Abrindo os Olhos

1 S1: Amor Sem Fronteiras


Notas iniciais
Foi realmente uma experiência muito legal escrever em primeira pessoa(principalmente na parte do beijo hehehe). Aguardando reviews. Lembrem-se que os comentários são o combustível dos autores. OBS: S1 significa => Situação 1.

Estávamos lutando contra Obito e Madara há quase cinco horas. Realmente a luta estava complica. Mesmo sendo apenas dois contra quase 10 mil estava difícil. Depois da morte de Neji, eu fiquei completamente desnorteado. Era difícil aceitar que o gênio Hyuuga morreu por minha culpa, por minha fraqueza. Se não tivesse sido tão fraco, se não precisasse que a Hinata novamente me salvasse, se ela não tivesse me protegido, Neji não teria protegido ela e ainda estaria vivo. Admito que, pela primeira vez na minha vida eu desisti. Desisti de lutar, desisti de seguir em frente, desisti de realizar meu sonho. Mesmo tendo uma força dentro de mim dizendo que não, eu estava pronto para aceitar o pedido de Obito. Iria me junta aos dois, estava sem chão. Um grande amigo morreu por minha causa, e não só ele. Vários outros também morreram. Amigos, conhecidos, aliados... morreram sem que eu pudesse fazer nada. Já tinha decido, iria me juntar à Obito e executar o Tsuki no Me. Iria viver no mundo dos sonhos, virar Hokage, ter uma vida feliz, uma família, filhos com... com quem? Quem seria minha esposa? Com quem eu passaria o resto da vida e acordaria feliz pela manhã ao olha do outro lado da cama e perceber que ela dormia serenamente? Com a Sakura-chan? É, acho que sim... Como assim acho? Não seria tenho certeza que sim? Não, não mais. Agora era somente um acho. Admito que fique feliz quando pensei nesse acho. Depois de repassar várias vezes essa palavras pela minha mente, pensei nela. Pensei em seu sorriso, pensei em seu cabelo negro-azulado, naqueles olhos tão bonitos. Pensei no que minha mãe me falou:

–Outra proibição são as mulheres. Sou mulher e por isso não sei muito a esse respeito, mas tudo o que você precisa se lembrar é que o mundo é feito de homens e mulheres, então é natural ficar interessado por garotas. Mas não vá se interessar por garotas ruins, encontre alguém como eu...

Na hora que ela falou, eu pensei na Sakura-chan, mas logo depois minha opinião mudou. Sakura é uma amiga sem igual, leal e companheira, assim como a Kaa-chan. Mas, algo me dizia que não era ela quem se encaixava nas descrições da minha mãe. Sakura era sim esquentada que nem a Kaa-chan, mas, pensado bem, eu nunca vi a Sakura se jogar na frente de um golpe destinado a mim, como minha amada mãe fez. E foi pensando nisso que eu lembrei dela. Ela sim tinha feito isso por mim. Enfrentou nada mais nada menos que o líder da Akatsuki para me salvar, e acabou quase morrendo por isso. Pensando melhor, ela é exatamente como minha mãe. Era tímida sim, mas quando eu estava em perigo, ela mostrou realmente como é. Nunca vi aquele olhar nela antes. Era intenso, terno. Estava disposta a dar tudo de si para me proteger, assim como minha mãe. Sem contar a beleza que as duas compartilhavam. Talvez minha mãe tenha sido uma das mais belas Kunoichis da história, e naquele momento eu percebi, ela também era! Linda! Olhos, boca, nariz, cabelo, corpo, voz... Simplesmente linda.

Pensado nisso, comecei uma guerra interna. Uma parte queria se juntar à Obito, a outra queria lutar com tudo para proteger aquela mulher. Mas algo me veio à mente nesse instante. Se me juntasse à Obito, eu poderia viver com ela, não poderia? Poderia me tornar Hokage, ter uma vida feliz, uma família, filhos com... ela! Agora era uma certeza, uma exclamação. Era ela quem eu queria ver quando acordasse. Serenamente dormindo ao meu lado enquanto as crianças entravam pela porta e pulavam na cama, todos os cinco, não, seis, de uma vez. Ela acordaria e sorriria pra mim. Prepararia um café maravilhoso enquanto eu fazia cócegas no Minato e puxava a Kushina pelo pé. Só pra ver o Neji emburrar a cara pra depois partir pra cima de mim, junto com os outros. Era isso que eu queria, estava decidido, iria me juntar à Obito e ter essa vida. Já ia levantar quando senti o lado direito da minha face esquentar. Era estranho, não estava ardendo ou coisa do tipo. Era gostosamente quente e relaxante. Abri os olhos que já estavam abertos só para me deparar com... ela!? Sim, era ela. Como se soubesse que e estava em um dilema mortal, ela me tocou. Seu toque foi meu salvador. Lembro que ela disse que meu sorriso foi seu salvador, mas agora era ela quem me salvava. Aquele toque realmente foi meu salvador.

