Notas iniciais
Na Índia, havia templos maravilhosos, cheios de riquezas, ouro, pedras preciosas, numa vida mansa, cujo povo ainda acreditava na filosofia dos Vedas, onde Rama desta vez era uma entidade divina. A filosofia dravídica sofrera algumas variações. Agora acreditavam em Deuses. Entidades sobrenaturais. Existiam Surya, o Deus do Sol, Chandra, a Deusa da Lua e Heos, da Aurora. Esses três eram em conjunto os Deuses da Luz. Mas, no fundo, os indianos eram o mesmo povo, na sua essência.

Peter e Miriam, especialistas em congelamento e ressurreição, acordaram Adão e Eva de um longo sonho, no frigorífico da Base Lunar, no ano 1500 AC.

Pouco a pouco, Adão e Eva recobraram a consciência.

Lembraram-se quem é que eles eram, e o que estavam fazendo na Terra. Depois reconheceram os filhos Peter e Nohiki, olhando para eles com carinho. Eva levantou os braços e sua filha abraçou-a lacrimejando. Depois, Nohiki abraçou Adão, trocando de lugar com Peter, que estava emocionado. Enquanto Fernando Júnior se unia aos afagos, Peter colou-lhes a seus velhos uma solução tonificante, no baço, para desta maneira recuperar a atividade muscular e conseguir sentar-se. Em seguida, levou-os a dar um passeio numa cadeira de rodas.

A Base Lunar desta vez estava maior.

Havia lugares para recém-casados ter uma lua de mel com gravidade zero, pois fazer amor no ar havia virado mania. Também estava o horto florestal, com quilômetros de cultivos com luz artificial, e com a umidade própria dos lugares embaixo da Terra.

Adão e Eva viram tudo com um sorriso na boca, pois Peter e Nohiki haviam trabalhado duro nessa empreitada.

E no fim do caminho, Adão e Eva pediram para ir até o “Espelho falante”, para ver como estava a família.

Peter e Nohiki os levaram a uma sala escura, saíram, deixando-os a sós, e fecharam as grossas cortinas. Pouco a pouco, o “Espelho falante” foi mostrando o universo, e começaram a procurar pelas filhas que viajavam para uma guerra. E finalmente as acharam.

Areti e Diana iam para a guerra junto a 60.000 soldados, numa nave gigante cuja forma mais parecia uma aranha metálica. Areti e Sílvio estavam casados, e ela estava prenhe dos gêmeos. Diana também estava grávida de Aruma Júnior. No lugar de uniforme, vestiam roupas próprias para gestante, Diana de dourado e Areti, prateado. Os sobrinhos Miguel e Alexandre estavam numa eterna lua de mel com suas esposas. Essa frota de guerreiros se compunha de homens de todos os lugares do Universo. Mas metade deles era da Terra. A nave estava lotada de japoneses de olhos puxados, cretenses e chineses. Mitsuo percorria a nave com uniforme dourado, como um príncipe no meio das estrelas.

Adão não conseguiu segurar a emoção e começou e chorar baixinho. Reconheceu cada um deles, lutando nos ginásios de Lemúria, em campeonatos empolgantes. E, em lugar de ficar na Terra para salvar o mundo de guerras, haviam sido levados a salvar o universo, muito longe dali, de assassinos cruéis e sanguinários, muitos deles canibais espaciais.

Depois, visualizou seu irmão Nestor. Encontrou-o dormindo com Ana, dentro de uma redoma de vidro, cansado, pois vivera mais de 800 anos. Perto deles, Caim e Amon-rá faziam o mesmo, deitado lado a lado com suas mulheres.

Depois que mataram a saudade da família, Peter veio buscá-los, e voaram para a Terra, dando um giro, olhando os povos da Terra desde as alturas. Penetraram no ventre do Everest, onde Agarta brilhava com sua beleza esplendorosa.

A entrada ficava numa fenda muito escura, pela qual as naves entravam voando com as asas girando em 90 graus. Para cima e outra para baixo. No fim dessa fenda, um portão abria automaticamente deixando o ar frio da montanha penetrar. Já dentro da cidade o emaranhado de edifícios aparecia como uma teia de aranha gigante.

Subiram numa rua aérea, em cujo lugar a nave pousou delicadamente num hangar. Em seguida, um pequeno carro os levou para casa.

Ingressaram numa casa nova, diferente, cujos pertences eram deles mesmos, para recebê-los com carinho. Toda de vidro, para ter uma vista geral da cidade, do lago, e da Escola que ocupava o centro de tudo isso.

