Adão e Eva, e os filhos de Agarta. Segunda parte
3 Abraão, o primeiro profeta da humanidade
Notas iniciais
Abraão viveu sua infância brincando com seus antigos amigos, e irmãos de sangue, correndo em redor do lago, e quando regressava para casa era mimado por Nohiki e por Fernando Júnior, como filho verdadeiro.
Com 8 anos entrou numa escolinha para crianças onde o maior divertimento era a prática da arte. Seus colegas eram todos iguais a ele, grandes, gigantes, fortes, que estudavam idiomas da terra, pintavam, faziam esculturas, e riam sempre. Apenas seus irmãos de sangue, filhos de seu pai caldeu, eram baixinhos.
Dentro de casa, sentava entre Fernando Júnior e Nohiki para ver televisão, comer, e adormecia entre eles. Fernando Júnior o carregava para cama, dava-lhe um beijo de boas- noites, e, na manhã seguinte, um robô o vestia, e levava para Escolinha infantil.
E os anos se passaram. Seus avós Eva e Adão eram também professores, e cada vez que se cruzavam pelos corredores Adão o levantava nos braços. Em seguida, Eva o beijava, abraçava, e ficavam olhando-o se perder entre a gurizada. Poder-se-ia dizer que cresceu rodeado pelo amor de todos nessa cidade fantástica.
Quando entrou na Escola Superior, encontrou Sara no seu primeiro dia de aulas. Ela era uma mulher, filha de Agarta, imortal, com 40 anos, aparência de 15, e Abraão era um guri de 16 anos, com pose de 30. Ele já media 2 metros de altura, possuía ombros largos, e era totalmente inocente nas coisas do amor. Cada vez que se cruzavam, se olhavam, sorriam, pois ali dentro ninguém tinha conhecimento sobre a inseminação de Abraão. Para todos os homens de Agarta, Abraão era apenas um primitivo gigante, como muitos outros que chegavam nessa Escola, e pernoitavam na casa de algum mestre. Apenas isso.
Depois de um ano nessa nova escola, durante a primeira viagem de férias escolares para as Ilhas da Nova Papua Guiné, Abraão ficou perto de Sara durante um sarau, e deu-lhe um beijo tímido, sentados ao redor de uma fogueira. Como Sara havia namorado muitos homens, levou-o de mãos dadas para a praia. Nadaram e se beijaram novamente, e saíram do mar ao encontro dos amigos que começavam a preparar o desjejum, depois de virar a noite se amando com ardor. Difícil foi ficar longe um do outro durante o dia todo. Assim que o pôr do Sol ameaçou no horizonte, se perderam na praia mais uma vez, longe dos olhares dos colegas e namoraram sem descanso.
E esses meses de férias foram maravilhosos. Durante o dia, caminhavam abraçados, cozinhavam com os colegas, jantavam com Fernando Júnior, que sempre lhes fazia piadas sobre o chamego mútuo. E como todos aprovavam o romance, eles casaram após três meses de namoro. Fernando Júnior e Nohiki organizaram um festão, com um banquete para todos os amigos de Abraão e de Sara, e Adão deu-lhes uma casa desocupada, para viver uma doce vida de casados. Havia nela uma piscina na varanda, vários assentos eróticos espalhados nos quartos, mas o que Abraão mais gostou foram as paredes macias, cobertas de tecidos, onde se podia beijar uma mulher a qualquer hora do dia e namorá-lha com paixão. Já na cama, caíam no sono desmaiado, e no amanhecer sempre despertavam com o aroma de uma bandeja com comidas fumegantes, trazidas por um robô, que sabia que os homens esqueciam-se de se alimentar quando estavam amando.
De vez em quando, apareciam para nadar no lago, onde encontravam Fernando Júnior, Peter e Adão abraçados às esposas, fazendo piquenique. Eva desafiava Sara em mergulhos profundos, onde catavam pérolas de mariscos, algas para comer, e saíam à superfície que nem duas sereias.