–Naruto-kun... -A voz dela serviu pra confirmar minhas dúvidas, ela é um anjo. Contemplei aquela imagem abobalhado, até minha atenção se voltar ao anjo. -Naruto-kun, sei como está se sentindo, não sabe como eu estou por ter perdido o Neji-niisan.

Ela começou a falar. Notei que ela estava com a mão colada no meu rosto. Pensei em sorrir com isso, mas notei as lágrimas em seus olhos.

–O Neji-niisan era o meu melhor amigo. Ele sempre me escutava e me aconselhava. -Ela continuou. Eu tive que resistir muito para prestar atenção em sua voz. -Não podemos deixar que a morte dele seja em vão. O Neji-niisan estava perdido em ideias erradas, até conhecer você. Suas ideias o mudaram. Sua palavra foi o que o salvou de um destino cruel. -Agora eu estava completamente concentrado nas palavras que saiam da boca do anjo. Meu anjo talvez!? -Desistir de suas palavras vai manchar a memória do meu primo. Desistir de proteger seus amigos vai fazer a morte dele ser em vão.

O quê? Ela lê pensamentos?

–Desistir de seus ideais é o que realmente mataria seus amigos, pelo menos é assim que me sinto.

Ela disse essa ultima parte com um pequeno sorriso banhado em lágrimas. Eu sabia que não tinha muito tempo para pensar, mas aquele momento pareceu congelar no tempo. Senti que estava sozinho com ela e que não havia guerra. Passei um tempo considerável refletindo se desistia ou não. Tomei minha decisão, só para que, com poucas palavras o anjo me convencesse que eu estava errado.

Não consegui mais segurar, tomei sua mão na minha e apertei forte. Não queria mais sair de perto dela. Queria tê-la todos os dias acordando serena ao meu lado enquanto as crianças quase derrubavam a porta e pulavam na cama. Estava decidido, não queria aquilo simplesmente como um sonho. Queria que fosse real. Queria que ela realmente acordasse ao meu lado.

Levantei vagarosamente, ainda segurando sua mão. Uma mão pequena, delicada, mas quando lutava realmente por aquilo que era importante, mostra seu poder. Já levantado, ajudei-a a levantar também. A fitei nos olhos, percebi sua surpresa. Queria ficar olhando para aquele rosto angelical por toda a minha vida, mas sabia que não podia, pelo menos ainda não. Enlacei seus dedos nos meus, ela estranhou então eu sorri para ela, que corou. Pensei que era impossível, mas ela ficou mais linda com isso. Virei de frente para ela e ela se virou para me encarar. Olhei bem nos seus olhos e meus lábios se moveram sozinhos.

–Aishiteru*, Hinata... (*Eu te amo). -Ela ficou estática. Pensei que ela fosse desmaiar, mas não, ela ficou lá de pé com os olhos do tamanho de Rasengans. Permitir-me rir disso. Ela tentou falar alguma coisa, mas não saiu nada de sua pequena boca. Não teria momento melhor para finalmente beijá-la, mas então percebi algo. Estávamos cercados por milhares de espectadores, todos com a boca escancarada. Virei a cabeça um pouco para ter uma ideia da extensão de nossa platéia. Quão foi minha surpresa ao notar Obito de boca aberta. Esse cara é mesmo um mistério. Meu anjo continuava estática. Virei novamente a cabeça e tremi com o que vi. Poderia ser Madara com um super ataque para destruir tudo, mas era algo bem pior. Notei um olhar estranho em um certo homem, que não me era estranho. Pensei um pouco, até ligar os pontos. Pele clara, postura imponente e... olhos lavanda. É, era o pai dela. Ele me olhava estranho. Não era um olhar de ódio, como me olhavam anteriormente, era mais um olhar de proteção. Senti uma tremedeira subir dos pés à cabeça quando percebi de quem se tratava. -H-Hinata... -Sussurrei na esperança de que ela me salvasse da morte, mas ela continuou estática com aqueles enormes olhos me encarando.

–Naruto... -Ele sussurrou me fitando. Aquele homem me dava medo. Acho até que poderíamos usar isso contra o Madara. Bastava achar uma garota que ele tava afim e dizer ao pai dela que ele a desonrou. Logo me livrei desses pensamentos idiotas quando percebi meu anjo acordar.

–Nani*...? -Ela sussurrou ainda chocada. (*O quê?).

–Você poderia explicar à seu pai, ele tá me olhando muito estranho.

