Academia de Vampiros- Sonhos Negros ????HIATUS????
23 Assuma o controle!
Notas iniciais
O barulho do trinco se abrindo me faz virar abrupto e ver uma Lissa séria me olhando. Ela? Por que ela está aqui? Olho ao redor e suspiro fundo tendo a consciência de que já não estou mais no vagão do trem e sim em seu escritório na corte.
—Majestade.- me curvo e então a observo se aproximar.
—Adrian, sabe que não precisa fazer isso.- ela me repreende- Como está?
—Bem, obrigado por perguntar.- digo no automático e me jogo na cadeira a sua frente, olhando pro nada.
—Estou dormindo ou você está?- pergunto assim que ela se senta á minha frente, exatamente como eu me lembrava: a postura impecável e o ar soberano de sempre.
—Você está pois eu te chamei.- ela responde calma- Por que a pergunta? Não tem tido certeza quando está acordado ou não?
Me mexo inquieto e balanço a cabeça.
—Não, foi só porque não percebi quando peguei no sono. O que você quer? Algum problema?
—Não, não se preocupe. Só quero saber como está. Desde que saiu da corte não tenho tido contato com você especificamente.
—Especificamente?- pergunto confuso e semicerro os olhos.
—Falo com seus guardiões diariamente, eles me informam o que acontece.
Ela cruza as mãos sobre a mesa e me olha profundo. Não sei até que ponto ela sabe das coisas, ou mesmo se sabe de tudo que aconteceu nos últimos dias, mas isso me deixa de guarda baixa. Estou sendo observado mesmo estando do outro lado do país, que ótimo!
—O que foi que eles disseram?
—Que você está bem, fazendo amizades na medida do possível e ainda sem um destino certo, no entanto bem.
—Eu tenho um destino certo, só não tenho data para chegar lá.- Dou de ombros. Me disseram para aproveitar e esfriar a cabeça nessa viagem e agora querem me controlar? Esfrego o nariz irritado e olho para as mesmas flores. Ela não se cansa delas não?
—Adrian sabe que estou aqui como uma amiga e gostaria muito que dividisse comigo seus sentimentos. Eu te entendo.
Bufo rindo enquanto a ouço falar e me levanto irritado, tirando as flores do vaso e as jogando na lixeira próxima. Vasilisa me observa o tempo todo enquanto jogo a água pela janela e volto a colocar o vaso translúcido no mesmo lugar.
—Bem melhor.-sorrio espalmando uma mão na outra.- Não tenho nada pra contar, nada demais acontece em minha vida acredite.
Reviro os olhos e me sento a sua frente novamente. Lissa continua a me observar estranhamente e isso começa a me incomodar. Não tenho certeza do que seus olhos dizem, mas não estou totalmente confiante diante de tais.
—E acredite, você não entende um terço do que passo.
—O que isso quer dizer?
—Nada, não se preocupe. Você não vai tirar nada de mim, então pare de me olhar desta maneira.- pisco e me sento ereto como ela.
—Mas falando em contar coisas...-estalo os dedos e o pescoço e suspiro antes de começar- Jill me contou que as coisas não andam bem entre vocês. Tem algo a dizer sobre isso?- É a vez de Lissa ficar desconfortável. Sua postura fica mais ereta se possível e ela engole algumas vezes em seco antes de se levantar e andar imponente pela sala.
—Foi apenas um mal entendido, nada a se preocupar. Já resolvemos isso.
—Resolveram ou a Rose resolveu para você?- me levanto e paro atrás dela.
—Adrian não jogue a culpa em Rose, ela é minha amiga e está me ajudando com tudo aqui. Você não sabe como tem sido difícil.
—Claro claro, assim como ajudou antes colocando sua cabeça em risco.-cruzo os braços com um sorriso irônico.
