Academia De Fadas
27 Capítulo 27 — Reencontros
Notas iniciais
Capítulo 28 — Reencontros
— Acho melhor... a gente terminar.
Engulo a seco no momento em que termino a frase. Seus olhos me encaram sem entender aonde quero chegar com isso. Sinto uma pontada em meu coração apenas por ter pronunciado aquelas palavras. Apesar de ter pensado muito sobre isso para tomar essa decisão, a atitude dói bem mais. Espero, pelo menos, que tenha feita a coisa certa. Sem arrependimentos.
Sua expressão assustada logo foi se transformando em tristeza, como se finalmente tivesse sido processada a informação.
Não quero magoá-lo.
— Ahn... — murmurou após o longo silêncio entre nós — Posso perguntar o porquê? Fiz algo errado? — perguntou calmamente sem parar de me olhar.
Um motivo? Não, você não fez nada de errado. Sou apenas... eu.
— T-tenho alguns motivos... pessoais. Nada que você tenha feito — Gaguejo tentando me explicar.
Meu coração está acelerado com essa situação. Nunca imaginei que fosse tão constrangedor, tão abalador ver alguém triste e saber que a causa disso tudo sou eu. E eu nunca poderia falar o motivo, nunca diria que estou confusa, ainda mais citar o nome de Natsu. Eles já não se dão bem, não quero causar a próxima briga deles.
— Ah, entendo — respondo um pouco sem graça, olhando para o chão — Acho que não posso fazer muita coisa né? — riu ironicamente — Já esperava por isso depois dessa semana, você estava distante.
— Desculpe, não quero te magoar. Podemos continuar conversando, se não for problema — tento manter a calma e melhorar a situação.
Ele sorri fracamente.
— Não peça desculpas por terminar com alguém, isso fere meu orgulho — respondeu mas sem parecer realmente ofendido — Não é um problema, mas... — voltou a me olhar — Vou estar te esperando, caso mude de ideia.
Sua frase me remete a conversa que tive com Natsu.
“Você pode tentar me tirar da sua vida quantas vezes quiser, eu vou continuar no mesmo lugar, te esperando”.
Será que atraio caras persistentes? Acho isso um problema ao invés de uma virtude. Porque não quero que pensem em mim, não quero que sofram. Vivam suas vidas e me esqueçam. Acho que estou muito sentida com tudo isso.
Meus olhos começam a marejar. Não faz sentido chorar. Aceno com a cabeça apenas para afirmar que o escutei. Ele sorri e acaricia minha bochecha.
— Vou sentir sua falta... Tchau Lucy.
Ele morde o lábio e se vira para ir embora.
— Obrigada por tudo até agora, Sting — grito antes que ele se vá.
Sting se vira e pisca para mim.
— A seu dispor, Lucy — diz fazendo um sinal com os dedos.
Respirei fundo. É, acabou. Apesar dessa sensação horrível no meu peito, posso me sentir leve. No final, Sting aceitou bem e me surpreendeu. Essa conversa poderia ter sido bem pior. Dou um último sorriso vendo suas costas se afastando cada vez mais.
Ele sempre foi bom comigo, realmente não o queria ver triste, mas aposto ter sido uma surpresa para ele também. Suspiro, sentindo certo alívio por ter voltado à estaca zero.
Pego meu celular, e mando uma mensagem para Levy-chan. Preciso desabafar com alguém, e bom, ela sempre será a pessoa certa para isso. É ótimo tê-la de novo como amiga.
“Levy-chan, já chegou no trabalho? Podemos almoçar juntas? Preciso conversar com alguém. Beijos”
A resposta não demorou um minuto:
“Oi Lu! Ainda não, estou a caminho. Claro que podemos. Aconteceu algo? Não me assuste! Chega de preocupação por essa semana D:. Vamos naquele restaurante perto do trabalho? Estou indo para lá! Beijos.” — De Levy-chan.
Sorri com sua exaltação, e tomei o caminho até o restaurante.
―×―
De longe pude enxergar um ser azul pulando em frente à porta do restaurante. Cogitei em passar reto e fazê-la passar vergonha, mas acho que amizade é assim, tem que aceitar as esquisitices da outra pessoa.
— Lu-chan! — gritou além de abanar os braços e correu ao meu encontro, pulando sobre mim em um abraço desajeitado.
— Oi Levy-chan — correspondi ao seu abraço, apesar de escandaloso.
