Notas iniciais
Essa frequência foi achada em meio as margens do Rio Bilfrost na Inglaterra que hoje se encontra completamente seco:

Contos de fada são uma urgência cada vez mais axiomática, tendo em vista o acúmulo impróprio de insaciedades ao redor. E tornando essa opinião um fato, ato habitual de qualquer cético descrente, continuei a viver. Convenci-me de que era suficiente para meus âmbitos viver acreditando apenas na estrada que sempre ia em frente, vez ou outra permitindo os meandros da licença poética. Nunca pensei que a estrada me levaria a me deparar com um muro… Ou com uma floresta. Não há rotas nas floresta, não nas verdadeiras. Não nas mágicas.

No dia que o acaso fez eu me perder na mata alta e simplista das terras da fronteira inglesa, pude ver as luzes a palmos de distância de mim. Considerei que estivesse num céu noturno onde a escuridão tivesse sido transmutada em verde oliva. Fortificava essa análise a presença de estrelas suspensas na atmosfera ao redor. Eram fontes de luz inebriante que pairavam pelo cenário da relva virgem e delicada que beirava aquele rio transparente. Uma arte tão bela e sem dono que mal parecia correto existir. Talvez fosse um local perdido, por isso mesmo fosse tão belo, não apenas pelos ares inéditos que não carregavam o enxofre das pessoas, mas pela sinceridade de sua novidade. Os mistérios são em sua essência deliciosamente lindos. Nunca soube factualmente o que seriam aquelas luzes que dançavam uma valsa noturna. Fossem vaga-lumes, fossem fadas, fossem pequenos frutos de deus, sua beleza era garantida. E não precisava de nome para acentuar sua formosura.

Não foi una a quantidade de vezes que me vi naquele resplandecente cenário propositalmente. Porem, seu mistério morreu. O conhecimento do homem chegou até lá e matou as fadas. Matou o rio, matou as árvores, a pequena cachoeira que batia nas pedras e ascendia na beira de um novo rio que ia além do finito do horizonte também feneceu. Como fora possível que aquela melodia sem sons, que cantava para os olhos, aquele movimento ímpar se perdesse? Oh, malditos assassinos das cidades de cal, não vêem que em suas mãos as fadas perderam as asas?