—Eu não aceito que fale assim dela Adrian!- Lissa explode e me faz dar alguns passos para trás surpreso. Seus olhos estão vermelhos e tenho quase certeza de que ela está se inclinando sobre mim, quase levitando. Uma tensão emana de seu corpo de forma impressionante, me puxando e empurrando ao mesmo tempo, me deixando tonto e de estômago embrulhado. Cada articulação minha dói ao ponto de me fazer contorcer e suar frio. Era como estar sendo queimado de dentro pra fora.
—Lissa...-tento falar porém tudo me machuca. Quero gritar mas nenhum som sai de minha boca. O cheiro das malditas flores que joguei fora minutos antes invadem a sala e tudo gira. O que ela estava fazendo? Quem era essa?
—Adrian?
Ouço a voz de Vasilisia me chamando e então pisco algumas vezes olhando ao redor. Ela ainda estava sentada e me olhava curiosa enquanto eu jogava a água do vaso de flores pela janela. mas o quê...?
—Está tudo bem? Você está pálido!
Olho do cristal translúcido em minha mão e então de volta para ela e arfo. Que diabos...
—Eu preciso voltar.
—Ainda não acabamos aqui.-ela protesta.
—Acabamos sim. Meu trem vai parar e preciso acordar.
Faço força com a mente de alguma forma tentando tomar o controle da situação, no entanto parece ser em vão. A menção de que tudo pode acontecer de novo me enjoa e ando de um lado á outro afoito.
—Me acorde!- quase grito e então Lissa se levanta preocupada e assente. Pisco mais uma vez e vejo Isaac me olhando estranho. Suor escorria por meu rosto enquanto eu me desencostava dele e tomava consciência de que estava de volta ao vagão.
—Tudo bem senhor?
Isaac pergunta e eu me levanto assentindo.
—Preciso apenas do banheiro.
Desconfiado ele se levanta e me dá passagem. Praticamente corro até o toalete e ligo a torneira, jogando água fria no rosto. O que acabou de acontecer?
P.O.V. SERENA
Eu não entendia como alguém poderia ser tão confuso como ele. Sei que Baruel tem razão quando fala de suas pretensões, mas Adrian parece ser tão... Adrian quando estamos sozinhos. Ele me faz rir mesmo quando não quero, me supreende, nem sempre da melhor maneira admito, mas ainda assim me surpreende; ele me faz sentir segura, mesmo em meio aos seus muitos ataques.
Seus ataques.... isso vem me preocupando grandemente com o passar das semanas. Ele parece estar se distanciando cada vez mais da realidade e até de si mesmo quando tudo acontece, seja lá o que isso for. É como se ele não tivesse controle sobre si mesmo e o pouco que ainda tem vem se esvaindo. Sei que não deveria deixar a afeição que tenho por ele falar mais alto já que a última vez que o fiz mais pessoas do que eu gostaria saíram machucadas, inclusive eu.
Flashback on
—Por que você não vem hoje?-digo manhosa.
—Já disse que não consigo sair todos os dias daqui meu amor, agora então com a ameaça dos strigois nos rondando fica mais difícil ainda. Preciso ficar dentro dos portões e me proteger.- ele suspira do outro lado da linha.- Parece que estou no colegial novamente de tantos adolescentes que estou vendo. Toda Saint Vladimir está aqui e a testosterona corre solta por esses corredores.
—Ainda bem que isso não se aplica á você não é mesmo?!- rio enquanto puxo uma mecha de cabelo para frente e analiso as pontas duplas, talvez triplas dela.- Mas eu queria que estivesse aqui. Sinto saudades nossas. Já faz um longo tempo que você não vem passar a noite aqui.- suspiro cansada e me deixo cair na cama.
—Eu sei, mas prometo que vou te recompensar assim que eu conseguir. Não consigo ficar muito tempo longe da sua pele e de seu sangue doce por muito mais tempo.
Sinto minhas bochechas corarem com seu comentário. Sei que é errado deixar que um moroi te morda durante o sexo, mas com ele é diferente. Ele me ama e eu o amo, não é ser uma meretriz qualquer e sim uma prova de amor incondicional. Um amor que vai sobreviver o fato de ele ser da realeza e eu não. Um amor que foi jurado sobre as estrelas e que jamais pode ser quebrado, por que coisas assim não se desfazem. Eu sou dele e de mais ninguém. Pra sempre! Assim como ele, tenho certeza.