— Você está bem? O que houve? — perguntou segurando minhas mãos — Acho melhor você me contar lá dentro, porque logo entramos para o trabalho e não é bom nos atrasarmos — continuou a falar sem nem ao menos me deixar espaço.
Sua mão agarrou na minha e me arrastou para dentro do restaurante. Escolheu uma mesa mais afastada perto das janelas, praticamente me jogando em um dos bancos e sentando logo em frente. Depois ficou me olhando em pura expectativa.
— Então? Quem tenho que matar? — começou novamente o assunto.
Dou risada de seus exageros casuais.
— Ninguém. Talvez eu — respondo.
Ela arqueia as sobrancelhas, nada satisfeita com minha resposta vaga. Suspiro, vendo que uma hora teria que falar, retardar isso só nos faria perder tempo e atrasar no trabalho.
— Terminei com Sting — falo diretamente com a cabeça baixa.
Espero todas as frases mais espalhafatosas para serem ouvidas, mas nada vem. Olho novamente para ela para ter certeza de que está ali e viva, então encontro seus grandes olhos assustados me encarando. Informação sendo processada.
— O QUÊ? — gritou e depois tapou a boca com as mãos olhando para o lado — O quê? Assim do nada?
— Ei, não seja escandalosa — repreendo-a, e suspiro, pensando no que dizer exatamente — Eu... pensei muito sabe? Sei que parece besteira, mas sempre lemos romances de outro mundo. Lógico que não espero ter uma história de amor como as dos livros, mas... eu quero chegar perto — finalmente a olho para ver se está me ouvindo.
Na verdade, quando viro-me em sua direção vejo que está mais do que me ouvindo. Seus olhos estão tão fixos e esbugalhados em minha direção que sinto medo de continuar falando.
— Você é tão fofa! — ela praticamente grita aos quatros ventos, me deixando ainda mais constrangida.
— Fique quieta! — brigo novamente, inconformada.
Ela ri de meu rosto que deve estar parecendo um tomate prestes a explodir.
— Você encontrará, amiga. Talvez não uma história como a dos livros, mas com certeza, alguém que te ame como nos livros. — diz convencida de que tudo o que ela diz se realizará um dia, como uma profecia — E será ainda melhor — sorri amigavelmente — Porque não será um amor de tinta e papel.
Sua frase é tão boba, mas bate em meu coração de tal forma que começo a sorrir inconscientemente.
— Aliás... — comenta sugestivamente, olhando para os lados — Posso supor que você já encontrou?
Olho para ela, pensativa. Tenho certeza que uma de minhas sobrancelhas se arquearam para demonstrar minha confusão com sua frase. Ela balançou a cabeça tão indignada quanto eu.
— É pelo Natsu, não é? — perguntou de forma sucinta e maliciosa ao mesmo tempo.
Sinto como se um líquido quente e borbulhante fosse aos poucos tomando conta de meu rosto, meu corpo até mesmo se paralisou ao fim de sua frase e minhas mãos passaram a suar.
Gaguejo algumas palavras que não quiseram sair com perfeição, ainda abobalhada por sua teoria, logicamente, tola.
— C-Claro que não! — replico em total repúdio — Fiz por mim! E obviamente quero um tempo longe de garotos na minha vida, só causam confusão...
— Sei...
— É sério Levy-chan — digo mais confiante — Minha vida estava ótima até... — estava falando até ver cabelos vermelhos pelo lado de fora da loja — Aquela ali não é a Erza?
— Hm? — murmurou e se virou — É sim.
Ficamos olhando para ela, sentada em um banco, com os cabelos esvoaçantes e o olhar distante. Novamente aquele olhar, de quem espera algo. É agora que noto como ela está sempre sorrindo com a gente, fico imaginando se por dentro ela também sorri.
— Levy-chan... — chamo ainda olhando para a ruiva. Levy me olha, mostrando que devo continuar — Acha que a Erza já se apaixonou?
— Você não sabe da história? — perguntou com total naturalidade.
— Que história? — digo com certa indignidade.
Ela suspirou.
— Erza teve uma vida bastante turbulenta... Quando criança, ela foi sequestrada — começou a contar, e levei a mão até a boca. Como assim? Eu realmente não conheço o que há no interior das pessoas — Bom, levaram ela para um lugar com várias crianças, eles faziam elas trabalharem sabe? Parece que Erza era meio solitária, sempre encolhida e triste, até... conhecer Jellal, algo deste tipo. Não me lembro bem dos detalhes, porque não foi ela que me contou, mas segundo minha fonte confiável, ele mudou Erza.