–Não, o que me disse antes!? -Ela perguntou. Eu achei muito Kawaii* a carinha que ela fez. (*Lindo, bonitinho).

–Ah, quer que eu repita?

–Hai. Ela sussurrou.

–Tá bem, mas só se me prometer não deixar seu pai me matar.

Ela simplesmente concordou com um leve balançar de cabeça, acho que ela nem percebeu o que eu disse.

–AISHITERU HYUUGA HINATA!!!!!!!!!!!!!!!

Liberei tudo o que estava no meu coração. Não sabia como a amava, só sabia que sim. Notei que todos nos olhavam com expressões confusas. A maioria das mulheres suspirava e tinha um estranho brilho nos olhos. Os homens olhavam pra mim perplexos, ou era pra Hinata!? AH MAS EU ACABO COM ELES!!!!!!!

Ela pulou em cima de mim, me abraçando e beijando minha bochecha.

–Naruto-kun, Aishiterumo*! (*Também te amo).

Nos dois acabamos caindo no chão, ela por cima de mim. Eu realmente iria ficar daquele jeito pra sempre, até me lembrar de uma coisa: O sogrão.

–Rhun, Rhun...

Ele interrompeu nosso momento já com os olhos em chamas.

Nós dois despertamos daquele momento ao ouvir os barulhos que ele fazia. Murmurava coisas inaudíveis até pra quem estava perto, mas dava pra perceber que falava coisas do tipo "Não vai levar minha menina" ou "Ela é muito inocente".

Acabamos nos esquecendo do que nos cercava, até que o inimigo nos chamou a atenção.

–Bem, morrer do lado de quem se ama é realmente interessante. -Disse Madara.

É sério, se ele fosse do bem, eu o teria como um ídolo. Ele é forte, inteligente, forte, tem o Rinnegan e é extremamente forte. Mas infelizmente ele está do lado errado.

–Deveria seguir seu próprio pensamento. Desista, ache alguém para amar e morra ao lado dela depois de viverem sua vida juntos. -Disse levantando, ainda segurando a mão de Hinata.

–Até que eu poderia seguir seu conselho Naruto, mas você sabe o que realmente me fez forte?

–Não venha com esse papo de que o ódio o fez forte, eu já estou cheio de ouvir isso. -Disse olhando para o Sasuke momentaneamente. Vi Madara mostrar um pequeno sorriso, talvez por eu ter adivinhando o que ele estava pensando. Acho que Sasuke tem razão, quando dois inimigos poderosos estão lutando, eles conseguem saber o que o outro está pensando. -Sabe o que realmente me fez forte Madara? -Indaguei. Acho que ele já sabia o que eu ia dizer, mas não se pronunciou. Vendo isso, continuei. -Eu treinei para proteger meus amigos. Fiquei forte para me tornar Hokage e cuidar de todos os que tinham algum laço comigo, mesmo que de ódio. Fiquei forte para trazer meu amigo de volta. E o principal, fiquei mais forte que você... Para agora poder proteger a mulher que amo!

Como eu queria tê-la beijado naquela hora, mas por ela não o fiz. Não queria que nosso primeiro beijo fosse desse jeito. E também, o pai dela nos observava.

–Mais forte do que eu? -Ele questionou com uma estranha felicidade na voz.

–Sim, eu sou mais forte que você. Se for preciso que eu seja para protege a Hinata, eu vou ser mais forte que qualquer um!

–Oh... -Ele deu um dos seus famosos murmuros.

–Não seja ridículo. Sabemos até onde sua força vai. Mesmo que tenha todos esses aliados, você ainda não tem como nos derrotar! -Disse Obito irritado. Acho que ele estava com raiva da Hinata por ter me salvado. Hehehe, meu anjo é muito forte mesmo!

–Enquanto eu tiver o pensamento de que posso voltar pra ela, eu não vou perder. Enquanto pensar na vida que vamos ter, eu não vou perder! Enquanto saber que toda manhã, quando eu acordar e olhar para o lado eu vou encontrá-la dormindo, eu nunca vou perder! -Disse fitando os dois em cima daquele mostro, mas depois voltando a fitar Hinata. -Hinata, eu sei que é presunção minha, mas... vamos ter uma vida feliz. -Disse sorrindo para ela, que sorriu de volta.

"Arigatou*, Neji." Pensei soltando vagarosamente a mão da minha amada. (*Obrigado)

–TAJUU KAGE BUSHIN NO JUTSU! -Disse criando 10.000 clones, todos em modo bijuu. Pude ouvir os murmuros surpresos da aliança e dos inimigos.

–Naruto-kun, eu vou também!

–Não, Tenshi*. Não posso arriscar te perder. -Disse tocando seu queixo e levantando seu rosto. (*Anjo).