—ok- respondo sem graça então ouço passos subindo as escadas.- Preciso desligar, tem alguém vindo. Te amo!
—Eu tbm. Entro em contato.
Ele desliga e logo coloco de qualquer jeito o telefone embaixo do travesseiro e finjo ler um livro enquanto escondo o sorriso que rasga o meu rosto.
—Conversando com o moroi de novo?- minha irmã pergunta ao entrar no quarto e procurar o outro par de brincos pérolas que usa.
—Não estava conversando com ninguém.- minto e fecho o livro a olhando melhor.- Onde vai tão arrumada assim?
—Também tenho meus segredinhos querida.- Amélia pisca e vem me dar um beijo na testa antes de sair saltitante. Eu jamais imaginaria que aquela seria a última vez que a veria viva.
Flashback off
Termino a ronda e assim que estou voltando para o vagão vejo Adrian passar como um foguete em direção ao banheiro. Franzo a testa e me aproximo devagar olhando ao redor.
—Adrian?- bato na porta enquanto chamo baixo para que ninguém ouça.- Está tudo bem?
Ele não responde nada por minutos e começo a ficar genuinamente preocupada. Será que ele passou mal mais uma vez e está desacordado dentro do banheiro? O auto falando anuncia nossa parada e ele ainda não responde. Começo bater mais freneticamente na porta ainda sem chamar atenção até que em um clique ela se abre e um Adrian exausto me puxa para dentro. Congelo com nossa proximidade já que o espaço não permite maior afastamento, mas o moroi a minha frente parece não se incomodar. Na verdade ele parece não notar ou ligar para tal como sei que faria se estivesse bem.
—Adrian, está tudo bem? Você está passando mal?
—A Lissa.. ela me queimou...eu não...
Suas palavras sem nexo me deixam confusa e me aproximo tocando em seu ombro molhado.
—Adrian, quem é Lissa? Quem te queimou?
—Vasilisa... foi ela... eu estava com ela na corte.... tinha as flores fedorentas...
—A rainha?-ele assente ainda perdido em pensamentos. Sua pupilas estão dilatadas e seu olhar longe me faz engolir em seco. _Preciso que olhe para mim agora.- aviso mas ele nem a mexe.
—Adrian.- chamo mais firmemente porém ele continua a olhar para o horizonte e me ignorar o que me assusta um pouco. Seus murmúrios sobre flores e olhos vermelhos me deixam de mãos atadas e em um ato rápido puxo seu queixo em minha direção e o faço me olhar.
—Preciso que foque em mim. Ouça minha voz assim como fez lá no quarto e volte para cá. Você está no trem e eu estou aqui para te ajudar. Adrian!
Meu coração parece parar de bater e ao mesmo tempo quase pular meu peito afora. Posso senti-lo na ponta de meus dedos e quase saindo pela boca.
—Adrian por favor olhe pra mim. Eu estou aqui com você, por você. Volte pra mim.
Essas palavras parecem ser a chave e enfim ele foca seus olhos em mim. As orbes diminuindo a medida que sua respiração desacelera. Ele me vê claramente agora mas nenhum de nós se move. Nossos olhares estão conectados e sinto minha boca e garganta secas enquanto seus olhos parecem contornar meus lábios. Não sei quanto tempo se passa, mas não é como se eu quisesse sair dali. Quando vagarosamente ele começa a se aproximar fico sem ar. O que ele vai fazer? Abaixo minha mão de seu rosto e todo o pouco ar que nos cercava agora parecem estar densos. Eu diria que uma agulha não passaria entre nós nesse momento e o pior de tudo é que não me sinto mal com a situação. Expectante talvez seja a palavra, mas não mal. Um dos braços grandes desse Ivashkov a minha frente passam em volta da minha cintura, seguido pelo outro e então sua cabeça está apoiada em meu pescoço, a respiração regular atiçando minha pele. Fecho os olhos por impulso mas mantenho minhas mãos ao meu lado, querendo não toca-lo ainda mais.