Alguém mudar Erza? Isso é possível?
“Ele fez com que ela quisesse lutar, apresentou amigos, ela voltou a sorrir. E bom, pela lógica, se apaixonou. Então um dia, finalmente conseguiram fugir, porém cada um foi para um lado e nunca mais se encontraram. Eu realmente acredito, que quando ela está assim pensativa, está esperando por ele.”
— Nunca poderia imaginar... — falei, suspirando.
Olho novamente para Erza. A garota tão destemida já passou por coisas bens piores do que eu. Se for mesmo tudo isso que Levy contou, espero de todo coração que Erza realmente o reencontre um dia. Seria uma verdadeira história de amor, o que será que o futuro nos reserva?
―×―
Erza
O churrasco, apesar de muito divertido, foi bem cansativo. Arrumar tudo demorou um longo tempo, por sorte temos garotas eficientes na Fairy Hills. Ainda assim, hoje é um novo dia, e não posso parar no tempo. Assim que volto da escola, troco de roupa e saio para correr. Aliás, como presidente de classe devo ser um exemplo e manter a forma. O vento está ameno, a temperatura está boa, o sol fraco. Um ótimo dia para se distrair.
Enquanto corro, penso em minha vida. Hoje faz nove anos desde que consegui escapar daquele lugar imundo. O tempo passa depressa... e as memórias do que passei lá provavelmente me marcarão para o resto da vida. Lembro-me quase claramente das expressões de sofrimento de todas aquelas crianças. Trabalhávamos dias e noites, dormíamos trancados, comíamos migalhas. Meu coração se aperta toda vez que essas imagens tomam conta de minha mente, ou seja, toda hora. Foi difícil superar tudo, foi sorte reencontrar minha família, que nunca desistiu de me encontrar. Apesar de não nos encontrarmos com frequência, eles sempre me ligam, sempre se preocupam. No final, agradeço tudo isso, apenas por me tornar quem sou hoje.
Paro por um instante e sento em um banco de madeira que encontro. Levo minha garrafinha de água até a boca e deixo aquele líquido refrescante descer por minha garganta, levando com ela todos os pensamentos ruins. Não é suficiente para me fazer esquecer de tudo, mas apenas tento lembrar de todos os amigos que tenho hoje. Mesmo assim queria descobrir como todos meus antigos amigos estão e desejo com toda alma que tenham encontrado um lugar tão bom quanto eu.
Após um tempo em minhas reflexões, vejo Levy e Lucy no restaurante ali perto. Como o local é todo de vidro, é fácil identifica-las. Acho que irei lá dar um oi e desejar um ótimo dia de trabalho para ambas. Respiro fundo e me levanto. Corro até lá para não atrasá-las, porém meu grande foco nelas me fez esbarrar em alguém e cair com tudo no chão.
Ai!
— Ai, desculpe eu não te... — passei a me desculpar até me virar para frente e ver quem era. As palavras sumiram, e meu coração passou a acelerar mais rápido do que quando eu estava correndo.
Ele me olhou e teve a mesma expressão de perplexidade que a minha.
É ele, eu tenho certeza.
— J-Jellal? — gaguejo, sentindo meu corpo estremecer.
— Erza — responde ainda pasmo.
Ele ainda se lembra de mim.
Ficamos algum tempo nos encarando como se estivéssemos vendo alguma alucinação que poderia sumir a qualquer momento. Vejo um sincero e discreto sorriso se formar em seus lábios, enquanto mantenho o rosto rígido, como se alguém estivesse pregando uma peça em mim. Ele estende a mão para me ajudar, hesito por alguns minutos até aceitar.
— A quanto tempo.
―×―
Lucy
Paramos por um momento de discutir a vida alheia e fizemos nossos pedidos. Pedi um prato executivo simples com arroz, feijão, salada e um frango grelhado. Seria suficiente para me manter de pé o restante do dia. Levy pediu algo parecido. E demos graças quando vimos que os pedidos não demoraram a ficar prontos. Tagarelamos tanto que a chance de nos atrasarmos era grande, e abusar da bondade de nosso querido chefe era demais.
Começamos a comer silenciosamente, enquanto a história de Erza não deixa meus pensamentos. Olho novamente para trás de Levy, buscando o olhar distante de Erza, porém vejo que está conversando com um garoto. Meus olhos se abrem instantaneamente.
— Levy, Levy! — murmuro, batendo em seu braço e apontando para fora. Ela se vira no mesmo instante.
