Notas iniciais
E então? Leitores fantasmas podem dar as caras tá, não sou medrosa! haha Enjoy... :)

Limpei o canto da boca e passei as mãos no cabelo. Agora eu estava bem!

Ao abrir a porta, vi Serena parada, braços cruzados e semblante preocupado. Ela tinha sido de grande importância agora pouco e eu não sabia como agradecê-la, mas algo nela estava estranho. Ela se desencostou da parede e veio em minha direção, ainda mantendo certa distância.

—E então?

— Tudo feito.

Não sei o que sua expressão significava, mas a forma como ela me olhava parecia ao mesmo tempo aliviada e de certa forma magoada?!

— Tudo bem, eu cuido do resto. Volte para seu jantar! – Serena tentou passar por mim para entrar no banheiro e fazer sabe-se lá o que om o corpo flácido e nojento daquele investidor sem carater. Eu não o matei, longe disso, mas Jhon foi necessário. Apesar de seu sabor asqueroso que tinha mais gosto de alcool do que propriamente de sangue, ele foi de grande ajuda.Segurei seu braço e a fiz olhar para mim.

— Obrigado!

— Não foi mais que minha obrigação. – ela virou o rosto para a porta fechada como se pedisse permissão para ir logo. Me inclinei e depositei em sua bochecha um beijo casto.

— Obrigado mesmo! Depois conversamos.

Acenei com um leve sorriso e saí de lá seguindo para minha mesa. Lana estava inquieta e quando me viu se levantou rápido.

— Está tudo bem? Estava quase indo atrás de você!

Ri e apontei para que se sentasse novamente.

— Desculpe, encontrei com um velho conhecido e tive que o ajudar. Estava tão bêbado que quase desmaiou em cima de mim. – ajeitei o guardanapo sobre o colo e voltei a comer a comida já fria. Afastei a ideia assim que senti o sabor pastoso da comida gélida e esperei que o garçom viesse para retirar meu prato.

— Ah, por um momento pensei que tivesse ido embora e me deixado aqui!- ela riu nervosa, aparentemente tentando fazer uma piada.

Lana estava visivelmente alterada.Não como o asqueroso Jhon Muller que encontrei no banheiro,porém o álcool estava começando a fazer efeito.

— Ora, sou um cavalheiro, jamais faria isso. Ainda mais com tal dama. –sorri tomando um gole de meu vinho branco para tirar o gosto ruim da boca.

— Ás vezes me esqueço que é quase um príncipe!- ela se aproximou sussurrando me fazendo rir.

— Shiii!!- coloquei o dedo nos lábios fazendo sinal para ela se calar. —Não fale isso alto, não queremos a imprensa em cima de nós!

Lana riu como se esse fosse um segredo só nosso e tivesse adorado isso e se aproximou mais, ainda olhando para mim, porém dessa vez colocando uma das mãos em minha coxa.

— Essa é nossa última noite mesmo?

— Acredito que sim.

— E nunca mais nos veremos?

— Nunca é uma palavra forte, não sei se a usaria.- sorrio enquanto a via piscar com seus grandes cilios. — E além do mais, não tenho ideia do que me espera daqui a cinco minutos, quem sabe do amanhã!

— Se quiser posso te ajudar com os próximos cinco minutos!- Lana sorri lascivamente, se inclinando mais para mim. Sorri balançando a cabeça e olhei para baixo.

— Santo álcool! Acho que já bebeu demais não?!

—Não! – ela fala rindo enquanto levanta as sobrancelhas.— Ah qual é Adrian, vamos aproveitar que seus guardiões não estão por perto!

Sua mão se aperta em minha coxa e eu pulo. Eu nunca tinha ficado com uma humana antes, não que isso fosse um problema, só era estranho. Lana mantinha seus labios finos preso entre os dentes e me olhava de baixo, o olhar cheio de luxuria. Qual era o problema Adrian? Uma garota bonita estava te dando mole e você está aqui parado ponderando se a leva para a cama ou não?

—Vem, vamos sair daqui.

Me levanto e estendo a mão que prontamente ela aceita com um sorriso de orelha a orelha. Apoio minha mão em suas costas ao sairmos do restaurante e sinto quando ela tremi em excitação. A noite estava rendendo mais do que eu imaginava e se terminasse da forma como eu esperava ela seria ótima.

— Senhor Ivashkov!

Santa boca hein Adrian! A voz de Issac atras de nós me faz parar bruscamente e respirar fundo. Droga! Será que não posso ter um minuto de paz? Lana choraminga sem se preocupar em ser vista fazendo isso e sei que ela está tão irritada quanto eu. Talvez até mais.

— O senhor precisa de algo?

— Não, pode voltar a descansar.

— Tem certeza senhor?- ele se aproxima, braços cruzados e expressão de "vou dar problema para vocês!"

— Tenho. Você teve um dia cansativo e merece descansar. Baruel não falou com vocês?

— Sim senhor, só gosto de checar as coisas. Onde vão?

