Academia de Alquimistas

10 Capítulo 10 - Memórias


Notas iniciais
Olá novamente ^u^

— Sentem-se aí – Falou Vanessa apontando um sofá, no qual nos acomodamos – Para começar, vocês devem fazer um teste de habilidade... – Ela me encarou – Mas como esse é um caso especial, acho melhor só você fazer, Bottany, e vocês dois ficarão na mesma sala que ela.

— Ué, por que? – perguntou Kevin

— Assim vamos voltar uns anos de onde teoricamente paramos! – Acrescentou Michael

— Vocês só estão nesta escola para protege-la, então faz mais sentido que estejam na mesma turma.

— Fala sério – Resmungou Michael

A diretora me trouxe um questionário com diversas perguntas, que eu não entendi nem metade, e depois me pediu para tentar fazer algumas coisas, como uns feitiços que eles falaram ser simples, porém eu não consegui nada.

— Não vamos ir a lugar nenhum assim – falei irritada – Afinal eu nunca havia tido contato com magia de verdade! Não tem outra forma de “avaliar”?

— Hum.... Podemos tentar com um medidor de poder – Começou a Moça – Dependendo da quantidade de poder que você consiga exalar, você poderá começar em uma turma normal e eu lhe ensino feitiços simples.

— E como isso vai funcionar? – Perguntou Michael

— Fácil, mas é melhor mostrar como funciona antes... Vamos tentar com os meninos ok, você primeiro– Ela apontou para Kevin.

Logo ela puxou um equipamento que parecia um termômetro gigante misturado com uma balança, e ficou na frente dele com um galho da árvore em mãos.

— Aproxime-se – disse delicadamente para Kevin, que estava evidentemente com medo – Segure o galho e concentre-se em uma memória, não qualquer uma, mas o seu primeiro foco de poder...

Kevin fechou os olhos e se concentrou, tentando lembrar, e logo em seguida houve um brilho esverdeado no galho, que iluminou toda a sala, e tudo se transformou... Estávamos na memória dele.

Era uma escola, um possível internato, e estava cheio de adolescentes com asas douradas voando para longe, eles estavam com medo. Houve uma explosão ao nosso lado, e um adolescente apareceu... Era Kevin.

Ele carregava uma garota nos braços, ela estava muito machucada, mas havia algo diferente, nenhum dos dois tinham asas, talvez ainda não tivessem acordado seus poderes? Era por isso que ela estava morrendo?

Kevin apoiou ela no chão e começou a fazer técnicas de ressuscitação, enquanto rogavas mil e uma pragas, mas de nada adiantava, ele estava desesperado, até que uma luz forte iluminou as mãos dele, um brilho alegre, iluminando a garota.

Asas brancas e brilhantes apareceram nele, e a garota tossiu, recuperando a consciência e a vida, graças à ele, que despertou seu poder e a salvou...

Então tudo voltou ao normal, estávamos novamente na sala da diretoria.

Kevin soltou o galho e cambaleou para trás, sendo segurado por Michael e eu, e colocado no sofá para descansar. O galho, por sua vez, estava repleto pelo brilho que saia das mãos de Kevin na memória, e este foi levado para a parte balança do equipamento, mostrando um número: 786

— Parabéns Kevin, apenas em sua primeira vez você liberou uma quantidade enorme de poder – Falou Vanessa – Mais do que alguns bruxos jamais conseguiram – Ela apontou Michael – Agora vamos ver você.

Dessa vez o brilho nos levou para uma casa, que estava em péssimas condições, onde parecia estar rolando uma grande confusão. O primeiro a aparecer na memória foi Kevin, o que me surpreendeu, pois ele era apenas uma criança, e foi jogado na parede por um demônio, que ria alto.

Nesse exato momento, Michael apareceu, ele aparentava ser apenas um pouco mais velho que o Kevin criança, e mais novo que o Kevin adolescente, e logo bateu no inimigo com um pedaço de ferro, dando chance para o pequeno fugir. “Não olhe para trás” falou ao mais novo, que saiu em disparada.

O demônio sorriu maliciosamente e pulou para cima de Michael, que estava com um olhar super sério. “Sua alma não tem motivos para existir” disse friamente apontando o ferro na direção do oponente.

