Notas iniciais
Obrigada a vocês que me acompanharam até aqui, pela paciência e pelo carinho dos comentários. Eu escrevi esse conto pra provar que seria capaz de começar e terminar algo na vida e hoje eu finalizo essa fic com orgulho de mim por ter conseguido cumprir com o prometido. Achele e Faberry acabou, eu sei, mas as lembranças e os momentos bons delas me fizeram continuar tendo ânimo para escrever, para manter vivo esse amor de Dianna e Lea que SIM, FOI REAL, mas que acabou porque a vida é isso, nem sempre tudo vai dar certo, o importante é sempre manter as lembranças boas dos momentos felizes. Espero do fundo do meu coração, ter cumprido com as expectativas de vocês. E que esse último capítulo seja bom de ser lido. Mais uma vez, MUITO OBRIGADA FABERRY SHIPPERS.

Era possível que o coração de Rachel Hudson pudesse ser ouvido a bater enlouquecidamente no interior de seu peito? A esposa de Finn Hudson temia que sim. Por isso era grata por toda a algazarra e gritaria que os sulistas produziam nas ruas da Cidade.

O quase apagado sol entratava-se no topo do céu e ela permanecia trancafiada em seu aposento. Tinha feito seu desjejum no quarto e lá parmanecera, longe da vista de todos. As celebrações religiosas daquela manhã de domingo haviam sido cenceladas por precaução, e ela agradecia por isso também. Mas pensava que teria sido bom despedir-se dos meninos e meninas do coral da igreja, poder dizer o quanto os amava e explicar que sua decisão era por sua felicidade, e que desejava que eles seguissem seus corações e seus sonhos como ela estava fazendo. Porém, sabia que não seria possível, e aceitava as condições com o peso que sua decisão estava lhe impondo.

Embora o medo pulsasse forte sob suas veias, ela sabia que havia ainda muito a ser feito. Munida com essa coragem, ergueu-se de onde estava e rumou para o andar inferior da espaçosa casa de seu marido. Andou por cada cômodo, por entre os móveis, despedindo-se silenciosamente de tudo aquilo. Aquela havia sido sua casa por muitos anos, ainda que não lhe trouxesse boas lembranças.

No mesmo horário de sempre, almoçou à mesa. E depois de desfrutar de uma deliciosa sobremesa, olhou para os empregados que estavam ao seu redor e depois para a mesa ainda recheada por todo aquele alimento. Para absoluta surpresa dos mesmos, disse:

— Venham e sentem-se comigo. Comam e desfrutem de tudo que há aqui.

Os enpregados se entreolharam e imediatamente trataram de recusar. Mas a mulher entendeu o comportamento, eles tinham medo de Finn Hudson e, consequentemente, dela também. Com muita sutileza, explicou mais enfática:

— Hoje é um grande dia, e eu realmente, realmente gostaria muito de tê-los ao meu lado durante esse momento.

Rachel Hudson sorriu quando viu um a um os empregados tomando os lugares à mesa que ficaram vazios todos aqueles anos. Observou alegre todos servindo-se de tudo o que havia de melhor, e não pôde deixar de pensar que aquela mesa nunca pareceu ter tanta vida como parecia naquele momento. Lembrou-se de quando era uma jovem garota em Ohio, de sua família que parecia tão feliz em suas lembranças.

Os empregados degustavam das maravilhas, contavam suas histórias e sorriam. A esposa de Finn Hudson aproveitou que todos pareciam distraidos e pediu discretamente que Noah fosse ter com ela na sala de visitas.

— Minha Senhora, chamou por mim?

— Sim, Noah. Sente-se! — endicou o lugar vazio ao seu lado.

— Senhora... Não posso!

— Por favor, Noah. Sente-se.

O Mulato fez o que a mulher lhe pediu, mas parecia estranho, como se estivesse fazendo algo de muito errado. Viu que a mulher tinha em mãos enrolado em um material impermeável algo retangular e mediano.

