Adão e Eva, na guerra dos iguanas. PARTE I

2 O time de futebol (continuação)


Notas iniciais
E não falou mais nada. Adão encheu-a de beijos, apertou-a junto de si, mais apaixonado do que jamais estivera. Difícil foi se soltar de Eva para brincar com os amigos. Além do que, estavam assobiando, aplaudindo e gritando em coro: - Beija, beija, beija! Eva ficou sentada num banquinho desta vez, olhando para o amor de todas suas vidas passadas, presentes e futuras, bater bola, dar cabeçadas, e fazer gols. Junto dela sentara Fernanda, que também detestava a partida. As outras amigas, Nina, Rosa e Marlene, mais outras gurias, davam chutes ao lado dos rapazes, caíam ao chão, machucavam os joelhos, num espetáculo de azares muito engraçado. Eva gargalhava até chorar.

— Não posso, meu pai me proibiu sair daqui até ele voltar... Vais ter que pedir permissão para ele...

— Seu pai por acaso se chama João, o ciumento?

Eva gargalhou alto desta vez.

— Sim... E o nome de minha mãe é Dina... Também tenho uma irmã Tatiana e outra que é Mariuska... Elas estão na cidade com nossa avó materna.

— Então só estão faltando seus irmãozinhos...

— Isso! A viagem de meus velhos foi programada para engravidar de um irmão desta vez... Falaram que tenho 18 irmãos homens, mas eu não acredito muito nisso, não... Eles só querem namorar e ficar sozinhos em alto mar...

Adão mexeu a cabeça com resignação. Tinha que se acostumar. A família de Eva era uma gangue indissolúvel, e com certeza pela eternidade. Pegou a mão de Eva novamente e desta vez não a soltou mais. Teria que esperar com paciência que ela se relembrasse das existências anteriores. Além do que, estava adorando a ideia de ter que conquistá-la e fazê-la o amar, como se fosse a primeira vez em todas suas vidas.

Eva começou a suar, enquanto seu coração lhe falava que estava começando a se apaixonar. Adão era preto, mas sua cara tinha linhas delicadas, finas, e sua boca parecia de mulher. Sensual. Seu sorriso era o melhor do rosto. Quando ria, uma covinha se formava na bochecha, e ele ficava ainda mais belo. E seu cabelo, em lugar de ser encaracolado como todos os pretos da cidade, eram lisos, suaves, longos, na altura dos ombros. Na verdade, Adão era o homem mais belo dessa cidade.

Fernando, ao contrário de seu amigo Adão, não recordava nada de nada de encarnações anteriores. Estava completamente amnésico, e nesta vida não gostava de Mônica. Achava-a briguenta, mandona, e ele estava em busca de uma menina doce, carinhosa, como Eva. Nossa! Adão tinha se dado bem. Ela era lindíssima e meiga. Ficava vermelha com a paquera de Adão. Olhou para as gatas em redor, e deu um beijo numa amiga. Sem compromisso. Riu com ela, enquanto Mônica nadava na piscina como um peixe, sem parar, furiosa, e ninguém entendia os porquês.

Pouco a pouco, os amigos foram se retirando para suas casas. Outras fazendas, que se encostavam através das ruas de pedrinhas.

Adão, o único que vivia na cidade, deu um beijinho no rosto de Eva, fechou o olho esquerdo e falou-lhe no ouvido um:- Até amanhã, meu amor! Eva corou tanto que Mônica começou a rir na sua frente. Já dentro de casa, falou-lhe:

— Nossa! O negão gamou em ti, menina... E tu nem me falas nada, estás caidinha por ele...

— Ah é? E o Fernando? Não vai me convencer de que não estás morrendo de ciúmes...

— Desse descarado? Desse mulherengo? Se eu estivesse sozinha numa Ilha deserta com ele, nem assim, eu nunca, jamais me apaixonaria por ele...

— Nossa! É mais grave do que pensava... Porque não vai para o templo e vê se já se conhecem?

— Perda de tempo, eu acho que sou solteira de todas as vidas...

— E se Adão não for o meu marido? E se eu sou casada com outro homem? O que vou fazer? Eu gostei tanto dele!

— Sei lá... Nesta vida, nossa missão é outra. Ir para a guerra... Os homens que se danem...

Mas durante essa noite, Eva teve um sonho tranquilizador. Viu-se em outro mundo, numa mansão maravilhosa, circundada de 13 filhos em redor de uma mesa. Ao seu lado, estava Adão, dando-lhe um beijo suculento. Acordou e começou a chorar. Mônica falou-lhe, assustada.

— O que foi? Estás com pesadelos?