Antes de perder o controle e tocar seus lábios, eu a soltei e partir pra cima do mostro. Todos os meus 10.000 clones seguravam Oodamas Rasengans.

Um dos meus clones pegou o corpo do meu grande amigo e o levou para longe, para perto do seu tio.

A aliança ficou parada, assim como os inimigos. Percebi que meu pai estava sorrido para mim, acho que ele já tava pensando coisas... Bem, eu não o culpo, acho que é legal ver avô.

–IKUZOOOOU*!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! (*Vamos nessa.)

Todos os meus clones partiram pra cima. Nem percebi quando 10.001 Oodamas Rasengans atingiram o Juubi.

Tudo o que pude ver foi aquele mostro se despedaçar em 7 partes, formando novamente as 7 bijuus. Acho que eles deveriam ter dito isso antes, teria facilitado muito. Quanto o clarão sumiu, levantei com dificuldade e me virei para Hinata, sorrindo. Ela também sorriu e ficamos naquilo por alguns segundos, até eu a fitar com uma expressão de pânico, o que deixou todos surpresos. Como eu pude ser tão idiota, como fui deixar isso acontecer? Era óbvio que aqueles dois tinham escapado. Mas acho que a emoção me fez esquecer deles. Mas a agora isso já não importava, porque um deles estava lá, do lado dela. Fazendo sabe lá o quê. Todos olharam para onde eu olhava, fazendo a mesma expressão de medo que eu. Uchiha Madara. Aquele que, dependendo do que ele fizesse, passaria a ser o homem que eu nunca poderei perdoar. Derrepente ele a abraçou. Eu não sabia o que pensar. Meus amigos esboçaram alguma reação, mas ele rapidamente desapareceu das vistas. Procurei desesperado por ela, até que a encontrei. Ela se debatia em seus braços tentando se soltar, mas ele não deixava. Estava perto do outro, Obito, e os dois estavam a uns 100 metros de mim.

–Solta ela! -Exclamei nervoso.

–Então ela é sua força!? É por ela que você fica mais forte que eu?

–Madara, não se atreva a faze mal à ela.

–Bem, se ela é sua força, tudo o que eu preciso fazer é destruí-la. -Disse o infeliz formando uma esfera de energia na mão.

–MADARA NÃO SE ATREVA!!!!!!!! -Vociferei correndo desesperado ao encontro da minha amada, que apenas se debatia.

–Shine*... (*Morra).

Vi seus lábios moverem para formar aquela palavra. Como eu queria estar enganado, como eu queria que ele não tivesse mesmo dito aquilo, mas eu não errei. Ele acertou a esfera no peito do meu anjo, que olhava pra mim com um sorriso.

Não consegui terminar a corrida. Desabei. Cai de joelhos naquele lugar. Não sentia nada, não via nada. Fitava Madara perplexo enquanto via meu amor cair lentamente em direção ao chão. Forcei tudo o que tinha para que o tempo parasse, mas foi em vão. O baque surdo que o corpo do anjo fez me acordou. Realmente me acordou. Eu agora fitava Madara com ódio. Aquele homem realmente me fez odiar. Eu estaria disposto a virar as costas a tudo o que acredito? A renegar a paz em busca de vingança? A voltar atrás com minha palavra? Que se foda! Meu anjo não estava mais comigo e agora nada mais importava. Levantei decidido a matar aquele Uchiha miserável, até que meu pai apareceu do meu lado.

–Filho.... sinto muito...

Sinto muito... sinto muito... Hun... como é fácil sentir muito. Poderia dizer que meu pai me entendia, mas ele morreu ao lado da mulher amada, então ele não sabia por o quê eu passava. Quase enlouqueci quando percebi que poderia estar junto dela todo esse tempo. Quando notei que ela sempre estava onde eu estava, sendo meu anjo da guarda, e eu não notava. Aquilo doía muito. Eu poderia tê-la amado toda a minha vida, talvez até já tivesse acordado ao lado dela e percebido que ela ainda dormia serenamente enquanto as crianças entravam afobadas e pulavam na cama, mas meus olhos cegos não me deixaram ver. Levei as mãos à eles na intenção de puni-los por não terem me deixado ver Hinata, mas percebi que ainda precisava deles. Para matar.

–Sai daqui... -Sussurrei para o homem ao meu lado.

–Filho, sei que não é fácil, mas podemos passar por isso juntos. Vamos honrar a memória dela acabando com essa guerra.

Eu não entendia o que aquele homem dizia. Só entendi que o mandei sair e ele não saiu.

–EU MANDEI SAIR DAQUI! -Disse o golpeando tão forte que ele passou pela aliança e foi cair bem atrás.

