Acordes Perdidos

4 Conjugação entre o tempo e a história


Notas iniciais
Esse acorde foi achado no meio de uma área de demolição em Chicago:

Para onde se deslocaram os segundos perdidos daquele abraço que se passou? Passado, algo que não existe mais, mas houve de dar o ar da sua graça em um mero piscar de olhos da linha temporal universal. Como é possível que todos aqueles toques suados e ingênuos que se ascenderam pouco a pouco com sorrisos foram simplesmente deixados para lá? Me parece que nada permanece. Todas as coisas são destruídas naturalmente.

A arte de devastar tudo que já passou, simplesmente pisar na terra que fora aberta pelos oceanos com os milênios, isso é fácil, medíocre. Desafio-lhe a domar a instrução de criar o futuro que contará as histórias que hoje acontecem e que duram muito mais do que os ínfimos segundos nos quais são proclamadas. Histórias exaltadas, glorificadas, contos que percorrerão todos os ponteiros daquele grande relógio no centro da cidade, dia após dia. Eles podem se mover a vontade, que todas as lendas, todas as aventuras e até pequenas mentiras irão conectar os pensamentos de agora com os de amanhã.

Podem só restar destroços de algo agora, mas quando olhamos para aquela foto, hoje tão avariada e perdida em escombros, não parece que fora um abraço dado a tanto tempo, sequer parece ter se passado tempo algum. É como se aquele aperto ainda irrompesse timidamente sobre meu corpo e nós ainda estivéssemos nos atrevendo a nos conhecer pelos corredores. Como se eu tivesse voltado agora de uma travessura de infância com os amigos descalços. Como se o instante, famigerado assassino de tudo e todos, não existisse. Momentos felizes vivem para sempre, sem estar sujeitos a maior arma desses ponteiros inquietos: O esquecimento.

Essas histórias são maiores que o tempo que as separa da realidade. Essas histórias formaram o mundo onde o relógio corre. Essas histórias são os nossos mundos em inteiro, e entoaremos elas eternamente.

Notas finais
Antes da frequência se desfazer, pode-se claramente ouvir um relógio cuco apitar em som mecânico a chegada da meia-noite.