Quando um novo período de aulas começou, Abraão passou a estudar mais uma vez idiomas da terra, enquanto sua mulher ia para os laboratórios da universidade estudar processos de desidratação de vegetais. Uma matéria que Adão havia inventado junto a Peter, Fernando Júnior, e botânicos de Agarta.
E o tempo rolou, durante anos, na doce rotina. Em casa, Abraão era feliz a toda hora, com uma mulher que dispensava concubinas, pois todas as mulheres do Rei da Babilônia, todas juntas, não eram melhor que sua única esposa. Na escola, se beijavam nos recreios, no fim das aulas, sentavam juntos nos grandes refeitórios, quando os alunos se reuniam antes de regressar para casa. E enquanto Abraão estudava, ele pouco a pouco se convertia num homem de ideias próprias. Com seus colegas de aulas entrava em conversas sem fim, em cujas discussões sempre se analisavam maneiras de como fazer os pobres menos tristes, menos doentes, menos sofridos, pois a miséria e as guerras matavam mais do que as doenças.
Por aqueles anos, partir de Agarta era sair ao encontro do Inferno. Despontar para uma luta contra paredes invisíveis, que impediam realizar todas as ideias brilhantes. Embora Abraão nascesse num palácio, ele conhecia o sofrimento dos mercadores do deserto, dos escravos, das guerras eternas entre os povos, pois onde houvesse riquezas sempre existia invasão. As tribos da Mesopotâmia se odiavam umas às outras. Bastava ser de uma etnia diferente para que a inimizade se enraizasse na alma dos homens como uma doença. Em Agarta, caldeus, elamitas, amoritas, semitas, acadianos, líbios, núbios, sumerianos, assírios e hititas eram amigos. Mas, fora de Agarta, sabiam que sempre se desprezariam e mais cedo ou mais tarde se encontrariam cara a cara como inimigos. E foi assim, que Abraão começou a sonhar pouco a pouco em construir um mundo novo, bem longe, onde não houvesse homicidas, nem guerras, nem escravos. Onde existisse abundância, e onde os meninos crescessem felizes. Uma cidade como Agarta, mas ao ar livre, num Oásis, perdido na solidão.
E para que Abraão realizasse seus sonhos, ele passou a observar os mapas da terra, a matéria mais empolgante de seu aprendizado. Estudou minuciosamente toda a região da Mesopotâmia, com seus rios, lagos, morros, montanhas, mares, para saber até onde se estendia o império da Babilônia. Depois estudou todos os continentes, quer dizer o mundo inteiro. Fernando Júnior mostrava para ele os caminhos do comércio entre nações, as rotas marítimas, os sítios férteis, os lugares onde existiam tribos, analisando sempre a periculosidade de cada uma. Também se expunha o nível de evolução, tanto de conhecimentos quanto espiritual. Pouco a pouco, aprendeu sobre as filosofias, as crenças, os milhares de Deuses e entidades místicas, incluindo os rituais de sacrifícios, de animais e de gente, que existiam no planeta inteiro.
Quando Abraão se formou em Medicina na Universidade, não sabia o que fazer. Questionava-se a si mesmo como levar felicidade ao mundo, que era tão grande, e não morrer por causa disso. Sabia que na Índia havia miséria, mais um baixíssimo índice de criminalidade. O Egito era riquíssimo, mas havia escravidão e muita crueldade. Ou seja, nenhum deles era um bom lugar para se espelhar. Na Mesopotâmia, havia tantas riquezas quanto no Egito, e muita mais crueldade ainda. Os assírios tinham o costume de soterrar pessoas vivas, cada vez que um chefe deles morria. Era espantoso ver escravos, amantes, esposas, colocadas dentro do túmulo real, para morrerem por asfixia. Eles eram uma ameaça terrível sobre o reino da Babilônia. Tudo indicava que um dia dominariam os amoritas, e espalhariam o terror.
