Abstinence

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Gente, ás vezes eu demoro para postar porque penso em cada palavra para escrever essa história. É um tema bem complicado para sair escrevendo sem pesquisar e sem saber como é estar do outro lado do jogo... Vejo vocês falando que perderam amigos ou parentes por causa das drogas e isso me motiva demais a escrever, por isso agradeço muito ao apoio de todos vocês ♥ — Não deu tempo de revisar, desculpem qualquer erro.

Amar é respeitar e saber lidar com as diferenças, aceitar as diferenças, relevar muitas vezes as diferenças... isso sim é amar, saber contornar cada momento de conflito e de desavença, é sentar e conversar, é não ter grito, é ter paciência, é saber segurar na mão do outro e dizer: Perdão, eu fiz errado, mas não sabia que isso iria te magoar. É saber dizer: Eu te perdoo, mas por favor, não faça mais isso que me deixa triste... é ter sinceridade e dizer a verdade sempre, mesmo que esta seja amarga e dolorida! Isso é amar...

Resolvi sair daquela sala após alguns minutos da saída de Victória, encontrei August, Ruby e Killian ainda parados ali.... Como se eu fosse uma criminosa que eles não poderiam deixar fugir. Foi um momento estranho, em nenhum momento eu pensei que poderiam se preocupar comigo o tanto que se preocuparam.

— Eu preciso sair. – Limpei as lágrimas e olhei para a minha aluna.

— Não faça nenhuma besteira, por favor... Só queremos te ajudar. – Ela veio em minha direção e me abraçou.

— Fiquem tranquilos. – Assenti para o meu amigo e para o Killian, sei que não acreditaram. Mas dane-se eu precisava sair daquele lugar e ir tomar um ar.

— Espero que não esteja mentindo para mim, loira. – August me olhou sério.

— Só preciso sair, tudo bem? – Olhei para os três e eles assentiram. – Killian, avisa o pessoal da faculdade que mais tarde vou até lá explicar o meu sumiço. – Sorri amigavelmente e sai.

O que seria o amor? Fico pensando nisso até hoje. Sacrifícios? Compreensão? Paz? Mas e a parte do inferno, aonde fica? Muitas pessoas falam que o amor é bom, é o melhor sentimento que existe. Mas e as cicatrizes anteriores? Faço o que com elas? Finjo que nada aconteceu e bola para frente? É... Esse é o problema das pessoas, falam muito e pouco escutam.

Antigamente quando um sentimento mais intenso começava a crescer entre duas pessoas, elas ficavam juntas e arriscavam em uma possível felicidade e hoje? Se afastam por medo. Por medo de não saberem lidar com aquilo, medo de repetir erros do passado ou até mesmo magoar a outra pessoa, que muitas vezes é uma das mais importantes da vida delas.

Eu nunca consegui entender isso. A preferência do abismo, da distância e do afastamento.... Do que arriscar ser feliz, mesmo que muitas vezes não pareça dar certo. Quando você fala com uma pessoa todos os dias e por algum motivo existe esse afastamento, você quase fica louco.... Entra um estado de abstinência tão forte quanto o das drogas, parece que falta uma parte de você e quando isso acontece, não adianta insistir.... Acaba sendo pior, porque você tenta normalizar uma coisa e fazê-la a voltar a ser o que era antes, mas isso é impossível. Nunca mais vai ser igual!

Isso quer dizer que você desistiu? Não, de maneira nenhuma. Você continua ali, lutando silenciosamente e torcendo para que as coisas comecem a dar certo, ou pelo menos que fiquem um pouco melhores.

— Lily, preciso de você. – Ligo para a minha amiga.

— Já me avisaram o que você está querendo fazer, sem chance. – Ela fala séria do outro lado da linha.

— Por favor, eu só preciso de algo momentâneo, algo que me tire da realidade por algumas horas. Uma única vez... – Sussurro e escuto o silencio do outro lado da linha.

— Emm... – Ela tentou protestar, mas foi em vão.

— Por favor. – Pedi verdadeiramente, eu precisava sair daquela merda toda que estava na minha vida, nem que fosse por um tempo determinado.

Encontrei com a Lily algumas horas depois e ela me trouxe a famosa maconha, algo mais fácil de achar, algo rápido e que realmente te leva a outro mundo. Ficamos algumas horas sentadas em um parque longe de tudo fumando aquele negócio em um papel, e eu sabia o que estava fazendo, mas ao mesmo tempo negava para mim mesma. Negava por sentir vergonha de fazer aquilo, vergonha de ter chego a esse ponto...Mas meu corpo pedia, minha cabeça pedia um pouco de trégua daquela bagunça toda.

— Emma, aonde você vai? – Lily perguntou levantando rápido e quase caindo quando sai chorando enquanto corria.

— Vou ver a Regina. Eu preciso vê-la! – Eu gritava e corria em direção ao carro.

— Você não vai dirigir nesse estado, Emma Swan. – Ela gritou e correu até mim.

— Eu vou, você querendo ou não. Quer vir comigo? – Gritei enquanto minas lagrimas escorriam.

