Academia de Vampiros- Sonhos Negros ????HIATUS????

15 A fome e o amor são os dois lados do mundo...


Notas iniciais
Oi gente, desculpa o sumiço. Tá tudo tão confuso! Muitas e muitas coisas novas nesse ano e muita coisa mudou. Mas bem, estou de volta!!!! Aeee... A cada 4 dias vou postar os capitulos novos pra vcs e espero realmente que gostem e me deixem suas expressões! Beijocas :*

— Você tem razão.

Me surpreendo com sua resposta e a olho franzindo a testa.

— Quer dizer, nem te conheço direito,sei disso, e não que eu fosse ter a chance de conhecer mesmo não é.... – ela ri baixo olhando para mãos em seu colo.

— Seus guardiões não deixariam! – minha ruiva explica revirando os olhos e sorrindo quando vê minha expressão confusa. Ri também. Ela tinha razão, isso não aconteceria.

— Me desculpe. Mesmo!- peguei sua mão novamente. — Eu adorei conhecer você, a aventura que tivemos foi memorável!

— Nem me diga, minha bunda ainda dói do tombo que sua guardiã me deu!- ela ri, genuinamente, o que novamente me faz olhar pra ela, pra forma como seus olhos se estreitam e seus lábios esgorregam sobre os dentes.

— Me desculpe por isso também, mas acredite, foi um mal necessário!

—Eu espero mesmo que tenha sido! – ela sorri e pousa seus olhos em mim. Ficamos assim por mais algum tempo, apenas as nossas respirações sendo ouvidas. Ela pisca lentamente enquanto cora aos poucos e o lindo rubor que subia por todo seu pescoço começou a me fazer ficar desconfortável.

Ela tinha uma beleza exótica e a forma como se portava me fazia a cada minuto querer mais e mais tê-la em meus braços, no entanto a quantidade de saliva que se acumulava em minha boca me dizia que isso não era a forma mais bonita que eu deveria me lembrar dela. Quando foi a ultima vez que me alimentei? Ontem? Antes de ontem?

Isso é perigoso. Não devo ficar assim tão perto dela vendo suas veias saltarem no pescoço, ouvindo o som de suas artérias empurrando o sangue quente por todo o corpo e o fato de ela estar alheia á tudo isso.

—Deve estar com fome. – Lana fala me tirando de meus devaneios e miro meus olhos nos dela.

— O que disse? – ela esta brincando comigo? Eu estava tendo pensamentos de como meus dentes ficariam perfeitos cravados no lindo pescoço dela e ela me pergunta se estou com fome? Quanta ironia!

— Quer comer? Podemos descer e aproveitar o jantar que o hotel está oferecendo. E quem sabe não posso te tirar daqui de novo! – ela riu piscando mas pude perceber a fagulha de esperança em seus olhos.

—Isso parece ótimo. Pelo menos vou te recompensar por toda adrenalina que passou. – sorri me ajeitando. — E estou faminto na verdade.

E eu estava. Mas o que eu tinha em mente não seria muito agradável para ela.

— Okay então.

—Okay.

Ela levantou arrumando o vestido curto e não pude resistir á sorrir.

— Pode me fazer um favor?- pedi antes que ela saísse. Lana assentiu me olhando e voltando a se aproximar da cama.

— Chame Baruel para mim e compre um vestido novo pra você. Faço questão de pagar!

— Adrian não... —á cortei levantando a mão.

— Por favor, eu insisto. — ela sorriu timida e concordou. Antes de se despedir para se arrumar minha ruiva se aproximou e depositou um beijo em minha bochecha. Apertei os labios sentindo seu perfume e as batidas de seu coração acelerado e acenei. Seu pescoço estava tão perto, tão deliciosamente perto que por alguns instantes fantasiei o momento em que eu a jogava por cima daquela cama e cravava meus dentes nela, saboreando enfim o que eu tanto queria. Pisquei rápido empurrando esses pensamentos. Não podia me deixar levar, não com ela aqui. Assim que Lana saiu respirei fundo jogando minha cabeça para trás. Foi por pouco, muito pouco.

Não demorou muito para Baruel entrar no quarto e se aproximar sem expressão.

— Como está?

— Bem. O que aconteceu? – coloquei um travesseiro atrás de minhas costas e esperei que ele começasse.