— Eu me esqueci dele... Olvidei-me dele... Eu até poderia ter beijado outro guri... Será que vai me perdoar?

— Eu vou saber? Dá-lhe um beijo de língua, pronto, ele vai gostar...

— Mas, e se Fernando estiver com amnésia como eu? Mônica, tu tens que perdoá-lo... A gente não tem culpa de esquecer a quem se ama...

— Tem sim. Se me amasse de verdade, jamais teria beijado outra mulher...

E finalmente Mônica começou a lacrimejar. Chorava que dava dor. Partia o coração. Crescera adorando Fernando e ela jamais gostaria de outro homem. Estava disposta a morrer solteira sem nunca beijar ninguém. Para cúmulo Mônica era teimosa que nem mula. Não escutava conselhos, e se negava a fazer alguma coisa que derretesse o coração do troglodita safado.

Quando Adão chegou à casa de Mônica no dia seguinte, encontrou Eva com o rosto molhado em lágrimas. Levou um susto. O que teria lhe acontecido? Abraçou-a com doçura e perguntou:

— Estás doente? Não me assusta... O que foi?

— Me perdoa? Eu juro que nunca mais vou esquecer que sou sua es...po...sa...

E não falou mais nada. Adão encheu-a de beijos, apertou-a junto de si, mais apaixonado do que jamais estivera. Difícil foi se soltar de Eva para brincar com os amigos. Além do que, estavam assobiando, aplaudindo e gritando em coro: — Beija, beija, beija!

Eva ficou sentada num banquinho desta vez, olhando para o amor de todas suas vidas passadas, presentes e futuras, bater bola, dar cabeçadas, e fazer gols. Junto dela sentara Fernanda, que também detestava a partida. As outras amigas, Nina, Rosa e Marlene, mais outras gurias, davam chutes ao lado dos rapazes, caíam ao chão, machucavam os joelhos, num espetáculo de azares muito engraçado. Eva gargalhava até chorar.

— Me diz, Fernanda, o que há de tão bom nessa brincadeira?

— Olhar para as pernas de Tiago! Olha o coxão dele...

— Tens razão... Adão também tem pernas grossas...

Depois, continuaram a gargalharem juntas. Fernanda era tão linda que mais parecia uma boneca gigante. Vestia um maiô por baixo, e por cima tinha um vestido amarelo de tule translúcido, e na cabeça tinha um entrelaçado de tranças com vários brilhantes entre eles. Eva abraçou-a com carinho, pois seriam amigas para sempre.

Terminado o espetáculo de futebol, os esportistas, mais uma vez, caíram na piscina como marrecos em dia quente. Eva, com um biquíni desta vez, seguiu Adão e mergulharam até 6 metros. E ficaram beijando-se embaixo da água. Adão a apertava tanto, que Eva começava a sentir febre. Adão tinha o poder de gemer embaixo dessa água como quem agoniza de amor.

No resto do dia, foi só chamego. Beijos, risadas com os amigos, piadas por cima deles, até que os pais de Mônica mandaram todos para casa. Antes de ir embora, Adão falou-lhe no ouvido bem baixinho: — Não vais me esquecer de novo. Voltarei ao raiar do Sol com meu potro selvagem. Em seguida deu um assovio, pois o cavalo ficava entre o matagal correndo atrás de umas éguas.

Belzier, o cavalo alado de Adão era um animal branco, majestoso, grandalhão, que voava por cima da cidade, como quem é dono dela. Era uma besta que se achava herói, de alguma coisa e Adão contava para todos que seu cavalo e ele já eram amigos de outras encarnações.

Ao raiar do Sol, Eva colocou um calça curta, uma blusa fresca e os cabelos os prenderam num rabo de cavalo. Subiu de um salto em Belzier e sentou na frente. Adão rodeou-a com os braços, beijou-a suavemente no pescoço, e o cavalo se elevou no ar, se distanciando para o meio das nuvens. Voaram por cima do mato, por muito tempo, e desceram na beira de um lago, de água verde-esmeralda num lugar ermo, longe de todos. Sentados entre o matagal, as bocas ficaram inchadas de tanto beijar, enquanto perto deles o cavalo comia grama fresca, folhas deliciosas, alguns frutos doces, e de repente, de uma patada, abriu um coco e bebeu a água. Eva comentou com seu amado:

— Amor a esse animal só lhe falta falar...

— Pois ele fala! Desde que me conheço por gente, esse cavalo me conta tudo... Principalmente de nossas vidas passadas. Sabe que foi assim que eu me lembrei de muita coisa sobre nós?

— Como vamos namorar quando meu pai regresse? Eu não vou ter permissão para me perder a cavalo com você, e muito menos voando...

— Estamos para entrar na Escola Superior e a matéria principal são os esportes...