—Isso está me matando!- ele diz bem perto do meu ouvido e tenho que trancar a respiração para que ele não me escute arfar.
—Obrigado por estar aqui. De alguma forma você sempre me trás de volta.
Ele me aperta mais em seus braços contudo não é desconfortável. Acabo cedendo e o abraço de volta, me acalentando no mesmo instante.
—Tudo bem.
O tempo parece não correr ali e só tomo consciência de que paramos quando um solavanco do trem nos trás de volta. Me separo dele passando as mãos nos cabelos e sem o olhar.
—Os meninos devem estar nos procurando, vamos.
Me viro para a porta e tomo a consciência de que não podem nos ver saindo juntos. Principalmente Baruel. Mordo o lábio mandando embora as lembranças amargas que isso me trás e falo ainda de costas pra ele.
—Vou sair primeiro pra checar tudo. Conte até sessenta e então saia. Estarei te esperando.
Ele não diz nada e se diz não ouço pois tomo meu caminho banheiro a fora e tento voltar a respirar novamente. Avisto Baruel vindo em minha direção e sua expressão não é das melhores.
—Ele sumiu de novo.
—O que?
—O senhor Ivashkov, ele sumiu!- ele passa as mãos nervosamente pelos cabelos finos e olha ao redor nervoso. As poucas pessoas daquele vagão estão se levantando e pegando suas bolsas enquanto se preparam para descer.
—Tem certeza? Já olharam em todo lugar?-Não posso dar a entender que sei onde ele está, principalmente para Baruel que se souber vai me encher a paciência até amanhã.
—Já. Isaac disse que ele foi até o banheiro mas não encontrou nada lá.
—Como assim? Agora?- pergunto confusa.
—Sim, deve fazer uns cinco minutos. Onde você estava?
Espera, o que? Como assim ele não achou? Olho ao redor tentando entender o que isso significa, mas nada me vem a cabeça. Adrian surge segundos depois e posso ouvir o bufar de meu guardião chefe.
—Onde você estava?
— No banheiro.- ele diz calmo e o olho.
—Que banheiro?
—Esse dali.- ele aponta confuso pro local a poucos passos atrás de nós e eu sigo seu olhar.
—Mas Isaac disse que foi até lá e não lhe encontrou. Você não o viu?
—Não. Ninguém foi até lá.- ele fala e me olha, mas não faço o mesmo. Seu olhar é intenso demais para que eu revide.
—Vou ter uma conversa séria com ele. Vamos descer!
Sua voz gélida me causa calafrios e ele gentilmente me conduz para fora do vagão, uma mão em minhas costas. Assim que nos encontramos com Isaac seguimos para o táxi enquanto Baruel continua a fazer cara feia para o coitado.
O caminho até o hotel foi calmo e silencioso. Adrian parecia perdido em pensamentos novamente enquanto eu repassava os de mais cedo no banheiro. Pare de pensar nisso Serena, não seja tola. Ele precisava de ajuda ali, não teve nada de romântico ou de segundas intenções por trás disso. Não seja tola! Você não tem mais dezessete anos. Repito várias vezes pra mim mesma. Tento prestar atenção na cidade que é bonita e típica, e não sei se pela época do ano ou se ela é mesmo assim, mas está lotada de gente bebendo cerveja e rindo alto. Em um grande cartaz consigo ler October Fest e sorrio. Não havia como eu esperar outra coisa da cidade mundial da cerveja.
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— Munique foi oficialmente fundada no ano 1158 e em 1240 passou a ser controlada pela família Wittelsbach, linhagem de grande prestígio e poder em toda Bavária, cuja dominação durou até o início do século 20.