Sem pensar ou ver nada, avancei contra meu alvo. Tomado pelo ódio, percebi que estava mais forte, ou era uma ilusão? Não sei, só sei que agora Madara estava morto! Cheguei em um piscar de olhos onde eles estavam. Eles saltaram para trás deixando o corpo de Hinata no mesmo lugar. Meu ódio sumiu de uma hora para outra quando eu fitei o rosto pálido da minha menina. Notei que ainda estava viva.

–N..aruto...-kun...

–Não se esforce amor, eu... eu vou te salvar.

Não sei como ela conseguiu, mas esqueci de tudo novamente. Nem lembrava mais quem era Madara.

Peguei-a no colo e rapidamente a levei para perto da aliança. Madara não tentou impedir. Achei aquilo estranho, mas não era hora para pensar naquilo.

–RÁPIDO, TSUNADE-BAACHAN! -Gritei me aproximando da Hokage. -Ela... ela ainda está viva! Salve-a!

Sentei no chão e a deixei no meu colo. Nem percebi que a molhava com minhas lágrimas, mas não conseguia parar de chorar. Ora por vê-la naquele estado, ora por saber que ainda estava viva.

–Baa-cha, rápido!

Tsunade se aproximou e se ajoelhou. Passou aquele chakra em todo o corpo de Hinata, para depois ficar triste e deixar algumas lágrimas rolarem.

–Naruto... -Ela sussurrou fitando o chão.

–Ela tá viva Baa-chan, você pode curá-la. VOCÊ É TSUNADE-HIME, A MELHOR IRYO-NIN DE TODAS!

Ela apenas baixou a cabeça. Não agüentei, chorei tanto que já soluçava. Aqueles dois desgraçados apenas nos observavam com sorrisinhos sarcásticos nos rostos. Novamente senti o ódio me tomar. As lágrimas cessaram e eu levantei com minha Hime nos braços. Ainda sentia sua respiração, mas estava cada vez mais fraca. Fitei Madara como se apenas meu olhar fosse matá-lo. Involuntariamente, deixei o ar tão pesado que meus amigos mal respiravam. Nem percebi até notar Hinata se mexer no meu peito. Sorri ao vê-la abrir os olhos. Rapidamente me acalmei, fazendo todos voltarem ao normal.

–Tenshi... -Sussurrei chorando.

–Me... chama de amor... de novo... -Ela disse cansada.

–Meu... amor.... -Falei chorando ainda mais enquanto a apertava mais forte. Ela sorriu.

–Sabe amor... que eu... ainda não beijei ninguém!? -Ela sussurrou com aquele sorriso. Eu apenas a fitei. -Eu tava guardando...tudo para você. Até queria... guardar meu corpo inteiro, não deixaria ...ninguém me ver, mas assim você também... nunca me veria, então era uma ideia ridícula hun hun...

–Não se esforce amor...

–Já é tarde Naruto-kun...

–Sabe, eu também nunca beijei. E posso dizer que me guardei para você, já que eu pretendia dar meu primeiro beijo com a mulher da minha vida, você...

Ela sorriu. Lentamente eu fui aproximando nossos lábios, até que já tínhamos iniciado nosso primeiro beijo. Dava pra notar que nenhum dos dois sabia exatamente o que fazer. Acabamos deixando o extinto nos guiar. Eu pelo menos ainda tinha lido algumas coisas nos livros pervertidos do Ero-Sennin, mas a Hinata, ela era realmente uma virgem, de todas as formas.

Meio que involuntariamente, encostei minha língua nos lábios dela. Ela tremeu em meus braços, mas, talvez por instinto, entreabriu a boca. Não sei por que, mas invadi a boca dela com a língua, e ela novamente reagiu. Era incrível. A boca dela era perfeita. Eu passava a língua por cada canto, mas quando encostei na língua dela, meu corpo tremeu. Foi a melhor sensação que eu já senti, acho que somente se igualando ao abraço que dei na Kaa-chan. Nossas línguas se tocavam em um ritmo calmo e saboroso. Nem sei quanto tempo ficamos naquilo, mas não me importava. Por um instante eu havia esquecido que era o primeiro e último beijo. Fiquei surpreso quando ela resolveu invadir minha boca. Acho que ela tava pegando o jeito. Ter aquela mulher, aquele anjo, aquela menininha em meus braços era muito reconfortante. Deixei que ela aproveitasse ao máximo seu beijo, até que notei a língua dela parar de explorar minha boca. Foi lentamente perdendo a velocidade, até parar por completo. Nesse momento separei nossas faces deixando um pequeno filete de baba no caminho. Me distanciei apenas para ver o rosto morto e sorridente do meu anjo. Novamente me desmanchei em lágrimas, e novamente elas cessaram devido ao ódio. Desta vez, a maioria dos ninjas da aliança caiu de joelhos. Já não me importava mais, já que aquilo não estava mais afetando meu amor. POR QUE ELA ESTAVA MORTA!