— E daí?

— Armários, meu amor... Nada de recreios, nem almoço, nem nada de nada... Encontre-me nos armários... Vamos namorar muito, escondidinhos entre roupas e armas... Acredite...

Mônica viu Eva entrar na casa, regressando do passeio matinal, com seus olhos brilhando como duas estrelas. Sentiu uma mistura de inveja e tristeza. Se Fernando a amasse, ela seria muito mais feliz ainda. E as lágrimas começaram a rolar pelo rosto, pois era a mulher mais infeliz desse mundo. Eva abraçou-a carinhosamente e falou-lhe:

— Se amas tanto ao Fernando, porque não lhe dás um beijo?

— Nunca! Eu prefiro morrer...

E Eva demorou longo tempo para acalmar sua amiga. Depois caminharam em direção da piscina, pois o almoço da família, nesse dia, seria servido fora de casa, embaixo de uma cobertura carregada de uvas negras.

Após comer com fome de adolescentes, Mônica e Eva foram fazer a sesta. Enquanto repousava, Eva sonhou com Adão, e desta vez o viu seminu, suando ao Sol, colocando tijolos numa construção, e ela estava ao seu lado, descabelada, fazendo tijolos de argila. Acordou e não entendeu nada de nada. Será que em outras vidas eles haviam vivido como escravos?

No dia em que João voltou para casa, depois de percorrer as Ilhas desabitadas durante vinte dias, Eva estava de regresso ao lar, reunida com suas irmãs, esperando ansiosas pelas novidades dessa viagem.

João viu de longe Adão, sentado junto a Eva, de mãos dadas, na sala de sua mansão. Uma nuvem cruzou sua vista e começou a ficar tonto. Era lógico que Adão seria guerreiro. Mas estava na cara. Com certeza “00” já estava de olho nele para fazê-lo Comandante da guarnição, e levaria sua menina para uma guerra onde morreriam numa explosão nuclear. Seu coração começou a passar mal. Dina o fez sentar na parte de fora de casa, beber água, acalmou-o, pois, o destino era assim mesmo. Tudo estava escrito desde antes de nascer. Teria que ser forte. Mas João começou a chorar. Dina o abraçou como a um guri. Depois chegou perto deles Tatiana, assustada, em seguida juntou-se Mariuska e finalmente Adão e Eva, os quais apareceram correndo.

— O que foi, sogro, eu sabia que gostava de mim, mas nunca imaginei o quanto... Não precisa chorar...

E ainda chorando, João lhe falou:

— Engraçadinho... Eu não entendo essa mania de querer ser herói... Não dá para nesta vida ser um faxineiro como eu? Um fazendeiro? Um cozinheiro? Ou um recolhedor de ovos de galinha?

— Mas essa profissão nem existe...

E João cessou de chorar e começou a gargalhar forte. Adão o abraçou, pois lá no fundo os dois se amavam, e sentiam admiração mútua. Entraram em casa e João lhes deu permissão para ir ao cinema, para ir à danceteria, para voar por cima da cidade com Belzier, pois sabia que nada impediria Adão de roubar sua filha novamente. Eva era igual a sua mãe Dina. Seguiria seu homem até o inferno se fosse necessário. Era a velha lei cármica do amor verdadeiro: — Onde quer que tu vás, eu irei! Lei que se aplicava à Eva ao pé da letra. E Adão era um homem de ação. Um homem de guerra. Um conquistador das estrelas. E para cúmulo nesta vida o cavalo dele voava. Nem dava para acreditar.

Enquanto Adão ao lado de Tiago, Mário, Abelardo e Reginaldo, cada um com as suas gatas, percorriam a cidade à procura de agito, Mônica encaminhou-se ao templo. Deixou seus sapatos na entrada, e andou pausadamente, até chegar à frente de um espelho, cuja função era desvendar aos homens a resposta de muitas incógnitas. Concentrou a mente e pediu para as almas que lhe revelassem o seu passado. E as imagens lhe chegaram como em tela de cinema, mostrando-lhe uma cena com ela e Fernando correndo por um bosque encantado, em cima de cavalos enlouquecidos. Pulavam cercas, disputavam corridas, e no fim do dia voltavam para casa se beijando durante o caminho. Depois se viu casada, com dois filhinhos. Um casal tão lindo, que ela começou a chorar copiosamente.

Saiu desse templo correndo para casa, pois o destino à estava castigando por algum motivo que ela não conseguia desvendar. Infelizmente, enquanto atravessava a cidade, observou Fernando de longe sentado em meio do parque, abraçado numa mulher, beijando-a. Era uma preta de cabelos longos. Chegou a casa, e sua dor transformou-se em fúria. E decidiu tomar medidas drásticas desta vez.