A guia falava ao nosso grupo em alto e bom som enquanto seguíamos por uma rua estritamente para pedestres. Vários chafarizes serpenteavam entre nós e mesmo estando frio o lugar estava cheio. Era incrível conhecer todos esses lugares, mas eu tentava não demonstrar tanta excitação assim. Pra alguém que até então não tinha deixado os Estados Unidos, conhecer parte da Europa que eu nem sequer tinha lido á respeito era fascinante. Adrian caminhava ao meu lado fingindo prestar atenção á moça loira, quase albina á nossa frente. Eu ainda tentava entender o que se passou mais cedo na cabine, mas nada parecia plausível. Na verdade, nada que venha dele é.
—Esta é a Karlsplatz. Os chafarizes daqui são famosos por também refrescarem os cidadãos nos verões massantes. Em forma circular ele jorra água natural e muitos aproveitam para tirar belas fotografias como recordação também. Darei algum tempo para a observem antes de irmos até nosso próximo ponto, a Igreja Frauenkirche, onde está a tumba do imperador Ludwig da Bavária.
Mais uma vez a guia se afasta e me abraço assistindo o festival de água que pula de um lado ao outro, tremelicando sob as luzes do crepúsculo. Só saímos nesse horário pois o sol já não incomoda o senhor Ivashkov, ainda assim ele estava mais sério que o de costume. Enquanto Baruel e Isaac conversam aproveito para me aproximar dele sem que seja suspeito.
—Tudo bem?- Adrian parece me notar só naquele instante e suspira fundo antes de me olhar.
—Tudo. Bonito aqui né?!
—Lindo.- concordo sorrindo- Tem certeza de que está bem?
—Você tem feito muito essa pergunta ultimamente. Nossa soberana tem algo a ver com isso?
O olho com estranhamento e tento chegar a alguma conclusão.
—Claro que não. Por que diz isso?
—Aparentemente ela se tornou minha mãe e tem sido informada de cada passo meu. Mesmo estando longe , continuo preso.- ele bufa.
—Adrian eu não tenho nada a ver com isso. Talvez seja Baruel quem lhe passe as informações já que ele é o guardião chefe da missão, mas eu não o faço.- não sei porque quero me defender tanto, mas sai sem que eu controle. Era quase... importante demais que acreditasse em mim. Ele me olha de canto e assente. Me sinto mais aliviada ao ver que ele acreditou e volto a admirar a paisagem.
—Por que se preocupa tanto?- Adrian interrompe meus pensamentos e ouço a guia nos chamar para continuar o passeio.
—É meu trabalho.- respondo automaticamente e por um momento penso ter visto decepção em seu semblante.- E também porque me importo com você.
Mordo o lábio e sigo a sua frente, constrangida por ter admitido. Entramos na enorme igreja com torres gêmeas e a guia nos leva até seu topo por um elevador. A vista é estonteante já que o sol se põe no horizonte e deixa tudo com um ar mágico. As vezes eu me esquecia de apreciar o quão belo o mundo podia ser. Adrian se coloca ao meu lado e não diz nada, mas sei que seu silêncio significa muito mais do que parece. Ficamos ali por longos minutos apenas vendo o sol se pôr e a lua tomar seu lugar por direito até que a guia cujo nome eu já tinha esquecido nos chama para continuarmos. Desço por uma escada que serpenteia a torre e sigo pelas ruas agora mais iluminadas e se possível sorridentes. Adrian se aproxima devagar e sorrio por isso. Não deveria mas o faço.
—Sabe, estive pensando no que me disse no trem. -ele começa sem me olhar. _E você tem razão!
—Sobre o que especificamente?Porque tenho razão em muitas coisas.- sorrio convencida e com tal liberdade.
—Sobre a coisa da arte.
Olho pra ele segurando um sorriso amplo e viro a cabeça em questionamento.
—O quê decidiu?
—Bom, já que não sei cantar e engano na dança decidi fazer a única coisa que sobra. Mas pra isso vou precisar da sua ajuda!
—Minha ajuda?- franzo o cenho.
—Sim, preciso de uma modelo.
—Modelo?- quase engasgo e paro de andar assim que o fala.