Abraão também soube que outros ex-alunos de Agarta trabalhavam para a grandeza de seus povos e cuidavam e protegiam as pessoas queridas. Cuidavam da saúde de todos, e escreviam conhecimentos importantes para a posteridade. Além do que, eram os responsáveis pela construção de todas as maravilhas tecnológicas de seu tempo. Todos os grandes monumentos da humanidade eram obra dos meninos que, como ele, estudaram com os mestres chegados de outros mundos. Eles haviam recebido o mesmo conhecimento que ele, mas alguns tiveram mais sucesso do que outros na praticidade dessa cultura.
Ainda sem saber qual era o melhor caminho a seguir, ele voltou para cidade de Ur com 25 anos, acompanhado de sua linda esposa Sara, a mulher mais bela do Império da Babilônia. Seu pai recebeu-o com carinho, orgulhoso de vê-lo um homem livre, lindo, casado, cheio da sabedoria, e presenteou-o com muitos carneiros, para se tornar pastor, e ter riquezas para alimentar os filhos.
Durante alguns anos, Abraão multiplicou os carneiros, Sara secou frutos ao Sol, e ambos tentaram fazer o mesmo que faziam em Agarta. Retiravam-se cedo para uma casa de pedras, no meio de um vale verde, com um pequeno rio, e se entregavam ao amor. Sara afugentava curiosos formando uma parede invisível de energia, ao redor de casa, para que ninguém os perturbasse. Mesmo assim, a beleza dela despertou o apetite de muitos homens. Embora ela tampasse o rosto durante o dia, seu corpo magnífico, seu andar sensual, suas coxas que se vislumbravam através dos tecidos, enlouquecia os outros homens do povo.
E antes que acontecesse uma desgraça, pois o estupro por aqueles anos era algo normal, nunca punido, sequer contemplado como crime grave, Abraão decidiu partir e formar uma colônia, como faziam alguns colegas de Agarta. Pediu permissão para seu pai, e sua bênção, pois desejava levar com ele sua mãe e todos seus irmãos. E seu pai foi gentil. Deu-lhe de presente cavalos, camelos, para a grande aventura. Depois Abraão convidou os melhores amigos e, pouco a pouco, casais foram se inscrevendo, dispostos a encontrar o lugar ideal, longe da crueldade da cidade, e, principalmente, longe dos assírios.
O mais entusiasta com essa marcha era Lot, o sobrinho de Abraão, casado, e que tinha três filhas. A única divergência entre Abraão e Lot era o destino final. Lot falava de Sodoma e Gomorra, nas planícies do Jordão, cujo povo possuía uma grande riqueza, e alegava com ardor que esse era o lugar ideal para viajar. Abraão falava que, além da riqueza, nessas cidades havia promiscuidade, não existia moral, então era melhor se fixar no deserto da Arábia, no lugar que hoje é Hasã da Jordânia. Nesse lugar havia um oásis gigante, com lagos, onde poderiam cultivar a terra, perdidos e escondidos do mundo. Só os mercadores se aventuravam naquela direção. Pequenas caravanas que não ofereciam perigo para ninguém. E eles terminaram por iniciar a caminhada juntos, e seguir caminhos diferentes.
Para ter água abundante, Eva lhes fez a rota das águas.
Entre o Eufrates e a cidade de Hasã, desintegrou uma cavidade funda, que impregnou com as águas do Eufrates, cruzando o deserto, acompanhando a marcha. Seria um rio provisório, que secaria com passar dos anos. Também Eva lhes fez outra trilha, de um rio ao Noroeste de Hasã, do Rio Jordão, em cujo lugar nasceria mais um rio temporário.
Durante um ano e meio, Abraão e Sara cruzaram o deserto. Na medida em que viajavam, as cabras lhes davam o leite para os meninos, os carneiros a carne, e as frutas secas as hidratavam nas águas do rio. Levantavam as tendas ao anoitecer, e dormiam logo, pois as noites eram frias. Muitos oásis lhes deram capim fresco para seus cansados animais. E quando não havia nada durante muitos dias, chovia dos céus pão, frutas frescas, e Abraão falava que eram de “anjos” que os protegiam.
