Adão e Eva, na guerra dos iguanas. PARTE I
11 Encontro com o inimigo
Notas iniciais
Quando chegou ao mais elegante hotel da cidade, Olaf se registrou como Olaf Mendes Júnior acompanhado de sua esposa, Nohiki Mendes. Escolheram a suíte mais cara e espaçosa e foram até o elevador, com duas pequenas malas de viagem.
Logo em seguida, China entrou no mesmo hotel, com 5 baús tão grandes que mais pareciam guarda-roupas. Cheios de vestidos com cabides, com as mais elegantes roupas do mundo. Espionou o número do quarto de Olaf e pediu à suíte que ficava ao lado. Depois, subiu assobiando, pois nesse mundo todos os homens casados possuíam amantes. E ela seria concubina de Olaf, e ninguém nesse lugar acharia estranho se os descobrissem.
Uma vez sozinha, China abriu uma porta que uniam os dois ambientes.
A seguir, China arrumou sua coleção de roupas nos armários do hotel, e comeu um chocolate que havia sobre a cama. Delícia! Pegou o interfone e pediu uma caixa desses chocolates maravilhosos e um espumante, parecido com vinho branco. Depois abriu o frigobar e foi puxando sacolas de amendoim, batatinhas fritas, refrigerantes e bolachas. Nohiki chegou correndo para provar tudo. Nossa! Delicioso! Os iguanas comiam muito bem. Olaf as contemplava e gargalhava, pois, as gulosas falavam: — Experimenta isto aqui, e depois eram felizes tais quais crianças.
Olaf pela sua vez examinou os licores, pegou um uísque, colocou pedras de gelo, e experimentou. Algo que havia estudado na Universidade de espionagem:— Bebidas de mundos inferiores! Sorveu tudo de uma vez. A seguir, abriu um licor de cacau. Saboreou. Muito bom! Logo em seguida foi vodka, cachaça, mentas, até provar de tudo. Afinal isso fazia parte da espionagem. Quando China entrou a vê-lo, dormia na cama que dava gosto, completamente bêbado. As duas mulheres o carregavam para uma banheira, rindo do espião amador. Poderia ter morrido entre os iguanas num porre desses.
No dia seguinte, saíram a passear. Olaf abraçado em Nohiki, e metros atrás a China, com óculos escuros e um chapéu moderno. Traje até os joelhos, saia justa, terninho, colar de pérola no pescoço, e chapéu para o Sol. Nohiki vestiu blusa manga curta, lenço caindo de forma artística, saia godê até metade da perna, e um chapéu com flores. Olaf preferiu luzir como um ricaço, pois China havia comprado para ele do bom e do melhor numa loja masculina. Botas de couro, saiote xadrez, colete por cima de uma camisa bordada, e na cabeça um turbante dourado. Elegantíssimo! Como era a vestimenta dos homens desse planeta.
E a beleza dessa cidade os deixou estupefatos. Edifícios gigantes, lindos, de fino acabamento, com milhares de janelas de vidro que refletiam a cor do céu azul profundo. A cada 5 quarteirões, uma fonte com águas espichava correntes cristalinas para o ar. Em redor, guris pulavam nela, como marrecos. Também existiam pequenos canais de águas correndo perto de arbustos que submergiam em canais por baixo das ruas. Parecia que a água era algo indispensável à vida dos iguanas. Além do que refrescava o ar quente das cidades.
Ofaf examinou o chão e mexeu a cabeça com preocupação. Cimento puro. Nas calçadas, pedras coladas com argamassas. Examinou as paredes externas das construções e ficou mais atribulado ainda. Cores claras, brancas na maioria. Tudo em seu conjunto aumentava a temperatura, pois refletia a luz do Sol. Havia no ar 5 pontos de calor acima do normal, por causa do cimento urbano.
Nohiki chamou sua atenção para as pessoas que apareceram de súbito nas ruas, em busca das latas entre os lixeiros. Retiravam garrafas plásticas, ou de vidros, latas de cervejas, papéis, e iam separando em carrinhos puxados a mão. Poder-se-ia dizer que a principal tarefa dos garis era reciclar lixo, pois as indústrias dependiam dele como um sedento depende da água para sobreviver.