—Eu não sou modelo. Muito menos delicada. E além disso eu não Pinto, eu luto, então não vou poder te ajudar com isso.
—Pintar?- ele ri.- Não vou pintar você, nem sei fazer isso. Vou fotografá-la.
Olho desconfiado por seu sorriso amplo e sinto certa excitação subir. Seria divertido até, mas Baruel jamais me deixaria sair sozinho com ele. Principalmente se fosse para fazer algo assim.
—Mas você nem têm câmera!
—Tenho sim. A do celular.- Adrian sorri convencido tirando o aparelho de última geração do bolso da calça e me mostra o mesmo com suas duas câmeras aparentemente surpreendentes.- Você não quer que eu comece com uma câmera profissional sem nem saber se sou bom nisso mesmo, não é?!
Dou de ombros e volto a andar. Nosso grupo animado está parado tirando fotos e avisto apenas Isaac à cinquenta metros de onde estamos.
—Vamos continuar pessoal pois ainda temos dois destinos por hoje. O segundo é opcional já que amanhã pela manhã vamos vê-lo novamente, mas seria interessante apreciar a visão noturna dele.
Sigo-a ainda pensando. Quero fazer isso e sei que vai ajuda-lo a diminuir o consumo da bebida, mas ainda não sei. É meio estranho querer essa proximidade, até porquê a última vez que me deixei aproximar de um moroi acabei seriamente machucada.
—Esse é um dos bares famosos daqui. Sua cerveja artesanal é procurada por todos. Claro que aqui no Viktualien Market não tem só isso, mas vou deixar que vocês se familiarizarem com o local enquanto passo um por um para saber quem quer ir até a Praça Gartnerplatz.
Paro olhando pra ele e suspiro. Ótimo, uma cervejaria pra alguém que quer controlar a bebida. Adrian parece adivinhar meus pensamentos pois sorri ganhador e levanta o telefone tirando uma foto de meu rosto.
—Ok, eu te ajudou. Espere aqui.
Saio rápido indo até onde Isaac está e o toco no ombro.
—Preciso usar o toilette, pode me cobrir? Eu cubro o perímetro assim que voltar e você fica na minha posição.
—Tudo bem. Mas seja rápida.- meu coração de pedra predileto fala e eu concordo. Volto para perto de meu moroi e sua expressão é de entusiasmo.
—Pronta?
—Vou trocar com Isaac.
—O que?- Adrian pergunta boquiaberto e eu tento reprimir uma risada.
— Isso mesmo, vou trocar de lugar com o Isaac.
— Por que?
— Você não disse que quer me fotografar? Então, comece com as fotografias panorâmicas. Veja o que consegue fazer com todo o ambiente. Eu ainda estarei na foto, mas nãos serei o foco.- explico com um sorriso.
_ Mas...
— Veja o que consegue fazer com o todo primeiro, depois vai saber exatamente o que fazer comigo- sorrio tranquila.- Há muito mais beleza naquilo que não vemos. Encontre-as!
Ele pisca várias vezes e suspira igualmente ponderando minha sugestão. Sei que ele não quer fazer isso, e a possibilidade de saber que ele quer ficar apenas comigo com o pretexto de me fotografar me deixa de certa forma entusiasmada, mas ainda não é o momento para tal.
— Lembra do que lhe disse uma vez? Sobre se apagar para as estrelas?- busco seus olhos a medida que me aproximo.- Ache as estrelas Adrian. Faça-as brilhar novamente pra você!
Ele sorri vagamente se deixando levar e balança a cabeça suspirando.
_ Ok, você venceu. Vá pra onde acha que tem que ir então.- sorrio animada.
— Você me guia senhor fotógrafo. Onde acha que devo me posicionar de inicio?
Ele olha ao redor ainda sorrindo e mostrando seus brilhantes e grandes dentes o que me deixa sem graça.
_ Ali, comece por aquela barraca e adentre o mercado. Eu te sigo.
