Academia De Fadas

2 Capítulo 02 — Inacreditável


Notas iniciais
E ai já está o segundo capitulo! Espero os comentários! ♦Capítulo reeditado.

Capitulo 02 — Inacreditável

Não acredito. Não acredito. Não acredito.

O garoto mais cobiçado do colégio acabou de piscar para mim? Será que ainda estou sonhando e daqui a pouco o rosado maldito vai me acordar?

Bom, se a intenção dele era me provocar, vou logo dizendo que funcionou incrivelmente bem.

— Hmmm... Lu-chan têm pretendentes — Levy insinuou com um sorriso malicioso. Ela é a mestra das insinuações, já disse isso? Então estou confirmando.

— Safada! Eu o chamo de gostoso e você que ganha a piscadinha? Que injusto — Cana resmungou, fingindo um biquinho. Mas não durou muito tempo, pois logo após passou a me zoar como as outras.

— Parem com isso! — Falei, sentindo meu rosto esquentar. Tenho certeza que maquiagem nenhuma tamparia a vermelhidão que devo estar.

— Ela nem consegue disfarçar a alegria — Lisanna disse, rindo.

E sim, ela tem razão. Por mais que eu tente não transparecer minha felicidade só porque um garoto piscou para mim, não tem jeito, estou com um sorriso de orelha a orelha. É claro que todas notaram, porque começaram a me caçoar, dizendo o quão vermelha eu estava. Mas nada parecia ter importância. Podem zoar o quanto quiserem, não deixa de ser inacreditável.

Antigamente, eu não tinha contato com muitos garotos. Sempre estive em aulas particulares, meus poucos amigos eram filhos de amigos dos meus pais. E normalmente eram filhas. Não que eu achasse ruim, era ótimo ter com quem brincar de boneca. Porém, resumindo, ser tocada por um garoto é algo radical em minha vida. Com exceção de Natsu, que me cutuca, balança e irrita o tempo todo, mas todos sabem que somos amigos, e apenas isso.

O sino tocou para acabar com minha alegria, então começamos a arrumar as coisas para voltar a sala. O bom de ser andar em um grupo grande é em horas como essas. É como se fosse um formigueiro, as coisas se arrumam rapidamente. Tudo o que fiz foi ajudar Levy a dobrar o pano que levamos para nos sentar e fechar o potinho onde levo minha comida. Só para constar: meu potinho é amarelo com uma abelhinha. Sou apaixonada por coisas fofas. Só falta eu ser fofa. Meros detalhes.

Arrumamos tudo, então Levy me olhou e paralisou, fazendo uns sinais estranhos que não entendi. Assim ela apenas suspirou com a minha falta de percepção e disse:

— Acho que seu sonho de hoje cedo está se realizando — disse em tom de deboche.

— O que quer dizer...

Senti algo em meu ombro.

Lentamente fui me virando para ver quem era. Ao descobrir, a fraqueza tomou conta de meu corpo por completo. Esse sorriso novamente.

— Ei, como é seu nome? — Sting perguntou com seu rotineiro sorriso de derreter qualquer garota. Pelo menos me derretia por completo.

Como pode ser tão lindo? Esses cabelos loiros levemente suados pela partida. A camiseta colado ao seu corpo. Ele existe mesmo? Espera aí... o que foi mesmo que ele perguntou? Ai não.

Comecei a me sentir desesperada. Não estava preparada para isso. Como devo agir? Será que estou bonita? O uniforme me caiu bem? Por que meu coração está tão acelerado? Minhas mãos estão suando. Será que estou mesmo doente?

Vi Levy passando por trás dele e piscando para mim. Pude jurar que ela sussurrou “Vai fundo, Lu-chan”.

— Ahn... é... nome... — foi tudo o que consegui processar no momento. E também foi o suficiente para querer me esconder pelo resto da vida.

Um garoto está falando comigo. Não um garoto qualquer, é o garoto. E nem consegui responder uma pergunta simples como essa. Quando que terei uma oportunidade como esta novamente?

Felizmente, meu pânico foi dissipado ao ouvir sua risada.

— Você é engraçada — sorriu.

E eu me derreti. De novo.