— Ora, ora. Erza conversando com um garoto bonitão. Olha o que ela esconde de nós — brinca com sua expressão de pura perversão.
— Quem é aquele? — pergunto, ignorando todas suas insinuações. Tenho uma leve impressão, mas pode ser coisa da minha cabeça.
— Não faço ideia, não deve ser daqui, me lembraria de alguém assim.
Olho para ela e começo a rir. Levy não tem jeito mesmo.
— Escuta Lucy... Poderia ser...
— Jellal? — Falamos em uníssono, e olhamos uma para a outra no mesmo instante.
Depois simplesmente balançamos a cabeça e começamos a rir.
— Meu Deus! Temos que parar de ler livros, estamos achando que o amor da vida das pessoas brota do chão! — Levy diz em total encenação.
Começo a rir demais. Temos sérios problemas. Não poderia ser. Mas apesar de ser impossível, continuamos olhando para aquela cena, curiosas. Erza parecia envergonhada. Se eu fosse suicida, gravaria isso para usar em tempos futuros. Levo outro garfo até a boca, e vejo eles se afastarem.
Ei, voltem. Eu quero continuar vendo! Levy pensa o mesmo que eu por sua expressão de frustração quando se vira novamente.
— Não pode ser. Temos que parar de sonhar — falei, voltando a comer normalmente.
Continuamos a criar diversas teorias do que estaria acontecendo agora entre eles, e como seria demais de fosse mesmo o amor antigo de Erza. Se comigo a vida não age tão facilmente, queria ao menos que com minhas amigas, tudo desse sempre certo. E se tem alguém que merece a felicidade, bom... eu colocaria todas minhas fichas em Erza.
―×―
Erza
Ainda não posso acreditar que eu o encontrei aqui, em Magnólia. Ou talvez ele tenha me encontrado. Não sei. Minha expressão de perplexidade não muda. Meu coração continua a acelerar. Se eu não tiver um infarto aqui, não terei nunca mais.
— Jellal... — repeti.
— Como tem passado? — perguntou, sorrindo. Lembro-me tão bem desse sorriso. Encantador, contagiante. Sinto meu rosto esquentar só por vê-lo.
— B-bem e você?
— Agora, ótimo — alargou seu sorriso — Sabia que era você. Procurei por uma garota com cabelos tão vivos quantos os seus, e não encontrei em lugar algum. Então quando me mudei para cá, eu acho que te via em alguns lugares e quando tentava te alcançar, você sumia! — riu discretamente.
Tentei rir, mas não sei se tive o resultado esperado. Ainda era tudo muito... confuso. Ele esteve me procurando? E pensar que nunca tentei. Apenas me martirizei, sem tentar correr atrás. Será que ele se lembra de tudo tão vividamente quanto eu?
— Ahn... — ele pôs a mão na cabeça, um pouco sem graça — Quer sair para comer? Ou apenas... pôr a conversa em dia?
Sair? Olho para minha roupa de corrida e sinto o suor escorrendo por todos meus poros. Por que kami-sama? Sonhei tanto com esse dia, eu não poderia tê-lo encontrado parecendo mais feminina?
— Eu entendo se não quiser — continuou a falar, olhando para baixo — Já faz muito tempo desde... tudo aquilo. Não sei o que eu estava...
— Não, não — apresso-me em ajeitar a situação — É claro que eu quero — Sorri pela primeira vez.
Então passamos a andar. Estar assim perto dele, andando pelas calçadas calmas e em um clima tão tranquilo... é como viver um sonho perdido a nove anos atrás.
―×―
Lucy
Após algum tempo, finalmente chegamos na livraria, em tempo recorde e em cima da hora. Estou arfando de nossa pequena corrida para chegar a tempo. Na verdade tentamos descobrir para onde eles foram, e como não obtivemos sucesso em nossa busca, voltamos correndo.
Atendo alguns clientes e espero tê-los deixados satisfeitos com minhas sugestões de livros. Arrumo alguns cadastros, e também a localização dos livros no sistema. Depois de trabalhar um pouco, procuro minha fiel companheira para passar o tempo mais rápido. Vejo seus cabelos azuis perdidos no último corredor e vou até lá.
— E então... Como estão as coisas com o Gajeel, Levy-chan? — aproximo-me sorrateiramente.
Ela me olha e sorri.
— Somos meio diferentes, sabe — respondeu pensativa — Estou me acostumando com seu jeito meio grosso e rígido. Só queria que ao menos ele me chamasse para sair alguma vez...
