Affected
1 Janeiro
Notas iniciais
Meu nome é Luan...
Um ano se passou desde que minha vida mudou totalmente em um único suspiro alvoroçado. Tudo isso começou em 21 de janeiro, ou será que era 22? Não lembro, enfim, não importa mais...
Eu tive um sonho, o cheiro de churrasco era forte e o sol brilhava incessantemente no jardim, via minha esposa cozinhando e meus filhos brincando felizes, até quando acordei...
- Pai! – Minha filha me sacudia, chorando e gritando – Acorde, por favor!
Eu abri os olhos, sem entender, eu a abracei e perguntei oque aconteceu
— Filha, oque houve? – Meu filho entrava pela porta nesse momento e correu pra me abraçar também.
Clarice, minha filha, tem apenas oito anos, um ano mais velha que seu irmão Frank
Eles não me disseram nada, apenas me apontaram a janela, em uma das extremidades do pequeno quarto onde dormia com minha esposa. Eu me levantei, abri a janela e vi... A cena era quase indescritível, haviam pessoas mutiladas e severamente machucadas pela rua toda, carros batidos, ninguém estava vivo. Minha vizinha estava deitada na rua, com seus intestinos arrancados e sua boca estraçalhada... Fiquei assustado, mandei meus filhos se esconderem em seu quarto.
— Socorro! – Gritou uma voz familiar... De minha esposa!
Em puro desespero, desci as escadas correndo e sai pela porta de trás, de onde vinha o grito... Vi minha esposa caída no chão, e um homem ensanguentado em cima dela, peguei o objeto mais próximo que vi, um martelo, e corri. Empurrei aquele homem, por um momento eu parei... Fiquei horrorizado ao ver o seu rosto, com um lado faltando à pele, apenas os músculos faciais e os dentes apodrecidos, assim como aquele globo ocular de fora que quase me fez vomitar.
Ele agarrou minha perna e tentou me morder, empurrei o lado do rosto que ainda estava inteiro, inútil, apenas para vê-lo se desgrudar do rosto do homem, por sorte tirei minha perna , andei pra trás, brandi o martelo e o desci violentamente na mandíbula, quebrando-a, pois, já que o objetivo era tentar me morder, melhor impossibilitar isso.
Havia muita coisa em minha mente, não matei aquela pessoa, não pude, não sabia oque diabos aquela pessoa tinha, mas ainda assim, era uma vida...
— Amor, mate essa coisa! – Disse minha mulher, chorando e assustada
— Mas é uma pessoa, não podemos fazer isso, acabaremos sendo presos...
A criatura continuava a se mexer, eu a tinha dominado, com um joelho nas costas e segurando um de seus braços
— Luan, essa coisa não é um humano! Isso começou hoje, as pessoas começaram a se atacar sem motivo algum e a morder umas as outras, eu me escondi com as crianças enquanto as pessoas gritavam na rua, quando os gritos finalmente cessaram, eu sai, as crianças estavam preocupadas com você, não o acordei pois não tive tempo, as criaturas estavam batendo na porta, pensei que iriam invadir, mas elas foram embora ...
Pensei no que minha esposa disse , novamente ataquei a criatura , abrindo um buraco no seu crânio ... As crianças já iam saindo pela porta quando sua mãe as mandou voltar, não queria que elas vissem essa cena, entramos em casa, sem saber oque fazer , precisávamos de comida, água, coisas assim , só precisávamos disso pra sair desse lugar ...
Pensei em ir ao supermercado, um pouco longe, mas iria de carro ...
Passaram-se algumas horas, estava de tarde agora, disse a minha esposa e meus filhos que iria sair e procurar mantimentos e depois voltar, eles tentaram argumentar, mas, eles sabiam que nós precisávamos disso...
Peguei o carro na garagem e fui, foi difícil dirigir, muitos carros estavam batidos e alguns abandonados, mas, consegui passar por eles. Dirigi por alguns minutos, pensei por um pouco, senti medo, medo de morrer, medo de não salvar minha família, medo de perder minha humanidade nesse novo mundo virado de cabeça pra baixo...
Quase não percebi... Uma Criatura no meio da rua! Mal pude desviar, perdi o retrovisor direito, mas ao menos estava vivo.
Cheguei ao supermercado, centenas das criaturas estavam lá, na porta, tentando entrar, as portas centrais estavam bloqueadas, barricadas...