Abaixo a cabeça bufando. Ele é tão sutil. É sério isso?

— Vamos dar uma volta. Será que tem como vocês deixarem a gente em paz? – Lana se adianta, colocando as mãos nos quadris e desafiando ele. Quase rio com sua postura, no entanto a expressão de quem não gostou muito disso de Isaac me fez não o fazer.

— Lamento senhorita, mas a segurança do Senhor Ivashkov é algo sério.

— Não vamos longe, eu prometo.- ela lhe lança um olhar significativo que quase me faz corar, mas Isaac parece não perceber. Ou finge que não.

— Apenas lembrando senhor, que o trem da senhorita Balan sai em duas horas. – ele enfatiza olhando para mim.

— O que? Eu pensei que fosse só de manhã! – Lana dá um passo á frente, totalmente indignada olhando alternadamente entre mim e Isaac.

— Lamento senhorita, tivemos que apressar os tramitis já que partiremos pela manhã. – Isaac quase sorri. Há algo de perversamente divertido nele, mesmo ele não mostrando esse lado á ninguém.

— Tudo bem, obrigado pelo aviso.No entanto você está acabando com nosso pouco tempo, então com sua licença...- começo a sair levando Lana comigo, mas paro com um sorriso de canto. — ah, e eu prometo que volto á tempo, não se preocupe!

Volto a colocar a mão nas costas de Lana e a tiro dali. Ela está com seus braços cruzados, em parte pelo frio e em parte por pura birra, e anda calmamente pela rua.

— Deve ser um saco ser da realeza!

— Ás vezes! – admito.

A rua está bem iluminada e as vitrines expoem seus manequins magros e altos, ditando a moda á uma nação. É uma bela noite, fria e bem iluminada. Na calçada alguns artistas de rua tocam suas melodias calmas e passionais, aumentando a magia. Até parecia natal, mas sem a neve e o papai noel.

— Como você consegue? Eles estão sempre na sua cola!

— Não tenho muita opção na verdade. – rio sem humor – Mas não é tão ruim assim.

— É claro que não. – ela bufa revirando os olhos.

— Não era assim sabe, eu podia fazer o que quisesse sempre. Mas então minha tia morreu e desde então todos os morois reais tem que ser vigiados de perto.

— Morois? – ela me olha confusa. Eu disse isso? O que foi mesmo que eu falei? Pense em algo rápido Adrian, desfaça a besteira.

— Sim, meu povo. – não olho para ela, mas falo o mais normal que consigo. – É como somos chamados. Tipo como se fossemos de outro país... alemão, austríaco, brasileiro.... como isso. É uma sociedade meio diferentona. – falo rindo.

— Legal! Eu nunca tinha ouvido falar nessa nacionalidade ou país.

— Não é bem uma nacionalidade, é só como nos chamamos. – dou de ombros — E é pequeno, aposto que tem muitos outros países pequenos assim que você também não conhece.

— É, pode ser. – ela dá de ombros e eu agradeço por isso. Seus ombros tremem levemente e me aproximo mais, passando meus braços por eles.

— Acho que isso entra para a sua lista de aventuras não é?! Conhecer um cara numa festa, fugir de seguranças com ele,ser atacada, não conseguir uma noite decente... acho que te dei boas histórias. – sorrio a olhando.

— Pode apostar! Mas não era bem como eu queria que terminasse essa noite na verdade. – o álcool deixa as pessoas tão verdadeiras!

— Pois é... terei que dar um jeito nisso também!- suspiro fundo. Isso será um grande problema se eles continuarem no meu pé. Obrigado Lisa!

— Você é um cara legal Adrian. Estranho, mas legal!- ela sorri enquanto se senta em um dos bancos de madeira da praça bem iluminada e coloca as mãos nos bolsos do vestido.

— Obrigado, eu acho.- dou risada me juntando á ela.

— Vai ser dificil arrumar alguém que aguente tudo isso!

— É, eu sei. Mas não estou preocupado. – dou de ombros- Não procuro por ninguém no momento.

— Não? – sinto certo desapontamento em sua voz, mas pareço não entender.

— Na verdade esse é um tema meio complicado. Estou saindo de uma relação desastrosa e não estou interessado nesse assunto por hora!- ergo os ombros. Não quero pensar em Rose, não agora. Pois pensar nela me faz lembrar de Dimitri e de tudo que eles fizeram para mim. Solto um longo suspiro e olho longe.

— Me desculpe.

— Por que?

— Por tocar nesse assunto. Não parece ser algo fácil para você.

— E pra quem é?- rio sem humor.­­- Falar sobre sentimentos é a coisa mais difícil que tem. Por que falando deles eles vem á tona, se tornando reais!

Ela concorda e se apoia em mim, deixando a cabeça cair em meu ombro. O silêncio é relaxante e a brisa gelada ás vezes me faz ter calafrios. Ao longe alguém toca Feeling Good no saxofone e as aureas ao nosso redor deixavam o lugar com um brilho diferente.