— Você não se lembra de nada? – ele perguntou confuso enquanto cruzava os braços e voltava a se recostar na cômoda assim como quando acordei.

— Me lembro vagamente, mas não de tudo. Que fim deu a menina?

— Isaac se livrou dela. Estamos bem, não se preocupe.

Enquanto Baruel me alcançava um cigarro de menta e o acendia, toda a história de como tudo aconteceu e como foi que saímos de lá foi relembrada. Não fiquei surpreso com a mentira que ele inventou para Lana, era necessário como sempre. Depois de algum tempo me levantei e fui ao banheiro me arrumar para jantar com ela. Se não iriamos mais nos ver que nossa despedida fosse tão boa quanto nosso encontro. Afinal eu era Adrian Ivashkov e tinha uma reputação á zelar. Baruel não gostou muito da ideia, mas como o convenci de que era nossa despedida e eu sendo quem eu era precisava disso, ele aceitou e tentaria convencer os outros de que estava tudo bem.

Durante o banho senti que as dores em meu corpo ainda estavam fortes e minha cabeça ainda estava zonza. Entender o que foi tudo aquilo me deixava assustado e confuso porque eu nunca tinha sentido o espirito se manifestar de tal maneira. Até agora.

Eu pensei que o fato na corte com Ambrose, ou o sonho de fogo com Rose tivesse sido algo grandioso, mas aparentemente as coisas estavam ficando fora de controle e isso me assustava um pouco. Quais eram os limites do meu poder? Eu seria consumido no final das contas assim como St. Vladimir foi? Pensar nisso me causava nauseas e arrepios. E não eram efeitos dos machucados em meu corpo.

Algumas marcas arroxeadas estavam espalhadas por meu peito e braços, o que pensei ser efeito do poder que saiu por eles. Como aquilo foi possível? Eu não fazia ideia. Toda aquela eletricidade passando por mim era novo e extremamente medonho. Mexi a cabeça espantando o pensamento. Chega daquilo por hoje.

Tinha terminado o banho e enrolava a toalha em minha cintura quando ouvi as pequenas batidas em minha porta. Gritei pra que entrasse e saí do banheiro me deparando com uma Serena vermelha ao me ver apenas de toalha.

— Ah, me desculpe, eu não sabia que estava no banho. – ela disse virando-se de costas para mim e me fazendo sorrir.

— Não tem problema, já terminei.

— Aham!- ela pareceu engolir em seco e me diriji até a mobília onde estavam minhas pulseiras e relógio.

— O que deseja? Aconteceu algo?

Serena roia a unha olhando pra janela e respondeu pausadamente, como se escolhesse as palavras.

— Como você está?

—Bem, eu acho. Baruel me colocou á par de tudo que aconteceu já que aparentemente minha memória falhou. – dei de ombros. Tudo que ele me contou parecia surreal e mais como um sonho, mas as marcas em meu corpo não me deixavam ter dúvidas.

— Ah sim... – Serena estava estranha, me olhava de canto de olho e parecia estar tentando encontrar as palavras certas. Já tinha voltado a usar suas roupas de guardiã, o que me decepcionou levemente por que ela realmente tinha ficado linda naquele vestido.

— Você, han...- ela comecou incerta – o que vai fazer com a garota?

Terminei de colocar meu relógio e me virei na direção dela, pegando o frasco de perfume e borrifando levemente nas laterais do pescoço.

— Vou levá-la para jantar!

— O quê?

Serena virou-se num subito me encarando incrédula.

— Adrian você não pode, ela atrai perigo.. olha... olha o que ela já causou apenas nesse meio tempo em que esteve com você!

Quase ri de sua histeria e me aproximei pegando em seus pulsos e a fazendo me olhar.

— Acalme-se, é apenas um jantar de despedida. Depois disso ela vai embora.

Ela pareceu me avaliar atentamente, procurando algum vestigio de mentira ou plano secreto para que eu fugisse novamente. Ponderarava se acreditava em mim ou não.

