Academia de Vampiros- Sonhos Negros ????HIATUS????

18 Aquilo foi real? Porque parecia real!


Notas iniciais
Um beijo e um queijo tchirus! Enjoy... :)

— Parece que a noite foi boa não é mesmo!- Baruel diz assim que entramos no quarto. Se ele soubesse....

— Não tão boa quanto eu gostaria... e é sobre isso que quero falar com vocês.- paro olhando para eles enquanto tiro meu relógio.

— Eu preciso de privacidade!

Os dois me olhavam cautelosos, tentando entender onde eu queria chegar.

— Olha, eu sei que vocês tem que me proteger e bla bla bla, mas eu preciso de privacidade. Todo o momento vocês estão comigo, se duvidar até me espionam no banho.

— É para sua segurança senhor. – Isaac fala cruzando os braços e deixando seus músculos do tamanho da cabeça de um homem á mostra. Perturbador!

— Você estava me assitindo tomar banho Isaac?

— Jamais senhor. Isso é uma afronta!- ele se irrita e me arrependo de ter feito tal piada quando ele dá um passo á frente. Baruel ri e o para colocando a mão em seu ombro.

— Nós entendemos senhor Ivashkov, mas temos protocolos a seguir.

— Adrian, me chame de Adrian. E eu não estou pedindo para que parem de me proteger, mas sim que me deem algum espaço.

— Não podemos fazer isso!

— Pensaremos..- Baruel interrompe Isaac dando um passo á frente.- Emuma maneira de lhe proteger sem que seja sufocante. Á principio ficaremos de vigia na porta, pelo lado de fora- ele enfatiza— para que possa se sentir melhor.

Isaac estava claramente discordando dessa atitude, contudo não pestanejou. Bufando saiu batendo a porta e me deixou parado segurando o riso.

— Ele é sempre assim?- me sirvo de um copo de uisque e ofereço á Baruel que recusa.

— Quase sempre. Mas ele é uma pessoa boa.

— Imagino que seja mesmo. – acendo um cigarro e me apoio na janela olhando a vista. Já fazia vinte e quatro horas que eu não fumava um de meus cigarros de menta e sentir novamente aquele sabor me acalmou instantaneamente.

— Posso lhe fazer uma pergunta?

— Sim senhor.

— Lembre-se, é Adrian...- relembro o olhando.- O que sabe sobre Serena?

Baruel fica inquieto, trocando o apoio dos pés enquanto me olha inquisitivo.

—Como assim sen... Adrian?

— Isso mesmo, o que sabe dela!- traguei mais uma vez esperando por sua resposta, ou por aquilo que ele estava tentando formular como resposta, enquanto ele seguia até a mesa de bebidas, servindo um pouco de uísque para si.

— Pouca coisa na verdade. Mas ela é uma ótima guardiã se essa é sua preocupação.

— Sei que é, ou não teria sido desiguinada para essa missão. Mas o que mais sabe sobre ela? De onde ela é? Quais seus gostos?

— Por que a pergunta senhor?- Baruel se aproxima bebericando sua bebida e tentando parecer não incomodado.

— Preciso saber quem está ao meu redor não acha?- volto a olhar pela janela. A vista é estonteante e as luzes de toda Frankfurt brilham sob a janela enorme, vitoriana assim como os móveis antigos.

— Claro senhor, tem razão.- ele diz á contragosto depois de um pequeno gole- Ela nasceu no Texas, filha de um moroi desconhecido e de uma ex meretriz. Mas se esforçou muito na escola técnica para se tornar a guardiã que é hoje.

— E quais seus gostos? Costumes?

— Ela gosta de comida forte, apimentada, como uma boa texana. – ele ri em uma piada interna- E tem a mania de estalar os dedos quando está envergonhada ou incomodada com algo. Ah, e sempre foge de conversas sérias que dizem respeito á ela.

A forma casual e como ele a conhecia bem me incomodou um pouco. Como ele poderia saber tanto sobre ela? Será que eram mais que colegas de trabalho? Amigos talvez? Um casal?

— E ela está com alguém?

— Perdão?

— Ela é casada, namora, tem alguém?- termino meu cigarro meio impaciente e jogo a bituca no cinzeiro.

