Across Time
4 Capitulo 4
Notas iniciais
Já anoitecera e ainda nenhum sinal de Milo, para onde teria ido? E mesmo que tivesse partido, ele é expansivo demais para não fazer qualquer comentário sobre sua partida, onde ele estaria?
Procuramos por todos os lugares imagináveis, perguntei a todos os cavaleiros sobre o paradeiro de Escorpião, apenas obtive negativas. Ninguém o havia visto. Iniciou-se uma busca massiva por ele, todos os cavaleiros e amazonas varrendo a Grécia e nada. Nenhuma notícia.
— Cavaleiros, exijo a presença de todos no salão do grande mestre imediatamente- Fez-se ouvir a voz de nossa Deusa através dos nossos cosmos, devia ser algo extremamente importante para que ela tenha retornado tão rápido de seus afazeres.
Mas justo agora? Não conseguia pensar em nada a não ser em meu amado, onde estaria? Nem mesmo a felicidade de ter meu filho junto de mim conseguia preencher esse vazio que sentia, algo faltava, e apenas aquele escorpião teimoso poderia preencher, sentia como se fôssemos partes de um todo, como se desde o nascimento eu tivesse nascido pela metade à espera de encontrar aquele que me faria completo...onde ele estaria?
Parti a toda velocidade para o salão do grande mestre. Graças aos Deuses, Athena estava de volta, como deusa da sabedoria ela saberia me dizer onde estava Milo, ela tinha que saber.
Chegando ao salão deparei-me com meus colegas de alcunha, todos trajando suas armaduras sagrada; postei-me em meu lugar, após Shura de Capricórnio e antes de Afrodite de Peixes, o lugar pertencente ao santo protetor da décima primeira casa, a casa de Aquário. Meu peito se apertou ao vislumbrar o vazio entre Dohko de Libra e Aiolos de Sagitário, onde ele estaria?
“Por favor, Deusa Athena, me ajude neste momento, onde ele está?”, fiz minha prece em silêncio.
— Cavaleiros de ouro, meus mais leais defensores, gostaria de vir até vocês com boas novas e tempos de paz, mas infelizmente outro inimigo espreita nosso mundo ameaçando esses tempos de paz que muitos nos custaram conseguir- disse Athena, entrando no salão de forma imponente, ao seu lado seus 5 cavaleiros de bronze.
Todos os dourados se silenciaram ante esta revelação, não esperava esse tipo de anúncio tão cedo. Por certo, a Terra sempre atraía olhares dos Deuses, mas quem poderia estar colocando tudo em risco novamente?
— Mas senhorita Athena, falta um Cavaleiro – disse Afrodite por fim, que parecia verdadeiramente preocupado com o escorpiano. Os dois eram muitos amigos, todos eram, Milo fazia amizade com todos, mesmo aqueles que não gostavam dele, como era o caso do Shaka, mas mesmo assim Milo nutria um carinho muito grande por todos ali.
— Infelizmente, Afrodite, por esse motivo que solicitei esta reunião.
— Eu não entendo, senhorita- disse Aiolia, revelando a mesma dúvida que sondava a todos.
— Creio que o desaparecimento do cavaleiro de Escorpião esteja relacionada à sombra nefasta que tem rondado esse planeta nos últimos dias — disse impassível e sem expressão. Meu coração gelou ante a essa notícia. Então Milo corria perigo, teria sido sequestrado? Ou morto? O que pode ter acontecido com ele?
—----------------------------o------------------------------0-----------------------------------o--------------------------
Aquela mesma sensação, aquele frio, ainda sonho com isso todas as noites, por que eu tinha que voltar até aquele momento, por que eu teria que reviver isso, já não bastava ter despedaçado meu coração da primeira vez? Então porque eu tinha que ver novamente?
— Ora ora ora, cavaleiro, onde está sua língua afiada agora? — aquela voz irritante soava de novo
— Vá... embora- disse pausadamente, a cada lembrança e a cada caminho, parecia ficar cada vez mais cansado, mas aguentara tudo com firmeza, descobrira coisas que não sabia sobre si, mas nada daquilo faria diferença, não se importava com o passado, ele não o machucava, e nem o prendia. Mas aquela lembrança era diferente.
— Cansado, Escorpião? – continuava a dizer com escárnio aquela voz, a voz dele, agora sabia — você perdeu o acordo, Escorpião, onde está sua força, inseto?
A cada instante ali sua energia era cada vez mais sugada, a vida lhe sendo sugada; não conseguia se mover, aquela lembrança, aquele momento o prendera. Maldito, ele sabia onde poderia prendê-lo e ele caiu na armadinha.
