Notas iniciais
Bom gente, esse é o penúltimo capítulo da fic, e eu queria perguntar a vocês se devo continuar escrevendo fics faberry ou devo partir para outros casais? Opinem... Boa leitura!

Rachel Hudson estava sentada confortavelmente sobre o estofado da sala, protegida do frio que aos poucos tornava-se mais rigoroso. Tentava entreter-se com a leitura do diário que lhe havia sido dado por Quinn Fabray, mas a tarefa se mostrava árdua. Havia um clima excitante entorno da residência que se sobressaía ao desconfortável frio: as comemorações da morte de Abraham Lincoln. Enquanto os brancos começavam a beber até cair sobre as mesas, os negros organizavam-se para celebrar a data com respeito, como uma forma de fazer com que a memória do presidente se mantivesse viva.

Mas havia uma circunstância que a impedia de proseguir com a leitura, que fazia seus olhos apenas passearem brevemente sobre as palavras pouco familiares do diário, e a impedia de traçar conecções entre o que aprendera em suas aulas de idioma... Vez e outra sua mente vagava até os olhos verdes iluminados e cheios de vida que faziam parte do rosto calmo e belo de Quinn Fabray. De repente, as imagens da mulher preenchiam sua visão e aquelas páginas em suas mãos perdiam todo o significado.

Desde que vira Quinn Fabray, sua mente já não conseguia estar em outra pessoa. Na última noite em que esteve com Finn Hudson, viu-se surpeendida pelo desejo que surgiu sem permissão; quando imaginou como seria se ao invés das mãos do homem as mãos delicadas de Quinn Fabray fossem as que estivessem deslizando por seu corpo, que fosse o corpo da mulher sobre o seu. E o que mais queria era dar voz a sua imaginação...

O diário foi posto de lado para que Rachel Hudson pudesse tomar uma longa e necessária respiração, para que pudesse acalmar o corpo e a mente. No momento seguinte o mulato Noah adentrou a sala dos Hudson, e a movimentação do homem chamou a atenção da mulher:

— Me perdoe pela intromissão, Senhora.

— Não há problema. O que deseja?

— Trago uma correspondência. Um garoto de recados esteve na residência em nome da Srta. Lucy Quinn Fabray e pediu para que este bilhete fosse entregue em suas mãos.

— Obrigada, muito obrigada Noah.

— Com sua licença. — disse o mulato, que com uma singela reverencia, tornou a deixa-la sozinha.

A esposa de Finn Hudson esperou um momento antes de trancar-se no escritório do marido. Logo viu-se protegida, abriu a correspondência apressadamente para então finalmente ver as letras cursivas de Quinn Fabray sobre o papel:

"Rachel,

Sinto não poder vê-la, estou a caminho de fazer minha mudança da casa de Samuel Evans. Vou para as instalações do Circo onde ficarei até minha partida para Nova York. Há muito ainda a ser resolvido nesta cidade antes que eu me vá de forma definitiva. Contudo, quero que tenha em mente que mesmo diante de tudo, em nenhum momento deixei de pensar em você, e na promessa que lhe fiz. Quero tê-la comigo quando for a hora de partir, e acredito que é hora de começarmos a pensar em como faremos para concretizar isso. Venha me ver, estarei esperando por você. Nós precisamos conversar acerca do seu futuro longe deste lugar.

Quinn."

A Esposa de Finn Hudson apertou o papel contra o peito sentindo o coração bater fora do ritmo normal. Os olhos apertaram-se tal qual suas mãos fizeram em volta do papel. Observou novamente as letras da mulher de cabelos louros sobre o papel para certificar-se de que não era das umas de suas ilusões. E lá estavam as palavras de Lucy Quinn Fabray como que a lembra-la de que tudo era real.

— Oh, céus. Isso está mesmo acontecendo! — Sussurrou Rachel Hudson consigo antes de levantar-se para jogar o papel nas chamas da lareira.