Um brilho saiu de suas mãos e revestiu a arma, mas não era o mesmo brilho que o de Kevin, era um brilho escuro e sombrio, e logo suas asas apareceram imponentes em suas costas, asas negras como um céu noturno

A memória se esvaiu no ar como o grito de agonia do demônio, nos mostrando novamente a silenciosa sala da diretora, onde Michael ainda segurava o galho.

Michael soltou o galho e se deixou cair no sofá, exausto do esforço que fez para a concentração excessiva, enquanto Vanessa levava ao medidor aquele brilho assustador, como o brilho no olhar de um assassino.

— Surpreendente Michael, você conseguiu 842 – disse olhando o número que apareceu – Charles estava certo em escolher vocês dois, tem muito potencial, mas agora... venha Bottany, já sabe como funciona... sua vez.

Eu me aproximei no momento em que ouvi meu nome, estava nervosa e minha barriga estava gelada, algo me dizia que não iria dar certo, que eu devia fugir, que não deveria fazer isso...

Ao tocar o galho eu tentei pensar no momento no hospital, quando Charles apareceu na minha frente e libertou meu pai, além de ajudar os meninos contra o principezinho e o garçom demoníaco.

— Não está funcionando... – Falei percebendo o quão idiota eu estava

— Qual memória você escolheu? – perguntou Vanessa – Deve haver uma mais antiga, procure mais a fundo!

— Mas eu não me lembro! – retruquei, Michael e Kevin me olhavam curiosos

— Faça sua memória voltar – Falou com um tom que a fez parecer mesmo uma diretora de escola – Comece tentando lembrar coisas básicas, mas marcantes, como por exemplo... Como foi sua formatura?

— Foi uma festa simples... e muito chata. – Michael riu levemente

— Você já teve um bichinho?

— Um cachorro... Seu nome era Lion... – Sorri

— E seu primeiro amor?

— Eu... – parei por um instante, havia algo errado – Não me lembro...

Soltei o galho rapidamente, meus olhos observavam tudo, procurando alguma coisa, alguma resposta. Comecei a andar pela sala enquanto resmungava algumas coisas. Eu havia amado, eu sabia disso, mas eu não conseguia me lembra.

— Se acalme – falou Vanessa preocupada segurando meu braço – Está tudo bem, não se preocupe...

— Algo me impede – Cortei rapidamente – Eu sinto isso.

— Hum... Acho que eu posso lhe ajudar, espere aqui – falou enquanto ia do outro lado da sala.

Eu encostei na parede perto da porta, eu estava confusa e com medo, não sei do que, mas estava, e isso me irritava profundamente.

— Então foi salvando sua namoradinha que você despertou – Falou Michael para Kevin, quebrando o silêncio.

— Ah não! Não começa – Falou Kevin constrangido

— Me diz... – Comecei pensando nas memórias deles – Por que as asas dos outros anjos são douradas? Quer dizer, só a de vocês eram diferentes nas memórias... Por que?

— Oh... – Falou Kevin percebendo minha dúvida – Nossas asas são diferentes pois somos um “outro tipo de anjo”

— Anjo tem tipo agora?

— Bom, sim... A maioria dos anjos são guardiões, eles protegem almas vivas, mas não interferem na morte. – Disse Kevin

— Nós somos “Comissários da Morte”, como já dissemos antes, nós fazemos o que os outros anjos consideram não natural, nós interferimos na morte. – Contou Michael

— Meio que nós somos chamados para missões em casos especiais, mortes que não deveriam acontecer pelo método natural, ou vidas que não deveriam continuar... – Acrescentou o outro

— Mas vocês dois tem duas cores diferentes de Asas...

— Os comissários trabalham em duplas... – Começou Michael – Asas Brancas e Puras para a “Vida” – Disse olhando para Kevin – E Asas Negras e Corrompidas para a “Morte”.

— Mas nós dois temos as mesmas habilidades apesar de tudo – finalizou Kevin

A Diretora apareceu de trás de umas prateleiras, segurando em sua mão uma frutinha avermelhada estranha.

— Essa fruta tem propriedades mágicas referentes à memórias – disse a diretora se aproximando — Muito conveniente por sinal, e se eu canaliza-la, posso entrar em suas lembranças e quebrar uma dessas barreiras que lhe impede, claro, se for essa a questão – disse me fazendo segurar o galho – Com o tempo você quebrará as outras, mas agora... Eu só tenho que achar a certa.

Notas finais
Espero que estejam gostando