— Vocês são fofos juntos — afirmo sorrindo — Tenho certeza que logo ele toma coragem.
— Espero — suspira parecendo cansada, depois ergue seus olhos para mim.
— Você e Natsu também — alargou seu sorriso.
Quase derrubo os livros que estou segurando.
— Isso não é coisa que se diga do nada, Levy-chan! — Repreendi, após conseguir me equilibrar novamente. Ela apenas riu do meu modo estabanado de ser.
— Gosto muito da Lis — continua falando, enquanto guardo alguns livros ao seu lado — Mas torço fielmente para que vocês dois se acertem. Você nem precisa me contar o que aconteceu no churrasco para eu e o mundo repararmos que o Natsu só tem olhos para você.
Paro de fazer o que estou fazendo e a olho. Meu rosto esquenta loucamente.
— Isso é coisa da sua cabeça maluca — digo com desdém.
Ela dá de ombros e sorri para si mesma.
— Pode ser, mas ainda assim torço por isso.
Apenas ignoro, ou finjo ignorar, porque sua frase não sai da minha cabeça. Lembro-me de Sting dizendo o mesmo, e lembro de Natsu dizendo com suas próprias palavras. É difícil me convencer do contrário com tanta gente na minha cabeça. Mas nem eu defini meus sentimentos.
Jogamos mais conversa fora até dar o horário. Pego um livro para ler de noite, não quero ficar pensando em nada. Despeço-me de Levy-chan e saio. Hoje quero apenas ficar comigo mesma. Dormir, ler, talvez começar a escrever algo, quem sabe. Finalmente, chego em meu apartamento.
Assim que abro a porta, vejo que talvez minha noite não seja exatamente como eu esperava. Continuo segurando a maçaneta enquanto seus olhos negros me fitam na noite. Natsu continua sentado em minha poltrona, apenas vendo minha paralisia ao vê-lo. O que ele está fazendo aqui? Algo em seu sorriso me diz que ele já está sabendo de tudo. Algo em minha consciência diz que tenho uma melhor amiga muito tagarela. Ela não escutou a parte de “ficar um tempo sem garotos na minha vida?”.
— Oi Lucy, como está se sentindo? — pergunta após nosso tempo de reflexão. Imagino no que ele pensava tanto enquanto eu também divagava.
— Estou bem, obrigada por perguntar — respondo clara e rigidamente.
Acendo a luz e deixo minha mochila no chão ao lado da porta.
— Acho hoje um ótimo dia para conversarmos.
Sinto meus músculos enrijecerem com essa frase. Meu coração já está acelerado desde o momento que o vi. Conversar? Sobre o que ele quer conversar? Um milhão de ideias se passam em minha mente, nenhuma que faça meu coração desacelerar. Talvez devemos conversar sobre o que aconteceu? Claro que o deixei no vácuo mais vezes do que gostaria, mas já não estava tudo bem? Passou.
E não, não quero conversar sobre isso. Na verdade, não quero conversar sobre nada, quero ficar sozinha como em meus planos iniciais. Meus sentimentos estão muito bagunçados. Conversar com ele agora faria com que eu acabasse deixando escapar coisas que eu não devo deixar. Não, isso não vai dar certo.
— Sabe de uma coisa? — digo apressadamente para tirá-lo dali — Não quero conversar, tudo bem? — arrisco um olhar rápido para ele — Eu realmente não quero conversar. Estou meio cheia de conversas por hoje.
Em meu rápido olhar, reparei que ele se levantou. Esperava qualquer outra reação, mas não esta. O que ele vai fazer agora? Vejo seus passos curtos até mim e desato a falar sobre não falar.
— Só estou... — digo sentindo minha voz me abandonar — Estou realmente cansada. Talvez eu... Ahn...
Outro passo em minha direção. Minhas mãos estão suando.
— Acho que eu realmente preciso.... de uma folga.
Outro passo e ele está na minha frente. Meu coração parece sair de minha boca, enquanto seus olhos me fitam com tanta intensidade que fazem minhas pernas quererem desabar.
— Principalmente de conversas — concluo meu falatório, sem tirar meus olhos dos dele. É realmente disso que preciso. De uma folga. De conversas.
— Ótimo — Natsu respondeu. Depois levou as mãos até meu rosto, e o seguro suavemente — Não precisamos conversar.
E foi então, que ele me beijou.
Fale com o autor