Acampamento Olympus
2 Cap. 1 - Férias Quase Frustradas
Notas iniciais
Entrando em casa fui logo gritando:
— Chegueeei!
Minha mãe veio me receber com seu sorriso acolhedor. Linda!
— Bem vindo meu filho. Como foi seu dia?
Essa é minha mãe. Maria Di Angelo. Morena, alta, olhos azuis. Sempre elegante mesmo enfiada em um avental. Mamãe é linda, já foi modelo (Top Model). Às vezes eu ficava embasbacado olhando pra ela. Minha irmã Bianca é bem parecida com ela, herdou seu porte elegante, mas os cabelos e olhos negros do nosso pai. Dizem que as mães conhecem bem seus filhos. Será que ela sabe da minha opção sexual?
— Foi tudo bem. Finalmente, férias! Mal posso esperar pra ver Bianca.
Foi impressão minha ou o sorriso da mamãe morreu de repente?
— Ah, Nico, quanto a isso, seu pai quer conversar com você – disse ela sem graça.
Arqueei uma sobrancelha. Desde quando o senhor meu pai quer conversar? Logo ele, que sempre me ignora. Sério, aí tem coisa.
— E onde ele está?
— No escritório.
Fui até o escritório. Bati na porta e entrei.
Meu pai estava sentado atrás da escrivaninha falando ao telefone. Quando me viu disfarçou e encerrou a conversa. Estranho. Deixa pra lá.
Antes de continuar. Vou apresentar-lhes meu pai. Ele se chama Paolo Di Angelo*. Alto, cabelos negros bem cortados, olhos negros, pele pálida. Daí vocês já sabem pra quem eu puxei, né? Meu pai não é um cara muito carinhoso, vive para o trabalho, é ausente e fechado. Eu me pergunto o que a minha mãe viu nele. É dono de uma agência funerária que rende bastante. Lida mais com os ricaços. Não é a toa que prosperava.
Voltando.
— Oh, Nico. Que bom que chegou, filho.
Parem o mundo. O velho me chamou de filho. Ele nunca, vejam bem, nunca me chamava de filho. A não ser que quisesse algo.
— Mamãe disse que você queria falar comigo.
— Sim, sim. É sobre suas férias.
Xii. Eu sabia.
— É o seguinte. Você não vai poder ir à Itália passar as férias com sua irmã.
— Como é? Mas que droga.
— Calma Nico, deixa explicar. A sua irmã ligou dizendo que vai viajar com o marido para a terra natal dele e por isso não vai poder te receber lá.
Inflei as bochechas emburrado.
— E agora? Como é que eu fico? Não quero passar as férias de verão mofando aqui em casa.
— Quanto a isso, já providenciei onde você pode passar suas férias.
Ele abriu a gaveta da escrivaninha e de lá retirou um panfleto.
— Aqui. Veja.
O panfleto dizia:
“Acampamento Olympus
Venha passar suas férias de verão curtindo a natureza e fazendo novas amizades. Aqui, você se diverte aprendendo.”
— Então, o que acha?
— Não sou natureba, não gosto de gente e não consigo me divertir – falei mal-humorado.
— Ah, Nico, deixa de ser chato. Está na hora de mudar isso. Você vai e ponto.
— Mas...
— Ou você vai ou fica em casa. Você escolhe.
Nem morto quero ficar em casa aguentando seu mau humor.
— Tá, eu vou – disse de cara fechada.
— Muito bem. Amanhã de manhã você parte para Long Island. Vá arrumar suas malas.
Quase bato continência. Levantei e saí. Fui direto pro meu quarto arrumar minha tralha. Respirei fundo pra não gritar. Merda. Lá se foram meus planos. Preciso falar com alguém. Já sei, vou ligar pro Jason.
Após duas chamadas, ele atende.
— Fala Nico. E aí, pronto pra ir à Itália?
— Não vou mais. Minha irmã vai viajar com o marido, por isso não vou poder ir.
— Poxa, cara, que chato. E o que você vai fazer durante o verão?
— Vou pra um acampamento em Long Island.
— Por acaso o nome desse acampamento é Olympus?
— Sim, como sabe?
— Porque é pra onde eu vou. Cara, vai ser demais!
— Não to muito animado pra ir. Você sabe como eu sou.
— Ah, Nico, tá na hora de mudar de ares. Afinal, ninguém é de ferro. Vamos, anime-se vai ser divertido.
— Vamos ver. Eu só to indo porque meu pai me obrigou.
— Beleza. Eu tenho certeza que você vai mudar de ideia. Sabe por quê? Adivinha quem vai?
Fiquei pensando.... até que... Oh! Será?
— Percy? – perguntei esperançoso.
— Ele mesmo. Soube de fonte segura. Reyna, a amiga dele foi quem disse. Ele vai levar o irmão junto. Ah, ela também vai. E uma penca de gente da escola. Parece que todo mundo resolveu passar as férias de verão nesse acampamento.
— Sério?
— Pois é. A gente se vê no ônibus. Até amanhã.
— Até.
Bom. Com essa novidade meu humor melhorou bastante. Só de pensar em ver o meu peixinho de olhos verdes me dá um tesão. Calma Nico, que negócio é esse. Baixe esse facho. Você não é assim. Comporte-se.
Ah, foda-se. Sonhar não paga aluguel e nem imposto.
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