- Provavelmente têm sobreviventes lá dentro
Fui esperto, a atenção das Criaturas estava voltada pra porta central, se eu fosse pelas outras entradas, como as saídas de emergência e etc. eu poderia entrar sem ser percebido. Assim eu fiz, fui abaixado, e consegui entrar pela saída de emergência do lado, subi as escadas e sai pela porta, ainda estava abaixado. Eu estava no segundo andar, logo a minha esquerda as escadas rolantes, olhei lá em baixo, consegui ver diretamente a entrada, mais ou menos seis sobreviventes, duas mulheres, todos protegendo a entrada...
Bem, estavam ocupados demais com a entrada para me perceber, andei pelo mercado, peguei oque precisava, muitas sacolas cheias de mantimentos, voltei e as coloquei na escada, fui ganancioso, fui pegar mais coisas. Enquanto estava indo, ouvi disparos vindos da entrada, junto com gritos... Olhei pra trás, a barreira quebrou, corri rápido para a saída de emergência, peguei as sacolas e corri , sai pela porta, e logo atrás de mim um dos sobreviventes estava lá, apontando uma arma pra mim
— Quem diabos é você?!
— Calma cara, não estou armado – Deixei as sacolas no chão
— Não dou a mínima, está roubando nossa comida
Era um homem bem alto, mais de dois metros, usava uma calça camuflada, camiseta branca com uma jaqueta de couro por cima, era loiro e aparentava ter idade avançada
— Desculpe cara – Ele não havia percebido, mas uma Criatura vinha por trás dele, o mordeu no ombro e o derrubou, antes de cair, disparou com a espingarda que estava segurando, fui atingido no antebraço de raspão, não muito fundo, mas doloroso ...
Voltei lá e peguei sua espingarda, no exato momento em que aquela criatura arrancava um pedaço do seu pescoço , deixando exposto ligamentos da nuca e algumas vertebras, corri de volta para o carro com as sacolas, joguei as no banco de trás e entrei, coloquei a espingarda no chão do banco do meu lado.
Dirigi de volta, estava assustado, será que havia matado aquele homem? Por não o ter avisado ... A culpa me corroía, mas só pensava em ir pra casa, ver minha família, e sair daquele lugar...
Ao chegar, um susto, a porta estava quebrada, peguei a espingarda e corri o mais rápido que pude, uma Criatura estava tentando pegar as crianças até minha esposa se por na frente delas, empurrando a criatura, que caiu no chão. Eu o bati com a coronha da arma, até esmagar aquele crânio. Havia comemorado cedo demais, minha mulher gritou e apontou para trás de mim, virei com tudo e o acertei uma coronhada no pescoço... ele caiu no chão. Abracei minha família, voltei no carro, o estacionei do lado de fora, pronto para sair e peguei os mantimentos, íamos partir de manhã, então fomos descansar...
Minha esposa me chamou, disse que era sério. Ela deitou na cama, e começou a chorar... Não entendi porque, mas ela me mostrou um pequeno ferimento em seu pescoço, uma mordida.
— Eu sei... – Disse ela, enquanto lágrimas escorregavam pelo seu rosto pálido
Como seria possível? A minha própria esposa... E meu descuido, minha incompetência, a tinha causado isso. Não pude a proteger. Lembro-me de quando nós nos conhecemos... Rose era uma garota de 16 anos, loira, seus olhos azuis pareciam lagos cristalinos, foi oque percebi quando a vi pela primeira vez, no colegial, eu me lembro de que ela namorava um cara que sempre a traia, mas ela era ingênua demais pra perceber. Pobre garota... Foi deixada por ele quando ele conseguiu tirar a virgindade dela. Foi ai que me aproximei e que demonstrei meu amor. E ela correspondeu. E agora, estava fadada a morte.
Não soube oque dizer quando ela me disse isso, gelei, estava suando, lágrimas eram inevitáveis.
- Apenas termine com isso amor, meu pescoço está ardendo, estou com febre, e me dói muito... — Sua aparência era assustadora, estava pálida, suava demais, seus olhos estavam extremamente vermelhos, e estava com o rosto muito inchado.
— Rose, eu não posso ... – Disse em lágrimas
— Por favor! Não aguento mais...
Ela fechou os olhos, peguei o travesseiro... Coloquei sobre seu rosto, e pressionei.
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