Também fiquei vermelha, de novo. Nem sabia que era possível ter tanto fluxo de sangue em um espaço tão pequeno de tempo. Pare de pensar Lucy! Reaja! Passei a brigar com meus instintos. Preciso fazer algo, ou ao menos dizer algo com sentido para ele não me achar maluca.

— Ah, gomem ne — pedi por meus devaneios e por minha resposta mal formulada de antes — meu nome é Lucy Heartfilia, prazer em conhecê-lo! — Falei por fim, tentando sorrir, apesar de sentir que minha boca estava tremendo.

— Meu nome é Sting Eucliffe — Apresentou-se com mais um de seus sorrisos. Eu já sei, pensei. Para ser sincera, qualquer garota daquele colégio sabia o nome dele, sem nem ao menos ele precisar dizer — Nunca tinha te visto por aqui.

— E-eu sou nova, entrei este ano — murmurei sem graça. Não conseguia nem olhá-lo nos olhos. Qual é a droga do meu problema?

— Entendi — murmurou de volta. Será que estou entediando-o? — Espero que nos tornemos bons amigos! — Piscou de uma maneira que pareceu insinuar algo mais. Ou talvez fosse apenas meus desejos falando mais alto. Apenas sorri e concordei com a cabeça.

— B-bom, eu tenho que entrar para sala! — gaguejei. Eis meu lado nerd exaltando-se. Um gato desse falando comigo e eu digo que tenho aula. Claro.

Ele pareceu magoado. Pensei em reverter a situação, mas ele voltou a sorrir.

— Tudo bem, nos vemos depois? — sugeriu.

— O-ok — respondi.

Fiquei um pouco sem graça e sem saber o que fazer, então apenas sorri timidamente e sai. Algo dentro de mim repreendia-me por não voltar lá e ficar com ele o resto da manhã. Porém a outra parte dizia “Ai Meu Deus! Estou atrasada para a aula!”. Como me odeio.

Corri para a sala de aula com o coração na mão. Gostaria de pensar que era apenas porque estava chegando atrasada como sempre me sinto, mas sei que não. Essa sensação tinha um motivo diferente hoje. Um motivo loiro com sorriso sedutor. E que sorriso.

Ao aproximar-me percebi que a porta ainda estava aberta. Ufa, bem na hora. Entrei na sala e fui direto para o meu lugar, tentando não chamar atenção ou demonstrar demais minha alegria. Porém, logo fui abordada por milhares de olhares curiosos e sugestivos em minha direção. Admito que me sinto oprimida e constrangida com isso. Mas nada vai estragar minha felicidade.

Em seguida, o professor entrou na sala, impedindo que eu fosse bombardeada de perguntas sobre minha breve conversa. Aliás, pensando agora, realmente não teve nada demais. Resumo: Ele perguntou meu nome, eu gaguejei que nem idiota, ele riu, eu tentei rir, tremi que nem vara verde e me despedi dizendo que tinha que assistir aula. Na verdade, foi ridículo. Tão ridículo que estou com vergonha de contar. Meus pensamentos foram interrompidos com a porta se abrindo.

Era Natsu, chegando atrasado.

— Desculpa pelo atraso professor — pediu cabisbaixo

— Tudo bem, entre e sente-se.

Ele está estranho, com uma expressão diferente no olhar. Tentei perguntar o que havia acontecido enquanto passava por mim, mas ele simplesmente foi reto, direto para sua carteira. Isso foi ainda mais estranho. Natsu não é de se atrasar. Muito menos de ficar com essa expressão fechada. Algo deve ter acontecido. Perguntarei quando tiver chance.

As aulas foram como uma eternidade. Como as duas aulas consecutivas eram do mesmo professor, o tempo parecia ainda mais meu inimigo. Acho que deitei na carteira e cochilei entre as aulas. Desenhei estrelas, rabisquei desenhos aleatórios, então... O glorioso som de liberdade.

Mas foi uma pura ilusão, porque assim que guardei meu material fui assediada por minhas amigas, que vieram de todos os lados da sala para o inicio da inquisição.

— Lu-chan conte tudo! — Levy foi a primeira como sempre.

— Isso mesmo, o que aconteceu? — Lisanna perguntou empolgada.

