Abstinence
27 Capitulo 27
Notas iniciais
Não tenho muitas lembranças da minha infância,na verdade acho que comecei a viver agora. Não que tenha sido ruim, mas talvez porque eu não tinha a mínima idéia do que era viver.
Hoje eu sei o que é chorar, sofrer, lutar,vencer... Mas ainda estou tentando descobrir o que é sorrir.
As vezes mostrando um sorriso por fora, e por dentro sabendo bem chorar. As vezes chorando de rir, mas não rindo por chorar.
Eu quero sorrir... Saber sorrir mesmo quando nada estiver bem, pois é ai que as coisas começam a mudar.
– Eu quero encontra-la. — Respirei fundo.
– Amor, você não pode encontrar com a sua mãe estando com mil pedras na mão. — Regina acariciou minha mão.
– Eu preciso entender o que aconteceu, amor... Preciso entender. Eu nunca procurei, sabe? Tive raiva a minha vida toda... Sempre evitei falar disso. — Suspirei.
– Se quiser eu posso ligar para ela e marcar um encontro, querida. — Meu sogro sorriu.
– Você terá que abrir o coração, Emma. Deixar de lado por um instante tudo o que viveu e ouvir as coisas que ela vai falar para você... Querendo ou não ela fez tudo isso para proteger você. — Cora sorriu. — Instinto protetor de mãe.
– Eu não sei o que fazer, Cora... Não sei como agir. Ela é uma estranha, mas só ela pode revelar tudo o que aconteceu.
– Você quer mesmo saber? Não adianta você ir obrigada.
– Eu quero entender o porque que ela preferiu me abandonar do que fugir comigo.
– Traficantes, amor. — Minha namorada sussurrou. — Tenha o August como exemplo de um puta traficante...
– Ele não mata pessoas, amor. — Sorri fraco.
– Não que você saiba. — Ela me olhou séria.
– Ele não seria capaz de fazer isso. — Meu coração apertou.
– Ele tem pessoas que fazem isso para ele, amor... — Acariciou meu braço.
– Bom, eu vou ligar para ela e depois te falo. — Meu sogro veio em minha direção e me abraçou. — Eu estou aqui para o que precisar querida.
– Nós estamos... — Regina levantou e nos abraçou.
– Sim, nós estamos. — Cora repetiu e se juntou ao abraço.
Horas depois meus sogros sairam e nós ficamos sozinhas em casa.
– Em... — Regina me chama.
– Oi... — Olhei para ela enquanto sorria.
– Vem para a piscina comigo? — Sorriu maldosa.
– Ah, não... — Sussurrei brincando. — Você vai abusar do meu corpo. — Gargalhei.
– Talvez... — Mordeu lentamente o lábio.
– Você é uma perdição, Regina Mills! — Andei até ela.
– Sou, professora Swan? — Sussurrou contra meus lábios e eu acabei sorrindo.
– Sim, você é. — Levei uma mão para sua nuca e puxei levemente seus cabelo ao mesmo tempo em que a puxei pela cintura.
Regina gemeu baixo e sorriu maldosa.
– Que pegada maravilhosa, professora. — Disse com a voz rouca.
– Shh... Fica quietinha e vamos logo para a piscina. — Corri até o local a puxando pela mão.
Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto, não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho, requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade. Para se conquistar um coração definitivamente tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes, que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
E então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele, vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.
Uma metade de alguém que será guiada por nós e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes.
– Emma, porque insistiu tanto em mim? Você é maravilhosa, todos caem ajoelhados aos seus pés... E você escolheu logo eu? Uma pessoa toda problemática.
– Porque eu também sou problemática e coisas iguais se atraem. — Brinquei. — Mas, ao mesmo tempo... Eu sou a tempestade e você é a minha calmaria.
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