Adão e Eva, na guerra dos iguanas. PARTE I

7 Encontros e desencontros (continuação)


Notas iniciais
Paulo e Paulina foram caminhar pelo centro da cidade. Entraram num café, sentaram numa mesa, conversando sobre tudo. Família, amigos, e sobre as características de Dabelheim. Estavam ali para ir numa guerra, que ninguém sabia aonde, nem contra quem, nem porque motivos. Paulina achava tudo muito estranho. Ela era da paz. Gostava de mato, de bichos, vida simples, e só queria casar e ter uma dúzia de filhos. Paulo pegou sua mão, beijou, e perguntou se ele poderia aspirar a ser seu marido. Era solteiro, gostoso e apaixonado por ela. — Tá bem... A gente recém se conheceu, cara... Apaixonado como? — De milênios atrás... E ambos já fomos guerreiros... — Não inventa, pode parar... Eu sou solteira, acredita, nunca vi homem algum em sonho nenhum... E não tenta me levar ao templo... Já fui levada até lá por uns 20 homens... — VINTE? E beijou a todos eles?

Paulo entrou na Escola de engenharia, olhou em redor, e ficou pasmo.

Um mar humano se entrecruzava, correndo para salas diferentes, num edifício de 6 andares, e em cujo lugar não existia elevador. Um caminho que se curvava para cima, como uma cobra, o recebeu ameaçador. Suspirou fundo. Este planeta estava cheio de pessoas histéricas. Mas foi subindo nessa lareira, que encontrou três solteironas caminhando lado a lado, brincando e expondo as últimas novidades do dia a dia. Miriam ria as gargalhadas, pois Paulina estava furiosa. Paulina gritava que nesse mundo só havia gente feia, e para cúmulo todos os homens eram descarados, falando sempre a mesma besteira: — Com certeza você era minha esposa na vida anterior!

Paulo as seguiu como um espião e as viu entrar num laboratório. Em seguida, chamou seus irmãos com telepatia, aos berros:- As encontrei, caras! Estão comigo, e estão solteiras, virgens, esperando pelo príncipe da vida delas!

Na hora do almoço, as três amigas sentaram com uma bandeja suculenta num gigantesco salão, e observaram três homens lindíssimos, que as examinavam de longe. Miriam falou:- Nossa, estou me apaixonando, o loiro é meu! Maláqui imediatamente perdeu o apetite. Virou estátua. O cabeludo era a coisa mais linda que havia nesse mundo. Seu coração começou a bater enlouquecido. Paulina examinou os três, e seu coração começou a bater como um batuque. O moreno era realmente o homem mais sensual dessa cidade. O homem de seus sonhos. Perfeito. Para cúmulo do incrível, as apreciavam, riam entre eles, cochichavam, e não paravam de olhá-las.

Jesus foi caminhando, se acercando, até chegar perto de Maláqui. Como um elegante cavaleiro pegou sua mão, beijou, e convidou-a para ir ao cinema. Como estava estátua e muda, ela só atinou a acenar com a cabeça, e sorrir. Estava sendo cortejada por um anjo encarnado. Só podia ser. Depois, Jesus perguntou se suas amigas poderiam ir junto, pois seus irmãos queriam conhecê-las. Paulina falou-lhe: — Teus irmãos não têm boca? Jesus começou a gargalhar, e não se conteve em indagar:

— Você nunca sonhou com uma ilha, onde havia dois casais e uns onze gurizinhos em redor?

— Não! Eu só vejo trogloditas mulherengos em meu redor, e fala para teu irmão que eu não sou tão fácil assim... Precisa muito mais de um cineminha para me conquistar...

Jesus lhes enviou um beijo no ar, a todas, rindo cinicamente, e foi embora. Paulo, que escutara tudo de longe, ria consigo mesmo. Sua gata permanecia a mesma. Selvagem, arisca, como em todas as vidas. Como ele adorava. Suspirou e esperou com paciência pelo encontro noturno.