Criei um clone que ficou com ela e fui em direção à Madara. Ele apenas sorria debochado, o que não me afetou por que eu sabia que logo logo ele estaria morto.

–Parece que eu consegui. Você tá vindo pra cima sem ligar para as conseqüências. -Eu apenas o feitei nos olhos. Aquele rinnegan... -Agora vê Naruto, é o ódio que torna uma pessoa forte. -Aquelas palavras me fizeram parar. Achei que nada mais ligava, mas estava enganado. Ele vendo minha reação continuou. -É o ódio Naruto. Você me odeia por ter matado seu amor. Não tem como negar. -Novamente suas palavras me fizeram refletir. Não sou soberbo para negar que aquele homem era sábio. -Eu matei seu amor... -Ele repetiu como para me atormentar, mas obteve exatamente o resultado contrário.

–Pensando bem nas suas palavras Madara... -Exclamei chamando sua atenção. -Eu realmente sentia que tinha a força para fazer o que quisesse quando você fez aquilo. -Disse chorando.

–Então, concorda comigo!?

–Eu não disse isso. Naquele momento eu realmente pensei que o ódio que eu estava sentindo me deixava forte, e realmente deixou, mas suas palavras de agora me fizeram ver a verdade.

Percebi que agora ele me fitava completamente confuso.

–O quê quer dizer com isso? -Indagou com uma leve alteração no tom de voz.

–Quando você disse que matou meu amor eu percebi, minha força veio do amor que eu sentia. Se eu não amasse, não poderia ter ódio. Não existe ódio sem amor, mas o amor pode existir se ódio. -Ele me olhou perplexo. Eu novamente adquirir minhas feições antigas.

–Você se contradiz quando fala isso.

–Está errado. Eu disse que não existe ódio sem amor, mas o amor existe sem o ódio. Logo você pensa que, existindo amor, também existe ódio.

–E essa é a realidade. -Ele disse espantado. Acho que tava comendo do que eu diria.

–Não, não é. Tendo amor, logicamente pode existir ódio, já que o ódio só existe se existir amor.

–Não estou entendendo aonde quer chegar.

–O amor é independente, já o ódio está fadado a viver dependente do amor.

–Mas se só existe ódio quando existe o amor, isso não vira um círculo vicioso?

–Você não entendeu o que eu disse? O amor é independente, pode existir sozinho. Pode parecer que existindo amor, necessariamente existe ódio, mas isso não é verdade. Só existirá ódio no amor se o criarmos. Não vou mentir, te odeio por ter matado meu amor, mas justamente por ser meu amor, não posso virar a cara para tudo o que ela acreditava! Meu amor pela Hinata é maior que meu ódio por você!

Nessa hora Madara ficou estático, me encarando. Pude sentir o medo em seus olhos.

–Madara, é melhor acabarmos logo com isso. -Disse o outro Uchiha.

–E você Obito, não se meta em conversas que não lhe dizem respeito.

Pude ver que ele ficou com muita raiva do meu comentário. Partiu pra cima de mim, e eu me preparei criando um rasengan, que nem seria necessário.

–SHINE!!!!!!!!!

–Quando vai entender, o amor é maior que o ódio!? -Disse sumindo e aparecendo ao lado de meu pai.

–Gomen*, Tou-chan**. -Disse para ele com um sorriso envergonhado. (*Desculpe. **Uma das formas de Pai).

–Sem problema filho, eu queria dizer que te entendo, mas acho que não. Mas sei que é difícil. Que bom que decidiu lutar por ela e pelas ideias dela.

–Não posso decepcionar a Hinata! Tenho que fazer justiça, não me vingar.

Obito parou ao ver que eu tinha recuado.

–Filho, eu posso cuidar daquele cara, mas é meio complicado.

–Pode dizer, estou ouvindo.

–Bem.....

Meu pai me contou seu plano. Toda a aliança sabia das fraquezas do Kamui de Obito. Cortesia de Konan. Meu pai resolveu aproveitar isso.

–Entendi. Mas você não vai...

–Esqueceu que eu já tô morto? -Disse ele rindo alto.

–Ah... é mesmo...

Me virei para fitar meus colegas. Todos os meus amigos choravam, até mesmo.... Sasuke? Não acredito nisso, Uchiha Sasuke chorando?

Percebi que Hiashi segurava Hinata. Não sei como ele a pegou do meu clone, mas não importava. Liberei meu clone e recebi as informações. Acho que o clone tem o mesmo senso de justiça que eu e sabia que um pai tem o direito de se despedir da filha.

Sorri para todos e me concentrei.