— Todos esses anos você tem sido a melhor pessoa em minha vida. Sinto que isso não é apenas por obrigação, você realmente faz o seu melhor por mim, e faz porque se importa comigo. E eu vejo que não fui o melhor que poderia ter sido por você Noah. — A mulher estendeu o que tinha em mãos e entregou ao homem: — Espero que não seja tão tarde para reparar meu erro.

O Mulato olhou bestificado para o que a nulher lhe havia dado. Nunca havia recebido um presente em toda sua vida. Engoliu o nó que se formou em sua garganta e não soube o que dizer como resposta.

— Gostaria muito de traze-lo comigo e Quinn para Nova York, Noah, mas sei que agora isso não será possível. Na verdade eu também estou viajando para o desconhecido, e não posso simplesmente joga-lo no escuro comigo. Então, isso que lhe dei é uma quantia em dinheiro, para que venha encontrar comigo caso essa seja sua vontade. Ou para que possa seguir sua vida longe desta casa quando eu tiver partido.

— Minha Senhora...

A mulher não permitiu que o homem protestasse, levantou-se para tomar em mãos um cilindro que estava no escritório do marido. Ao voltar, encontrou o mulato com o olhar perdido. Sentou ao lado dele, entregando-o o cilindro:

— Certa vez, você me contou que o quê mais desejava era ter um documento com seu nome que provasse diante dos homens, que você existe no mundo. Dentro do cilidro em suas mãos há um papel que agora prova que você existe no mundo. Tem o nome de seu pai, de sua mãe, e o ano em que veio ao mundo. Agora você se chama Noah Puckerman, assim como seu pai.

Noah Puckerman não sabia ler, mas saber que as letras sobre aquele papel significavam seu nome e que isso queria dizer que finalmente era alguém, que existia amte os olhos dos homens da lei e das autoridades americanas o fazia querer gritar como uma criança que descobre o arco-íris.

— Agora eu me sinto livre...

— Você nunca foi escravo, Noah.

Noah Puckerman permaneceu um longo tempo olhando para o papel, perguntando-se se seus antepassados haviam se sentido daquela forma ao receberem suas cartas de alforria. Talvez jamais soubesse...

— Não irei esquecer desse gesto, Minha Senhora. Não importa quanto eu viva, sempre lembrarei.


~ / ~

Rachel Hudson ouvia os gritos mais altos e as risadas estéricas nas ruas da cidade enquanto guardava seus documentos para viagem; era tudo que precisaria. Olhou para o céu e viu que era chegada a hora de partir. Encontraria com Quinn na estação de trem.

Observou todo seu quarto uma última vez antes de sair dali para nunca mais voltar.

A Esposa de Hudson desceu as escadas lentamente, deixando-se ter aquele último regristro da residência. Aquele não deveria ser o desfecho de sua vida ao lado de Finn; um abandono inesperado, uma partida sem despedida. Lembrou-se da noite em que o homem a levou até o Circo, a noite que viu Finn Hudson mostrar por um curto tempo o homem que havia sido em um passado distante. Mas havia sido tão curto que pareceu um lapso, um borrão. Um final feliz para eles não seria possível, nunca havia sido... Enxugou do rosto uma teimosa lágrima e respirou com determinação. 'Essa' não era a forma como seu casamento deveria terminar, mas era como terminaria.

Noah Puckerman esperava por ela nos fundos da casa. A rua estava intrafegável, eles não conseguiriam sair por ali; tomariam um rumo alternativo. A mulher entregou ao homem sua pequena bagagem com seus documentos e alguns vestidos de troca para a viagem. Era tudo que levaria consigo. De repente, lembrou-se que esquecera o diário no quarto. Decidiu retornar para busca-lo. O diário estava sobre a cama. A mulher tomou-o consigo e desceu novamente as escadas com pressa. Quando atravessou a sala para encontrar com Noah Puckerman, ouviu uma movimentação estranha vindo da entrada da casa. Ouviu o som de patas de cavalo batendo forte contra o chão. Intrigada, andou até lá para ver do se travava e a primeira coisa que seus olhos registraram foi o revólver que Sam Evans apontava para ela.

— Samuel! O que faz aqui?

Sam Evans olhou para a mulher, e seus olhos estavam diferentes; como se o azul pacífico de suas íris tivessem se convertido em um mar tempestuoso.