Jesus vestiu uma calça azul, camisa branca com manga curta, seu colar de esmeraldas e um cinto na testa. Peter vestiu calça preta, camisa preta, gola alta, e começou assobiar feliz, como um garotinho. Nossa! Ia conquistar sua própria esposa como um adolescente. Deu um beijo na mãe e saiu rindo, pois, a vida finalmente tinha sentido para ele. Estavam nesse mundo doido, cheio de soldados, mulheres que pateavam como homens, mas sua doce esposa continuava a mesma. Maravilhosa, graciosa, com um corpo escultural. Só de lembrar ficava excitado. Paulo vestiu qualquer coisa. Afinal, como é que se conquistava uma mulher boa de briga, num mundo com excesso de civilização? Pegou uma flor de um vaso, rindo dele mesmo.

Adão os viu sair, sorrindo. Pareciam três noivos. Deu-lhes um abraço, e estendeu-se no sofá, perguntando-se a si mesmo se os havia perdido ou não. Mulher tinha o poder de arrastar seus homens longe dos velhos. Sem dor. Era o destino. E seus garotinhos haviam virado homens. Belos homens, os mais lindos dessa cidade.

Quando chegaram ao salão do cinema, Jesus, que já as conhecia, deu um beijinho no rosto de todas e lhes apresentou seus irmãos. Depois, foi empurrando sua amada para o escurinho da sala maior, se deteve na última fila, sentou-a no colo e beijou na boca. E foi delicadíssimo. Beijo longo, muito longo, e sua amada respirando forte. Só para chatear, Jesus lhe perguntou: — Você é casada de vidas passadas, ou é solteira? Ela respondeu: — Se eu for casada com outro, vou pedir o divórcio. Só quero você! Ele beijou-a com paixão, enquanto o filme começava, com uma história de outro mundo.

Bem perto deles, Miriam derretia-se como manteiga entre os braços do homem mais lindo desse planeta, e nenhum deles perguntou nada de nada, beijaram-se com ânsia, e fizeram amor com discrição. No fim da noite, Peter a levou para a Escola de engenharia num carro aéreo e prometeu ir buscá-la em casa, ao anoitecer. Miriam olhou para esse rosto perfeito, olhos azuis, e se perguntou a si mesma por que havia sido abençoada com um homem tão belo assim. Como resposta, Peter pediu-a em casamento imediatamente, pois queria fazer amor com ela noite após noite, pelo resto da existência.

Miriam indagou:

— Mas, vamos ter filhos? Ou vamos para uma guerra?

— O que você quiser! Meus velhos vão para a matança, mas, eu só irei se você concordar!

— Então vamos para a guerra! Nesta vida, eu só quero namorar... E dar algumas patadas...

Paulo e Paulina foram caminhar pelo centro da cidade. Entraram num café, sentaram numa mesa, conversando sobre tudo. Família, amigos, e sobre as características de Dabelheim. Estavam ali para ir numa guerra, que ninguém sabia aonde, nem contra quem, nem porque motivos. Paulina achava tudo muito estranho. Ela era da paz. Gostava de mato, de bichos, vida simples, e só queria casar e ter uma dúzia de filhos. Paulo pegou sua mão, beijou, e perguntou se ele poderia aspirar a ser seu marido. Era solteiro, gostoso e apaixonado por ela.

— Tá bem... A gente recém se conheceu, cara... Apaixonado como?

— De milênios atrás... E ambos já fomos guerreiros...

— Não inventa, pode parar... Eu sou solteira, acredita, nunca vi homem algum em sonho nenhum... E não tenta me levar ao templo... Já fui levada até lá por uns 20 homens...

— VINTE? E beijou a todos eles?

— Metade deles... Mas como pesquisa... Nada sério... Só para saber se era ou não o cara... Entendes-me...

— Nossa! Que susto! Estou a ponto de ser o primeiro assassino deste mundo!

