Abstinence
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Sai daquele quarto correndo e fui encontrar August. Ao entrar me deparo com Killian, Ruby e Victória.... Sim, aquilo parecia uma intervenção familiar. Mas era só meus amigos tentando me impedir de fazer a pior merda da minha vida.
— Nossa, eu venho falar com você e aparece a escola toda? – Olho para o meu amigo com raiva.
— Emma... – Ruby se aproximou.
— Até você?
— Só queremos o seu bem, Emma. Por favor, não faça isso.... Não faça igual ela fez, se ela está daquele jeito é por causa dessa merda. – Apontou para um saquinho que estava em cima da mesa de August.
— Emms, você sabe que quem entra nesse mundo dificilmente sai. Não quero isso para você! – August se aproximou e respirou fundo. – Eu sei, eu sempre quis você como sócia. Mas por causa da sua psicologia.... Você sabe abordar uma pessoa, sabe mexer com o psicológico dela até a pessoa fazer o que você quer. Mas, você está caindo na armadilha do seu próprio truque.... Presta atenção! – August colocou a mão direita em meu ombro.
Até então Killian e Victória apenas observavam a situação, meu aluno estava com uma expressão de impressionado e assustado. Já minha ex namorada estava tranquila, mas demonstrava uma certa inquietação.
— Eu sei que vocês querem o meu bem. Vocês dois... – Apontei para os meus dois alunos. — Venham aqui. – Eles se aproximaram e eu segurei uma mãe de cada um. – Eu sei o que estou fazendo e amanhã vou lá na faculdade para conversar com a reitora.... Vai ficar tudo bem, podem ficar tranquilos. Eu estou bem... – Sorri para eles.
Sim, eu estava usando minha técnica de psicologia para tentar convence-los a me deixarem em paz. Eu só precisava fugir um pouco daquela realidade, esquecer de tudo que estava acontecendo.... Nem que fosse só por algumas horas, mas eu precisava.
Vocês podem estar pensando que eu fui uma idiota, né? Mas não, eu não fui. Regina ascendeu uma parte de mim, me trouxe um sentimento que eu não tinha há muitos ano... O amor verdadeiro. E eu disse que estaria ao lado dela quando ela acordasse e jamais quebraria essa promessa. Jamais...
— Emma, sua psicologia não está funcionando hoje. Pode parar! – Killian disse com os olhos marejados. – O jeito que te encontrei de manhã, desculpa.... Não tem como você falar que está bem e que sabe o que está fazendo.
Senti uma tontura e quase desmaiei, August me segurou por trás e me fizeram sentar na cadeira do escritório dele. Estavam me tratando igual uma criança e aquilo me irritava cada vez mais.
— Já estou bem, posso levantar. – Falei seca e me seguraram.
— Faz quanto tempo que você não come alguma coisa saudável? – Ruby se aproximou de mim sorrindo. – Come, por favor... Só um pouco. – Me entregou um lanche natural com um copo de suco. – Eu estou te pedindo, não quero te obrigar a nada. Se não quiser não precisa comer... Mas por favor, se quer fazer alguma coisa, tem que ser bem alimentada.
— Tudo bem. – Olhei para baixo um pouco corada e comi o que me deram.
Sim, eu cai na minha própria psicologia. Legal isso, né? Não. Não tem nada de legal.... Às vezes me pergunto com o que eu estava na cabeça para ter me deixado levar pela psicologia da minha aluna. Eu ensinei aquilo para eles, ou seja, não tinham o direito de usa-la contra mim.
— Podemos conversar? — Victória que não tinha soltado nenhuma palavra, finalmente se manifestou e eu apenas assenti. – Nos deixem a sós, por favor.... Assim que eu terminar de falar com ela vocês podem voltar. E August... – Chamou nosso amigo. – Leva essa merda daqui. – Apontou novamente para o saco em cima da mesa.
Em qual momento que não temos escolhas?
Em qual momento que devemos parar e fugir?
E se eu olhar para o céu e jurar que é eternamente...
Eternamente será?
Duvidas apenas que carrego comigo...
Quem te rodeia são teus verdadeiros amigos?
Na falta de opção
Devemos agir como cegos
Ou sorrir...?
E seu falar das verdades que você não quer ouvir
Irá olhar para mim e fingir que nada ouviu?
Verdades ou mentiras, são consequências dos nossos próprios atos.
Todos saíram da sala, ela sentou em cima da mesa e de frente para mim. Ficamos nos olhos por alguns segundos que pareciam eternos, parecia que ela estava me analisando, sabe? Tentando ler meus pensamentos ou algo assim.
— Pode falar, eu vou te ouvir. Mas não vai mudar nada do que estou pensando em fazer. – Quebrei o silêncio.
— Eu não quero ser interrompida, entendeu? – Falou extremamente irritada e eu sabia que teria que escutar algumas horas de sermão de uma pessoa que não tinha moral nenhuma, mas que estava ali... tentando me ajudar.
