Academia De Fadas
3 Capítulo 03 — Richa
Notas iniciais
Capitulo 03 — Richa
—S-sting? — perguntei surpresa.
Por que justo ele? Eu nem me arrumei e devo ter parecido super desastrada ao tombar com ele desta forma. Eu já tenho consciência de ser um desastre ambulante, mas ele não precisa ter.
— E aí, vai fazer algo agora? — Sting sorriu de maneira convidativa.
E tudo em minha mente era: Mesmo que eu tivesse uma viagem programada de anos para o lugar dos meus sonhos, neste exato momento, ela seria cancelada.
— N-não — respondi sem jeito.
Ele passou a mão pelos cabelos loiros e olhou para baixo parecendo tímido. Como pode ser tão lindo?
— Quer andar pelo parque? Talvez tomar um sorvete? — convidou-me.
Com meu coração a mil por hora, tudo o que consegui foi concordar com a cabeça, que por acaso saltitava de alegria. Tomar sorvete com um garoto. Ou melhor, tomar sorvete com Sting. Aquele do sorriso sedutor. E foi ele quem me convidou. Ele quer minha companhia. Inacreditável.
Fomos caminhando até o parque. Reparei como o céu estava lindo. As árvores folheadas com um verde esplendido. Tudo perfeito.
Menos meu nervosismo.
Nossas conversas sofriam pausas de minutos em minutos. Não sei o que acontece. Não consigo me soltar. Aliás, me conheço. Logo ele veria como não sou nada engraçada e meiga, e desistiria. Então tentarei ser o melhor que sou. Mas nessas tentativas, só gaguejei e atropelei palavras em resposta. Sou um desastre.
— Porque você fala assim comigo? — Perguntou-me, olhando para mim.
Gelei.
— A-assim como? — tentei disfarçar, porque sabia exatamente o “como”. Por acaso eu acabei de fazê-lo novamente.
— Desse jeito, tem medo de mim? — aproximou-se, tendo seu rosto a pouco centímetros do meu.
— A-a-ah, n-não, n-n-nada — Sou ridícula! Ai como me odeio! Mas o que? Ele está tão perto e eu... o que é isso? Meu coração vai sair.
Sting começou a rir e se afastou.
— Você é realmente fofa.
Não sabia como reagir, então apenas sorri sem graça. Fofa? Ele me acha fofa? Tudo o que fiz até agora é parecer gaga. É claro que ele deve ter conversas muito mais interessantes com outras garotas. Devo entediá-lo demais.
Para me salvar, finalmente avistamos o parque. Impressionei-me com sua beleza. Há flores de todas as cores e um lago central que brilha com o reflexo do sol, que por sinal está radiante. Olhamos um para o outro antes de entrar e sorrimos. Então me senti melhor. Andamos um pouco pelo lugar, onde havia várias estradas para caminhadas, até no sentarmos em um dos bancos perto do lago. Aqui é o lugar mais perfeito de todos, é como meu sonho.
Mas logo minha insegurança voltou, deixando-me paralisada diante a situação. Neste momento eu estava com o garoto mais cobiçado de Magnólia. Sentada em um banco. Em um lugar como esse. Sentada ao lado dele. Tão perto que sentia nossos ombros se esbarrarem, deixando-me ainda mais estática.
— Sabia que você é muito linda? — Sting olhou para mim, sorrindo. Seu rosto tão próximo do meu quanto já imaginei chegar um dia.
— O-obrigada — agradeci, sentindo meu rosto intensamente corado. De maneira alguma conseguia encarar seus olhos, tão pertos do meu.
— Ainda falando desse jeito comigo? — questionou com um tom de bronca.
— D-desculpe — pedi, sentindo o desespero tomar conta de mim.
— Talvez eu deva curar isso em você...
Tudo pareceu ficar em câmera lenta. Nem senti o momento em que minha cabeça encontrava-se entre suas mãos, e meu olhar fixo em seu olhar. Sua cabeça encostou na minha de maneira delicada. Minhas mãos suavam, e meu coração acelerava. Não acredito que isso vai acontecer. Comigo.