— Quer dançar? – pergunto olhando para alguns casais que passeavam de mãos dadas.

— O que? – ela ri e me olha desconfiada.

— Perguntei se quer dançar.

— Aqui? – Lana olha em volta envergonhada.

— Sim, aqui. – me levanto e estendo a mão. – Venha, não seja tímida!

Ela continua a me olhar desconfiada, contudo o sorriso em seu rosto me diz que a convenci. Ela se levanta e coloca as mãos em meus ombros, enquanto eu a seguro pela cintura. A música é lenta e fácil de nos fazer flutuar pelo lugar. Algumas pessoas que passam nos lançam sorrisos amigáveis e outras até param para nos olhar. Sinto Lana se contrair e esconder o rosto algumas vezes em meu pescoço, e pelo calor que emana de seu corpo sei que ela está corada.

— Sabe – começo – desde que nos conhecemos tem uma coisa que queria saber.

Minha ruiva se afasta brevemente, o suficiente para me olhar e virar a cabeça de lado.

— Eu notei que você tem uma tatuagem...

Sua sobrancelha sobe e um sorriso travesso se forma no canto esquerdo de sua boca.

— Sim...

— Só que eu meio que não consegui ver direito o que era o desenho... e estava tentando descobrir o que seria.- ela se aproximou novamente e senti a sua respiração em meu ouvido.

— Me encontra algum dia de novo que eu te conto.

Ri baixo concordando e continuei a dançar. Agora eu faria de tudo para vê-la mais uma vez.

Continuamos a dançar até uma nova música começar a tocar. Algumas daquelas pessoas que nos observavam antes agora se juntaram á nos e dançavam pela praça, transformando tudo em um grande salão de baile. Rodopiei mais algumas vezes e então parei olhando-a.

Era tão bonita! As pequenas sardas em seu rosto pareciam realçar na noite de Frankfurt e o seu brilho labial chamava a atenção para seus finos labios. Levantei uma das mãos e com o polegar acariciei a bochecha rosada e gelada dela. Seus olhos não desgrudavam dos meus e pareciam me chamar cada vez que ela piscava. Lentamente fui me aproximando, sentindo o seu hálito de vinho me inebriar e sua boca tremer levemente. Era como a inocência do primeiro beijo. Aquele que é tão esperado, tão idealizado como perfeito que o nervosismo e ansiedade fazem o coração disparar.

Encostei meus lábios nos seus e senti o gosto de morango com vinho. Lana entreabriu os lábios e dei inicio á um beijo calmo, delicado. Não era nada avassalador, apenas o encontro de duas bocas.

Mais cedo do que ela gostaria separei nossos corpos com um sorriso.

— Temos que voltar ou seremos alvo de outra perseguição.

Suspirando fundo ela concordou e passou o braço pelo meu. Voltamos devagar e calados para o hotel. Na recepção Baruel e Isaac nos esperavam. Certo alivio passou pelas feições deles, mas notei um aceno e meio sorriso vindo de Baruel.

— Senhores.- meneei a cabeça cumprimentando.

— Senhor Ivashkov. – eles cumprimentaram em uníssono. Isaac olhou para Lana e apontou para a porta. – Pronta senhorita Balan?

Lana olhou para mim e depois para eles concordando devagar.

Seguimos devagar até o lado de fora do hotel onde um táxi a esperava. Baruel permeneceu parado de braços cruzados olhando em volta enquanto Isaac colocava sua pequena mala, que eu não sabia de onde tinha vindo, no porta malas.

—Sentirei sua falta! – ela falou se virando para mim.

— Eu também. Obrigado pela noite.- sorri segurando suas mãos. – As duas!

— Quando quiser.

Lana sorriu calmamente e parecia dividida entre se aproximar e me beijar ou apenas entrar no carro.

— Posso pegar seu telefone?- cautelosa ela me perguntou.

— Receio que não.- olhei para Isaac que fingia não assistir a cena. –Eu te encontro, não duvide.

— Não duvido.- minha ruiva, que não tinha nada de minha, sorriu mais uma vez. Um sorriso tristonho, mas ainda assim um sorriso e se aproximou passando os braços por meu pescoço e me abraçando.

— Adeus Adrian.

A olhei e voltei a beijá-la tranquilamente.

— Até mais Lana!

Ela saiu de perto de mim, sem me olhar, e entrou no carro. Com um leve aceno a vi se despedir e então Isaac fechou a porta do autmóvel, deixando que o taxista desse partida e a leva-se daqui.

— Devo lembrar que fez uma bela escolha?!- Baruel se aproxima sorrindo e batendo de leve em minnhas costas. Sorrio também voltando para dentro do hotel.

— Nem me diga, nem me diga!

Entro no elevador seguido por meus dois brutamontes preferidos. A porta se fecha devagar e vejo sumir aos poucos as grandes luminárias do salão principal. É, eu definitivamente sentiria falta de Lana Balan!

YL

Notas finais
Não esqueçam de me dizer o que acharam! Beijocas :*