— Vim impedir que jogue o nome de meu amigo na lama, para impedir que desonre sua família, seu marido.

Rachel Hudson boqueabriu-se de horror. O coração saltava sob seu peito e o sangue já não parecia pertencer a seu corpo. Um medo terrível adentrou suas veias. E ela, sem ao menos saber como, juntou forças para perguntar:

— Você... soube... Como soube?

— Então é mesmo verdade? — Constatou o homem com decepção. — Nunca, jamais poderia sequer imaginar que você seria capaz de agir dessa maneira com Finn, COM SEU MARIDO! — Sam Evans a pegou pelo braço e a jogou para dentro da casa olhando fixamente para ela, como se a mulher como um ser repugnante: — Mas eu não vou pemitir. Você não vai sair desta casa hoje. Se tentar, eu lavo a honra de Finn com o seu sangue...

E com um baque forte, a porta fechou-se atrás do homem e a escuridão reinou.

Absorvendo as palavras uma a uma, Rachel Hudson sentiu-se encolher sob o olhar de Sam Evans. Havia sido descoberta pelo melhor amigo de seu marido e sabia que não era culpada e nem deveria se sentir dessa forma. Gostaria de convencê-lo disso, de explicar a ele suas razões. Contudo, Sam Evans não parecia disposto a ouvi-la e não a deixaria partir ilesa.

De repente ela sentiu seus sonhos ficarem distantes. Quinn Fabray pensaria que ela mudara de ideia ao não vê-la chegar e partiria sozinha. Os sonhos escorriam pelas mãos sem que ela pudesse fazer nada... Como quem busca não cair em um abismo, a mulher apertou as mãos no chão até que seus dedos doessem. Apertou os olhos com força pensando que havia sido medrosa a vida toda, e não podia ser mais. Era hora de lutar pelo que acreditava. Olhou para o homem, e 'agora' eram seus olhos que brilhavam de forma diferente.

— Você está levianamente enganado Sam Evans, pois eu vou SIM sair desta casa. Se não sair viva, então sairei morta. Mas não ficaria nesta casa nem mais um dia que seja! — disse muito calmamente levantando de onde estava.

O homem segurou com mais firmeza o revolver:

— Tente!

A esposa de Finn olhou com firmeza para Sam Evans e disse:

— Atire.

E pela primeira vez desde que chegara o homem de cabelos louros pareceu vacilar.

— Enlouqueceu completamente!?

— VAMOS, ATIRE! — A mulher de Finn Hudson gritou para o homem. — Se não tem coragem de enfrentar as consequencias da liberdade, saiba que eu tenho. Mesmo que isso me leve até a morte.

— Do que está falando?

— Nós somos iguais, Samuel Evans. Somos duas pessoas que merecem ser feliz, mas que têm medo de lutar por isso. Você fecha os olhos, mas eu não. Hoje decido não ter mais medo. Decido que não vou mais me submeter a esta vida medíocre ao lado de um homem de jamais me fez e nem fará feliz. Se eu tiver que morrer, então que assim seja...

— Vê-se que está definitivamente desvairada! Minha esposa tinha mesmo razão sobre tudo o que me contou sobre você...

A Mulher sentiu um choque ao ouvir as palavras de Sam Evans. Fora Santana Lopez quem a tinha delatado para o homem? Como poderia ser possível? Quinn Fabray garantira que ela não contaria.

— Quer dizer que foi Santana quem... foi ela quem me delatou?

Sam Evans franziu o celho.

— NÃO. Como minha esposa poderia saber?

A esposa de Finn Hudson não pôde acreditar:

— Noah...

— NOAH?

Sam Evans não teve tempo para entender. Viu a cabeça ser atingida por um forte e certeiro golpe que o fez cair desacordado.

— Minha Senhora... Está tudo bem?

— Sim, Noah! Obrigada!

— Nós precisamos ser rápidos.

Noah Puckerman pegou a mão mulher pela mão e os dois correram até os fundos da casa. O homem havia preparado a carruagem, mas via-se que seria muito lento fugirem com ela. Com muita rapidez, Noah Puckerman tratou de selar um dos cavalos e o montou para em seguida ajudar a mulher subir também.