Seus lábios aproximavam-se dos meus, e eu não recuei. Não conseguiria mesmo que quisesse, porque meu corpo está completamente derretido em suas mãos. Olhei para ele e depois para seus lábios. Fechei os olhos.
— Lucy? — Uma voz soou atrás de nós.
Abri novamente os olhos com o susto e virei para ver quem era. Meu rosto entrou em erupção ao perceber quem havia presenciado aquela cena. Por presenciar o que quase aconteceu.
— Natsu? — perguntei sem fôlego.
— O que você tá querendo aqui perdedor? — Sting provocou em tom sarcástico e claramente irritado. Levantou-se do banco e eu levantei junto.
Fiquei surpresa com a familiaridade. E também com o ódio compartilhado entre os olhares que eles trocavam. É como se eu estivesse no meio de uma guerra bem maior do que imaginava.
— Não é da sua conta, príncipe de merda! — Natsu replicou, também mostrando sua irritação.
— Espera ai, vocês se conhecem? — Questionei, não aguentando mais. Quase podia enxergar uma áurea pesada no ambiente.
— Esse rosinha não aguenta perder, só isso — Sting debochou.
Não estou entendendo nada.
— Como é que é maldito? — Natsu encarou Sting com um olhar de raiva. Devo dizer que nunca o vi assim nesse tempo todo. Natsu é tão... Calmo.
— Ok, acalmem-se — Tentei tranquiliza-los, separando-os com as mãos — O que vocês pensam que estão fazendo?
— Lucy, vamos embora — Natsu disse com uma voz firme e séria.
— Hã? — Assustei-me com seu tom grosso, e eu não gostei nadinha — Quem você pensa que é para mandar em mim assim? — Retruquei inconformada.
— É verdade, ela fica — Sting concordou e logo passou seus braços pela minha cintura, fazendo com que eu ficasse mais ao seu lado. Ao seu lado até demais.
— Ela vai vir comigo — Natsu voltou a replicar, segurando em meu pulso.
— AAAH! — gritei frustrada — Não me usem como motivo da briguinha de vocês — Argumentei irritada, soltando-me bruscamente das mãos dos dois.
Simplesmente com alguma força sobrenatural, apenas os encarei brava e sai dali pisando firme. Fala sério. Que bando de crianças. Está claro que eles não se suportam, mas o que eu tenho a ver com tudo aquilo? Ficar me puxando de um lado para o outro como se eu fosse de borracha. Não tenho que aturar isso. Continuei andando até chegar em casa, sentindo a adrenalina por meu corpo. Odeio esse tipo de ceninha.
...
O QUE DIABOS EU ACABEI DE FAZER?
Como eu reagi daquela forma na frente do Sting? O que ele vai pensar de mim agora? Senti o peso de um piano cair sobre minha consciência. Joguei-me na cama, angustiada. Eu fui tão rude! Ele nunca mais vai querer olhar para minha cara. Como eu faço uma coisa dessas? Bati em minha própria testa e gritei sobre o travesseiro.
Burra. Burra. Burra.
Pensei enquanto me rebatia na cama. Suspirei inconformada comigo mesma. Pelo menos agora entendia o porquê de Natsu ter dito “tome cuidado com o Sting”. Ele o odeia! É claro que diria algo deste tipo! Mas como eu disse, não tenho nada a ver com a briga deles, certo? E o Sting é super fofo comigo. Eu que fui ridícula com ele. Ele me chama para tomar sorvete e caminhar no parque e eu faço isso!
Respirei fundo novamente. O jeito é descansar e ver o que me aguarda amanhã...
—x—
Abri os olhos lentamente. Levantei ao meu modo zumbi matinal e espreguicei o corpo. Já é de manhã? Perguntei-me sonolentamente. Olhei pela janela ao lado da cama e confirmei minhas dúvidas. Outro dia começara. E para minha surpresa após meses, eu acordei sozinha. Enrolei um pouco na cama, tentando dizer adeus ao sono. Então percebi que ele nunca iria embora. Levantei relutante e fui ao banheiro na minha incrível velocidade de quase 1m/h.