— Senhor com todo respeito, acho que isso não é da sua conta.- olho para ele com os olhos semicerados e termino minha bebida.

— Tem alguma coisa que eu precise saber Baruel?

— Acho que eu já disse até demais senhor.

— Vocês estão juntos?

Isso o pegou desprevenido. Vacilante ele deu um passo até mais perto da porta, pensando no que dizer. Será que eles escondiam um romance? Ele não estava querendo me contar a verdade? Ou será que era exatamente isso que ele queria?Estar com ela? Ou ele queria que eu pensasse isso? Sua expressão era ilegível, ou talvez não tanto,contudo tão confusa quanto a minha. Isso quer dizer que havia algo? Suspirei irritado e impaciente.

— E então?- perguntei mais uma vez enquanto voltava a encher meu copo.

— Não senhor.

— Vocês não estão juntos, é isso?

Em meio á um pigarreio ele concorda. Meneio a cabeça concordando e bebo mais um pouco de minha bebida. Ótimo! Não que ela ter alguém fosse um problema, mas os dois juntos talvez fosse. Já tinha ouvido casos de guardiões que deixaram de proteger seu moroi para proteger sua amante em uma luta. Eu tinha que me preocupar com minha segurança. Era só nisso que eu estava pensando agora. E tinha que me convencer disso.

— Preciso ir checar a ronda. Qualquer coisa é só chamar!

Ele deu meia volta e saiu me deixando sozinho com meus pensamentos. Era bom estar no silêncio, mas comecei a me preocupar. E se os efeitos do espírito voltassem? E se eu não conseguisse me controlar de novo? Ultimamente eu estava ficando mais fora de controle do que ao contrário. Quando tive o sonho com Rose pensei que tivesse sido algo isolado, então vi minha mãe com Ambrose e perdi o controle mais uma vez. Lisa tinha me perguntado se eu estava bem e eu garanti que sim, mas já não tinha tanta certeza. O sonho durante o voo foi uma espécie de aviso?

Lembrar daquele sonho era perturbador. Nunca tinha sentido ou presenciado algo como aquilo antes. Era eu e ao mesmo tempo não. Eu me tornaria aquilo?De alguma forma foi real? Por que parecia real!

O ar de repente começou a faltar, o quarto estava se fechando em volta de mim.O que diabos era isso? Me apoiei no criado mudo ao lado da cama e esperei que a tontura passasse. Pontos negros brilhavam em minha visão e se misturavam ás cores das lâmpadas incandescentes do quarto. Eu preciso de mais álcool, preciso amenizar os efeitos do espírito.Essa era a solução! Não posso deixar que eles tomem o controle de mim pois eu já não estava mais certo do que isso poderia causar.

Tanto á mim quanto ao resto.

Cambaleando fui até onde as bebidas estavam e peguei logo a garafa que já tinha aberto anteriormente. Ficaria tudo bem assim que eu tomasse mais um pouco. Em grandes goles virei a garrafa de uisque, sentindo o leve ardor descer garganta abaixo.

Respirei fundo algumas vezes enquanto esperava. Porque não estava funcionando? O que estava acontecendo? Imagens aleatórias começaram a aparecer em minha visão periférica. Eu estava em uma sala, assim como a de Lisa lá na corte. Estava escuro e então minha tia apareceu de semblante sério e preocupado.

— Tia? Tia Tatiana? – balbuciei apertando os olhos para tentar enxergá-la melhor.

E então eu estava de volta em meu quarto. As imagens oscilavam, indo lá e cá. Hora tia Tatiana de braços estendidos para mim, chamando meu nome,hora em meu quarto de hotel que girava. Mais alguns goles da bebida alcólica e tudo estaria bem, tudo seria resolvido.Tinha que ser essa a solução. Tinha que funcionar! Sempre funcionou, por que agora seria diferente?

Fim da garrafa. Virei-a toda em minha boca em uma tentativa vã de pegar a ultima gota que descia preguiçosa pelo vidro. Eu precisava de algo mais forte, nada estava funcionando.