Intrigados, seguiram os lixeiros e seus carrinhos de mão, a caminho das fábricas. Nohiki apontou sua câmera e documentou o recebimento das peças metálicas, as quais eram compensadas e encaminhadas às oficinas. Tudo isso eram derretidos e convertido em água régia para dar origem a produtos novos.
Chegaram aos aterros sanitários, finalmente, onde o mau-cheiro se levantava no ar, à medida que o calor esquentava a montanha de detritos. Como o fedor era de matar, colocaram os lenços no rosto. Em seguida, Nohiki filmava e Olaf fotografava uns guris que percorriam as montanhas fedorentas buscando coisas que podiam ser revendidas. Roupas, sapatos, objetos utilitários, metais, plásticos, papéis, que davam uns trocados para esses meninos. E enquanto uns partiam carregando sacolas penduradas no ombro, outros chegavam de regresso em busca de mais alguma coisa.
Mas o lixeiro mais fedorento de todos, que descobriram horas depois, encontrava-se fora da cidade numa fazenda gigante, pois esse lugar recebia cocô. Era estrume de porcos, vacas, cavalos, e merda humana de usinas de tratamento de esgotos. Desses detritos nutria-se um gerador de energia que abastecia metade da cidade com luz elétrica. Do estrume também se obtinha gás, uma energia que era vendida em tubos metalizados. Era nojento, mas eficaz.
Para dar um descanso e esquecer a miragem apocalíptica desses aterros de podridão, Olaf e Nohiki, seguidos de perto pela China, entraram num cinema a ver um filme pornô. Afinal, nenhum dos três sabia o significado dessa palavra. Não estava no dicionário. Olaf sentou na última fila com China no colo, e Nohiki sentou sozinha em meio de uma plateia, onde a maioria eram homens. Hipnotizou seus vizinhos, para ficarem múmias e não a atacar na escuridão. Depois enfocou sua câmera na tela para captar as imagens.
E o filme pornográfico começou: — Uma dúzia de mulheres seminuas surgiu correndo numa floresta, corpinhos bem contornados, cabelos longos, flores na cabeça, para dar a ilusão que elas eram fadinhas encantadas. De repente, aparecia um homem nu. Ele recostava-se numa árvore, e as mulheres o rodeavam. O que segui foi uma orgia, que durou duas horas, com amor entre mulheres, entre homens, ou, um homem com duas mulheres, ou uma mulher com 3 homens, pois isso era algo que a humanidade imitava em festas de arromba.
Depois do cinema, regressaram para o hotel.
Nohiki dormiu com gosto amargo na boca. Telepaticamente falou com seu amor, que escutou a história do filme às risadas. No quarto vizinho, Olaf e China, espiões acostumados a ver coisas mais cabeludas nas suas viagens, se amaram sem descanso, até a manhã do dia seguinte. Fizeram amor na banheira, em seguida sobre almofadas em todo canto, e na cama antes de dormir.
Enquanto eles dormiam, a recepção do hotel recebia um pacote em nome de Olaf Mendes Júnior, em cujo interior havia cartões para tudo. Um “Cartão de crédito ilimitado” para cada um dos três, identidade, CPF, Carteira de serviço militar para Olaf, cédula de sufrágio, carteira de motorista e diplomas universitários. Todos falsos. Menos a grana, que havia sido trocada nos bancos por barras de ouro.
Nohiki colocou seus documentos de identidade numa bolsa, e se vestiu com um vestido florido, bolero branco por cima, óculos para o Sol, sapatos confortáveis, e de braços dados com Olaf, foram de táxi até um orfanato.
Apresentaram-se nessa instituição como filantropos. Contribuíram no ato com uma importante soma de dinheiro e Nohiki articulou que gostariam de conhecer as crianças. E as portas se abriram de par em par. Entraram no recinto, e uma miragem real do que era essa sociedade os pegou de surpresa. Se os meninos que trabalhavam recolhendo lixo eram sujos, fedorentos, maltrapilhos, estes do orfanato não tinham mau cheiro, pois tomavam banho. Mas eram crianças desnutridas, doentes, roupas velhas e com buracos, cabelo cheio de piolhos e todos os menores eram seviciados pelos meninos mais velhos.
