Abstinence

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Boa leitura!!!!!!! ♥

Fomos para o hospital conversando calmamente sobre o que faríamos caso ela acordasse e a melhor conclusão foi que ela ficasse com a família, afinal... Era a família dela, né? Mas não vou sair do lado dela um minuto sequer. Cora terá que me aguentar indo todos os dias em sua casa.

— Emma, qualquer coisa nos avise. – Ruby disse se jogando em uma das cadeiras da sala de espera, ela e Killian só poderiam entrar no horário de visitas.

— Pode deixar, se acontecer alguma coisa eu saio gritando pelos corredores... – Brinquei e sorri para meu aluno que estava impaciente.

— Vou ver se ele deixa a gente entrar antes. – Killian disse quando viu o médico passar.

— Ei, não adianta... Só eu posso e a Cora que é a mãe. – Balancei a cabeça negativamente. – Fica tranquilo, qualquer coisa eu grito. – Sorri e o abracei.

Fui em direção ao quarto em que Regina estava e meu coração disparou, senti uma coisa estranha... como se fosse um sinal de algo muito bom aconteceria em breve. Bati na porta e Cora abriu, as olheiras eram visíveis por ela ter ficado sem dormir e tudo mais.

— Pode ir para casa, eu aviso se algo mudar.... Vai descansar e colocar a cabeça no lugar. – Sorri enquanto segurava uma das mãos de minha sogra.

— Desde o momento em que você saiu pela aquela porta eu comecei a pensar em todos os erros que eu cometi com ela, todas as vezes que eu a obriguei fazer coisas que não queria, todas as vezes que fui preconceituosa ao ponto de xingar a minha própria filha e isso está doendo tanto... – Cora olhou para o chão e uma lágrima escorreu.

— Não adianta ficar só pensando, Cora. Agora é a hora de consertar tudo isso... – Acariciei sua mão com o dedão. – Quando ela acordar vocês vão ter que conversar sobre tudo que aconteceu e não vai ser uma conversa nada fácil... São anos de desentendimento que terão que ser resgatados. – Sorri e automaticamente ela me olhou.

— Você fala como uma psicóloga... – Sorriu fraco e enxugou as lágrimas.

— Eu sou formada em psicologia. – Respirei fundo. – E outra coisa que precisamos conversar, quando ela sair daqui vai relutar muito para não ficar na casa de vocês....

— Nós somos os pais... – Ela falou séria.

— Sim, não vou tirar o direito de vocês. Ela vai para a sua casa, conversarei com ela e tudo mais.... Porém quero vê-la todos os dias.

— Emma, você será extremamente bem-vinda na minha casa.... Se quiser, posso mandar colocar outra ama no quarto dela enquanto precisar, aí você pode ficar em casa também. – A mais velha sorriu sincera. – Não quero distanciar vocês.

— Obrigada. – Sussurrei.

— Eu vou para casa descansar... – Ela disse se aproximando da maca aonde Regina estava. – Mas, daqui a pouco eu volto. – Deu um beijo na testa da filha. – Será que ela pode nos escutar? – Perguntou olhando para mim e com os olhos marejados.

— Eu acredito que sim, converso com ela o tempo todo... – Uma lágrima escorreu dos meus olhos. – Eu sinto que ela entende... – Cora apenas assentiu com a cabeça, me deu um beijo na testa também e saiu nos deixando a sós.

Espero alguns minutos e vou me aproximando da maca, como sempre faço e sento na pontinha, bem ao lado de Regina.

— Meu amor, Ruby e Killian estão lá fora esperando para ver você.... As coisas aqui estão se descomplicando. Eu e sua mãe estamos nos dando bem, ela está realmente arrependida de tudo o que fez com você e com o seu pai. Acorda, meu amor.... Eu preciso de você. Vamos, Regina... O mundo está esperando por você! Volta para mim! – Algumas lágrimas voltam a escorrer pelos meus olhos.

Em meu silêncio vou me encontrando
e reencontrando a cada dia partes
que perdi em mim.
Agora vou me refazendo e aprendendo a
dar valor a quem valorizou minha essência.
Vou deixar para traz tudo o que me causou
tristeza e me refazer na certeza que minha
quietude falou por mim.

Coloquei minha bolsa no sofá e fui no banheiro lavar meu rosto que já estava inchado devido ao choro e as dezenas de noites sem dormir. Dei rapidamente um beijo em seus lábios e me sentei ao lado da maca, novamente aquela onda de esperança passou por mim e fiquei olhando a imagem de Deus que tinha em um móvel... Até hoje me questiono sobre o momento em que ela apertou a minha mão logo depois que eu tive aquela conversa com aquela imagem. Será que aquilo foi um sinal de que Ele existe? Não estou aqui para discutir sobre religião, até porque não tenho uma definida. Mas aquele momento jamais sairá da minha mente.

Em um determinado momento senti que não estava sozinha e eu não estava mesmo, Regina estava comigo, mas não poderia se mexer. Escutei um barulho e levantei rapidamente indo em direção a maca, porém nenhuma mudança.... Achei que era coisa da minha cabeça ou algo assim.

— Emma... – Escuto a voz da Regina saindo como um sussurro e começo a tremer. – Emma...- Novamente aquele sussurro, me aproximo da maca e ela está de olhos abertos. Sua feição é pálida, mas ela continua a Regina que eu conheço, a minha Regina.

— Meu amor... – Seguro em suas mãos e as lágrimas saem sem controle dos meus olhos. – Não fala nada, por favor... – Aperto milhares de vezes o botão que chama os médicos ou os enfermeiros e logo o doutor Arthur entrou correndo.

— Bem-vinda de volta, Regina. – Ele sorriu olhando para a minha morena. Algumas lagrimas saiam de seu rosto da mesma.

Eu estava em choque, esperei todos esses dias por esse momento. Ter a Regina de volta parecia um sonho tão distante e naquele momento ela acordou.

— Emma, você vai ter que se distanciar só um pouco.... Preciso fazer exames e alguns testes. – Assenti com a cabeça e Regina apertou a minha mão como se pedisse para que eu não saísse de perto.

— Está tudo bem, amor... só alguns testes. Ele precisa saber se você está bem. – Beijei sua testa e ela sorriu fraco enquanto soltava minha mão lentamente.

Notas finais
Comenteeeeem! *---*