Camabaleante fui até a mesa de bebidas novamente e remexi nas garrafas procurando por algo mais forte. Uma garrafa de licor chamou minha atenção assim que bati meu braço nela. Abri e instantaneamente senti o cheiro forte do liquido. Aquilo serviria!

Virei no gargalo e era como se uma faca em chamas descesse por minha garganta. Lacrimejando balancei a cabeça e arfei ainda sentindo o ardor. Só que agora pelo corpo todo.

Meus braços tremiam e o pavor tomou conta de mim. Será que essa eletricidade que eu estava sentindo era a mesma da que senti no metrô? Por que eu realmente não me lembrava.Tentei colocar a garrafa novamente na boca, mas eu estava tremendo demais, ao ponto de deixá-la cair de minhas mãos e se estilhaçar em pequenos pedaços.

—Droga! – murmurei me inclinando para o chão sem explicação. Ele estava cada vez mais próximo, escuro pelo liquido e coberto de cacos de vidro igualmente escuros. Senti cravar em minhas mãos alguns desses cacos quando por fim me apoiei de quatro. Vislumbres de tia Tatiana novamente rodavam pela minha visão turva, se misturando ao pouco de sangue que tinha em minhas mãos. Não escutei a porta ser aberta ou mesmo se Serena tinha me chamado antes, apenas senti suas mãos me erguendo do chão.

— Adrian? Adrian o que está acontecendo? Isso foi um ataque?- ela falava rápido demais e parecia não ter força suficiente para me levantar, apesar de estar realmente o tentando.

— Eu vou chamar por ajuda.

— Não!- consegui dizer, como um sussurro, e senti quando ela enfim parou de tentar me puxar do chão e simplesmente sentou, ainda me segurando abraçado.— É o espirito!

Serena me olhou com cautela, assim como quando fez no banheiro mais cedo e afrouxou o aperto ao meu redor.

— Minha tia... ela está... está aqui!

— Onde?- ela olhou em volta e depois para mim novamente. — Não tem ninguém aqui Adrian!

Olhei dela para os cantos onde titia aparecia e pisquei rapidamente.Sim, ela tinha razão, minha tia não estava ali. Ainda respirando pesado voltei a focar meu olhar para o canto do quarto.

— Adrian... Adrian...

— Não está ouvindo?

— Adrian, não tem ninguém aqui!- Serena falou calma e voltou a se aproximar,me segurando pelos ombros e me fazendo a olhar.

Seu olhar era compadecido e cheio de compaixão. Por favor, dó não! Senti suas pequenas mãos acariciarem meu rosto e então lentamente contornarem meus braços, até pousar em minhas mãos. A preocupação estampada em seus olhos.

— Precisamos cuidar disso!- ela disse calma.

Assenti ficando um pouco mais calmo também. Acho que finalmente o álcool estava fazendo efeito. O quarto ainda girava, mas não tanto quanto antes. Meu corpo ainda estava sob espasmos, porém a voz de tia Tatiana era apenas um eco ao fundo da minha mente agora.

Serena levantou-se e me trouxe consigo, apoiando um de seus braços ao meu redor para conseguir sustentar.

— Tudo bem? Consegue andar até o banheiro?

Me limitei a assentir e a passos lentos seguimos para lá. Apoiei-me na pia, male mal aguentando o meu peso enquanto ela abria a torneira e colocava minha mão debaixo da água. Quase não senti o ardor, mas sabia que ele estava ali. Da gaveta, minha gardiã tirou uma pinça e delicadamente comecou a retirar os pequenos cacos que estavam na palma de minha mão.

Atento observei cada movimento que ela fazia. Como ela estava tão calma e era tão precisa ao fazer aquilo? Era fascinante! Aos poucos os cacos iam caindo em uma tampa ao lado da torneira e o sangue que escorria de minha mão ia sendo levado ralo abaixo.

— Já estou terminando, não se preocupe.

E de fato ela terminou. Sentei na privada ao lado e olhei para ela, que se colocou á minha frente, na altura dos meus olhos. Suas pequenas, mas agéis, mãos trabalhavam em minhas mãos rasgadas e faziam precisamente os curativos necessários.

Ela não me perguntou nada. Não fez nenhum tipo de comentário. Apenas trabalhou em silêncio o tempo todo. Não que eu quisesse que ela perguntasse, mas ter seu silêncio era um tanto quanto ruim também.