Nohiki começou a chorar. Soluçava sentada num banquinho em meio dessa desventura, sem atinar com nada além de sofrer a dor alheia. Olaf pegou a câmera filmadora de sua mão e enfocou crianças que corriam em redor dele sorrindo, pois queriam aparecer no documentário.
Enquanto isso, uma menina de três anos chegou junto de Nohiki e se abraçou as suas pernas. Nohiki leu sua mente e soube que fora abandonada na rua, junto com três irmãos. Olhou em redor e os viu. Um rapaz de 8 anos, rebelde, mais um de 6, e outro de 4 aninhos, na beira da morte, com tuberculose, tossindo sangue. Uma voz vinda do espaço a pegou de surpresa. Fernando Júnior a autorizava a fazer a adoção. Começou a rir feliz. Chamou os irmãozinhos, e lhes perguntou se gostariam de ir embora com ela. E abraçados foram até a recepção, onde Olaf teve que assinar como pai adotivo, mostrando todos seus documentos de identificação.
Depois correram de táxi pelas ruas, em direção ao hotel, gritando telepaticamente para China aos berros. Nohiki entrou com a menina no colo e Olaf com o menor, que não parava de tossir.
Depois, os três cuidaram dos pequenos iguanas, com carinho. Desintegraram-lhes os piolhos, cortaram os seus cabelos, e as roupas foram desintegradas. Enquanto isso, China pedia para Alberta, nas alturas, medicamentos em caráter de urgência. Subiu para o terraço, e Fernando Júnior lhe deixou cair um pacote, em cujo interior havia um pouco de tudo para ressuscitar um moribundo. A seguir, China atendeu o garoto tuberculoso, com uma medicação injetável no baço. Cuidou da febre do menino, e deu massagens nas costas, puxando-lhe a mucosidade. A criança foi jorrando pelo nariz, numa bacia, meio litro de pus fétido, até que seus pulmões ficarem limpos. China, horrorizada com essa doença estranha, desintegrou a bacia e seus vermes, num passe de mágica, que ocasionou o primeiro sorriso dos meninos.
Pela sua vez, Nohiki pedia, pelo interfone, uma sopa de legumes enquanto Olaf saía do dormitório para comprar roupinhas. As mulheres deram sopinha na boca da garotinha, do menino doentio, dos outros garotos, entremeados de beijos. Eles eram feinhos. Rosto verde, olhos avultados, mas possuíam uma estrela no olhar. Quando Olaf regressou colocaram pijamas, adormeceram nos sofás, e ele mesmo os hipnotizou, para que acordassem só no dia seguinte.
A única coisa que Olaf não sabia era como continuar a trabalhar.
Conversou com o gerente desse hotel e explicou-lhe que haviam adotado as crianças, e perguntou se seria possível conseguir uma baby-sitter. O gerente lhes colocou à disposição seu Turismologo, especialista em lazer, que trabalhava distraindo as crianças visitantes. Olaf explicou que ainda assim necessitava de uma babá para seu filho doente. E foi atendido com a maior cordialidade. Afinal, Olaf era milionário. E um homem que escondia sua amante com sabedoria.
Dali para frente, Nohiki se revezava com empregados desse hotel, cuidando dos meninos. Fez documentários em asilos de velhinhos, hospitais com gente falecendo pelo péssimo atendimento, filmou cenas de abortos, e por último percorreram penitenciárias abarrotadas, nas quais nem todos os presos eram tão ruins assim.
E depois de 40 dias, Nohiki terminou suas reportagens com alegria.
Finalmente, poder-se-ia dedicar a sua função de mamãe em tempo integral. Sentou numa poltrona confortável, rodeada de seus filhinhos e pediu para Olaf que colocasse na televisão um documentário com os animaizinhos desse planeta. Meia hora depois, chorava tanto, mas tanto, enquanto seus filhos não conseguiam entender o motivo de tanto desespero. Haviam visto uma cobra gigante comendo um veado, um bando de leão comer uma zebra e um leopardo caçando um macaquinho no cimo de uma árvore. Para acalmá-la, seu filho mais velho lhe disse:
— Mas isso faz parte da cadeia alimentar, mãezinha! E nós somos o patamar mais alto. Podemos matar todos os animais que quisermos, e nos alimentar deles.