~/~


Lucy Quinn observava o campo aberto coberto por lonas armadas, via uma pessoa ou outra indo e vindo muito bem agasalhada, tentando enfrentar o frio. Para a felicidade de todos, aquela noite não era de apresentações. Todos estavam guardando energia para os dias que viriam. O domingo seria o dia que marcaria o tão esperado dia de mais um ano da morte de Abraham Lincoln. O habitantes da cidade planejavam uma grande comemoração. E Lucy Quinn Fabray, tal como eles, também fazia planos.

Esfregando as mãos para aquecê-las, Lucy Quinn esperava pacientemente; sentia-se apreensiva vendo o movimento diminiur e uma fina e insignificante chuva começar, mas estava confiante, caso fosse preciso esperaria uma parte da eternidade. Um curto suspiro gelado escapou por entre seus lábios ao finalmente avistar Noah aproximar-se do acampamento conduzindo a carruagem.

Ao ver Quinn Fabray caminhar na direção da carruagem com aquele sorriso que há muito habitada em seus pensamentos, a esposa de Finn Hudson não conteve-se e abriu um tímido sorriso. Mal pôde registrar a surpresa em vê-la vestida em um grosso sueter de cores vivas por baixo de um sobretudo marrom e calças, além de botas; como uma memória da última vez em que estivera com ela em sua casa:

— Noah! Como vai? — Lucy Quinn cumprimentou o mulato com um aceno breve.

— Srta. Fabray...

O Mulato desceu para ajudar sua Senhora, mas Quinn Fabray foi mais rápida ao dar a mão para que Rachel Hudson pudesse tomar o chão em segurança.

— Seja bem-vinda, Rachel. — O toque da mão pálida de Quinn Fabray fez a esposa de Finn Hudson sentir conforto; estava tomando um caminho arriscado e precisava tê-la ao seu lado para continuar acreditando.

O movimento de Noah fez a mulher voltar sua atenção para o homem:

— É melhor que você se vá, Noah. Não queremos chamar mais atenção do que o necessário.

Noah quis argumentar, mas apenas soltou um longo suspiro sabendo que a mulher tinha razão. O mulato tornou a subir na carruagem:

— Tem certeza, Senhora?

— Sim, eu tenho certeza Noah. Aqui estou segura. Ficabei bem. Vá em paz. Você sabe quando e onde me encontrar.

Lucy Quinn e Rachel Hudson observaram enquanto Noah se distanciava do acampamento, tomando um caminho alternativo por entre as grandes lonas do Circo até que não pudesse mais ser visto.

— Então você realmente veio! Isso alegra meu coração de tal forma que sequer sou capaz de começar a mensurar — disse Quinn Fabray tomando as mãos da mulher morena entre as suas.

— Vim! Vim, pois precisava vê-la, para ter absoluta certeza de que não estou a viver uma ilusão. Ainda tenho dificuldade para crer. Jamais poderei ser capaz de agradecer à Santana Lopez por tudo isso.

Lucy Quinn deixou de sorrir tão grande ao ouvir o nome da espanhola, mas Rachel pareceu não notar.

Uma chuva que começara fina passava a cair com mais intensidade sobre as cabeças das mulheres, e Lucy Quinn convidou Rachel Hudson para abrigar-se no trailer onde estava aposentada. As duas passaram pelas grandes lonas, um caminho feito de forma tranquila até chegarem àquele trailer que pertencia a Quinn Fabray. Era o mais distante entre os outros, maior e por dentro parecia ser o mais confortável.

— Entre, por favor.

Lucy Quinn deu espaço para que Rachel Hudson pudesse observar melhor o lugar antes de ajuda-la a retirar o agasalho, logo depois retirou o seu e os acomodou sob a porta.

— Por favor, queira sentar-se. — Quinn Fabray indicou a melhor poltrona enquanto tomava para si a cadeira que usava para sentar-se à escrivaninha. — Imagino que deva estar perguntando-se porquê a chamei aqui.

— Sim... Você quer falar sobre... sobre nossa partida, estou certa?

