Abstinence
15 Capítulo 15
Notas iniciais
– Emma, se acalma! — Ruby encostou no meu braço. — Por favor... — Sussurrou e me entregou um copo com água.
Aos poucos Regina foi acordando, todos estavam em silêncio e preocupados. Zelena ficou observando o ocorrido ainda sentada em sua mesa, como se ela não se importasse com a aluna.
– Emma... — Regina sussurrou e segurou em uma das minhas mãos.
– Shh... Não fala nada, eu estou aqui. — Sorri ainda com os olhos marejados e ajudamos Regina a sentar.
– Eu desmaiei? — Perguntou olhando ao seu redor.
– Sim, você ficou 30 minutos desacordada. — Um dos bombeiros respondeu. — Gostaria de levar você para um hospital para fazer alguns exames, pode ser?
Regina assentiu com a cabeça e olhou para mim como se pedisse para ir com ela.
– Pessoal, eu vou com a Regina... Como a minha aula é a ultima, estão liberados mais cedo. — Falei para os alunos e por um lado ficaram felizes, mas pelo outro estavam super preocupados.
– Eu vou com vocês! — Killian olhou para mim. — Sem condições de você sair dirigindo por ai... — Encostou na minha mão.
– Vamos leva-la de ambulancia. — O bombeiro falou rispido e isso me fez revirar os olhos.
– Killian, vai com o meu carro. — Joguei a chave para ele.
– Eu vou também. — Ruby se manifestou e nós apenas assentimos.
Colocaram Regina com cuidado em uma maca e pediram que ela não fizesse esforço para falar.
– Vocês acham que é algo muito grave? — Pergunto para um dos médicos que estava na entrada da ambulancia.
– Vamos saber assim que fizermos os exames, como é o seu nome? — Me perguntou com toda aquela pose de médico, sempre odiei hospitais e médicos.
– Emma, vou como acompanhante. — Me apresentei e eles colocaram Regina no automóvel.
– Bom, meu nome é Arthur e vou fazer o possivel para ajuda-la. — Sorriu fraco e entrou junto conosco.
– Não sai do meu lado, por favor... — Regina sussurrou e apertou a minha mão.
– Nunca vou sair do seu lado... — Beijei sua testa.
O caminho foi rapido Regina estava com muita dificuldade para respirar e ainda reclamava de dor no peito, aquilo estava me apavorando cada vez mais.
– Vou leva-la para o quarto enquanto preparamos os exames, a senhora vem? — Um dos enfermeiros perguntou para mim.
– Claro! — Respondi com uma certa ignorancia, até pedi desculpas depois.
Nos levaram até o quarto e Regina pediu para que eu sentasse do lado dela na cama.
– Não era para eu estar aqui, estou ótima. — Resmungou irritada.
– Você está péssima e sabe disso, para de se esconder atrás dessa maldita mascara e entenda de uma vez por todas que você precisa de ajuda. — Respondi no mesmo tom e ela se assustou.
– Sabe, quando te conheci achei que você seria apenas mais uma que passaria pela minha vida e que cairia fora quando soubesse das minhas confunsões, dos meus problemas... — A voz dela estava muito baixa, o esforço era visivel.
– Não precisa falar nada, você vai piorar... Por favor. — Sussurro deixando algumas lagrimas sairem.
– Deixa eu terminar... — Me olhou séria e senti sua respiração falhar mais uma vez, aquilo estava parecendo uma despedida e eu comecei a tremer.
Segurei em uma de suas mãos e desci da cama para ficar em pé ao lado dela.
– Você é diferente de todas as outras, eu jamais teria coragem de te machucar e muito menos colocar seu emprego em risco. Emma, você me mostrou o lado colorido da vida, eu tinha esquecido das cores, dos sons e de como ela pode ser boa quando se tem alguem para amar.
Tentei mudar, eu juro! Mas meu corpo precisa da droga, é como se fosse essencial igual a água... Me desculpa, meu amor... Eu te amo.
As lagrimas escorriam dos nossos olhos, nossas mãos juntas mostravam que o amor estava presente ali.
– Eu estou aqui para te ajudar, meu amor! Quero cuidar de você, te entregar o meu amor e minha alma... E vamos vencer tudo isso, Regina! Eu não ligo para o meu emprego, se for preciso eu saio...
Fomos interrompidas com alguém abrindo a porta rapidamente.
– Killian? — Arregalei os olhos e Regina sorriu fraco.
– Sempre burlando as regras... — Sussurrou.
– Não queriam deixar a gente entrar, a Ruby está na sala de espera...
– Emma, eu te amo. — Regina falou novamente e soltou a minha mão.
Em questão de milésimos de segundos ela começou a ter uma parada cardiaca, os médicos entraram no quarto desesperados.
– Tirem ela daqui!! — O médico gritou para os enfermeiros se referindo a mim. — Vai logo! — Gritou novamente e foi para cima da Regina com o desfibrilador.
– Não!! Regina, não me deixa, por favor!! Regina!!! — Tentei me aproximar e Killian me segurou por trás me arrastando do local.
Eu só sabia gritar e chorar, meu coração estava certo... Aquilo estava sendo uma despedida, por isso o esforço, as dores, a dificuldade para respirar.
Killian me abraçou e me apertou em seus braços, ele tremia igual a mim, nossas lagrimas e nosso desespero estavam se manifestando.
– O que está acontecendo? — Ruby conseguiu entrar escondido no corredor dos quartos e nos viu chorando.
– Não, isso não pode estar acontecendo. — Correu até nos e nos abraços.
– Ela ama vocês e vai lutar até o fim... — Falei entre lagrimas para os meus alunos.
– Não, Emma... Ela vai lutar por você, ela ama mais você do que qualquer pessoa nesse mundo. — Ruby disse e Ficamos ali abraçados por alguns minutos.
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