Abstinence
14 Capítulo 14
Notas iniciais
– Regina, acorda... — Sussurrei.
– Eu quero dormir. — Resmungou ainda de olhos fechados.
– Vai faltar na faculdade hoje? — Arqueei a sobrancelha e ela sorriu.
– Será que uma das minhas professoras não vai achar ruim? — Brincou com a voz rouca ainda por causa do sono.
– Ela está muito brava com você, creio que não vai ser legal faltar na aula hoje. — Falei séria e ela abriu os olhos.
– Ainda está brava? — Disse preocupada.
– Sim. — Falei seca.
– Não estou muito bem, Emma... A dificuldade para respirar está pior, meu braço está formigando e estou com dor no peito. — Falou e era perceptivel a dificuldade de respirar.
– Amor, quer ir no médico? Eu te levo... Isso é perigoso.
– Não, vamos para a faculdade. Esqueci que tenho trabalho semestral da Zelena hoje. — Revirou os olhos.
– Mas... — Fui interrompida.
– Esquece, amor. Vou ficar bem... — Disse levantando.
– Se você está tão bem, porque está se escorando nas coisas? — Provoquei. — Para de graça, deixa eu te levar no médico.
– Emma Swan, eu já disse que estou bem. — Falou me fuzilando com o olhar.
– Quer saber? O problema é seu, estou tentando ajudar.... Criança. — Revirei os olhos e desci para preparae o café enquanto ela se trocava.
Naquela noite eu não consegui pregar o olho, algo dentro de mim estava tentando falar comigo e eu não conseguia entender.
Na verdade, foram apenas algumaa horas que eu tinha tido para dormir. Eu estava muito preocupada, tirar Regina daquela delegacia me apavorou, e agora ela estava passando mal. Sim, isso era efeito das drogas... Isso já estava acabando com ela.
Fui interrompida com a campanhia tocando, abri a porta e tinha uma caixa no chão. Sai para fora e não tinha ninguem lá, apenas aquela pequena caixa com um envelope do lado.
Peguei a encomenda e fechei a porta, estranhei o fato de receber algo naquela caixa estranha. Eu não tinha feito nenhuma encomenda e meus amigos não mandam coisas pelo correio.
Sentei no sofá da sala e me assustei quando vi o conteudo. Varias fotos de uma criança recém nascida no colo de uma mulher e em uma das fotos a criança estava com uma manta e nesse tecido estava escrito meu nome.
Aquilo acabou com o meu emocional, continuei vendo as fotos e começou a surgir imagens de quando essa criança começou a crescer, nas ultimas fotos que mandaram a criança tinha mais ou menos seis anos... E isso bate com a idade que fui abandonada no orfanato.
Não tenho lembranças da minha mãe e nem do dia em que fui parar naquele lugar. É estranho, porque eu deveria lembrar...
– O que você está vendo? — Regina perguntou descendo as escadas.
– Nada, apenas algumas correspondencias. — Falei e ela sentou no primeiro degrau da escada. — Deixa eu te levar no médico, por favor! — Falei com os olhos marejados.
Eu estava acabada, queria me trancar em um quarto e chorar até passar toda essa agonia. Primeiro a Regina com o negócio das drogas e passando mal, depois essas fotos que apareceram do nada e que provavelmente sou eu. O que falta mais acontecer? O que?.
– Ei! Eu estou bem, não precisa chorar.. — Regina levantou com dificuldade e me abraçou.
Tomamos café em silêncio e fomos para a faculdade, cada uma perdida com seus pensamentos. Eu sabia que Regina estava mal, só que eu não poderia leva-la a força para o hospital.
– Qualquer coisa me chama, ok? — Beijei sua testa e ela saiu do carro. — Regina! — Gritei ela parou de andar virando de frente para mim. Corri até ela e a abracei. — Eu te amo!
– Eu também te amo, Emma. — Me apertou em seus braços e deixou sua cabeça descansar no vão do meu pescoço por alguns segundos.
– Temos que ir... — Sussurro de olhos fechados enquanto sinto o cheiro de seu perfume.
Regina foi para sua sala e eu fui para a sala dos professores, minha primeira aula seria vaga e Zelena que iria para a sala da minha morena.
– Bom dia. — Falei ao entrar na sala e Zelena já veio com provocações.
– Nossa, que mau humor é esse? Não dormiu com a sua namorada?
– Fica quieta que é melhor. — Sorri fraco.
A outra foi dar aula e eu fui até o jardim respirar um pouco de ar puro. Percebo uma movimentação no corredor da sala de Regina. Os bombeiros da faculdade correndo sentido ao local, fiquei sem reação por alguns segundos e logo depois corri até lá.
Ao entrar na sala me deparei com Regina desmaiada no colo do Killian, um dos bombeiros pegou rapidamente do colo do outro e começou tentar acorda-la.
– Regina! — Gritei e abaixei perto dela. — Fala comigo, meu amor! Fala comigo! — As lagrimas começaram a sair e a unica coisa que eu pedia a Deus e ao universo era que não tirasse Regina de mim.
Fale com o autor