Nohiki correu para o banheiro, soluçando desta vez, se enfiou na hidromassagem para tomar um banho relaxante, pois socorrer seus meninos havia sido fácil. Proteger os animaizinhos, comendo-se uns aos outros de fome, sem nenhum veterinário percorrendo a selva, ou, um robô repartindo comidas como se fazia em seu mundo, tinham-na derrubado de vez.
Mas as atrocidades contra o reino animal não terminavam por ali. Nos dias seguintes, Nohiki olhava na televisão para milhares de espécies em perigo de extinção. Havia turistas matando porcos selvagens, outros homens caçavam onças pintadas, por pura diversão. Mas quando viu a matança de filhotes de ursos brancos, para confeccionar casacos de pele, sua fúria difundiu-se além desse hotel e, no outro lado do mundo, 50 caçadores morreram de parada cardíaca fulminante. Nohiki só ficou sabendo que era uma assassina no noticiário noturno no fim do dia. Repórteres mostravam homens nas gélidas águas do norte, estendidos ao lado de ursos tão mortos quanto eles. Havia gênios da medicina examinando os corpos, tentando encontrar a causa da morte súbita.
Olaf preferiu dar uma risada da assustada Nohiki, pois ela havia feito isso com o furor telepático. A seguir, ensinou-lhe como evitar fazer isso novamente.
E para consolá-la de vez, Olaf lhe trouxe um gato de presente. Um peludo malhado, cores alaranjadas, pequenino, que enlouqueceu as crianças. Era tão miudinho que Nohiki preparou-lhe uma mamadeira com leite e deu-lhe na boca como um bebê. A filhinha pediu para fazer isso, com a carinha iluminada pela primeira vez. Nohiki mostrou-lhe como pegar o gatinho no colo, e dar o leite devagarzinho para não engasgar. Mas, durante a noite, a caminha do pequeno gato ficou na cama de Nohiki. Quando abriu os olhos, o gato dormia abraçado ao seu pescoço.
Para relaxar e esquecer o drama dos animais, Nohiki vestiu seus garotos como príncipes, e saíram para fazer compras, carregando o felino numa sacola. Compraram brinquedos, jogos de videogames, bonecas para sua filha, e jantaram em lugares jeitosos. Visitaram um parque, com um pequeno lago, pois essa cidade era maravilhosa. Havia playground com árvores centenárias, gramado para fazer piquenique e em cujos prados alguns cachorros corriam ao lado de guris barulhentos. Afinal, cães e gatos eram bichinhos de estimação dos iguanas, e os havia em toda parte. Nohiki deu a mamadeira ao seu gatinho, sentada na grama, e, em pouco tempo, os meninos corriam a seu lado, rindo com o bichano.
Para finalizar, compraram um carro, atravessaram a cidade e finalmente chegaram numa estrada sem fim. Ao cair da noite, uma luz os levitou para uma nave pequena.
Quando os meninos-iguanas acordaram, levaram um susto, pois só havia gente estranha. Nohiki puxou sua máscara do rosto, os abraçou, e lhes explicou que na verdade eram pessoas de outros mundos, de muito longe, mas que amavam as crianças como elas. Fez-lhes carinho, beijou, e pouco a pouco os meninos-iguanas foram perdendo o medo.
Saíram a caminhar pelos corredores da nave, abraçados uns nos outros, examinando o lugar. Parecia um shopping. E havia homens estranhos, que não falavam, vestiam roupa de cozinheiros, com aventais, e que curvavam a cabeça. A única coisa que perguntavam era: — O que deseja se servir, senhor? Rindo, pediram bolachas, bolo, chocolates, sucos de frutas e ficaram a olhar como eles corriam a trazer de tudo numa bandeja.
Quando Fernando Júnior voltou com seus mapas embaixo do braço, ajoelhou-se ao lado da menininha examinando-a. Ela era verde! Nossa! Tinha uma filha com pele verde. E nos olhos, encontrou três cores, amarelo, um círculo vermelho em redor, e na íris um azul-marinho.
E a garotinha lhe perguntou:
— Você é meu pai, o homem mais lindo do Universo?
— Claro que sim, minha querida...