Caminhando como dois velhinhos, Adão entrou no seu lar apoiado em Fernando Júnior enquanto Peter preferiu carregar Eva nos braços. Sentaram na varanda, e se deixaram amar. Nohiki lhes preparou um jantar delicioso. Verduras com molho de soja, cogumelos, acompanhados de macarrão bem fininho, com torta de espinafre, torta de cenouras, torta de beterrabas, dando um colorido especial na mesa. Eva se emocionou. Era a mesma comida que seu pai preparava para as filhas em Atalanta. De sobremesa foi servido sorvete com caramelo, bananas com açúcar derretido, e eles comeram um pouco de tudo, pois o estômago começava a funcionar, como uma barriga de recém-nascido. Beberam leite, e mastigaram com delicadeza, para ficarem fortes.

Enquanto jantavam, Peter lhes contava que Abel e Fernando estavam perdidos no espaço, com destino a outros mundos. Mas, Fernando Júnior achava que eles iam morrer para reencarnar e assumir alguma missão. Com certeza teriam que construir uma cidade submarina em outro planeta. Afinal, além de Adão não existia nenhum velho vivo em lugar nenhum. Muito menos nessa cidade.

Adão então lhes falou:

— Mas, vocês são tão velhos quanto eu. Acho que a Miriam só tinha uns 28 anos menos do que nós.

Começaram a rir com descontração. Depois Peter lhes contou que os 4 haviam copiado a receita, e dormiram tanto quanto eles. Só para que não ficassem completamente órfãos de filhos. Adão então lhes disse:

— Sei disso. E se preparem que vão ter irmãos. Temos ainda três filhos para trazer ao batente. Guerreiros destemidos. Lutadores. Com certeza vão enlouquecer este mundo.

Peter perguntou:

— E a Inês, pai?

— Deve estar para nascer, e vocês têm que me ajudar a encontrá-los. Rama vai ser Zaratustra. É o único que sei.

Fernando Júnior falou:

— Vou começar a buscá-los, sogro. Conte comigo.

Depois de 15 dias de repouso, alimentados como bebezinhos pelos filhos, estavam prontos para fazer amor e trazer ao mundo os novos filhos tão desejados.

Um dia qualquer, e como quem perde a virgindade pela primeira vez na infância, se entrelaçaram deitados, fazendo pouco esforço, com beijos ardentes, ofegantes, e fizeram amor de lado. Depois foi na pose de papai e mamãe, como num dia longínquo do passado. Eva sentia que estava nascendo de novo, amando de novo, e conhecendo o prazer, olvidado em anos de congelamento.

E fazer amor virou vício, como uma vez no passado, em Atalanta, quando fizeram amor perdidos na mata fechada, perdendo a virgindade. Ficaram nessa cama dias e noites, com uma energia redobrada. Seus corpos eram iguais aos de mil anos atrás. O corpo de Adão estava tão forte e musculoso, como sempre fora. Eva estava radiante. Cintura mínima, quadris voluptuosos, boca vermelha que convidava ao beijo. E dentro dessa cidade Agarta, havia uma nuvem extra de energia mágica. Era como se o interior da terra mantivesse os homens sempre para cima. Sempre otimistas. Sempre querendo amar.

Para aumentar as forças tomavam xaropes, sucos de frutas, e jantavam com as comidas que Nohiki lhes enviava com um robô. Eram verduras apimentadas, que lhes esquentava o sangue e vinhos deliciosos que era feito em tribos europeias.

Junto com o jantar de todos os dias, Fernando Júnior lhes enviou documentários gravados em Pent drive, de todos os cantos do mundo, para colocá-los em dia sobre a atualidade. E mais calmos, sentados na cama, um dia se acionou a televisão para ver esses filmes sobre a terra.

E as mudanças do novo mundo os surpreenderam.

Na Índia, havia templos maravilhosos, cheios de riquezas, ouro, pedras preciosas, numa vida mansa, cujo povo ainda acreditava na filosofia dos Vedas, onde Rama desta vez era uma entidade divina. A filosofia dravídica sofrera algumas variações. Agora acreditavam em Deuses. Entidades sobrenaturais. Existiam Surya, o Deus do Sol, Chandra, a Deusa da Lua e Heos, da Aurora. Esses três eram em conjunto os Deuses da Luz. Mas, no fundo, os indianos eram o mesmo povo na sua essência. Sábios na sua maneira de ver o mundo. Esses deuses não eram tiranos, e a filosofia continuava a girar sobre o amor. Tinham contato com a China, através do “Caminho da seda”, e todas as tribos da Mesopotâmia sabiam da sua existência.

