Abstinence

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Boa leitura!!!

VINTE DIAS DEPOIS...

Estava cada vez mais difícil, Regina não reagia, todos os dias eu ia visita-la com a esperança de que ela acordasse e voltasse para mim.

— Emma, você precisa ir trabalhar... Faz cinco dias que não aparece naquela faculdade. – Killian veio até minha casa conversar comigo.

— Eu não consigo sair daqui. Na verdade, consigo... – Respirei fundo. – Consigo ir no hospital e chorar por horas e horas. – Abaixei a cabeça.

— O que significa aquilo? – Ele viu algumas garrafas de vodca e uísque vazias.

— Não é nada. – Levantei para tentar impedi-lo de ir até a cozinha.

— Você? Não, Emma! Não vou deixar você se perder igual ela se perdeu. – Ele balançava a cabeça negativamente. – Quem é você e o que você fez com a Emma que eu conheço? – Me olhava com desprezo e decepção ao mesmo tempo.

— Eu não consigo, Killian! Desculpa, se não consigo me fazer de forte. Levantar a porra da cabeça e sair seguindo a vida enquanto a mulher da minha vida está em coma naquele hospital! – Gritei. – Ela não podia ter me deixado, me abandonado... Eu preciso dela!

— E se afundar igual ela fazia vai adiantar alguma coisa? Regina vai acordar se você beber? Nossa, Emma... Parabéns, você aprendeu direitinho com ela. – Pegou as garrafas e jogou no lixo.

— Killian, sai! – Segurei seu braço. – Você veio aqui para que? Me julgar? Me destruir? – Olhei diretamente em seus olhos. – Se for para isso, obrigada.... Não tem mais nada para destruir. Já fiz isso sozinha.

Eu não estava mal apenas por causa da Regina. Todos os dias estava chegando uma informação diferente sobre o meu passado e eu não sabia quem estava mandando e nem de onde estava vindo tudo aquilo.

As últimas coisas que eu recebi foram reportagens de uma mulher, cujo eu não sei o nome que estava sendo presa por assassinato e na reportagem falava que o marido dela tinha ficado com a criança de apenas dois meses.

Procurei o caso na internet, mas não achei nada sobre o tal assunto. Seria montagem? Não sei dizer... Mas novamente aquela bebê enrolada com a minha manta estava em uma das fotos.

— Sim, você está se destruindo! Só que eu não vou deixar isso acontecer. – Saiu da minha casa e bateu a porta.

Meu telefone começou a tocar e era a ligação que eu esperava, finalmente! Eu já estava ficando agoniada.

— Loira, como você está? Fiquei sabendo sobre a Regina.. Eu sinto muito. – August disse todo cínico.

— Me poupe das suas falsas lamentações. – Fui extremamente grossa com ele, odeio quando faz esse tipo de coisa. Ele é um dos culpados por Regina estar em coma e isso me deixa furiosa. — Preciso de drogas. – Fui curta e grossa.

— Você precisa do que? – Ele realmente se surpreendeu.

— Porque será? Eu não posso estar interessada em drogas? Não posso querer experimentar? – Eu estava sem paciência, péssima hora para ele querer ser o amigo conselheiro que nunca foi.

— As coisas não são assim, Emma. – Advertiu. – Não vale a pena você entrar nesse mundo só por causa do que está acontecendo. É perigoso... Você sabe que quem entra nisso, dificilmente sai.

— Se você não me der eu vou atrás de uma pessoa que consiga para mim. – De onde saiu aquela Emma? Não sei. Mas eu não estava me reconhecendo.... Tudo estava perdido e por um momento eu não tinha mais nada.

Durante aqueles vinte dias que se passaram eu mudei totalmente, minha rotina se resumia em: Dormir, acordar, encher a cara, ir no hospital e ficar chorando ao lado do corpo da minha morena. Triste, né? Sim... Eu fui me perdendo aos poucos.

— Vem até aqui e conversamos. – Ele encerrou a ligação.

Eu que julguei tanto as atitudes da Regina, estava me perdendo igual a ela. Killian estava certo, eu sabia disso... Mas era como se eu não conseguisse reagir e fazer o que minha consciência mandava.

Meu emprego estava indo por água baixo, eu não atendia celular, não atendia meus amigos e não recebia ninguém. Killian só conseguiu entrar na minha casa porque ele me acordou, mas mesmo assim eu o expulsei.... Não queria ver ninguém, só queria que aquelas coisas do meu passado parassem e que Regina voltasse para mim.

Dizem que quando estamos tristes, tudo contribui para que você se afunde mais. E por mais que você tente se alegrar, sua mente não deixa, pois fica processando toda a desgraça que está acontecendo na sua vida. Isso é interessante e ao mesmo tempo revoltante, não acha?

Eu era uma pessoa simples na época, consegui tudo com muito esforço. Até então, tinha conseguido superar o fato de ter sido largada em um orfanato e sem saber o porquê... Fui adotada por uma pessoa maravilhosa e que me deu tudo o que eu precisava. E por um descuido, me apaixonei por uma aluna que para piorar a situação era envolvida com drogas. Acho que eu poderia ter previsto que aquilo iria acontecer, estava tudo se encaminhando para tal desgraça e mesmo assim eu segui em frente. Coloquei o amor que sentia em primeiro lugar e me afundei tentando salvar uma pessoa.

Sempre falaram que minha bondade era uma qualidade e defeito ao mesmo tempo. Quando adolescente eu sempre mentia para as pessoas protegendo meus amigos, ajude amigos mais velhos saírem do orfanato, ajudei amigos meus a se livrarem da polícia e muitas vezes assumi a culpa por coisas que eu não tinha feito. Mas nada grave, coisa de criança... Sabe? Do tipo, o primo quebrar o vaso da “ mãe “ e você falar que foi você para que ele não tomasse bronca.

Passei no hospital antes de ir falar com o August, eu precisava ver a Regina e alimentar a minha esperança de que ela estava me ouvindo. Entrei no quarto e quem estava lá? Sim, minha excelentíssima sogra.

— Cora, me deixa a sós com ela um pouco? – Perguntei.

Eu não queria brigar, apenas ver a Regina e sair. Sei que minha sogra não gostava de mim e eu deveria evitar ir no hospital quando ela estava lá. Mas nessa altura do campeonato eu só queria uma coisa: Regina, obvio.

— Eu já pedi para ficar longe da minha filha, Emma. – Me olhou séria.

— Desculpa, Cora... Mas não farei isso. Estarei ao lado dela quando acordar e estarei ao lado dela para sempre. – Retruquei e tenho certeza que meus olhos demonstravam todo o ódio que eu sentia por ela.

A velha simplesmente saiu do quarto me deixando a sós com a Regina. Sentei na poltrona ao lado da maca e desabei a chorar, como nos últimos dias.

— Me desculpa, Regina... Eu sei que estou sendo fraca, sei que neste momento você deve estar sentindo vergonha de mim. Mas está difícil, sem você ao meu lado tudo parece escuro novamente... Tudo parece vago. É como se minha vida estivesse passando e a única coisa que eu posso fazer é sentar e chorar. Eu sinto sua falta. – Levantei e segurei em sua mão, estava quente e ela ainda respirava tranquilamente. Eu sabia que era por causa dos aparelhos, mas eu gostaria de pensar que ela estava apenas dormindo e sonhando com o nosso possível casamento. – Eu sinto falta da sua risada, das coisas malucas que você dizia... Sinto falta do seu carinho, do seu beijo. E mais uma vez, peço desculpas a você. Eu deveria estar sendo forte, mas sou humana... eu também falho.

Notas finais
comenteem!