E eu aproveitei para olhá-la também. Não havia resquícios da mulher maquiada e de vestido esvoaçante de ontem. Não havia mais a levesa. Mas ali, parada á minha frente, com os olhos colado nos meus eu via uma mulher, de verdade. Uma cujo olhar era forte e determinado, cheio de histórias pra contar. Alguém que viveu muito em seus poucos anos de vida, mas que aprendeu a fechar-se dentro de si de maneira a não ficar magoada. Ou tentar.

Era uma pessoa jovem e bonita, linda na verdade. E me peguei desejando tê-la mais perto, ao alcance de meus braços, enroscada em meu peito. Seu cheiro era diferente das outras guardiãs, cheirava a baunilha e brisa fresca. Não á sabão de coco e suor, meu mais novo cheiro detestável.

Sua aurea começou a clarear, o que me deu uma noção de que ela estava aceitando o que eu lhe disse. Talvez até colocando uma confiança sobre mim, me pegando desprevenido. Geralmente as pessoas não colocavam suas expectativas em mim, eu nunca terminava nada de qualquer jeito.

O silêncio no quarto e nossa proximidade eram enormes. Mas estava tudo bem, nenhum de nós queria sair daquela posição.Eu pelo menos não queria. Como uma força magnetica nossos corpos iam se puxando um para o outro, trazendo nossas bocas para mais perto. Serena ameaçou começar a dizer algo, entretanto apenas abriu e fechou a boca várias vezes, me fazendo prestar atenção á isso.

Eu não tinha certeza do que estava fazendo, me deixar aproximar assim, mas não queria parar pra pensar nisso também. Se eu estivesse usando calças provavelmente estaria suando, assim como minhas mãos começaram naquele exato momento. O fato de me lembrar que não usava nada embaixo daquela toalha de repente fez meu corpo esquentar. As coisas que eu poderia fazer com ela nesse exato momento brincavam em minha cabeça e não pude deixar de soltar um longo suspiro trêmulo.

Serena pareceu perceber e se afastou, colocando uma mecha de cabelo imaginária atrás da orelha.

—Espero mesmo que esteja falando a verdade senhor Ivashkov. Tenha uma boa noite.

E saiu.

Coloquei as mãos nos quadris e permaneci olhando para baixo enquanto recuperava a respiração.

—+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.-+.

—Você está linda! – eu disse quando encontrei Lana na porta de seu quarto. Ela vestia um vestido na altura dos joelhos, as mangas três-quartos em renda escura e com flores discretas bordadas nele. Muito elegante, sem deixar de ser sensual.

— Obrigada! – ela sorriu radiante e fechou a porta atras de si. Seguimos conversando animadamente pelos corredores até chegar ao saguão do hotel onde fomos redirecionados para nossa mesa no restaurante. Fiz tudo como manda o figurino, desde de puxar a cadeira pra ela e elogiar seu penteado.

— Seus guardiões estão por perto? – ela cochichou animada depois que pedimos.

— Na verdade não. Eu pedi para que nos deixassem á sós, mas não duvido que eles estejam camuflados naquele papel de parede caríssimo ali!- apontei com a cabeça para minha direita e ri. Ela riu também, levemente contente com minha resposta.

Naquela noite eu estava particularmente sedento. Já favia bebido duas taças de vinho tinto, o que não fazia muito efeito em mim, porém não parecia suficiente. Eu salivava e sentia calor. Lana perguntou algumas vezes se eu estava me sentindo bem, e eu apenas concordei, dizendo ser apenas um leve desconforto por onde Baruel tinha me segurado. Mas a verdade é que não era isso.

Eu estava sedento, e não era de vinho, uisque ou qualquer outra bebida que eu tivesse disponível. Era de sangue.

E no momento, o sangue dela.

Um dos "efeitos colaterais" da desordem do espirito era essa, a sede fora do normal. E como fazia muito tempo que não me alimentava ela estava ampliada. Ver a veia saltada e pulsante no pescoço exposto de Lana não estava ajudando em nada.

Ela me chamava. Eu praticamente podia sentir a textura de sua pele sob minha lingua, os meus dentes perfurando vagarosamente sua pele alva e encontrando a corrente sanguínea dela, lançando jatos quentes e saborosos de seu sangue. Mexia a cabeça afastando esses pensamentos. Não Adrian, não é hora pra isso!