No próximo encontro de futebol, Mônica deu um pontapé nos testículos de Fernando tão forte, que ele desmaiou e foi levado sangrando para uma enfermaria.

Nos dias seguintes, Filomena também chamava aos berros um amigo médico, através do espelho de sua casa, pois sua menina estava com depressão profunda.

Enquanto Adão acompanhava Fernando na recuperação, Eva visitava sua amiga na fazenda, todos os dias, pois ela estava ficando, a cada dia, mais branca, magra, como quem agoniza de amor. Filomena e Eugênio não sabiam mais o que fazer para consolá-la. João e Dina os abraçavam com carinho, e tinha vezes que permitiam que Eva ficasse para dormir no quarto de sua amiga durante alguns dias.

Setenta dias depois desse incidente, as aulas recomeçaram, e todos os amigos entraram na “Escola de Ensino Superior”, que era a maior de todas as escolas de Dabelheim. Nesse planeta poucos homens seguiam a carreira universitária. Faxineiro, agricultor, fazendeiro, e outras profissões eram aprendidos nesse mesmo lugar, com mais alguns anos de estudos profissionalizantes.

E nessa escola, a prática do esporte era o básico durante os primeiros anos. Metade do tempo era dedicada a fortalecer os músculos, nervos, ossos, para que um ser humano jamais envelhecesse, e muito menos ficasse doente durante toda uma longa vida. E desde o primeiro dia, para Eva e Adão o treino físico foi massacrante.

As aulas se iniciavam ao raiar do Sol, com corridas pela cidade para esquentar o corpo. Tomavam banho na piscina, para se recompor, e depois iam aos refeitórios para o desjejum. A seguir, era chegada a hora de relaxar nos jardins, pois em seguida começavam os exercícios de Box, contra um saco de 200 quilos e uma bola boiando no ar. Todos os alunos deviam bater com socos e pontapés, até o meio-dia, sem parar, quando mais uma vez o refeitório oferecia suas delícias gastronômicas para alunos e mestres.

Depois do almoço tinham um descanso bastante longo, onde se podia ler na biblioteca, ou esticar ao Sol, ou tomar banho nas piscinas ao ar livre, em meio aos vergéis. Adão e Eva perdiam-se nos armários na corrida, sentavam entre roupas, pois o cansaço pegava feio, beijavam-se rindo, pois, o namoro estava sendo uma droga. Às vezes ambos cochilavam, sentados, um por cima do outro, e em lugar de sentir as delícias do amor tinham o prazer do descanso.

Eva, esgotada como nunca, um dia falou entre suspiros:

— Vai seguir o conselho do meu pai, meu amor... Seja faxineiro... Ele só trabalha três dias, e depois fica em casa correndo atrás da mãe com oito dias de folga... Estão planejando ter mais uns 15 filhos. Já pensou que vida maravilhosa vai ser essa?

— Tá bom... Mas, não seria melhor ter um filho e começar nossa ninhada? Teríamos licença-maternidade... Já pensou?

— Vamos! Acho que vai nascer Amon-rá! Nosso mimadinho!

— Impossível! Fernando não quer ter filhos nesta vida... E nossa nora Noemi não vai querer nascer de outro papai...

— Mas que par de irresponsáveis! Eu vou acabar batendo na Mônica, meu amor...

—Quer ser minha agora? Neste armário fedido?

— Claro que não! Me leve a um lugar lindo...

E gargalhando correram em busca de Belzier, que os esperava deitado na grama, nos jardins dessa Escola. Subiram nele e voaram para longe da cidade.

Notas finais
As aulas se iniciavam ao raiar do Sol, com corridas pela cidade para esquentar o corpo. Tomavam banho na piscina, para se recompor, e depois iam aos refeitórios para o desjejum. A seguir, era chegada a hora de relaxar nos jardins, pois em seguida começavam os exercícios de Box, contra um saco de 200 quilos e uma bola boiando no ar. Todos os alunos deviam bater com socos e pontapés, até o meio-dia, sem parar, quando mais uma vez o refeitório oferecia suas delícias gastronômicas para alunos e mestres. Depois do almoço tinham um descanso bastante longo, onde se podia ler na biblioteca, ou esticar ao Sol, ou tomar banho nas piscinas ao ar livre, em meio aos vergéis. Adão e Eva perdiam-se nos armários na corrida, sentavam entre roupas, pois o cansaço pegava feio, beijavam-se rindo, pois, o namoro estava sendo uma droga. Às vezes ambos cochilavam, sentados, um por cima do outro, e em lugar de sentir as delícias do amor tinham o prazer do descanso.