Paulina começou a gargalhar. Deu um beijo na boca de Paulo, só para saber se desta vez achara seu macho. Paulo beijou-a com ardor e ela sentiu que ia desmaiar. Nossa! Paulo beijou-a novamente. Uma corrente a percorreu inteira, subindo e descendo, com tonturas, pois o beijo desse macho deixava-a indefesa. Depois de uns 20 minutos, Paulina estava febril. Não sabia mais o que fazer. Paulo beijava-a, no pescoço, na boca, e queria sair desse bar para ir mais longe. Paulina perguntou, então: — Você pensa em casar? Ele respondeu: — Se quiser casamos esta noite, eu só quero você!

Paulo e Paulina entraram no templo, caminharam até o espelho, e “00” lhes apareceu rindo, pois, essa brincadeira era toda dele. Deu-lhes uma bênção pela eternidade e garantiu a Paulo que nunca mais sua esposa ia nascer com amnésia. E muito menos fazê-lo esperar tanto tempo para perder a castidade. Paulo não entendia como ele podia chacotear dessa maneira. Paulina viu os homens zombando entre eles, rindo, falando coisas que ela não entendia, e ficou curiosa. Só depois que “00” desapareceu dando gargalhadas, Paulina viu nesse espelho a imagem de uma ilha encantada, com ela prenhe, descabelada, uns 7 guris nus em redor, e Paulo com cabelo longo, só de cuecas. E começou a chorar. Seu sonho era um desejo já feito. Uma realização de seu passado. Paulo beijou seu rosto molhado, levantou-a no colo, e saiu correndo.

Como estavam casados, foram até a Prefeitura da cidade solicitar um apartamento, para um casal que dispensava ter filhos. Ganharam um bem pequenino, perto da Escola de engenharia que era o lugar onde ambos estudavam.

Paulo e Paulina cruzaram os jardins da Escola de engenharia abraçados, se detendo para beijos ardorosos, e finalmente entraram num complexo, onde um lar com uma cama gigante estava esperando-os. E se amaram durante uma semana, que era o tempo que todo recém-casado era dispensado nesse mundo; tanto de trabalhos quanto de estudos, comendo apenas o que encontraram dentro dessa casa. Frutas secas, bolachas enlatadas, bolos em sacolas plásticas, sorvetes, chocolates em barra, e bebendo vinho.

Adão escutou Paulo de longe, fechado nesse apartamento, feliz como nunca, pois era o último a perder a inocência e o primeiro a casar. Teriam que fazer a festa do casório depois dessa Lua de mel. Depois percebeu que estaria sozinho dali para frente. Olhou para Eva, sentada no colo dele, e lhe contou as novidades.

— Estão nos largando... Todos eles vão casar e neste apartamento só haverá eu e você... Eu nem sei se começar a chorar, ou a dar risada...

— Abandonar, mais ou menos... Vão vir jantar aqui todas as noites... Nossa mesa vai ficar lotada, pois as noras vão chegar junto...

— Vou trazer um assento novo da loja de móveis, para namorar... Vamos brincar de verdade... Tem um assento que pula do chão até o teto. Já pensou?

— Nada de brutalidades, meu amor... Não esqueça que vamos estar sempre machucados...

E as gargalhadas de Eva cruzaram o ambiente. Adão a tomou no colo e cruzou a casa. Caiu na cama mordendo-a, gracejando, pois, a noite estava apenas no início.

E uma nova etapa começou.

Todos os filhos casaram, e foram escolhendo seus lares perto das Universidades onde estudavam. Visitavam os pais e avós em dias de festas, ou, quando Eva os chamava a jantar com telepatia, pois todos adoravam sua comida.

Mas, estudar não dava moleza nesse mundo para ninguém.

Os engenheiros Miriam, Paulo, Paulina e Maláqui enfrentaram desafios que iam além da imaginação. Após o desjejum na Escola de Engenharia, subiam num camburão com destino ao mato em busca de matérias primas. Percorria-se o planeta atrás de pedras, argilas, e milhares de troncos, das mais diversas árvores milenares, para estudo e pesquisas. Depois, havia que memorizar cada elemento que existia em todo esse lixo. Deviam-se triturar as pedras, raspar as casas de árvores, diluir terras com água, com óleos, ou entre si. A seguir observar tudo no microscópio, analisar, registrar, escrever, arquivar nos miolos, pois as provas eram a cada 4 dias, ou, 5, sempre de surpresa.