No dia em que finalmente alcançaram o oásis que procuravam, Abraão lhe deu o nome de Canaã, nome que recebeu por causa da fertilidade dessa terra. Eles chegaram suados, famintos, cansados, mas felizes. Os animais se confundiram em meio das matas verdes, onde as tâmaras eram fartas, as oliveiras não tinham fim, e as uvas eram gigantes. Havia pomares com maçãs, laranjas, misturadas a legumes, prontos para serem degustados.
As crianças correram e se jogaram nas águas, e os homens se organizaram estudando a melhor maneira de fazer os cultivos. Sara, que sabia tudo sobre agricultura, escolheu as sementes com cuidado, para garantir boas colheitas. Reuniu as mulheres para ajudar os homens, e formaram as trilhas, enterraram os arados de madeiras, puxados pelos cavalos. Semearam o trigo e o milho, o algodão, o linho, fazendo sulcos entre os cultivos, com canais puxados do enorme lago, que mais parecia um mar de tão grande.
E a vida foi desta vez como um sonho bom. Nenhuma mulher tampava o rosto, pois os homens eram monogâmicos, respeitosos, e feras na hora de fazer amor, só com uma esposa. Era o que Abraão havia colocado como exigência antes de partir. Todos trabalhavam. Homens, mulheres, adolescentes com mais de 12 anos, e nunca houve a existência do dinheiro. Outra exigência de Abraão era que tudo pertencia a todos os homens. E no centro desse paraíso, levantou-se a escola, onde se aprendeu a escrever histórias, matemática, olhar para as estrelas, geografia, agricultura e artesanatos. As mulheres aprenderam a manufaturar o algodão, transformar em fios, tecer, costurar, tingir, o que as transformou nas fêmeas mais lindas do deserto.
Aos 80 anos, Abraão era o chefe de um grande reino. Ao contrário de seu pai, que morrera combatendo os hititas, que arrasaram os amoritas na Mesopotâmia, tomando para eles o Império Babilônico.
A fama de Canaã, a terra onde fluía o mel, cruzou o deserto. Da Palestina e da Mesopotâmia chegavam mercadores, que ficavam assombrados com o esplendor dessa cidade. Possuíam torres com telescópios para olhar as estrelas, os edifícios eram decorados com arte, pintados à mão, e usavam para construir os tijolos cozidos, mas também existiam os edifícios de pedras. Mas a maior grandeza do povo de Abraão era a conduta de seus habitantes. Os homens tratavam suas esposas com carinho, cuidavam com zelo dos filhos, e não existia a criminalidade. A saúde era vigiada desde o berço. Todos os meninos eram circuncidados, para evitar infecções, como se fazia em Agarta.
Desde a cidade de Agarta, Adão os vigiava regularmente, através do “Espelho Falante”. Cada vez que descobria assassinos cruzando o deserto em busca de Canaã, para saque, eles se perdiam hipnotizados desde longe, e nunca encontravam a cidade, ou, morriam de sede na sua busca. Mas também Adão costumava elevar as antenas telepáticas e perguntava para Sara periodicamente:
— Está tudo bem, algum problema?
E ela sempre respondia:
— Está tudo ótimo. Se acontecer algo grave, dou um berro telepático...
E um dia, Adão recebeu esse chamado desesperador. Sara contava que algo estranho estava acontecendo em Sodoma. Havia sonhado com o sobrinho de Abraão, Lot, e tinha-o visto num mar de lágrimas.
Adão convidou Fernando Júnior e Peter para visitar Sodoma, sozinhos. Vestiram roupas amoritas e cruzaram o deserto em busca dessa cidade, que era tão rica quanto o Egito, mas onde os homens haviam enlouquecido. Havia tempo que Fernando Júnior os filmara num documentário. As pessoas eram dedicadas ao comércio, e trocavam mercadorias com as caravanas vindas da Fenícia, da Índia, do Egito, ganhando juros na troca. Mas os mercadores que chegavam à cidade eram convidados a festas onde mulheres seminuas os seduziam e os roubavam. A fama maligna de Sodoma se expandiu, e nenhuma caravana passava perto dela, fazia anos. Pouco a pouco, ficaram isolados, e vivendo apenas com seus produtos.