–HIRAISHIN NO JUTSU... -Sussurrei levando aqueles 10.000 corpos para uma distancia de 20 quilômetros. Já cheguei praticamente desmaiado. Mesmo com meu chakra de Uzumaki junto com o chakra do Kurama, ainda foi demais. Não aguentei e caí desmaiado. A ultima coisa que me lembro é da sensação de duas mãos macias e pequenas me tocando.

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Estava atordoado. Completamente desnorteado. Minha cabeça doía e eu não sabia o que se passava. Tentei abrir os olhos, mas eles pesavam. Tentei levantar o braço, mas também não deu. Senti que ele se moveu, mas não chegou a levantar. Tentei novamente e desta vez ele ergueu, mas foi novamente de encontro com o colchão. Mas desta vez não foi por falta de força e sim por uma coisa muito macia o forçando.

–É melhor não se mexer, você está muito fraco.

Ouvi uma voz delicada de mulher. Tenho certeza que já tinha ouvido aquela voz. A curiosidade foi maior que minhas dores e me fez abrir vagarosamente os olhos. Esse simples ato me vez gemer de dor. Que Neji me desculpe a analogia, mas sentia que haviam me selado com o selo da Bouken e logo depois ativaram o selo. Minha cabeça parecia que ia explodir, mas não desistir de abrir os olhos. A luz invadiu minhas vistas só para amplificar a dor. Soltei um gemido contido e senti a dona da voz segurar meu braço, tentando me apoiar. Consegui entreabrir os olhos e fitar a pessoa que estava ao meu lado.

–H-H-Hinata... -Não me contive e a puxei para um abraço. Senti que ela resistiu de inicio, mas depois se entregou. Fiquei alguns minutos daquele jeito, até perceber uma coisa, o cheiro não era o dela. Rapidamente me separei para poder fitar quem eu abraçava. -H-Hanabi!? -Murmurei completamente constrangido.

–N-Naruto-kun... -Ela sussurrou mais vermelha que os cabelo da minha mãe. Pensei que a Hanabi era extrovertida. Ela gaguejou e corou igual a irmã.

–D-Desculpa, eu pensei que fosse sua irmã... -Disse tentando dar uma explicação.

–T-Tudo bem... -Ela disse desviando o olhar.

–O-Onde é que eu tô? -Perguntei.

–Você tá em Konoha, em uma das Tendas-Hospital.

–Em... Konoha? -Indaguei completamente perdido. Como assim em Konoha?

–Hai. A guerra acabou, nós vencemos... -Ela disse com tristeza na voz. Logicamente eu sabia o motivo.

–Aconteceu mesmo? Não foi um sonho? -Indaguei esperançoso. Era muito doloroso para acreditar. Ela limitou-se a balançar a cabeça confirmando e deixar algumas lágrimas rolarem.

Eu não sabia o que fazer. Precisava de conforto sim, meu amor se foi, mas naquele momento eu não podia fraquejar, tinha que consolar aquela garotinha.

A tomei em um abraço apertado. Pude notar a surpresa dela, mas não esboçou qualquer resistência, pelo contrário, enterrou-se em meu peito.

–Eu sou mesmo um baka*, um teme**! Como eu fui capaz de esperar tanto pra perceber que a amo. -Sussurrei chorando. (*Idiota. **Desgraçado)

–A culpa não foi toda sua... -Ela disse e pude perceber o tom brincalhão. -Ela também foi culpada por esperar tanto pra dizer o que sentia. — Falou rindo do próprio comentário.

–Acho que ela só tava esperando a hora certa. -Disse também brincalhão.

Ficamos naquele abraço confortante por uns dois minutos até ela sair vagarosamente. Tentou me fitar, mas sempre desviava o olhar. Ela estava corada, realmente era irmã do meu anjo.

–Por quanto tempo eu apaguei?

–Duas semanas e três dias.

–NANI?????

Vi ela sorrir com minha reação.

–Hai. Você usou 99,9% do seu chakra. Foi realmente um milagre ter saído vivo.

–Então, vencemos!?

–Sim. Seu pai conseguiu derrotar Obito com o Bakuhatsu*. (*Arte Ninja: Explosões Infinitas. É um jutsu criado por mim e consiste em transformar o chakra em explosivos [Se tornando uma técnica suicida]. Quanto mais chakra, mais tempo a explosão dura. Vale lembrar que Minato tinha a parte Yang do chakra da Kurama, então, é bastante tempo de explosão. Também frisando que o tempo de ação do Kamui é de cinco minutos Ok. Depois o Obito tem que se materializar).

–E o que aconteceu com ele?

–Bem, quando as explosões acabaram, nós voltamos para o campo de batalha e não o achamos. Nem ele, nem o Obito e nem ... o Madara.

–Quer dizer que o Tou-chan pegou os dois? -Indagou surpreso.