Na Mesopotâmia, existia agora o grande império babilônico. Majestoso. Fastuoso. Sua capital era Babel e suas cidades mais importantes Ur, Isin, Lassa, Mari e Assur, cidades conquistadas e unificadas por um grande rei, Hamurábi, que unira as civilizações sumerianas e acadianas, e deixara como legado uma pedra, ou tela, inscrita com 282 artigos jurídicos. A finalidade, segundo o rei, era proteger as viúvas e os órfãos e evitar que o mais forte prejudicasse o mais fraco.

Hamurábi havia governado como um sábio. Mas seus sucessores viviam em constantes guerras internas contra os hititas, assírios, acadianos, elamitas, cassitas, semitas do norte, era um império em constante mudança entre invasores. Mesopotâmia vivia em constante perigo. Haviam intensificado as guerras, sempre na luta por um lugar melhor para viver, se derrubando uns aos outros em carnificinas terríveis. Os sumerianos haviam sido arrasados pelos acadianos, nômades vindos do deserto da Síria, e os amoritas, pela sua vez, haviam conquistado os sumerianos e acadianos, unificando os povos, e formando o atual império babilônico.

No Egito, Amon-rá era o "Deus do Sol". O todo poderoso que guiava o povo desde o mundo invisível. No Vale dos Reis, havia agora três pirâmides gigantes ao lado da Esfinge, cujo conjunto fazia dele um lugar mágico. Os mestres de Agarta afirmavam que esses quatro monumentos grandiosos cruzariam os tempos e estariam em pé após o sexto milênio. Todas possuíam o mesmo sistema de construção. Ruas internas, carregadas de tesouros, relíquias, conhecimento, deixados para a posteridade como um presente dos tempos vividos.

Infelizmente, os Faraós de agora não eram como os de antigamente. O fanatismo religioso era espantoso desta vez, e a voz dos Faraós era de um tirano coberto de poderes sobrenaturais. Sua expressão era a palavra dos deuses. O que ele mandava era obedecido cegamente. Instalara-se uma tirania que atravessava de uma dinastia para outra. E o povo do Egito sofria. Os escravos eram agora aos milhares, tratados como animais, e trabalhavam sem descanso. Pessoas atormentadas haviam tentado muitas fugas, mas morriam no deserto de sede, ou, eram perseguidos pelos soldados egípcios que os surravam sem piedade, até a morte.

Longe dali, a China era a maior civilização desse tempo. Os chineses possuíam a mais extensa frota marítima do mundo, e percorriam ilhas além do mar. Haviam atravessado o Pacífico, chegado à Polinésia, e se misturado aos nativos, constituindo novos povos, em muitas ilhas. Faziam comércio, e trocavam conhecimentos. Principalmente com os nativos das Ilhas da Nova Guiné, que os recebiam de braços abertos. Tinham ajudado os aborígenes a construir pequenas aldeias com palafitas, e também os ensinaram a aperfeiçoar a cerâmica, a tecelagem, pois os nativos os consideravam sábios.

Mas o mais grandioso da China era o início da construção da grande muralha. Entre o Rio Amarelo e o Deserto de Gobi, havia quatro províncias importantes. Hebei, Shansi, Shaanxi e Gansu. Cada província possuía uma mureta, que começava a se estender para Oeste e para Leste, como dois braços abertos, afirmando que em mais mil anos esses braços se encontrariam, e formariam um paredão de 7.000 quilômetros. Ela possuía torres de vigilância de 630 metros de altura, por onde espionavam as tribos bárbaras da Mongólia. Para se comunicar entre essas torres usavam bandeiras coloridas, sinais de fumaça, e fogos de artifício. Mas também percorriam as ruas internas em carruagens puxadas com cavalos.

Para subir no grande muro, os chineses tinham escadas para os soldados e rampas para a cavalaria. E todos os dias, milhares de chineses percorriam montanhas em busca de pedras, argamassa, num trabalho formiga, que cruzava os tempos. Mas, a paciência chinesa para o trabalho era o oposto à fereza de seu exército imperial. Os homens lutavam com todas as engenhocas inventadas com bronze e ferro, mas as armas mais eficientes eram os próprios homens. Eles eram ágeis para pular, dar pontapés, socos, cabeçadas, poderia se dizer que eles eram um exército invencível.

Só eram superados na bravura pelos exércitos das Ilhas do Japão.

Nas Ilhas do Japão, havia os samurais, os mais bravos guerreiros do planeta. Defendiam e protegiam as Ilhas com bravura, e ninguém ganhava uma guerra contra os invencíveis soldados. Japão e a China mantinham relações comerciais, culturais, através da marinha chinesa, portanto eram aliados contra os inimigos.

