— Biaaa vai lavar a louçaaa!

— Já vooouuu...

Sem pressa, Bia folheava uma revista velha no sofá surrado da casinha de subúrbio. Não gostava dali. Tudo cheirava mal, e a toda hora entravam e saíam pessoas que ela nem conhecia. Mas conforme ela havia dito para si mesma, estava ali só fazendo hora. Tinha outros planos.

Depois de lavar a louça o mais desleixadamente possível, Bia saiu sem falar com a tia. Rumou para a favelinha do outro lado da estrada. Pela porta aberta já viu Gladison deitado no sofá fumando um cigarro.

— Oi, Gladi, vim te ver!

Sentiu o cheiro de lençóis suados quando ele veio em sua direção, mas não lhe deu chance de falar.

— Eu pensei muito sobre aquilo e estou a fim!

O rapaz não pareceu muito surpreso. Abriu um sorriso e replicou:

— Legal, novinha. Vamos fazer um amor gostoso.

Os braços de Gladison envolveram a adolescente, e a língua dele procurou a boca dela. Logo em seguida ele estava ofegando como um animal no cio.

— Ai Gladi, fecha a porta, fecha a porta...

Minutos depois Bia estava deitada na cama ao lado de Gladison, que acendera outro cigarro. O cheiro de lençóis suados agora impregnava seu corpo. Sua cabeça vagava. Quando os pensamentos voltaram à ordem, perguntou:

— Posso trazer minha bagagem?

— Sabe, novinha... não dá. Não vai rolar não...

— Mas você disse...

— O babado é esse, novinha, você é muito novinha! Não estou a fim de fazer mingau, não! Você tem que comer muito feijão com arroz ainda! Mas se quiser fazer um amor gostoso, eu estou aqui!

Já era noite quando Bia abriu a porta da casa da tia. Ninguém perguntou onde ela havia estado. Sentou de novo no velho sofá e quis um aspirador grudasse em sua cabeça e tirasse a raiva que sentia. A voz da tia interrompeu-a.

— Biaaa tem um montão de louça para lavar!