Abstinence
26 Capitulo 26
Notas iniciais
DEZ DIAS DEPOIS
Depois de falar com o Sr. Henry passei a me concentrar em resolver algumas coisas sobre o meu relacionamento com a Regina, fui até a faculdade conversar com o reitor e acabei fazendo um acordo para me demitirem. Se eu continuasse trabalhando lá meu relacionamento com ela teria que acabar e desculpa...Mas, prefiro sacrificar um emprego do que sacrificar um amor.
Eu estava ficando mais na casa da Regina no que na minha própria casa, Cora fazia questão de me ter por perto. A relação que estava nascendo com a minha sogra era como se fosse de mãe e filha mesmo, ela me perguntava sobre a vida e eu respondia como se a conhecesse há anos.
Creio que isso seja fruto da minha “ carência “ familiar, pois não tinha mais minha mãe adotiva por perto... Não tinha uma mãe para me apoiar ou criticar quando era necessário e isso me fazia muita falta.
— Emma? – Meu sogro bateu na porta do quarto da minha namorada.
— Pode entrar, papai. – Regina respondeu ainda deitada em meu colo.
Regina... Ah, aquela pessoa que eu tanto amava! Trancamos a faculdade dela naquele semestre para a mesma se recuperar emocionalmente de tudo o que tinha acontecido. Nós duas começamos a fazer terapias... Sim, eu consegui levar a Regina até um psicólogo que conseguisse ajuda-la com a questão das drogas. E eu? Bom, precisava me reestruturar emocionalmente também.
— Oi, Henry! – Abri um sorriso enorme para o meu sogro, nossa relação estava cada vez melhor.
— Tenho notícias sobre aquele assunto....
Naquele momento senti meu corpo enrijecer, meu coração disparou e eu sentia que meu passado estava por vir à tona. Todas aquelas dores, todas aquelas emoções... a sensação de abandono e todas as decepções estavam presentes novamente.
— Eu não sei se quero ouvir... – Sussurrei e Regina entrelaçou nossos dedos enquanto acariciou minha mão com o polegar.
— Se acalme... Espero vocês no escritório. – O senhor sorriu docemente e fechou a porta.
— Regina, eu...
— Shh... – Colocou o indicador sobre meus lábios. – Independente do que for... Estaremos juntas, meus pais estarão com você.... Somos a sua família, Em. Você é a mulher da minha vida e eu nunca vou te abandonar... Nunca. – Sussurrou e colou nossas testas.
“Passaram-me de mão em mão, de família em família, família que por alguns dólares, disputavam a medíocre chance de me "educar", quando na verdade não faziam outra coisa se não me humilhar. Quando a assistente social vinha me ver, ela verificava apenas o estado de minhas roupas, mas não de minha alma, nem se preocupava em imaginar que eu tivesse uma.’’
— Eu sei, meu amor. Eu sei... – Suspirei. – É só tudo muito intenso. Não sei lidar com isso...
— Vamos... – Me deu um selinho demorado. – Eu vou te ajudar a lidar com isso, Emma. Sabe porque? Porque eu te amo. – Sorriu.
Fomos até o escritório do meu sogro e sentamos em frente sua mesa. Ele estava com um semblante sério, mas ao mesmo tempo um olhar de dor... Como se fosse algo realmente ruim.
— Emma, o que você vai escutar aqui pode mudar a sua vida... Mas, quero que saiba que nós estaremos aqui te apoiando de todas as maneiras possíveis.
— Muito obrigada, Henry... – Meus olhos ficaram marejados. – Aquilo era uma família... Estar com a pessoa independente de qualquer coisa
— Bom, quer ir perguntando e eu vou respondendo ou quer saber tudo de uma vez? – Ele respirou fundo.
— Quem está me mandando tudo isso? – Perguntei enquanto sentia meu corpo tremendo levemente.
— Sua mãe biológica. – Naquele momento eu fiquei totalmente pálida, as lágrimas começaram a escorrer e senti Regina me abraçar.
— Pode falar tudo de uma vez.. – Sussurrei. – Não vou conseguir perguntar mais nada... – Eu fiquei em um estado de choque.
A mulher que me abandonou... Ou melhor, que foi presa por assassinato estava me procurando depois de todos esses anos. A mulher que eu nunca fiz questão de procurar, mas que mesmo assim eu sentia sua falta... Nunca vou saber descrever aquela sensação.
— Sua mãe biológica foi presa por matar um homem que queria te sequestrar. Na época seu pai mexia com drogas e esse homem que ela matou era um traficante que queria que eles pagassem a dívida que seu pai tinha com ele... Mas, eles não tinham dinheiro para tal coisa. Então, o traficante queria sequestrar você. – Suspirou. – Ele tentou duas vezes e não conseguiu, porque sua mãe não deixou...
Ele me entrou algumas fotos de quando eu era apenas um bebê de apenas dois meses, acredito que aquelas fotos foram tiradas alguns dias antes de me abandonarem.
— Quer água, amor? – Regina perguntou e as lágrimas saiam de seu rosto também.
— Não... – Sussurrei. – Só fica comigo, por favor..
— Eu não vou sair do seu lado...- Apertou minha mão.
— Mary é o nome da sua mãe. Ela o matou a facadas e logo depois se entregou para a polícia... Você ficou com David, seu pai. Mas, ele estava perdido na vida... Usava drogas... – Olhou para a filha rapidamente e voltou a olhar para mim. – E te deixou naquele orfanato. David se matou alguns dias depois... E sua mãe recebeu a notícia na cadeia, ela ficou presa durante treze anos. Desistiu de encontrar você... Mas, em um determinado dia Mary resolveu ir até o orfanato e procurar por quem tinha adotado você.
— Para... Não quero escutar mais nada. – Falei entre soluços devido ao choro.
— Você precisa saber, amor.. É a sua história. – Regina sussurrou acariciando meu rosto.
— Você não está mais sozinha, querida... — Cora entrou no local e me trouxe um copo com água.
— Obrigada... – Sussurrei e sorri fraco. – Pode continuar... – Olhei novamente para o Sr. Henry.
— Ela foi até a casa em que você morava com a sua mãe adotiva e encontrou uma linda menina loira brincando de boneca com mais duas amigas na calçada. Mary sabia que não poderia dar aquela vida para você e então nunca mais te procurou...
— E porque agora? Porque depois de todos esses anos? – Eu sentia minha cabeça rodar, meu corpo ainda tremia com aquelas revelações.
— Porque, ela quer conhecer você... Ela está tentando se aproximar, por isso estava mandando coisas em anônimo. E disse que o próximo passo seria revelar tudo em cartas... Mas, você foi mais rápida.
— O senhor conversou com ela? – Minha voz só saia em forma de sussurro, eu não conseguia encarar aquilo.
— Sim, ela mesma que me contou tudo isso. A pessoa que eu conheço conseguiu o contato e eu fui pessoalmente atrás dela.
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