perfect Copy novamente. Seirin viu-se em um pesadelo. Nada o impedia, a torcida era toda para a Kaijo, não conseguiam marcar um ponto sequer. Entretanto, Kuroko também havia voltado ao jogo, mesmo sem seus movimentos. Riko pediu tempo. Kuroko pediu para usar um minuto apenas para analisar os movimentos de Kise. Era a única chance de a Seirin impedi-lo e vencer o jogo, uma vez que ele usaria sua técnica durante todos os quatro minutos, excedendo seus limites.
– Certo, vamos nos divertir. – disse Hyuuga.
– Ei, Hyuuga, essa frase é minha... – Teppei replicou, com um semblante de pena.
Hyuuga sorriu. Idiota, eu também presto atenção nas coisas que você diz. Enquanto Kuroko analisava os movimentos para chegar a sua resposta, o time deveria manter a bola a todo custo em sua posse. Com muito esforço, tentaram um ataque que, impedido, ricocheteou em Izuki. A bola sairia e seria da Kaijo, mas Hyuuga jogou seu corpo para salvá-la e jogá-la de volta à quadra. Com isso, acabou batendo o corpo no banco da Seirin, cortando seu lábio. Não foi grave, então ele logo se recompôs.
Depois de um minuto analisando, Kuroko chegou à resposta. Em mais um intervalo de tempo, ele explicou o que deveriam fazer a seguir. O time então fez uma rodinha, com todos se abraçando. Hyuuga agarrou a blusa de Teppei com força e sorriu para todos.
– Certo, pessoal, vamos vencer! Seirin, fight!
Faltava menos de um minuto. Kuroko marcou Kise, forçando a usar a velocidade de Aomine (evitando, assim, que ele usasse o arremesso de Midorima). Depois, deveria passar por Kagami, então usou o Olho do Imperador de Akashi, derrubando-o. Por fim, Hyuuga e Teppei aguardavam sua chegada ao garrafão, então tratou de usar o Thor Hammer de Murasakibara. Tudo corria bem, por isso suspeitou de algo. Foi quando viu Izuki tentando roubar a bola usando seu Eagle Eye. Mas Kise não desistiu e conseguiu recuperar a bola, passando para Kasamatsu, que marcou. Entretanto, era o intuito da Seirin. Com apenas três segundos para o fim, Kagami correu para a cesta adversária. Kise o alcançou, mas Kagami pulou do mesmo jeito. A bola não entraria, então ele a pressionou contra a tabela, devolvendo-a para Kuroko. Kuroko se concentrou e marcou com seu Phantom Shot, virando o jogo. 81 – 80, vitória suada.
Todos comemoraram do fundo do coração. Kise estava muito triste, mas também se sentia honrado. Agora só podia esperar que a Seirin vencesse Rakuzan na final. No vestiário, mesmo tentando manter a seriedade, Kuroko e Hyuuga sorriram de forma bem relaxada, mas logo foram repreendidos por Riko. Antes de irem embora, Kagami voltou à quadra, procurando por seu anel. Midorima o encontrou e o devolveu, mas também advertiu Kagami quanto à dupla personalidade de Akashi. Preocupado, perguntou a Kuroko sobre o que se tratava aquilo. Foi quando todos decidiram se reunir na casa de Kagami para ouvir a história de Kuroko sobre a Geração dos Milagres na época da Teiko.
Apesar de manter o mistério, todos se sentiram aliviados ao fim da história. Não era algo grave como imaginaram. Pelo contrário, estavam ainda mais determinados por Kuroko. Despediram-se como o habitual e foram para suas casas. Novamente no habitual caminho, Teppei e Hyuuga estavam vivenciando uma mistura de sentimentos agora que estavam sozinhos. Um pouco de remorso, um pouco de alegria, até mesmo ansiedade.
– Né, Hyuuga. Obrigado.
– Hã? Pelo o quê?
– Por termos chegado à final. Se você não sonhasse com isso, não teríamos conseguido.
– Hm, tá achando que eu não sou de cumprir minhas promessas, é? Você não me conhece se acha isso.
– Não foi bem o que eu quis dizer, desculpe. Só... Estou feliz.
– Não relaxe só porque chegamos ao último degrau. Perder aqui é inadmissível.
– Mas sabe, eu já estou muito realizado. Não só chegamos à final, como eu também ganhei o seu amor. Isso por si só já é incrível.
Hyuuga novamente bateu em sua cabeça.
– Idiota. Já te disse, perder é inadmissível, então não se contente com o que tem. Também estou, hm, feliz por ter você ao meu lado, mas isso não me basta enquanto não vencermos a Winter Cup.
Teppei esboçou um sorriso bobo e apaixonado, babando com os olhos fechados.
– Idiota! Pare de me olhar assim! Aliás... Desculpe por antes, ter te chamado daquilo... Sei que não gosta, mas eu me exalto em jogos, perco a compostura, sei que, quando estamos desconcentrados e discutimos, conseguimos melhorar nossas jogadas coordenadas. Mas isso não é desculpa para ferir seus sentimentos.
– Não se preocupe. Ah, por falar nisso! – segurou Hyuuga pela cintura, para que ficassem de frente um para o outro, e tocou o lábio inferior dele delicadamente. – Machucou? Está doendo?
– Bem, não foi nada... – e desviou o olhar, corado.
– Acho que eu vou ter que colocar outro beijo na conta, né?
– Eh? Por quê?
– Porque vou te machucar se te beijar agora.
– Não vai.
– Acho que vou.
– Não, não vai! Fala sério. Apenas... Faça logo. – o rosto de Hyuuga estava prestes a pegar fogo.
Teppei sorriu, encostando delicadamente seus lábios nos de Hyuuga, selando-os, mas não o beijou mais que isso.
– Não se preocupe, temos uma vida toda pra fazer isso.
Despediram-se e Teppei entrou em sua casa. Tirou seus sapatos enquanto sorria e pensava no dia que tivera. Ele não havia dito nada, mas sentiu quando Hyuuga se apegou a sua blusa com força, por isso não achou que estivessem brigados antes de conversarem. Mesmo que escondessem o relacionamento, Teppei sentia nas entrelinhas as demonstrações de afeto de Hyuuga. Só isto já bastava. E mesmo que ele dissesse não ao pedido de namoro, ele sabia que ficariam juntos. Pois Hyuuga não havia agarrado somente sua blusa, ele também havia se apegado a Teppei de uma forma totalmente intensa. Essa blusa nunca significou tanto pra mim, estou tão feliz, pensou enquanto apagava as luzes da sala.
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