Abstinence
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Cora se aproximou da maca e lágrimas escorriam dos seus olhos.
— Não, Emma... Ela não acordou. – Balançou a cabeça negativamente.
— Como não? Ela apertou minha mão duas vezes!! – Gritei e apertei o botão chamando a equipe médica.
— Emma... – Cora se aproximou de mim. – Vai para sua casa, tome um banho e coma alguma coisa.... Você não está bem.
— Ela apertou a minha mão! – Repeti e as lágrimas voltaram a sair.
— Algum problema? – O médico entrou no quarto às pressas.
— Ela acordou. – Olhei para ele intensamente.
— Se acalmem, preciso verificar se houve alguma mudança. – Ele se aproximou.
A verdadeira esperança é uma qualidade, uma determinação heróica da alma. E a mais elevada forma de esperança é o desespero superado.
— Teve uma mudança no quadro dela sim. – Ele sorriu aliviado. – Ela reagiu a um estimulo.... Pode acordar a qualquer momento. – O médico veio em minha direção e me abraçou. – Deu certo, Emma... Sua persistência deu certo. – Sorriu com os olhos marejados.
Eu estava em choque, não sabia como reagir. Regina voltaria para mim a qualquer momento...
— Obrigada, doutor. – As lágrimas escorriam insistentemente.
O doutor Arthur saiu e nos deixou a sós com a minha morena, em um primeiro instante nada foi dito. Cora estava no mesmo estado que eu estava, nenhuma palavra coerente se formava para sair de nossas bocas.
— Eu ouvi tudo... – Ela confessou.
— Eu não sei o porquê que eu disse tudo aquilo. – Sentei novamente na ponta da maca. – Simplesmente saiu...
— Isso se chama fé, Emma. – Cora se aproximou e colocou uma das mãos em meu ombro. – E quero lhe pedir desculpas.... Eu julguei você sem ao menos saber da sua história, deixei meu preconceito falar mais alto.
— Está tudo bem, Cora... – Sorri e levante para ficarmos de frente uma para a outra. – Você foi criada dessa maneira, sua mente foi fechada a vida toda... Mas eu só te peço uma coisa, quando a Regina acordar tenha atitudes melhores. Ela não merece sofrer mais nas suas mãos.... Ela vai precisar de todos nós. – Limpei as lagrimas que escorriam dos meus olhos e decidi ir para casa tomar um banho. Estava na hora de me recompor, de limpar toda a bagunça que eu fiz durante esses dias e estar preparada quando Regina acordar.
— Obrigada. – Cora sorriu. – Obrigada por estar ao lado dela quando eu não pude, ou melhor.... Quando eu não quis. – Olhou para baixo. – Não sabe a vergonha que estou sentindo neste momento. – Comentou.
— Não precisa sentir vergonha, todos nós erramos. Eu errei em julgar o seu jeito de criar a Regina. Ela errou em se jogar nesse mundo para esquecer da vida, você errou ao deixar seu preconceito interferir na felicidade dela e o Henry errou quando deixou você tomar conta das questões familiares e deixar todo mundo infeliz. – Balancei a cabeça negativamente. – Todos nós erramos. – Repeti.
Se não nos perdoamos por nossos erros, e aos outros pelos sofrimentos que nos infligiram, terminamos debilitados pela culpa. A alma não consegue crescer sob um cobertor de culpa, porque a culpa é isoladora, enquanto o crescimento é um processo gradual de reconexão com nós mesmos, com outras pessoas, e com um todo maior.
Por mais que eu estivesse sobre o efeito da maconha, eu tinha noção do que estava acontecendo. Eu sabia tudo o que eu estava falando para a mãe da minha namorada, mas acima de tudo.... Eu tinha certeza que aquilo não era uma alucinação.
Regina poderia acordar e eu tive que me perder para me encontrar.... Confuso, né? Eu sei. Mas foi o que realmente aconteceu.... Eu me perdi, mas me encontrei e quando eu menos esperei o milagre aconteceu.
— Vai para casa descansar um pouco, eu te ligo caso aconteça alguma mudança. – A mulher mais velha disse enquanto acariciava meu rosto. Eu mudança repentina, né?
— Eu só vou tomar um anho rápido e volto. – Sorri. – Até logo, Cora. – Me aproximei da maca novamente e beijei levemente os lábios de Regina. – Eu já volto, meu amor. – Sussurrei.
Sai do quarto rapidamente e encontrei uma Lily desesperada na sala de espera.
— O que aconteceu? Porque demorou? Porque está sorrindo? – Perguntou levantando rapidamente.
— Houve mudanças, ela pode acordar a qualquer momento. – Sorri e as lágrimas voltaram a escorrer.
Lily me abraçou e sorria muito, sabia que se Regina acordasse eu estaria a salvo.
— Liga para os amigos dela. – Disse sorrindo e me entregando minha bolsa.
Fomos indo para o carro enquanto eu ligava para Killian primeiro.
— Emma? O que aconteceu? Você sumiu naquela hora e só está dando notícias agora. Enlouqueceu? — Insistiu em brigar comigo.
— Eu estava no hospital!— Revirei os olhos.- Preciso que pegue a Ruby e me encontre na minha casa em quarenta minutos.
— Aconteceu alguma coisa?— Perguntou preocupado.
— Só me encontra em casa, por favor...— Encerrei a ligação.
— Porque você deixou o menino preocupado? – Lily bateu levemente em meu braço. – Eu mataria você. – Revirou os olhos.
Fomos para a minha casa, eu já cheguei tirando a roupa para ir tomar banho, Lily foi arrumando a bagunça que estava na cozinha e na sala. Preparou algo rápido para comermos e logo Killian e Ruby chegaram. Tadinhos, eles estavam desesperados.
— Emma, abre logo essa porta! – Ruby gritava na frente de casa.
— Calma! – Revirei os olhos e abri a porta.
Eles estraram rapidamente e se jogaram no meu sofá, como se a casa fosse de um deles e eu não consegui segurar a risada.
— Você não sorri assim desde quando Regina foi para o hospital. – Killian arqueou a sobrancelha. – Ela acordou? – Abriu um sorriso enorme.
— Ainda não. – Abaixei a cabeça. – Mas tivemos mudanças no quadro de saúde dela. – Sorri. – Ela apertou minha mão... – Uma lagrima escorreu. – Duas vezes. – Respirei fundo.
— Sério? – Ruby arregalou os olhos e os mesmos estavam marejados.
— Sim, Cora achou que eu estava ficando louca... Mas aí eu chamei o médico e ele confirmou que houve gradativamente uma melhora e que ela pode acordar a qualquer momento. – Eu nem consegui terminar de falar. Os dois correram em minha direção e me abraçaram. – Lagrimas escorriam de nossos olhos.
— Ela reagiu, Emma! Reagiu por você. – Killian sorriu.
— Ela reagiu por nós... — Sussurrei e apertei meus dois alunos em meus braços.
Fale com o autor