Acordes Perdidos
11 Trajeto Indicado
Notas iniciais
Os mártires se abortaram na primeira curva da cobiça, os párias foram abandonados no segundo ponto de descanso, e assim como o profeta bêbado afirmou, todos nos perdemos do messias. Não somos vitoriosos se chegarmos ao final de uma estrada errada. Nos desenharam a rota correta com migalhas de pão para que eles acompanhassem o caminho, mas a avareza lhes falou mais alto, e comeram o pão, ignorando a promessa de que o trajeto os levaria até um lugar de faustosa fartura.
Segui sozinho, sem me arrepender pelas almas que se engalfinharam em falsa soberba, com as mãos manchadas de sangue. Nunca do meu, pois eu alcançara o fim da alto-estrada para a bonança. Apenas me corrompia de líquido rubro quando me impunha a missão de salvar pessoas. Era, na verdade, como afinar um violão. O sangue nunca fora desbaratado, o escarlate que carrego coagulado em minha alma nunca se atribuiu a uma inutilidade injustificável.
Mas ainda assim, não me tire por um fenomenal curandeiro, nem por alguém completado por sucessos. Eu sou um fracasso que sempre conseguiu o que queria. Pois, por mais vidas que eu salvasse, nunca conseguia achar a cura.
Jamais consegui encontrar a cura para a estupidez inexorável do ser humano.
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