— Eu vou. Não vou deixar você sair por aí igual uma louca. – Balançou a cabeça negativamente. – Você nunca fez isso.

— Pois é. Eu fiz e estou fazendo.... Não me venha com sermão agora, não estou nem um pouco a fim de ouvir. – Retruquei enquanto entrava no veículo e dava partida em alta velocidade.

Em questão de minutos chegamos ao hospital, Lilith resolveu ficar na sala de espera para que eu pudesse ter privacidade dentro do quarto. Acho aquilo engraçado até hoje, ela fumou comigo... Mas era como se nada estivesse tendo efeito para ela. Na verdade, o organismo dela já tinha se acostumado com aquela substancia estranha e que me causou ilusões.

Entrei no quarto rapidamente sem me importar se alguém estaria lá, eu como acompanhante tinha total acesso a qualquer hora ao local. Olhei para os lados e senti o perfume da minha sogra, mão não a vejo por lá. Um alivio, menos uma pessoa para brigar e mais tempo para pedir desculpas e me redimir com a minha morena.

Sentei na ponta da maca e deixei as lagrimas saírem. Regina era tão linda, qualquer pessoa daria tudo para estar ao lado dela e vê-la naquele estado me deixava mais depressiva ainda.... Minha morena tinha um certo ar de arrogância, de superioridade, mas sempre ajudava as pessoas que podia. Na verdade, usava aquela maldita máscara para esconder a menina que era.... Esconder a menina frágil que ainda tinha esperança de ser feliz, de sair daquele mundo e conseguir a liberdade que sempre quis.

Olhei para o lado e minha sogra havia deixado uma imagem de Deus ao lado da maca, nunca tive ao certo um relacionamento particular com Ele... Sempre fui a igreja obrigada, apesar de nunca gostar... Ás vezes era melhor do que ficar me torturando devido aos meus pecados.

— Não acredito que vou fazer isso... – Resmunguei enquanto balançava minha cabeça negativamente.

As lagrimas voltaram a sair desesperadamente, eu tinha que arrumar um jeito de acordar Regina, tudo estava indo por água a baixo sem ter ela ao meu lado. Eu estava me afundando igual ela, mas como eu salvaria uma pessoa se nem eu estava sendo a minha própria salvação?

Segurei em uma das mãos da minha morena e beijei sua testa.

— Eu sei que não sou a pessoa certa para falar com o senhor... – Olhei para a imagem ao lado da cama e minha voz acabou saindo falhada devido ao choro. – Sei também que nunca dei o valor que merece e todas as vezes que fui na igreja foi por pura obrigação. Mas eu gostaria de pedir perdão! Sim, Deus! Eu estou lhe pedindo perdão por todos os meus pecados.... Por estar sendo fraca e estar falhando na minha missão, que nem sei qual é ao certo... Só você sabe. – Respirei fundo tentando conter as lágrimas, mas era em vão. – Mas eu preciso da Regina ao meu lado para isso, traga ela de volta para mim, por favor! Ela é muito jovem para ficar em uma cama de hospital desacordada por um erro inútil! Erro que eu também estou cometendo, mas porque sempre fui uma pecadora aos olhos das pessoas que estão dentro da igreja.... Peco desde sempre, né? Desculpa, se meu erro foi gostar de mulher... E se meu destino for ir para o inferno, eu o aceito de bom grado.... Mas salve a Regina, por favor! Não a use para me punir. Já sofri bastante nessa vida quando fui parar naquele orfanato, quando minha mãe adotiva morreu e eu tive que seguir sozinha.... Sofro por não ter ninguém ao meu lado e quando eu finalmente consigo arrumar alguém que sabe me fazer feliz, o senhor simplesmente chega e a tira de mim? Do nada? Se você realmente existe e clama pelo bem-estar do seu povo, traga a Regina de volta! Eu vou cuidar dela, vou ama-la como ninguém nunca amou... e vou salvar ela desse mundo filho da puta. – Eu falava em alto e bom som, meu desespero poderia ser sentido a quilômetros de distância.

Sim, naquele momento eu acreditava que tudo aquilo estava sendo uma forma de punição. Algo que eu não tivesse controle e apelei para a fé que tantos falam e que eu nunca tive... Não por acreditar que eu iria para o inferno, mas por ver pessoas matando em nome de Deus. Por ver famílias nas ruas sofrendo e passando fome, mas mesmo assim acreditando nele...

Senti algo apertar a minha mão levemente, a mãe que estava entrelaçada com a de Regina. Olhei para nossas mãos e novamente senti um leve aperto... Como se fosse ela começando a reagir aos estímulos que o doutor havia falado.

— Regina... – Sussurro. – Regina! – Aperto sua mãe e escuto um barulho vindo do banheiro.

Minha sogra sai de dentro do local com os olhos totalmente inchados devido ao choro, tinha escutado tudo o que eu havia falado.

— Emma... – Cora sentou no sofá que tinha do outro lado da maca.

— Cora, ela apertou minha mão! Ela apertou minha mão! – Eu gritava entre lagrimas.

Notas finais
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