Quem trabalhava em Sodoma eram os escravos. Cultivavam a terra, construíam os palácios, fundiam os metais, cavavam rochas, e morriam cedo por causa da desnutrição e das doenças, pois as piores doenças da terra estavam naquele lugar. A lepra, a tuberculoses, a sífilis, o câncer, a peste negra, a peste bubônica, o cólera, matavam homens, mulheres e crianças e os cadáveres eram todos os dias empilhados fora dos muros da cidade, para queimá-los. Mas, como ninguém sabia como esses surtos eram retransmitidos, os homens faziam festas só de homens, com sexo em grupos, ou com sadismo com animais, depois namoravam as esposas, estupravam meninas e meninos, e disseminavam as endemias de uma pessoa para outra, numa corrente sem fim.
A contaminação da sífilis havia alcançado níveis de 95% da população. Fernando Júnior havia levado amostras de sangue para Agarta, para fazer uma vacina. Mas a pergunta que havia no ar, era se valia a pena salvar esse povo. Só os meninos com menos de 7 anos eram resgatados para Agarta, mensalmente, sem que ninguém se importasse. Crianças com 8 anos já estavam corrompidas, eram ladrões, assassinos, e seguiam o exemplo dos mais velhos. O dia em que Sara teve esse sonho, a mulher de Lot estava morrendo. Lot havia entrado num bacanal de um bordel, e levado a sífilis e a lepra para dentro de casa.
Adão entrou na casa de Lot, onde tudo era tristeza. A mulher de Lot estava cheia de feridas pelo corpo, agonizando, com todos os órgãos internos comprometidos. Adão colocou uma mão no ventre e examinou-a. Em seguida, injetou um coquetel de remédios, e pouco a pouco, ela foi reagindo, seus anticorpos se multiplicaram, e as doenças começaram a ser combatidas. Depois deu uma vacina para o marido e as duas filhas, pois elas já haviam sido estupradas em becos de rua.
Enquanto isso, Fernando Júnior percorria as ruas filmando as pessoas estendidas no chão, algumas mortas, outras ainda vivas, e os que caminhavam tinham as marcas das epidemias à vista. Era um povo que se havia transformado nos mais horríveis homens da terra, com um aspecto asqueroso. Os mais feios eram os leprosos, ainda em pé, cheios de feridas purulentas, desfigurados, eram o real retrato do inferno.
Peter foi o mais prático dos três. Separou doentes, leprosos de um lado, tuberculosos em outro, cancerosos mais lá, peste negra em outro lado, e pediu para Agarta várias naves com robô, vacinas, remédios, e um mapa do Mar da Antilhas. Subiu-os em naves separadas, e marcou o destino de cada grupo, junto à medicação, dieta alimentar, aos encargos desses robôs. Ficaram sobrando na cidade somente os cadáveres, os gérmens no ar, o cheiro da putrefação, e os animais contaminados.
Depois, fizeram a mesma coisa na cidade de Gomorra, onde encontraram o mesmo índice de contaminação. Mais uma vez, os enfermos resgataram-nos para as naves, em separados, e com destinos às Ilhas do Mar das Antilhas. A última coisa a se fazer foi a desintegração de tudo que restara.
Do ar, mirando pelas janelas da nave, Peter dilatou as pupilas, enviou um raio aniquilador para baixo, e as duas cidades desapareceram com os cadáveres, com os vírus, com a matéria, deixando o deserto mais limpo.
Lot e sua família, junto aos amigos mais fortes e sadios, foram transportadas para Salém, onde o Rei Meiquisedeque havia oferecido apoio. Ele tinha uma dívida com Abraão, e estava disposto a pagá-la. Uma vez no passado, o rei Melquisedeque havia solicitado ajuda para Abraão. Filisteus, hititas, e assírios estavam açulando as terras vizinhas, colocando em perigo o reinado de Salém, atual Jerusalém. Abraão, que não possuía exércitos, lhe enviou seus melhores construtores. Eles levantaram muros altos para Melquisedeque, com torres de vigias, telescópios para ver o inimigo de longe, e se treinou os soldados na técnica de tiro à distância. Ensinaram-lhes a fabricar flechas longas, arcos fortes, e apontar contra o inimigo.