Fiz minha higiene pessoal e passei a arrumar meu cabelo. Tenho motivos maiores para ir bem arrumada. Como acordei sozinha e antes do tempo, posso me arrumar com mais calma e detalhes. Tomei uma ducha, escovei os dentes, sequei o cabelo, passei uma maquiagem básica, coloquei o uniforme que havia separado ontem e sai.
Fui diretamente de encontro ao meu material na mesinha, onde fiz as tarefas ontem. Por acaso, larguei tudo bagunçado e dormi. Juntei tudo na minha bolsa e virei-me.
— Ohayo Lucy!
Soltei um grito mais escandaloso que o normal, colocando minhas mãos a frente do corpo de maneira defensiva. Então... Cabelos rosas.
— NATSU NÃO INVADA A MINHA CASA! — gritei ainda com o coração na mão.
— Você já não deveria estar se acostumando? — perguntou, encostado a porta.
— Quem que se acostuma a ter sua casa invadida toda manhã?
Natsu ficou em silêncio como se realmente estivesse pensando na possibilidade dessa alternativa. Suspirei.
— Ah, deixa pra lá. Vamos logo — Dei-me por vencida. Não tem como lutar com a falta de perspicácia dele. Aliás, por que entrar em uma luta que nunca vencerei?
Saímos do apartamento e pegamos a longa estrada até a escola. Que por acaso, pareceu realmente longa com o desconfortável silêncio que pairou entre nós. Ficou algo estranho e vazio, tendo em mente os acontecimentos de ontem. Para ser sincera, eu apenas não entendi droga nenhuma do que estava acontecendo.
— Lucy — Natsu chamou-me, olhando para o chão. Chamando a minha atenção de volta ao planeta Terra.
— Pois não? — respondi de maneira casual, para não transparecer o quanto fiquei nervosa por ele finalmente ter aberto a boca.
— Desculpa por ontem — pediu um pouco sem graça — acho que me exaltei um pouco — olhou-me e deixou um leve sorriso aparecer.
Pensei em fazer um longo drama com a finalidade de ganhar algo em troca se eu o desculpasse. Mas realmente não sirvo para essas coisas.
— Tudo bem — falei num suspiro — Mas porque toda aquela intriga? — Não deixei que minha curiosidade ficasse por fora.
— Só... não gosto daquele cara — respondeu de maneira vazia e sem me olhar. Ele estava claramente dizendo “Não quero falar sobre isso”, sem ter que abrir a boca.
— Tá bom então — falei sem querer contrariar sua vontade — Só não me envolva nas suas brigas, certo? — olhei para ele, esperando que isso acalmasse as coisas entre nós.
— Mas... — Natsu tentou negar.
— Sem mas... — interrompi, erguendo o dedo indicador — Eu já te desculpei, então respeite minhas escolhas — completei, querendo por um fim nessa história estranha.
— Tá, tá — Concordou mau humorado. Apenas sorri em resposta.
Sem nem me dar conta, estávamos no colégio. Avistei Levy e Lisanna de longe ao lado do portão. Olhei para Natsu, ele já sabia o que eu queria dizer, então apenas acenamos e fomos cada um para o seu lado.
Sorri para minhas amigas e corri em suas direções.
— Ohayoo Lu-chan — Levy disse com seu sorriso acolhedor de sempre. Já falei como eu adoro essa azulada?
— Ohayoo Lucy! — Lisanna também cumprimentou sorrindo.
Era raro vê-la por ali, me esperando. Normalmente, ela entra na sala, rapidinho, para esperar por Natsu. Pois é, e eu disse que a Juvia era obcecada. Mas como eu disse, ela é um amor. Deve ser triste voltar ainda gostando da mesma pessoa e nem conversar direito com ela.
— Ohayoo — retribui sorrindo também — Como vocês estão?
— Muito bem — Disseram as duas juntas.