— Você está bem? Está... suando?! – vi Lana enclinar-se sobre a mesa para me observar melhor. Realmente eu estava suando, mas não era o calor ambiente, por que o refrigerador estava funcionando muito bem. No entanto seu modo de se portar, revelando uma parte maior de seu pescoço estava me incitando á fazer algo que eu realmente não queria. Apesar do vestido deixar seu decote fechado, seu pescoço totalmente descoberto era um convite.

— Estou bem!- sorri largo mentindo e tomei mais um longo gole de meu vinho. Afrouxei a gravata e então nossos pratos chegaram.

—Isso tudo parece ser tão caro!- Lana riu cortando delicadamente um pedaço de seu pato ao molho madeira.

— Não se preocupe com a conta, hoje eu estou pagando!

Ela me olhou de canto sorrindo e começou a comer. Sua expressão de deleite me fascinou ainda mais. Eu não estava propriamente com fome de comida, mas comi. O suor em meu corpo aumentava a medida que a noite passava e eu já estava começando a ficar mais do que desconfortável.

Sua conversa leve e divertida fazia com que a quantidade de batimentos cardíacos aumentassem, bombeando assim mais sangue pelo corpo, a deixando mais saborosa. Ela estava feliz, se divertindo e me torturando. Uma hora de jantar e três garrafas de vinho já tinham ido, a deixando de riso solto e eu mais preocupado com meu auto controle.

Senti meu celular vibrar e quando abri a mensagem fiquei supreso.

Serena

Você está bem?

Eu

Estou, pq? Onde vc está?

Serena

Você não parece bem, seus olhos...

Parei pra pensar no que ela tinha dito. O que tinha de errado com meus olhos? Virei o celular e na parte espelhada pude vê-los. Eram negros, mais que o normal. Todo meu olhar tomado por aquilo, um desejo doentio e sedento por sangue. Arregalei os olhos olhando de mais perto. O que era aquilo? Pisquei algumas vezes e o vi desaparecer.

O que estava acontecendo comigo? Que diabos era isso? Praticamente hiperventilei voltando a olhar para cima enquanto Lana parecia alheia ao que acontecia, como sempre. Procurei pelo saguão do restaurante até achar Serena parada em um canto perto da janela. Ela me olhava preocupada e segurava com força seu celular, me lançando olhares significativos.

Eu

O que está acontecendo comigo?

Serena

Eu não sei, mas não parece bom. Me encontre no banheiro!

E saiu. Engoli em seco e tomei o ultimo gole de minha taça. Minha gravata me apertava e parecia roubar todo o ar que eu tentava absorver. Pigarreei e olhei sorrindo para Lana.

— Eu preciso ir ao toilet,com licença.

Me levanto sem esperar por sua resposta e me dirijo ao banheiro. Entro e me apoio na pia, jogando água gelada em meu rosto. O que está acontecendo comigo? Fico olhando minha imagem meramente deformada no espelho, dando atenção especial aos meu olhos. Pisco diversas vezes tentando ver se o olhar negro volta, mas nada acontece. Abaixo-me novamente e molho o rosto e pescoço. Quando levanto o olhar Serena está parada atrás de mim.

— Merda!

Me viro rápido tendo a pia como apoio.

— Você me assustou!

— O que está sentindo? – ela me olha de cima a baixo, analisando cada ponto.

— Nada.

— Tem certeza? – ela pega meu rosto entre as mãos e o vira de um lado á outro, assim como uma mãe faz para ver se seu filho está bem depois de um tombo.

— Tenho. – tento me desvencilhar dela, mas não consigo. Ela está praticamente entre minhas pernas e me analisa até que parece satisfeita. Volto a olhar para a pia, enquanto as pequenas gotas pingam de meu rosto.

— Bom, na verdade tem uma coisa...

Começo a dizer com a voz rouca e sei que ela está com aquele seu habitual olhar fuzilante sobre mim.

— O que é?

Sinto o tremor se apoderar de mim e minhas mãos suarem. Pisco algumas vezes enquanto aprecio o sabor de minha saliva que enche a boca. Não sei por que ou se realmente está, mas tenho a leve impressão de que meus olhos novamente escureceram. Meu corpo se vira lentamente pra onde ela está e eu sorrio brevemente antes de falar:

— Estou com sede!

Notas finais
E aí? Não deixem de comentar e indicar! Amo vcs! ♥