Abstinence
23 Capítulo 23
Notas iniciais
Regina segurou minha mão e seus olhos marejaram quando viu o Sr. Henry entrar primeiro.
— Quer mesmo que eu fique? — Olhei para ela e beijei sua testa.
— Sim, por favor... — Sussurrou e eu apenas assenti com a cabeça.
— Filha? — As lágrimas começaram a escorrer de seus olhos.
— Papai.... — Regina sorriu e as lágrimas escorriam também.
O homem se aproximou da maca e pegou a mão livre da filha.
— Me desculpa, meu amor.... Eu sempre quis ser o melhor pai, um exemplo para você e hoje consigo ver que fiz tudo da maneira errada. Tentei impedir sua felicidade, tentei mudar o seu jeito de ser..... Tentei mudar a minha bebê e eu nunca vou me perdoar por isso. — Sussurrou. — Eu nunca mais quero ter a sensação de perder você, Regina... — Os dois choravam muito e inevitavelmente eu também.
— Você não me perdeu, papai... — Regina respirou fundo. — Eu estou aqui e jamais vou abandonar vocês. — Sorriu em meio as lagrimas. — Todo mundo erra um dia, e todos merecem uma segunda chance.... Eu errei também, quase acabei com a minha vida. Menti para vocês e para a mulher da minha vida.... — Olhou para mim e sorriu. — Mas hoje, quero fazer diferente. Quero sair daqui e me tratar, ajudar a quem se perdeu igual a mim e cuidar de vocês.... De quem eu realmente amo.
" Perdão e Desculpa são duas palavras tão banais no uso, que nem desconfiamos da diferença entre elas. Em um certo sentido, Perdão e Desculpa são palavras quase opostas. O Perdão nos diz "ok, você fez isso, mas eu aceito seu pedido de perdão; não jogarei isso na sua cara e seremos do mesmo jeito que éramos antes". Já a Desculpa, fala "eu percebo que você não podia evitar, sei que realmente você não queria fazer isso; você não é culpado". Assim, um ato falho sem culpa precisa de desculpa, e não de perdão. Da mesma forma, boas desculpas não precisam de perdão — já que o perdão exige culpa — e se você quer ser perdoado, não há desculpas para o que fez — pois pedir perdão é assumir a culpa. "
— Eu amo você.... — O homem sorriu ainda com lágrimas nos olhos. — Prometo que vou tentar ser uma pessoa melhor. — Beijou a testa da filha.
— Todos nós vamos... — Regina sorriu.
— Emma, obrigada por tudo. — Meu sogro sorriu para mim. — E lhe peço desculpas se em algum momento lhe faltei com respeito. — Corou. — Durante esse tempo você provou o quanto ama a minha garota e provou que realmente pode cuidar dela... — Limpou as lágrimas. — Não sei se a minha esposa te falou, mas eu fui conversar com o reitor e entreguei um atestado em seu nome falando que você estava com a Regina.... Eu sei o quanto isso te afetou, só quis te ajudar. — Respirou fundo e minha morena sorria largamente olhando para nós dois.
— Cora não comentou nada... — Olhei surpresa. — Obrigada, Sr. Henry.... — Sorri. — Eu senti a perda do mesmo jeito que vocês. A Regina é a única coisa que eu tenho de importante na vida... E sempre vou cuidar dela. — Olhei para Regina e sorri docemente.
— Eu te amo! — Ela sussurrou e beijou minha mão enquanto o homem nos admirava.
— Vou sair para sua mãe entrar, mas logo estarei de volta... — Sorriu e acariciou o cabelo da morena.
— Vou sentir saudades... — Ela disse sorrindo. — Não demora.
— Fica tranquila, não vou demorar. — Sorriu e saiu do quarto.
Regina sorriu lindamente e ficou me olhando, daria tudo para saber o que se passava na cabeça dela durante aqueles minutos.
— Com licença... — Cora entrou no quarto já com os olhos inchados pelo choro.
— Cora... — Sorri e assenti com a cabeça.
Minha sogra se aproximou da Regina e sorriu, foi uma coisa um pouco inesperada... Mas, ela sentou na ponta da maca e sorriu.
— Regina, eu falhei como mãe. Meu papel seria ter lutado com você, seria ter te apoiado e cuidado da maneira mais delicada possível... Mas, não foi isso que eu fiz e lhe peço desculpas. — Olhou para o teto e respirou fundo.
— Mãe, eu sei que a senhora tentou.... Não é sua culpa, você foi criada daquela maneira. — Sussurrou enquanto algumas lagrimas saíram.
— A Emma me fez enxergar que a vida novamente, eu percebi que estava fechada no meu mundo e com as filosofias ridículas que me ensinaram... E hoje mais do que nunca eu quero ser uma mãe para você. A mãe que eu nunca consegui ser.... — Sussurrou olhando nos olhos da minha morena.
— Eu quero que tente... — Regina sorriu. — Não foi fácil aguentar tudo aquilo e não será fácil esquecermos tudo o que falamos e fizemos. Mas, vamos tentar....
— Eu quero tentar, Regina... — Cora sorriu enquanto acariciava o rosto da filha. — Por mim, por você, pelo seu pai... E pela Emma. — Olhou para mim e sorriu.
— Nós vamos conseguir, Cora. — Sorri. — Eu vou estar o tempo todo com vocês e prometo que vou cuidar de cada um... — Sussurrei e Regina beijou minha mão.
— E nós vamos cuidar de você.... — Minha sogra sorriu.
— Eu estou sonhando? — Regina brincou enquanto algumas lagrimas escorriam.
— Não, meu amor.... Estamos unidos por você! — Sussurrei e beijei lentamente sua testa.
" Aprendi a pedir perdão mesmo sabendo que poderia ser tarde demais, sem medo de perder, há certas coisas na vida que perdemos antes mesmo de ter ganhado. Aprendi que a vida realmente é uma escola e não importa em que série você esteja, sempre haverá uma nova lição. Aprendi a ser honesto comigo e consequentemente com as pessoas ao meu redor, pois quem está do lado de fora muitas vezes só vê aquilo que você "faz" e nem sempre aquilo que você "sente". "
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