— Que incrível Lu-chan, você chegou no horário! — Levy brincou num tom sarcástico.
— Ei, não seja cruel Levy-chan! — entrei em sua brincadeira.
Começamos a rir juntas e fomos andando até a sala. Os corredores como sempre tumultuados de alunos a caminho de suas primeiras aulas. Encontramos nossa sala e entramos. Fui diretamente para meu lugar, e todas as garotas vieram junto pelo jeito. Em poucos segundos, minha carteira estava cercada de garotas.
— Lucy, hoje você não escapa, conte o que aconteceu ontem! — Cana apareceu com suas perguntas para cima de mim. Pensei que alguém fosse me salvar, mas todas apenas direcionaram seus olhares para mim, esperando uma resposta.
— É sério que me cercaram por isso? — Repliquei, morrendo de vergonha.
— Qual é Lucy, todas vimos o Sting caidinho por você!
Assim continuaram com milhares de teorias, risadinhas insinuantes e perguntas indecentes. Comecei a me sentir cada vez menos a vontade. Nunca estive acostumada a falar sobre assuntos amorosos. Na verdade, nunca tive um assunto amoroso para compartilhar. E nem com quem compartilhar.
— Nada aconteceu, tá bom? Só conversamos — comecei a contar e todas continuaram me olhando — Mas... — falei com suspense e vi os olhos alheios brilhando — Quando sai de casa, acabei esbarrando nele, e ele me chamou para tomar sorvete no parque — terminei de contar com um tom sonhador.
Ok, talvez seja divertido compartilhar esse tipo de coisa.
— COMO É QUE É? — Levy empolgou-se — E você só fala agora? Continua, continua!
— Vocês se abraçaram? Se beijaram? Qual a sensação? — Erza perguntou animada. E isso é realmente estranho.
— Bom, a gente sentou em um banco, começamos a conversar, mas daí algo estranho aconteceu, porque quando ele estava se aproximando de mim, o... — Estava para falar sobre o desastre de ontem, quando meus olhos pousaram sobre Lisanna, e tive medo que ela acabasse entendendo errado — o... celular dele tocou, e daí fomos embora.
Menti, ocultando a parte em que Natsu apareceu e agiu de forma inesperada.
— Hã? Isso não ficou meio estranho? — Cana questionou, parecendo não entender nada.
— Não tá faltando nada aí no meio Lu-chan? — Levy perguntou com um ar de dúvida
— Realmente, não parece ter se encaixado — Lisanna disse, tentando processar aquilo.
Porém, sendo salva pelo gongo, mais especificamente, pelo professor Gildarts, todas tiveram que voltar para suas carteiras sem minhas respostas. Respostas mentirosas, diga-se de passagem.
— Certo pessoal, vão para seus lugares, pirralhos!
Gildarts. Não tem como não adorá-lo. A aula dele é como se estivéssemos em casa. Ele é dinâmico, engraçado e como um pai para nós. Bom, para Cana, é realmente um pai. Mas enfim, as aulas dele são maravilhosas. E por ser alguém que todos respeitam, logo todos estavam em seus devidos lugares.
— Tenho uma boa notícia a dar para vocês, então fiquem em silêncio! — Disse com um sorriso de orelha a orelha, enquanto apoiava-se na mesa.
— Conta logo Gildarts! — Natsu se pronunciou. Ele o chama pelo nome desde que sei, parece que eles são bem próximos. Acabaram criando uma boa amizade, mesmo sendo Professor e aluno. Acho isso muito legal.
— Como vocês sabem, a escola tenta sempre fazer alguns eventos com os alunos! — Continuou, falando de uma maneira que deixavam todos ainda mais ansiosos.
Todos estavam estáticos, esperando a especificação do evento. Essa escola é realmente estranha, fazem eventos para tudo e a todo momento. É claro que não estou reclamando, apenas avaliando.
— Com isso... — fez uma pausa para criar ainda mais expectativas — anuncio a vocês que vamos para um acampamento depois de amanhã!
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