— Vocês já se beijaram? — indagou Cana com seu olhar pervertido.

— Conte tudo! — Erza completou me olhando, animada.

Animada? Erza? Okay.

— Calma gente, não aconteceu nada, só conversamos... — tentei explicar. Entretanto, é claro que ninguém aceitaria uma resposta dessas.

Assim como previsto, foi inútil. Todas continuaram com o questionamento sem fim, onde todas minhas respostas eram as mesmas “Não aconteceu nada”. Vamos falar sério. Ele nem sabia meu nome, como é que poderia ter acontecido algo em menos de 5 minutos entre duas pessoas que nunca conversaram? Não sou dessas. É impossível.

Estava prestes a convencê-las sobre minhas teorias, quando Sting passou por nós e piscou para mim.

— Até amanhã gatinha.

As garotas ficaram enfeitiçadas olhando para Sting e depois todos os olhares voltaram-se para mim. Droga. Todas minhas justificativas em vão.

— E ainda diz que não aconteceu nada? — Levy perguntou me fuzilando com o olhar.

Levantei os braços, mostrando inocência.

— Me deixem em paz — pedi e comecei a sair correndo — Até amanhã gente!

Elas continuaram a se queixar, mas apenas ignorei tudo e corri em direção ao portão. Não era nada fácil escapar de um interrogatório delas. Parei e respirei fundo, enxergando cabelos rosas me esperando por ali.

— Nossa você chegou rápido hoje, Natsu — Impressionei-me ao vê-lo.

Normalmente eu saía da sala e ficava ali, esperando ele parar de enrolar e guardar seu material para irmos embora. Hoje o dia está realmente inesperado.

— Você que sempre demora demais! — Natsu replicou e começou a andar, me deixando um pouco para trás.

— Que mau humor hein? — reclamei, tentando acompanhar seus passos.

— Você que é me deixa estressado. Sua estranha.

Confesso que estava começando a ficar realmente irritada. Como alguém conseguiu estragar meu dia perfeito? Costumo ser muito paciente com tudo, mas só há um ser humano que me tirava do sério, e ele estava ali, fazendo seu papel.

— Não fique me chamando de estranha, idiota.

— Então não me chame de idiota, idiota.

— Você realmente me irrita! — exaltei-me erguendo os braços como forma de súplica.

Continuamos andando, e lógico, discutindo. O prédio que moro nem é tão longe, mas é incrível nossa capacidade de discutir o percurso inteiro. Somos melhores amigos, mas pelo amor de todos os santos, como somos diferentes. Completamente diferentes. É como se eu dissesse: “O feminino de cachorro é...”, e ele respondesse: “cabra”. Porém, como o mundo é dos justos, finalmente, cheguei em casa.

— Então te vejo amanhã esquentadinho — despedi-me sorrindo. Eu sei que é ridículo, levando me conta que estávamos prestes a nos matar no caminho, mas não consigo ficar brava com ele por muito tempo. Eis meu defeito.

— Lucy espera — Ouvi-lo dizer antes de entrar. Virei-me novamente em sua direção, estranhando seu chamado inesperado.

— O que foi agora? — Perguntei, cruzando os braços.

— Só queria te dizer pra tomar cuidado com o Sting — disse em um tom sério. Um tom de voz que nunca imaginei sair de sua boca.

— Por que você...

— Até amanhã — cortou-me e saiu andando em direção a sua casa.

Que droga foi essa?

Por que ele está tão esquisito hoje? Suspirei e tentei ignorar essas cenas recentes. O melhor a se fazer é entrar em casa e tomar um banho. Todas as sensações de hoje são merecedoras de um bom banho.

Entrei no prédio, recebi o olhar mortal da síndica, e corri para meu apartamento. Céus, como ela é assustadora. Abri a porta e aquele maravilhoso sentimento de “Lar, doce lar” me invadiu. Joguei-me na cama, atirando os sapatos para longe. Eu amo esse apartamento. Amo por ser meu cantinho. Ele é minúsculo, mas tão aconchegante e familiar. Longe da gritaria que era na mansão de meu pai. Aqui posso ser apenas Lucy. Não a herdeira da fortuna Heartfilia. Consegui meus amigos por meus próprios méritos e não por dinheiro.