Concordo uma última vez e me dirijo pra lá. Isaac me olha no meio do caminho como quem me repreende pela demora e vai se colocar próximo á Adrian. Eu sigo apenas olhando ao redor. São tantos restaurantes e barracas com artigos culturais que fico perdida momentaneamente. Sei que tenho que manter minha guarda alta, mas me deixo levar pelas lindas decorações. Um grupo rechonchudo e barulhento passa por mim rindo e me empurrando brevemente enquanto cantam uma musica da qual nunca ouvi antes e eu dou risada. Era diferente estar ali. Me sentia livre como em muito tempo não me senti.
A sensação de ser seguida me fazia olhar para trás a todo momento, no entanto eu sabia que era apenas o senhor Ivashkov. A noite parecia calma o suficiente para nenhum alarde o que me permitiu aproveitá-la mais do que imaginei ser possível. Nossa guia nos levou até um jardim muito bonito, que por mais que parte da escuridão da noite escondesse muita coisa, a vista ainda era estonteante. Muitas flores de varias cores e tipos adornavam o local e não sei dizer se era uma das muitas igrejas que tinham na cidade ou um se era um museu, porém alto, grandioso e igualmente belo era iluminado ao fundo por vários holofotes. Prestei atenção por um bom tempo em tudo que nos cercava e nem notei quando o moroi que eu guardava se aproximou com um sorriso.
_ Você tem feito um ótimo trabalho como modelo sabia?!
Olho pra ele por cima do ombro enquanto arranco uma pequena flor magenta da borda de um dos canteiros com cuidado para que ninguém veja.
_ Sério? Deixe-me ver.- peço sorrindo. O castanho tirou o celular do bolso e depois de destravar me mostrou uma foto minha. Arfei com a visão. Não diria que era a mim propriamente dito que estava ali, já que o faixo de luz que vinha do pôr-do-sol estava deixando á mostra apenas minha silhueta negra. Era realmente lindo!
_ Como conseguiu essa foto? Não me lembro de ter feito essa pose.- rio nervosa voltando a olhar a foto. Até os detalhes de minha pulseira apareciam e eu não conseguia parar de olhar. A forma como o sol estava atras... espera.
— Adrian essa foto foi tirada ao pôr-do-sol certo?
— Sim...- ele sorri lascivo já sabendo onde isso vai chegar.
— Mas quando me pediu para tirarmos fotos já estava praticamente noite.- semicerro os olhos olhando em seu rosto e o sorriso aumenta, trazendo as benditas covinhas.
— Sim...
— Quando foi que tirou esta então?
— Hoje, na igreja.- passo a língua sobre os lábios tentando lembrar de algo que me dissesse que ele havia me fotografado, mas nada me vem á mente.
_Em que momento especificamente?
— Quando se apoiou sobre a janela de pedra para ver a vista lá na torre. Eu ia em sua direção e então vi uma das imagens mais lindas da minha vida. Decidi guardá-la.- ele balança a cabeça sorrindo e sinto meu pescoço e bochechas esquentarem. Ótimo!
_ Ficou muito boa.- Digo totalmente sem graça e volto a olhar para a igreja/museu. Adrian sabe o efeito que tem sobre as mulheres e por mais que eu esteja á serviço, é meio que impossível não ligar para o que ele diz. Ele se aproxima e tira a pequena flor de minhas mãos. Não olho pra ele, apenas para a forma como minhas mãos parecem suar com seu contato e como isso é patético. Meu moroi puxa vagarosamente uma mecha de cabelo para trás de minha orelha e mais devagar ainda ajeita a flor ali. Ele sorri aprovando e puxa o telefone, tirando uma nova foto agora mais de perto. Mordo o lábio me contendo pra não o olhar, mas eu não consigo. De canto de olho o vejo se aproximar cada vez mais, suas enormes orbes me fitando de maneira hipnotizante. Sei que tenho que sair dali o mais rápido possível, mas meu corpo parece não responder. Ao contrário, se inclina ao dele de maneira magnética.
Assuma o controle Serena!
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