— Está. Como sabe, já não estou mais aposentada na casa dos Evans — fez uma pausa curta para respirar antes de falar: — Bem, acontece que infelizmente descobri... coisas... sobre Santana, coisas que me decepcionaram profundamente. Creio que depois de tudo não há nada que nos faça reatar nosso vínculo e isso é um grave entrave, porque Santana Lopez sabe muito, e isso me preocupa.

A Esposa de Finn Hudson ficou apreensiva, temendo que a conversa que Quinn Fabray queria ter fosse, não para selar, mas para cortar o vínculo que vinham solidificando naqueles últimos tempos; medo e frustração começavam a tomar conta de seu corpo:

— Você está me dizendo que... Oh, CÉUS! NÓS NÃO VAMOS MAIS...

— Mantenha-se calma. Tenho absoluta certeza que Santana Lopez não fará nada, pois sabe que se fizer será a maior prejudicada. Estamos seguras... Contudo, isso me fez pensar e decidi que...

— O quê?

— Decidi que quero evitar qualquer risco que possa surgir. Então nós vamos partir no domingo. Neste domingo, mais especificamente. Todos na cidade estarão em uma grande comemoração. Este será o momento ideal para partirmos. Não quero que chamemos atenção.

— Tão rápido... — A Esposa de Finn Hudson balbuciou as palavras como que falando consigo.

— Me perdoe não poder tirar você desse lugar dignamente, por ter que ser desta forma tão impávida, mas é preciso que seja assim. Será mais fácil resolvermos em Nova York o que for preciso, é onde tenho amigos e pessoas de minha confiança. Infelizmente não tenho suporte aqui para fazer tudo o que será necessário. Teremos que estar longe para isso... Mas caso queira ficar, com muita dor, eu entenderei. Este é o seu lugar, afinal.

— NÃO! — disse a esposa de Finn Hudson de forma enfática — Claro que não! É lógico que quero ir com você. É o que mais quero: ir para longe daqui. Este nunca foi o meu lugar. Me leve com você para um lugar onde eu possa ser feliz. Me leve para longe daqui...

Lucy Quinn levantou-se apenas para ajoelhar-se em frente a esposa de Finn Hudson tomando as mãos da mulher entre as suas, beijando-as cada uma levemente. O tempo parecia passar em um ritmo calmo enquanto a chuva do lado de fora se intensificava.

— Ah... Se ao menos tivesse dimensão, Rachel Hudson, de quanta felicidade trouxe para minha vida. Antes de você, tinha tudo mas não tinha um propósito. Agora eu tenho. E tenho uma razão para acreditar que tudo será melhor. Que todas as feridas em minha alma abertas, não foram abertas em vão. O tempo e a vida me trouxeram até aqui. Obrigada por me permitir entrar em sua vida.

Rachel Hudson sentiu a mão de Quinn Fabray enxugar de seu rosto as lágrimas derramadas. A esposa de Finn olhou para a mulher gentil e generosa a sua frente; que desde o dia em que entrara em sua vida havia despertado dentro de si algo desconhecido. A primeira pessoa a enxergar uma Rachel além de seu marido banqueiro. Uma mulher que despertava nela tudo que Finn Hudson jamais conseguira. E sem poder resistir, sem permissão, cobriu os lábios de Quinn Fabray com os seus.

Lucy Quinn ficou parada; não retribuiu pois não sabia como agir. Imaginou que fosse um ato falho da mulher. Opitou por não mover-se... Inesperadamente o beijo foi aprofundado por Rachel Hudson. Dessa vez Lucy Quinn soube que poderia retribuir tal afeto; deslizou sua língua para dentro da boca da outra mulher, sabendo que era correspondida. Um desejo que Lucy Quinn aprisionara em suas entranhas e que agora sentia que poderia soltar tomava todas as partes da mulher, pois Rachel Hudson a queria, e tal como a mulher ela também desejada Rachel Hudson.

Havia incerteza no beijo que elas trocavam. Mas algo havia de diferente em Rachel Hudson... Lucy Quinn afastou-se da mulher para olhar em seus olhos. E antes que qualquer palavra pudesse ser dita, sentiu o corpo de Rachel Hudson juntar-se ao seu em um abraço.