Em agradecimento, o rei enviara para Abraão 40 escravas para seu harém.
A chegada dessas mulheres levou Sara a engravidar pela primeira vez. Abraão, rindo de seu ciúme, enviou as escravas para trabalhar nas colheitas, escolher marido, pois havia adolescentes prontos para entrar no casório. Depois se aprontou a receber o primeiro filho, com a mesma ansiedade que Fernando Júnior esperou por ele. Um garoto forte, cheio de saúde, que chamou de Isaque. Depois, Sara engravidou de mais 11 filhos, deixando uma brecha de 10 anos entre cada um. Abraão os recebia orgulhoso e agradecido, pois Adão sempre chegava com Peter e Fernando Júnior para ajudar nos partos. Sara paria sem dor, recuperava as forças rápido. Sara só teve filhos homens, todos altos, fortes, musculosos, que viajavam para Agarta aos 10 anos, para estudar, como fizera Abraão. Voltavam sempre casados, pois as mulheres de Agarta os disputavam pela sua beleza máscula.
Isaque, casado com Rebeca, assumiu o lugar de seu pai no dia que Abraão completou cento e quarenta anos e governou Canaã com a mesma sabedoria de Abraão. Seus irmãos construíram outras cidades, tão lindas, prósperas, e magníficas quanto Canaã, formando as bases de uma cultura que assombraria a humanidade pela sua sabedoria. O deserto ficou cheio de vida. Cidades magníficas, onde os mercadores nômades chegavam cheios de tesouros, e partiam com outros tão magníficos quanto eles, num sistema de troca, pois o dinheiro ainda não existia nesses lugares.
Durante uma viagem para Agarta, Adão revelou para Abraão a sua origem imortal, e a boa notícia de que tinha uns 800 anos pela frente para serem vividos, sem nunca envelhecer nem ficar frouxo. Também lhe contou que era seu neto, filho de sua filha Nohiki. Fernando Júnior e Nohiki, que sempre o chamaram de filho, finalmente escutaram as palavras "mãe" e "pai" com emoção. Afinal, haviam cuidado dele desde o berço, e os seios que Abraão mais mamara foram os de Nohiki.
De todos os filhos de Abraão, Isaque foi o neto mais mimado por Fernando Júnior. Afinal, sempre que um netinho, filho de Abraão, chegava a Agarta, Fernando Júnior os esperava ansiosos, e lhes fazia uma pergunta repetitiva:
— Oi, filho, gostaria de viver conosco?
E eles sempre respondiam que sim. Fernando Júnior então os levava para casa no colo, abria a porta, e Nohiki caía nas lágrimas. Depois sentavam juntos na mesa, para o primeiro jantar em família. Nohiki nunca mais foi mãe. Afinal, Abraão lhes dera 12 netos, 36 bisnetos, e tantos tataranetos, que um dia se esqueceram de contar a quanto chegava essa descendência.
Quando Abraão se mudou definitivamente para Agarta, ele assumiu como mestre da Escola Superior. Foi então que Adão lhe pediu para ensinar pessoalmente Zaratustra e Moisés, alunos recém-chegados do Egito e da Pérsia.
Uma vez no passado, o rei Melquisedeque havia solicitado ajuda para Abraão. Filisteus, hititas, e assírios estavam açulando as terras vizinhas, colocando em perigo o reinado de Salém, atual Jerusalém. Abraão, que não possuía exércitos, lhe enviou seus melhores construtores. Eles levantaram muros altos para Melquisedeque, com torres de vigias, telescópios para ver o inimigo de longe, e se treinou os soldados na técnica de tiro à distância. Ensinaram-lhes a fabricar flechas longas, arcos fortes, e apontar contra o inimigo.
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