Mas era nos laboratórios experimentais que acontecia o pior de tudo. Havia que, desta vez, fabricar os metais, misturando os elementos encontrados. Inventá-los! Fazê-los aparecer através de misturas de capim, ou de galhos, ou de raízes do mato. Parecia ridículo, mas era assim mesmo.

Miriam recebeu, num sorteio, a incumbência de inventar o cobre. Maláqui de inventar a prata, Paulo o mercúrio, e Paulina recebeu a pior de todas, criar os diamantes. Fazê-los nascer do carvão. Ou seja, fabricar carvão queimando lenha, e endurecê-los até o ponto de fazê-los brilhar.

Para recompensar seus filhos, Eva estendia sua mais linda toalha de mesa, e ia colocando coisas trazidas do supermercado por Adão, como compotas, pudins, iogurtes, saladas higienizadas, salada de frutas, e preparava uma sopa de legumes, uma pizza gigante, junto a uma torta de maçãs. O sorvete com caldas de caramelo deixava na geladeira para o final, e o chocolate quente na garrafa térmica. Adão abria um vinho branco, gelado, pois seus guris agora eram homens. E adoravam uma taça de vinho. Que nem ele. E os chamava aos berros com telepatia.

E uma vez na mesa, Eva e Adão riam até sair lágrimas das lamúrias e aleivosias de filhos e noras, pois os engenheiros estavam realmente apavorados.

Fernando Júnior e Nohiki tentavam ajudar os engenheiros dando palpites, o que originavam piadas hilariantes. Mas quem se aproveitava de tirar vantagens era Amon-rá. Como estudante de Faxina Cósmica alegava que seu trabalho era aniquilar seres vivos. E acrescentava que seu olho já conseguia olhar, sem lentes, um micróbio de décimos de milímetros. E para se gabar mais ainda, alegava: — De que vale inventar o metal, se um bicho vai comê-lo?

Peter ficava furioso com a gozação do malandro. Amon-rá só estava nessa profissão por causa de ser a mais curta e com mais férias escolares. E retrucava:

— Vai dizer que teu futuro é ser assassino? Matar a bicharada, só porque são micros?

— É bem assim! Bicho, com menos de 1 milímetro, nunca escapará de meus olhos destruidores... Vou banir cada parasita que houver nessas naves espaciais, ou, então, elas vão comer tudo!

Fernando Júnior, também faxineiro, justificava:

— Cuidar dos micro-organismos antes que nos ataquem não é fácil, não... No espaço, imagina uma nave voando na velocidade invisível, sendo atacada por gérmens espaciais... Ou, um navio em alto mar sendo invadido por fungos... Destruir o agressor, da matéria criada pelo homem, é uma atitude chamada defesa pessoal. Agora, pulgas e piolhos tem mais de 1 milímetro e detestam comer coisas pesadas. Se tiver uma pulga no espaço, vamos ter de carregá-la no corpo, ou criá-la num aquário, ou sei lá...

Amon-rá completou:

— Ou fazemos um circo de pulgas... Já pensaram?

Depois das gargalhadas, Paulina voltava ao tema dos metais. Como é que o capim podia virar metal? E pedia palpites, por mais ridículos que fossem.

Peter alegava que a melhor coisa a se fazer era realizar uma análise de elementos, mas em estados diferentes. Quentes, ou, submetidos a baixas temperaturas, ou em estado natural, e depois prensá-los. Em seguida, separar tudo que havia se convertido em mineral dentro deles. Podiam-se atrair os minérios nascidos da experiência com magnetismo. Finalmente, se catalogavam e misturavam.

Mas quem deu a melhor ideia foi Nohiki, estudante de cozinha:

— Mas, eu sei como inventar o metal... Eu estava desidratando um pêssego, apertando com as duas mãos, e me esqueci de tirar o caroço. E apertei tanto que virou pedra. E nas pedras, existe ferro... Ou, não?