— Quero fazer uma pergunta antes. – Falei assim que ela abriu a boca para começar a falar milhões de merdas.
— Fala. – Ela me olhou séria.
— Porque a sós? Porque não falou tudo o que tinha para falar na frente dos outros? – Questionei com uma das sobrancelhas arqueadas e ela sorriu cinicamente.
— Porque eu estava tentando reconhecer você, porque eu estava tentando descobrir o que aquela menina fez com a Emma responsável que eu conheci, namorei e que depois virou minha amiga.
— Não ouse colocar a Regina no meio dessa conversa. – Meu olhar demonstrava ódio já por causa das primeiras palavras.
— Sim, Emma. A culpa é dela! – Gritou. – Mas isso não está em questão agora. Nada do que eu falar vai fazer você enxergar que está se afundando por causa de uma menina de vinte anos que quer apenas fugir da realidade. Legal, né? Aonde ela está agora? Aqui do seu lado? Não, Emma! Ela está em uma cama de hospital. Ela está em coma, Emma! É isso que você quer para a sua vida? – Não deixei que ela terminasse de falar e dei um tapa em seu rosto.
— A Regina é muito melhor que você, aceita isso! O fato de que ela é mais nova não altera em nada.... Ela errou? Sim, errou. Do mesmo jeito que você errou e erra. Você se droga do mesmo jeito! Ou melhor, do mesmo jeito não. Você é mais burra ainda, porque é mais velha e não tem do que fugir.... Você se julga feliz? Acha que tem a sua vidinha perfeita? Acorda, Victória! Você não passa de mais uma drogada! Mais uma perdida no meio desse mundo. – Gritei.
— Já acabou? Agora você vai escutar tudo o que eu tenho para falar e quando eu sair daqui, você vai esquecer da minha existência. Vai esquecer de que um dia você namorou uma pessoa chamada Victória, você entendeu? – Falou baixo enquanto tentava segurar o choro, eu sabia que tinha tocado em sua ferida que vira e mexe se abre. O fato de que ela sempre se acha melhor que os outros a assombra todas as noites, é como se soubesse o que estava fazendo, mas não conseguisse parar.
— Ótimo, será melhor para nós duas. – Assenti.
— Eu sei, Emma. Sua vida foi extremamente difícil! E eu te conheço o suficiente para saber que você perdeu todo o seu juízo quando conheceu a Regina. Você era responsável! Você sabia o seu limite.... Sabia até onde poderia ir e depois voltar. O que aconteceu com você? Eu só quero entender isso. Em que ponto você se perdeu e perdeu seu foco? – Me olhou com os olhos marejados. – Olha o jeito que você está, para e pensa nas consequências das merdas que você está fazendo.... Sua mãe adotiva iria gostar de te ver assim? Saber que tudo o que ela fez por você foi em vão?
— Não fala isso... – Meus olhos ficaram marejados ao lembrar de tudo o que já passei nessa vida.
— Então, Emma... É isso que você está fazendo. Jogando no lixo todo o esforço que ela fez para te criar, todo o carinho que ela te deu... E porquê? Por causa de uma garota de vinte anos, Emma? Vale a pena você entrar no mundo das drogas e da bebida só para tentar segurar a barra de ver sua namorada em coma? – Victória limpou uma lágrima que escorreu dos meus olhos. – Você falou de mim aquela hora e sim, eu sou só mais uma drogada no mundo... E não saio porque não tenho motivos e nem vontade de sair. Não tenho ninguém que me impeça, que me motive, que me ame. Não sou a pessoa mais feliz do mundo... Mas quando estou com vocês, meus amigos! Sim, vocês são as únicas pessoas que eu tenho e você sabe muito bem disso. Quando estou com vocês eu sou feliz! Quando estamos juntos e sorrindo, eu sou feliz... Mas ver você se destruindo, se eu estou feliz com isso? De maneira nenhuma. Pensa em tudo o que você já passou, Emma... Você tem condições de tirar a Regina desse mundo. Ela é uma ótima pessoa, mas está perdida como eu estou, como August está... e como você está ficando. Dois dos seus alunos estão ali fora, jamais estariam aqui se não gostassem de você! Killian nunca teria ido na sua casa para saber o porquê que você não está indo trabalhar. Ruby não teria brigado com os pais para sair assim que recebeu o telefonema do August avisando que você estava vindo aqui. Todos nós só estamos tentando te ajudar, e ajudar indiretamente a Regina.... Porque quando ela acordar, só você vai ter o poder de ajuda-la. Você é formada em psicologia, sabe que ela vai acordar e vai entrar na fase de negação, de não querer ver ninguém, de sentir vergonha dela mesma... ela vai precisar de você e como vai ajudá-la? Se perdendo nas drogas igual ela fez? Não faça isso... – Victória levantou e saiu daquela sala chorando.
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