Eu adoro esse lugar.

Então lembrei que eu ia tomar banho. Lembrei também que preciso de um emprego. Urgente. Tenho que pagar aluguel em dia, antes que a síndica me coma viva. Esse pensamento me fez levantar em um único pulo e corri para o banheiro. Foco de agora: Emprego.

Tomei um belo banho, e sai. Não faço ideia de como procurar. Talvez eu deva comprar um jornal para saber o que há de empregos por aí. Não sei no que gostaria de trabalhar, na verdade não estou em condições de escolher, então qualquer lugar decente está ótimo para mim. E pensando em lugar decente, avistei uma livraria logo a frente. Tem uma livraria perto de casa! Meu sonho de consumo. Nem tenho dinheiro ainda para gastar, mas já quero comprar muitos livros.

Não faz mal só olhar né?

— Com licença, alguém aqui? — Perguntei ao entrar na livraria e não encontrar ninguém.

Uau. É enorme aqui dentro. Um pouco antigo, mas com imensas e inúmeras estantes. Parece ter livros de todos os gêneros possíveis e isso é o suficiente para me apaixonar pelo lugar.

— Lu-chan? — Uma voz soou do fundo da livraria. Reconheci a dona da voz apenas pelo apelido que me dera. Só uma pessoa me chamava assim.

— Levy-chan?

Enxerguei seus cabelos azuis atrás de algumas estantes, com uma montanha de livros em mão. Ela sorri e despeja os livros em uma mesa.

— Oi amiga, o que faz por aqui? — perguntou, parecendo cansada de carregar tanto peso.

— Eu que deveria perguntar, o que faz com esse Everest de livros? — brinquei.

Ela riu, se recuperando.

— Eu trabalho aqui! — explicou com um sorriso, o que foi uma surpresa para mim.

— Sério? — indaguei sem acreditar. Não imaginaria um lugar diferente para ela trabalhar.

— Sim — respondeu animada — Daí estou sempre por dentro das novidades literárias — disse com os olhos brilhantes e até assustadores.

— Deve ser mesmo o máximo! — Entrei no clima — Queria eu ter a sorte de trabalhar aqui.

— E porque não? — perguntou e eu apenas a encarei, não compreendendo — Porque não vem trabalhar aqui? O dono estava mesmo atrás de mais uma funcionária para organizar os livros — completou com seu sorriso amigável.

Nesse instante, imaginei uma porta alada se abrindo diante de mim e me levando até o paraíso, que espero que tenha muitos livros.

— Está falando sério? — Empolguei-me só de pensar.

— Claro que estou! Seria o máximo trabalhar com você. Vou falar com o gerente!

— Por favor Levy, realmente preciso de um emprego! Desse emprego — Implorei com um leve toque de drama, fazendo-a rir.

— Tudo bem. Venha aqui amanhã, certo? — disse sorrindo.

— Com certeza, obrigada Levy-chan! — Agradeci imensamente.

Missão do dia: Completada com sucesso!

— Amigas são para isso, não é?

[...]

Após muita conversa jogada fora durante o expediente de Levy, e quando digo isso é porque eu realmente não a deixei trabalhar. Porém, para não me sentir tão culpada, asseguro que falamos integralmente sobre papos profissionais, como por exemplo, os melhores livros que já lemos. Sai animada da livraria. Até esqueci de pegar um livro, mas felizmente, poderei ler muitos se tudo ocorrer bem. Sorri com o pensamento.

Passei a observar as lojas por perto, ainda não conheço muito bem a região, então tudo é muito novo para mim. Andei, andei, padarias, sapatarias, docerias, ui, roupas. Fui andando de lado para não perder nada daquela vitrine, quando trombei em alguém.

— Você realmente não resiste a mim, não é? — Disse a voz de quem atropelei.

Quem será o convencido? Pensei, enquanto passava a mão na região da cabeça que bati. Olhei para frente e dei de cara com aqueles olhos azuis. Meu corpo logo entrou em choque.

— S-sting?

Notas finais
Me digam se continuo ou não, se está muito ruim, o que dá pra melhorar, onegai! Reviews? :3