A Ilha de Creta no Mediterrâneo era uma civilização que se comunicava pelo mar com muitos países, vendendo seus produtos, como os fenícios que faziam o comércio com os povos da Mesopotâmia. Os cretenses levantaram um Império cheio de graça, de arte, com cidades planejadas como uma cultura superior. Palácios com banhos sauna, sistema de esgotos, esportes radicais, e uma cerâmica só igualada em beleza pela China.

A Ilha de Creta era a civilização mais adiantada do Mediterrâneo. A única coisa extravagante havia acontecido após as miscelâneas das cretenses com os maias da América do Sul, que gerou os primeiros filhos loiros naquele lugar do mundo. Os maias haviam sido alvo de assédios sexuais, desde o dia em que chegaram nessa Ilha. Para socorrê-los, os mestres de Agarta lhes enviaram cinco robôs especialistas em mudança de cor na pele. Num templo dedicado aos “Deuses”, os robôs recebiam uma fila de mulheres, que desejavam ter filhos de pele branca, olhos coloridos com cabelos cor do sol. Eram tantas que eles trabalharam durante muitos anos, sem descanso, desde o pôr do sol até o amanhecer.

Os maiores povoados do mundo, que mandavam na superfície da terra, eram o Egito, a Babilônia, a China, a Índia e o Japão. Na América do Sul, ainda não existia uma unidade de Império. Só tribos disseminadas através de todo o continente, que não possuíam comunicação entre si.

Mas o que mais deixou Adão assombrado foi o filme sobre as civilizações “perdidas”. Os maias do Matchu Pitchu, com seu grande povo, haviam desaparecido.

Metade dos sumerianos da Mesopotâmia abandonou suas cidades, depois que os acadianos conquistaram a Suméria. Os Khoisans da África não viviam em lugar algum.

Os homens do altiplano boliviano deixaram para trás uma cidade em pé, na beira do Lago Titicaca. A tribo de Guaranis, cuja moradia ficava entre os rios Madeira e Cumumã, estava perdida. Sua cidade estava sendo coberta pelo mata dia após dia, ficando realmente invisível aos olhos humanos pela eternidade.

Todas essas civilizações haviam socado montanhas para se esconder das tribos assassinas do mundo, seguindo o exemplo dos alienígenas, e com o auxílio dos construtores de Agarta. Num relatório especial, Fernando Júnior registrara uma visita a todas as culturas perdidas numa nuvem de mistério. Pouco a pouco, Adão viu montanhas magníficas, nos quatro cantos do mundo, portas que abriam, e povos antigos ao descoberto. Na África, os Khoisans estavam dentro do Monte Kilimanjaro.

Os sumerianos haviam construído uma cidade no Himalaia, na montanha Gyachung Kang, de 7.922m de altura, entre o atual Nepal e o Tibete.

Na Cordilheira dos Andes, os maias se esconderam no Pico Humboldt de 4.940 m, na atual Venezuela. E os bolivianos que abandonaram o Lago Titicaca, construíram sua cidade no Maciço de Pacuni, a 5.400 m. Os guaranis da Amazônia estavam no interior da Chapada dos Perecis. O mais incrível é que essas três culturas sul-americanas se comunicavam entre si, através de túneis sem fim, que os uniam por baixo da terra. Poderia se dizer que cruzariam os milênios com uma cultura superior, que sobreviveria a qualquer catástrofe natural, ou, quem sabe a um holocausto humano.

Eva estava eufórica no fim desses relatórios. Queria viajar pelo mundo, ver os povos do Mediterrâneo, as Ilhas da Nova Papua Guiné, e tantos outros povos menores que estavam nesses documentários. Adão explicou docemente:

— Amor, você e eu vamos viajar! Sairemos para visitar o mundo todo! Mas lembre de que estamos encarnados para reencontrar Inês e Rama.

— Tem certeza de que estão vivos? Que já encarnaram? Não seria melhor os espionar no “Espelho falante?

— Promete ficar calma? Você sabe, tem que ficar concentrada para as imagens não desaparecerem...

— Prometo. Não vou chorar. Não vou me emocionar, nem bater no Espelho...

— Sabia que está na hora de termos filhos?

— Quem será que vai nascer desta vez?

— Faltam-nos três, os gêmeos e Marta...

Eva estendeu-se na cama macia, disposta a engravidar. Seus ovários estavam maduros, e Adão fértil que nem um garoto. Fizeram amor até que o sonho os tirou da realidade. Acordaram famintos. Comeram o banquete trazido pelo robô, ali mesmo, na cama maravilhosa, desintegraram as fezes e urina com uma mão sobre o intestino, e com energias redobradas voltaram ao romance eterno.

Notas finais
- Amor, você e eu vamos viajar! Sairemos para visitar o mundo todo! Mas lembre de que estamos encarnados para reencontrar Inês e Rama.