Jamais sairia dali, foi onde sua alma morreu e sua vida o deixou, como poderia sair se aquele momento ainda o prendia tanto, sempre se orgulhara de não viver do passado e nada no passado o machucava, mas aquilo sim aquilo o prendia, não passou um dia sequer que ele não tivesse visto aquela cena, várias e várias vezes, e ela estava se repetindo novamente para ele, por quantas vezes? Não sabia ao certo, perdeu a conta na 73ª vez... após várias vezes revivendo seu maior pesadelo, sua alma sendo corroída e arrancada de seu peito.
— Você agora me pertence, criatura maldita- a voz se tornou grave, então dedos gigantes o agarraram pelas costas e o esmagaram, seu corpo inerte permaneceu preso dentro no aperto, seu olhos cinzentos e opacos, sentia o calor fugir-lhe do corpo, estava perdido, perdido na única parte de seu passado que jamais conseguiu superar.
A morte de seu amado, o momento em que encontrou o corpo inerte e ensanguentado de Camus com gelo ao seu redor, lembrava perfeitamente do cheiro, do frio, da palidez do corpo daquele que tanto amava, lembrava do rubro do sangue dele escorrendo pelo chão, de todas as feridas em seu corpo, seu lábios entreabertos como se buscassem por ar que não mais preenchia aquele peito, o corpo inerte sem o coração que tanto amava batendo, bombeando a vida de que tanto necessitava. Apenas uma casca daquilo que deveria ser, uma sombra do amado. Por noites incontáveis ficou sem dormir por sonhar com isso. Automedicava-se para que conseguisse uma noite de sono, mas de nada adiantava, suas noites eram recheadas pela morte, a morte de si mesmo, a morte da parte que faltava a si: sem Camus ele não era nada, ele não era nada.
Tão cruel, tão triste, tão desolador, tão... morto, se sentia morto, e queria estar, ele não era nada, e voltaria a ser o que era sem seu amado: nada.
— Sofra, ser miserável, por toda a eternidade – Chronos dizia, malicioso, saboreando cada palavra. Então rompeu em uma risada cruel, teria um novo brinquedo para atormentar por toda a eternidade.
—-----------------------o----------------------------------0-------------------
— Mas não existe nada a ser feito? E quem é esse inimigo? — perguntlou o cavaleiro de Pégaso?
— Infelizmente, Seiya, creio que seja algo sobre o qual ainda não temos conhecimento. Precisamos aguardar até que o inimigo revele seu intento, caso contrário continuaremos com especulações – respondeu séria, lançando um olhar carinhoso a Pégaso.
— Athena, não haveria um modo de a senhorita descobrir de quem é essa energia maligna? – falou o doce cavaleiro de Andrômeda, com quem meu pupilo tinha um relacionamento, um rapaz muito gentil e educado. Fui contra o relacionamento a princípio, mas Milo me fez ver que o amor entre eles era verdadeiro. Ah, Milo.
— Exatamente por isso que meditarei em busca de resposta- ela disse com brandura, fixando o olhar em cada um dos presentes — sei que estão preocupados com o companheiro de vocês, e isso é algo que me importa também. Escorpião será encontrado e o traremos de volta, para casa e para aqueles que o amam — fixou seu olhar em mim de forma cúmplice- Shaka, peço que me acompanhe essa meditação.
— Sim, Athena – então Virgem seguiu a deusa para seus aposentos. Ficaríamos à espera de mais informações sobre o paradeiro do defensor da oitava casa.
Horas se passaram e nenhuma notícia nos foi dada. Isaak estava descansando no quarto de Hyoga e eu estava na varanda tentando acalmar meu coração.
— Mestre – Hyoga entrou na varanda, me chamando calmamente.
Permaneci quieto observando a quietude das águas, da varanda do meu quarto era possível ver o mar grego. Milo amava o mar, nunca perdia a oportunidade de ir lá e nadar, sempre naquela moto. Eu não gostava dela, sempre a achei perigosa, mas ela o fazia feliz... fora que fervia meu interior vê-lo vestido naquela jaqueta de couro e sentado sobre a moto, usando óculos escuros e os cabelos amarrados, minha perdição, assim que eu o chamava, sempre fazendo com que eu perdesse uma parte de mim naquela visão, eu o amava tanto.
— Mestre, nós vamos achá-lo, custe o que custar- ele pousou a mão sobre meu ombro.
— Eu sei, meu filho, muito obrigado — não tinha forças para sustentar uma conversa — por favor, me deixe sozinho.
— Está bem pai — virou-se e saiu da varanda, parando na porta — se precisar, estarei na sala — e se foi.
— Ahh Milo, onde você está? – com um suspiro profundo encostou a cabeça no guarda corpo da varanda- me sinto tão perdido sem ti – olhou para o céu em busca de alguma resposta. Um frio repentino tomou conta do seu interior.
Uma estrela de Escorpião havia desaparecido de sua constelação.
—---------------0---------------------0------------------0--------------------
Restam quatorze estrelas.
Fale com o autor