Lucy Quinn e Rachel Hudson olharam-se por um longe momento. Nenhuma das duas mulheres queria deixar aquilo inacabado. Mal podiam ouvir a chuva torrencial que inundava o lado de fora. Quinn Fabray acariciou o rosto de Rachel Hudson antes de beija-la de forma singela e tomar as mãos da mulher entre as suas.

Lucy Quinn conduziu a mulher até seu leito, onde virou Rachel Hudson em seu eixo para desabotoar-lhe o vestido. Deliciou-se ao ver o tecido deslizar pela pele morena. Desamarrou o espartilho da mulher e viu enfim suas costas nuas...

Rachel Hudson suspirava enquanto sentia as mãos de Quinn Fabray deslizando por suas costas, por seu ventre, por seus braços e ombros antes de envolverem seus seios apertando-os entre as suas mãos que eram delicadas e também fortes.

— Não pode sequer imaginar há quanto tempo eu venho sonhando com suas mãos sobre meu corpo como estão agora... — As palavras de Rachel Hudson sairam profundas e entrecortadas pelo desejo.

Lucy Quinn guiou Rachel até seu leito onde repousou o corpo da mulher morena. Livrou o corpo da mulher de tudo que ela vestia e calçava antes de fazer o mesmo consigo. As mãos da mulher loura deslizaram pelas pernas da outra, pelos pés descalços plantando beijos por onde sua boca alcançava enquanto a admirava em sua forma mais visceral, sem nenhuma barreira.

Tão logo viu Quinn Fabray despida a esposa de Finn Hudson sentiu todo seu interior se encandecer, pois viu o corpo de Quinn Fabray como viu naquele fatídico dia sobre o palco do Circo. Desta vez, contudo, a parte mais intima do corpo branco da mulher encontrava-se clamando por Rachel Hudson, enrigecido, era alvo como sua dona.

O leito de Lucy Quinn transformou-se no lugar mais quente daquela cidade quando os corpos nus uniram-se. As mãos pequenas da mulher morena passeavam pelas costas de Quinn Fabray enquanto recebia a mulher na parte mais intima de seu corpo; contorcia-se extasiada envolvida pela dança calma e precisa da mulher loura. Sentia-se beijada com desejo, como se sua boca tivesse o sabor mais delicioso em toda america do norte; ouvido o som de sua anca sendo colidida pelo quadril da mulher sobre seu corpo que parecia sobresair-se à chuva do lado de fora. E foi quando Quinn Fabray ergueu-se que ela viu como aquilo era tão enebriante. A imagem junto ao som fez com sentisse seus olhos vagarem para algum lugar qualquer muito longe dali...

Rachel Hudson sorria. Sentia-se energizada e viva por finalmente estar onde queria, com quem queria estar. Abandonava beijos calmos sobre os ombros, sobre o pescoço, sobre o rosto de Quinn Fabray como uma forma de agradecer a ela por aquele momento.

Os corpos continuavam seus movimentos que se descobriam, que se doavam completamente, que buscavam muito mais que um prazer, buscavam uma ligação perpétua.

...Então algo diferente aconteceu: O corpo de Rachel Hudson sentiu algo que parecia vir do centro de seu ventre e tomar conta de toda sua alma. A esposa de Finn Hudson não sabia denominar, nem descrever, mas estava convicta de que nunca, jamais, havia sentido algo tão delicioso envolvendo seu corpo. Apertou Quinn Fabray a si enquanto desfrutava deste instante inigualável. Sentia seu corpo vibrar sem parar. Tudo que sentia eram os beijos da mulher. Quando então suas forças tinham ido, seu interior se viu preenchido pela
mulher loura.

Um longo momento depois e elas olharam-se.

— Obrigada...

Lucy Quinn nada disse, simplesmente tomou os lábios da mulher nos seus. E então, "agora", Rachel Hudson sabia o que de tão especial havia naquele ato. Era bom, era gostoso, e era tudo isso aporque era com Quinn Fabray.