— PARE, SEU MULATO DESGRAÇADO!

O grito de Sam Evans foi ouvido.

Noah Puckerman pôs o cavalo em movimento enquanto Sam Evans corria para alcança-los. O homem disparou contra o cavalo em movimento, mas acabou tropeçando e perdendo a perseguição.

O Mulato tomou o caminho alternativo por entre as árvores tentando ser mais rápido que a noite.


~/~

Lucy Quinn via os últimos raios do sol se perderem no horizonte. O trem estava a poucos minutos de partir e Rachel não estava ali. Cada segundo que se passava, levava consigo um pouco da esperança que a mulher trazia consigo. Rezava em silêncio quando ouviu alguém comentar sobre um cavalo que chegara à estação. Olhou para trás e a cena que viu lhe tirou o ar para apenas trazê-lo de volta: Noah Puckerman conduzia um cavalo enquanto Rachel corria em sua direção.

— RACHEL!

Lucy Quinn tomou a mulher em seus braços com um caloroso abraço, segurando-a junto a seu corpo para ter certeza de que era real. Tocou em seu rosto com as mãos admirando cada traço.

— Rachel... Você veio!

— Como não viria? Meu lugar agora é ao meu lado. E esse é o único lugar onde quero estar.

Lucy Quinn sorriu como se tivesse ouvido uma sinfonia de Beethoven após uma longa temporada de silêncio, e teria beijado Rachel Hudson se as pessoas ao redor não estivessem já muito intrigadas com aquela proximidade.

Elas ouviram o som alto do trem.

— O trem está para sair.

— Me dê um minuto...

Rachel Hudson aproximou-se de onde o mulato estava.

— Noah, venha conosco!

— O meu lugar é aqui. Siga seu sonho, Senhora, e eu vou seguir o meu. Apenas me garanta que será feliz.

A mulher olhou para Quinn Fabray, então disse a Noah Puckerman com um sorriso:

— Vou ser muito feliz, Noah.

— Isso é tudo o que importa.

Rachel Hudson deu um abraço em Noah Puckerman.

— Obrigada, Noah. Por tudo! -disse entre lágrimas.

Noah Puckerman montou novamente o cavalo disse:

— Adeus, Rachel, Minha Senhora.

E assim o homem se foi.


~/~

Lucy Quinn e Rachel Hudson viram a Cidade ficar para trás enquanto o trem ganhava valocidade. A escuridão da noite do lado de fora moldava o caminho.

— Por um momento, enquanto você não veio, imaginei que tivesse mudado de ideia.

A mulher morena foi surpreendida pela voz de Quinn, que falava depois de um longo silêncio.

— Quinn, eu nunca faria isso. Pelo menos não por vontade própria — garantiu.

— Por que demorou tanto?

A mulher morena suspirou pesadamente:

— Por favor, não vamos falar sobre este assunto. Vamos falar acerca de coisas boas — pediu Rachel Hudson acariciando as mãos da mulher ao seu lado antes de toma-la para si com um beijo. — Nós deveriamos começar a escolher um novo sobrenome, um para que eu use em Nova York, um que não me lembre da vida que eu tive no lugar que estou deixando para trás.

Lucy Quinn olhou para Rachel com um sorriso grande gostando muito de ver o quanto a mulher estava disposta a fazer o que estavam construindo dar certo. Com uma falsa seriedade, arqueou as sobrancelhas e perguntou:

— Como quer ser chamada?

A muher morena fingiu pensar por um longo momento até, finalmente olhar para Quinn Fabray e dizer:

— Rachel Berry.

Lucy Quinn corcordou e fez um singelo carinho no rosto da mulher morena.

— É um nome bonito. Seja bem-vinda a sua nova vida, Rachel Berry.

Rachel Berry sorriu grande antes de olhar atráves do vidro da janela para tudo que estava deixando para trás e vislumbrando a vida que teria dali em diante em Nova York, na Broadway, com Quinn...

— Adeus, Carolina do Sul.
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FIM

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