Fernando Júnior deu-lhe um beijo, com a boca cheia de sorvete, e lhe disse:

— Nesta encarnação, o verdadeiro gênio é a minha mulher...

Ainda rindo, Adão completou:

As sementes eu acho que vão ser proibidas para fazer testes. Os agricultores estão enriquecendo cada caroço e cada semente do mato, como quem garimpa ouro. Reflorestarão com elas no futuro...

— Onde?

— Onde for necessário... Mundo dos iguanas, ou num planeta vizinho deles. Há muitos planetas morrendo com calor em excesso na Oitava dimensão.

E foi graças às aleivosias familiares, em longas noites ao redor de uma mesa, que Maláqui conseguiu inventar a prata, em primeiro lugar. Uma mistura de elementos diferentes colocados a ferver, esfriados dentro de moldes, que resultou ser muito mais duro e resistente, e que jamais ficaria preto pelo uso doméstico.

No transcorrer desse ano, além de inventar metais, o grupo de engenheiros teve que inventar coisas com eles, conforme sua resistência. Desde uma agulha para tricô, até um robô bem-comportado.

Adão e Eva olhavam para os achados de Paulo e suas noras, admirados, pois todos foram os melhores inventores dessa universidade e apontados como gênios da engenharia superior. Antes de esse primeiro ano terminar, Jesus e Peter ganharam um colar de ouro de suas esposas, Adão uma pulseira de ouro branco, de Paulo, e Eva um colar de diamantes de Paulina.

Mas, quem foi destaque com honras na Universidade foi Nohiki. Ela possuía um talento natural na mistura de sabores de uma refeição. Não só em comidas para humanos. Ela foi campeã também, com a ração animal. Acostumada desde pequena a ver Belzier comer como gente, pois Adão lhe dava melancia na boca, melão cortado em rodelas, maças suculentas, ou, saladas de cenouras com acelgas, ou repolhos cozidos ao bafo com aipim, ela começou a repetir o cardápio de Belzier com os gambás da escola. Depois anotava o nome daquilo que desprezavam, e do que comiam com gula. Em seguida desidratava legumes, frutas, acrescentava aromas, sabores artificiais, pó de ossos para os carnívoros, e quando era chegada a avaliação dos mestres-cozinheiros, ela ria ao ver a ninhada de bichanos brigarem pelos seus pratos estendidos no chão. Sempre ganhava dos colegas no quesito e os bichos a amavam. Assim que ela entrava nos corredores, vinha um gato que pulava no seu colo, um cão gigante que lhe passava a língua no rosto, e uma ninhada de panteras pretas como carvão, que a rodeavam e caminhavam ao seu lado.

Afinal, a Escola de cozinheiros era vizinha da Escola de Veterinária, cujo espaço era um zoológico a céu aberto. De longe se escutava o ecoar dos elefantes, os rugidos dos leões, e o céu tinha tanto pássaro que havia horas do dia que as pessoas olhavam para o céu intrigados, pois o céu ficava preto com a revoada do entardecer.

E foi olhando para esses bichanos que um dia Nohiki escutou os berros telepáticos de Fernando Júnior, que chorava que nem bebê, enquanto gritava: — Meu pai está chegando, meu pai está chegando...

Notas finais
Mas, quem foi destaque com honras na Universidade foi Nohiki. Ela possuía um talento natural na mistura de sabores de uma refeição. Não só em comidas para humanos. Ela foi campeã também, com a ração animal. Acostumada desde pequena a ver Belzier comer como gente, pois Adão lhe dava melancia na boca, melão cortado em rodelas, maças suculentas, ou, saladas de cenouras com acelgas, ou repolhos cozidos ao bafo com aipim, ela começou a repetir o cardápio de Belzier com os gambás da escola. Depois anotava o nome daquilo que desprezavam, e do que comiam com gula. Em seguida desidratava legumes, frutas, acrescentava aromas, sabores artificiais, pó de ossos para os carnívoros, e quando era chegada a avaliação dos mestres-cozinheiros, ela ria ao ver a ninhada de bichanos brigarem pelos seus pratos estendidos no chão.