Abstinence
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Ouvimos gritos vindo do corredor e um casal vindo em nossa direção.
— Killian! — A senhora chamou e meu aluno ficou pálido.
— Quem são eles? — Sussurro vendo a surpresa dos dois ao meu lado.
— Cora e Henry Mills... Os pais dela. — Ruby diz discretamente e meus olhos ficam arregalados.
— Onde ela está? — A tal mulher se aproxima rapidamente.
— Ela teve uma parada cardiaca, me tiraram do quarto e agora estamos esperando noticias. — Tomo a frente da situação.
— Quem é você? — Pergunta rispida.
— Sou Emma Swan. A namorada e professora da sua filha, senhora Cora. — Falo olhando dentro de seus olhos.
— Você é o que? Então, é com você que ela está saindo... É por sua causa que ela não tem voltado para casa. É por sua causa que ela está aqui!! — Gritou e ficamos nos escarando.
— Não!! É por causa de vocês dois!! Regina não está bem há muito tempo, ela vem tentando ser outra pessoa porque vocês a obrigam manter a pose de filha mimada, de capacho de vocês! Se tem alguém culpado nessa história aqui... Desculpe, mas são vocês dois! Pais irresponsáveis que não dão a atenção e o carinho que ela precisa! — Retruquei e todos ficaram em silêncio, ninguem esperava ouvir tudo aquilo. — A verdade dói, né? — Disse encarando o pai da minha namorada.
— Você não tem o direito de falar essas coisas, não sabe do que acontece na minha casa! — Os olhos de Cora transmitiam puro ódio.
— Sei! Sei o suficiente, sei o que Regina me contou... — Tenho certeza que meu olhar não transmitia os melhores sentimentos para aquela velha louca.
— Eu vou denunciar você para a faculdade! Vou acabar com a sua vida! — Gritou novamente e Killian me puxou para umas cadeiras que tinham ali perto.
— Cala a boca, Cora! Não é hora para ficar repetindo todo aquele seu discurso inútil! — Henry sentou ao meu lado. — Só quero que minha menina fique bem... — Sussurrou e olhou para mim.
A única coisa que eu conseguia fazer era chorar e chorar, o homem colocou uma de suas mãos em cima da minha e apertou.
— Ela tem que sobreviver.... Eu preciso dela. — Olhei para ele e ele assentiu com a cabeça.
— Ela vai sobreviver, Emma... Todos nós precisamos dela. Sei que tenho sido um péssimo pai, mas tudo o que eu queria era que ela fosse feliz... — Ele dizia com os arrependimentos vindo a tona.
— Espero que isso seja um pedido de desculpas, porque ela sofre muito por causa do que vocês fazem... — Abaixei a cabeça.
— Eu vou arrumar as coisas, prometo. — Sussurrou entre lagrimas.
— Emma Swan? — O médico retornou.
— Sim! — Levantei rapidamente.
— Preciso que venha comigo. — Disse extremamente sério, naquela hora meu coração se apertou... Estava me avisando que o pior estava por vir.
Fomos até o quarto em que Regina estava e parecia que ela estava dormindo tranquilamente.
— Ela está bem! — Minha primeira reação foi de alivio, um sorriso brotou em meus lábios.
Mas Arthur se aproximou e colocou as mãos em meus ombros.
— Eu sinto muito, Emma... Fizemos tudo o que estava em nosso alcance. — Ao ouvir aquilo meu corpo ficou mole, senti minhas pernas fraquejarem, tudo rodar... — Emma! — O médico me segurou e me sentou no sofá ao lado da maca de Regina.
— Ela não está morta! Olha! — Apontei para ela enquanto minhas lagrimas escorriam. — Ela está respirando! — Levantei novamente e fui até o corpo.
— Regina está em coma, Emma. Ela está respirando por aparelhos... Nós não sabemos quando ela vai acordar, pode ser em dias, meses ou até mesmo anos... Isso se ela acordar. — Disse com a tristeza no olhar.
— Regina, volta para mim... Você precisa reagir, por favor... — Passei a mão em seu rosto que levava uma expressão serena, calma... Parecia que ela estava em paz. — Eu te amo, não vou sair do seu lado e quando acordar... Eu vou estar aqui, eu prometo. — Beijei sua testa enquanto as lágrimas insistiam em sair.
— Preciso informar os outros, você vai ficar como acompanhante? — Perguntou e eu assenti.
— Não quero a louca da mãe dela aqui. Falei séria e segurei a mão da minha namorada.
— Emma, é a mãe dela... Não posso proibir a entrada dos pais. — Balançou a cabeça negativamente. — Vocês tem que se unir! A Regina vai precisar da força de vocês, é como se ela pudesse sentir e ouvir tudo o que acontece...
— Eu não sei se vou aguentar.
— Você vai ter que ser forte, Emma! Ela precisa de você mais do que nunca... Você tem que ter força, Emma! — Repetiu. — Por ela...
Ficamos olhando para Regina por alguns segundos, lembranças passavam pela minha mente e de uma coisa eu tinha certeza... Eu conseguiria ser forte, por ela.
— Parece que ela está dormindo tão tranquila... — Comentei sentando na pontinha da maca.
— Técnicamente ela está... Ela pode sentir a sua presença, Emma. — Ele disse se aproximando. — Não posso enrolar mais, preciso contar para a familia.
— Pode ir, vou ficar aqui com ela... — Falei e ele saiu do quarto.
Regina era uma pessoa doce, seu sorriso iluminava a minha vida e em poucos meses se tornou a razão de tudo.
— Meu amor, sei que não pode me responder... Nem sei ao certo se pode me ouvir, mas quero que saiba que você vai sair disso, nós vamos vencer esse coma! Não importa quanto tempo isso dure, eu vou estar aqui! Não desista, não se entregue, por favor.
Não posso lutar sozinha, Regina! Os médicos fizeram tudo o que estava ao alcance deles, a unica coisa que eu posso fazer é transmitir o meu amor e ficar do seu lado... Mas você, você pode lutar! Só você tem o poder de melhorar, de acordar... — Eu falava entre lagrimas, tinha certeza que ela estava ali comigo, era como se eu sentisse sua alma me abraçando.
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