—Pronto!

Ela disse e enfim me olhou. Seus grandes olhos de jabuticaba estavam me fitando intensamente, as pupílas dilatadas e o lábio inferior preso entre os dentes. Ela era linda!

Reparando assim de tão perto eu via as pequenas sardas ao redor de seu nariz, e como ele era levemente arrebitado. Um de suas sobrancelhas era falhada. Nada grotesco, mas estava ali. Cada mínimo defeito. E isso era lindo!

Quando Serena fez menção de se levantar eu segurei em suas mãos e a fiz recuar.

— Obrigado!

— É meu trabalho.

—Mesmo assim, obrigado! Você me ajudou mais do que deveria até agora. No restaurante mais cedo e agora... Você foi incrível!- vi ela desviando o olhar para longe e a expressão fechar novamente e apertei de leve sua mão para que me olhasse.

—Vamos, você precisa descansar!

Em um impulso ela se colocou de pé e passou seu braço pela minha cintura, levantando-me. Novamente seguimos lentamente, desta vez até a cama e me sentei nela assim que ela me soltou. Eu estava exausto! Parecia novamente que eu estava no metrô e tinha usado toda aquela extensão de meus poderes.

Antes que eu pudesse me deitar realmente as mãos de Serena começaram a descer meu casaco. A olhei atônito enquanto ela fazia seu trabalho com jeito. Ela não olhava em meu rosto, muito menos em meus olhos, mas eu sabia que ela estava nervosa/ansiosa, pois seu coração estava descompassado e suas bochechas levemente rubras.

Deixei cair o casaco na cama sem tirar meus olhos dela. Sua áurea era linda!Serena começou a abrir os botões de minha camisa, mas por algum motivo parou. Não estava bem certo do porquê, contudo eu queria que ela continuasse.

Seus olhos enfim cairam nos meus e continuei o trabalho que ela estava fazendo, me atrapalhando um pouco com os botões, mas quantas vezes já não tinha feito aquilo bêbado? Seus dedos se enrolavam entre si, na frente de seu corpo, e eu soube que ela estava nervosa.

Terminei de abrir minha camisa e a tirei pelos braços, jogando longe. Era uma cena um tanto quanto interessante aquela. Minha guardiã parada á minha frente, quase entre minhas pernas, me olhando fixamente enquanto eu estava seminu.

Minhas mãos coçavam para levantar aquela sua camisa branca horrorosa e sentir sua pele quente sob meus dedos, entretanto eu não podia fazer isso. Não por hora.

— Deita!- ela ordenou e fiz o que disse. Ouvir ela pronunciar tão claramente aquela frase no modo imperativo causou certo auê dentro de mim e respirei fundo para me conter. Imagens dela chamando meu nome enquanto gemia começaram a passear por minha cabeça e eu sabia que não podia me deixar levar por aquele caminho, apesar do álcool não estar ajudando.

— Você vai ficar bem?

— Você vai embora?

— Eu...- então eu soube naquele momento que ela não queria, assim como eu, partir.— Estarei do lado de fora fazendo a ronda.- Serena começou a sair, mas segurei seu braço, mais uma vez naquela noite, e a puxei mais perto, fazendo com que se sentasse.

— Fica!

Ela não disse nada, apenas me olhou. Entendi aquilo como um sim e suspirei em alívio.Me virei de lado, ainda segurando sua mão e a fitei. Por que tão linda? As covinhas em suas bochechas não estavam ali, apesar de eu saber que existiam. Eu queria ver mais dela, saber mais dela. Isso era tão confuso!

Meus olhos pesaram, mas mantive eles abertos pelo máximo de tempo que pude. O que eu acho que não durou nem cinco minutos e então eles me venceram.

Antes de pegar no sono totalmente senti seus dedos tocarem minha bochecha e o cantarolar de uma canção. Não sabia o que dizia, mas era linda.Angelical. Se aquilo foi real ou mais uma pegadinha de meu subconsciente eu não sabia. Mas pareceu bem real para mim.

Então nada mais de que uma sombra negra cobriu meus olhos e eu já não estava mais em meu corpo.