Depois os três guris o abraçaram, pois não tinham mais medo de nada. Fernando Júnior sentou nos ombros o guri de 4 anos, que se segurou de seus cabelos, rindo as primeiras gracejadas de felicidade. Estava curado, sadio, e tinha novos pais que o amavam de verdade.
Livrar-se dos guris, e do pequeno gatinho, que ainda mamava em garrafa, foi difícil. No fim do dia, 5 robôs os acomodaram nas camas, e ficaram encarregados de cuidá-los quando acordassem.
Fernando Júnior teve que esperar com paciência que Nohiki parasse de chorar por causa dos bebês focas, pelos meninos que viviam recolhendo lixo, pelos velhinhos nos asilos esquecidos pela família, explicando-lhe com paciência que era para terminar com tudo isso que haviam cruzado a imensidão. Quando a viu dar um sorriso, lhe limpou as lágrimas, deu-lhe um beijo suave, sentou-a nos joelhos, e beijou enquanto lhe lhe fazia carinho com doçura. Dormiram abraçados. Ao acordar, entraram na piscina para refrescar, enquanto um robô trocava os lençóis, pois isso era rotineiro. Depois o robô lhes limpava o colchão, encostavam essa cama no telhado da suíte, e deixavam um banquete numa mesa pequenina. Na verdade, esses robôs cuidavam dos humanos como pais cuidam de bebês de colo.
Nos dias subsequentes, juntaram-se aos meninos durante a tarde, para mostrar-lhes a horta, aonde se podia remover a terra, colocar sementes, regar, puxar folhas secas, e brincar com pequenos ratinhos que corriam em redor. Depois, os levaram para a biblioteca. Encontraram livros infantis, escritos numa linguagem esquisita, mas que eles poderiam estudar para depois ler. Era só querer. Também foram às cozinhas, onde se podia aprender a fazer docinhos, pastéis, bolachas, labores que seriam mais divertidos ainda.
Por último, foram até os ginásios. Havia bolas para dar socos, bolsas para patear, e máquinas onde se levantavam pesos. Os meninos examinaram tudo aquilo sorrindo. Principalmente, o mais velho. Colocou luvas de Box, fechou os punhos e começou a bater numa bola provocando as risadas dos irmãos. Finalmente, Fernando Júnior falou para os menores que também podiam andar de carrinhos. Mostrou como se conduziam, e os viu se perderem pelos corredores, rindo sem parar.
Dali para frente, trabalhar e cuidar de filhos foi um sufoco.
Fernando Júnior acordava com os meninos batendo na porta, e quando entravam caíam por cima dele montando-o. Nohiki abraçava sua menina, que se estendia ao lado dela, beijava-a, e ria com sua carinha verde enquanto o gato malhado crescia, engordava e começava a brincar provocando as risadas de todos. Os robôs traziam o café, e comiam em bandejas por cima da cama. Sem parar as brincadeiras. Nohiki se lembrava dela mesma fazendo isso com seus irmãos. Coitados de seus velhos. Haviam abusado deles com sadismo. Adão lhes permitia tudo aos seus irmãos, que lhe puxassem seu cabelo, que abatessem de socos, ou dessem patadas na barriga. Nossa! Adão era herói só por aguentar essa gangue de irmãos. Nohiki não via chegada à hora de eles chegarem para lhes apresentar seus netinhos. Nossa! Netos verdes. Ia ser uma surpresa para toda sua família.
Fernando Júnior teve que descer ao planeta novamente, pois depois do levantamento do mapa mundial, Guilherme intensificou o trabalho de espionagem, e ele se uniu ao trabalho de sabotagem. Assim que um cargueiro iguana era lançado ao espaço, no meio da escuridão encontrava meia dúzia de espiões rodeando-o. Aos navegadores os sugavam através da luz branca. Chegando à nave de Guilherme seus corpos eram congelados, engavetados, e colocados lado a lado em cabines especiais. A nave iguana então explodia escandalosamente.
Enquanto isso, nas Bases de lançamento dessas naves iguanas, os computadores das bases perdiam-nas de vista assim que atingiam o espaço sideral. A lista dos soldados que desapareciam na escuridão era chorada nos lares e a mídia interrogava os generais de exércitos, exigindo explicações. Mas, ninguém sabia explicar essas mortes misteriosas.
Era o caos se iniciando, com grandes perdas de fortunas.
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