–Não. Depois de algum tempo o Madara apareceu. Toda a aliança lutou contra ele, mas ele estava estranho. Parecei que tinha perdido a força. Não lutava com tudo sabe. Não foi fácil derrotá-lo, mas acho que poderia ter dado um pouco mais de trabalho.

–Ele perdeu a vontade de lutar, assim como eu quando a Hinata...

Novamente comecei a chorar. Me surpreendi ao sentir os dedos da garota enxugando minhas lágrimas.

–Todos nós já choramos muito pela Nii-san. Sei que é pedir demais, mas é hora de sorrir para ela.

Juro que tentei parar de chorar, mas não deu. Mesmo com as palavras de Hanabi, desabei em pranto. Dessa vez foi ela quem me abraçou. Novamente ficamos naquele abraço até sermos surpreendidos por alguém.

–Que bom que acordou, Naruto-sama.

Apesar do susto, não larguei Hanabi, apenas olhei em direção à entrada da tenda.

–H-Hiashi-sama... -Falei choroso.

Hanabi levou um susto e me soltou de supetão, quase me derrubando da cama.

–Sei como está se sentido Naruto. -Falou ele se aproximando.

–Acho que sim.

–Filha, pode nos deixar a sós um pouco? -Indagou olhando para Hanabi, que estava corada.

–H-Hai. -Murmurou e saiu rapidamente, quase correndo.

Hiashi me olhava sério, ainda tinha medo dele, apesar de a Hinata já.... Novamente desabei.

–Não sabia que minha filha era tão querida assim, metade de Konoha chorou sua morte. -Ele disse calmo, com um pequeno sorriso.

–Ela e-era, eu é que s-sou o maior... baka que já existiu. -Sussurrei soluçando.

–...!?

–Fico gritando pra todo mundo que vou ser o Hokage mais forte que já existiu quando eu não passo do maior imbecil da história...

–Não é pra tanto Naruto.

0É sim Hiashi-sama... eu passei a vida inteira ignorando a Hinata, e quando finalmente a percebo, é tarde de mais.

Ele começou a caminhar em direção à saída da tenda, parou pouco antes de sair, virou para mim e disse:

–Bem, você pode ser o mais idiota da história, mas também é o Hokage mais forte.

Ele saiu sem dizer mais nada. Logo depois meus amigos entraram, e quando eu digo amigos, eram todos eles.

–Teme... -Sussurrei.

Vi que Sasuke estava com um tipo de selo nos pulsos, provavelmente supressores de chakra. Logo minha tenda foi invadida por todos.

Dois anos depois...

–Hokage-sama, os contra-cheques já estão em ordem? -Indagou Shikamaru novamente.

–Mas que droga Shikamaru, pela décima vez. NÃO! E se depender dessa sua voz cansada eu vou é acabar dormindo!

–Não é má ideia. Podíamos fazer clones e ir pra casa dormir.

–Não foi você quem disse que o choro da Tsuki não te deixava dormir?

–Quem disse que eu vou dormir em casa? Não é só minha filha que não me deixa dormir. Se a Temari me pega dormindo a essa hora eu tô morto.

–E-Então você tem um local de dormir especial? -Indaguei interessado.

–Eu é que não vou te dizer, se te dizer vai ficar muito cheio.

–Sabe o que eu acho? Que você deveria ir ao hospital pra Sakura-chan confirmar que esse seu cansaço é alguma doença. -Disse gargalhando.

–Vira essa boca pra lá! -Retrucou ele emburrado.

–Eu tava só brincando cara, não precisa ficar assim. Olha, pode ir, eu termino por aqui.

–SÉRIO?

–Hai, hai... mas vai logo antes que eu desista.

–Arigatou!

–Vai nessa, e vê se chega descansado amanhã. -Disse já o vendo sair porta à fora.

Minha opinião para justificar essa lerdeza do Shikamaru é que ele enxerga as coisas de um jeito diferente, mais detalhada. Enquanto todos olham para uma folha de papel, ele olha para milhões de moléculas de celulose amontoadas. Acho que nunca irei entender esse cara...

Olhei para meu relógio de parede e vi que já eram 4:03. Aproveito que estou sozinho e faço o que sempre faço quando quero um momento de paz: Um clone. Mas não é um clone comum. Eu desenvolvi um novo jutsu chamado Honto Bushin. Basicamente, ele é um clone, mas é real. É como se fosse uma pessoa de verdade. Pode levar vários golpes e até ser cortado ou perfurado que não desaparece. É bem útil, principalmente em batalha porque seu inimigo o golpeia, mas ele não desaparece fazendo-o pensar que é o verdadeiro. Mas como não tenho mais batalhas, eu os uso para isso mesmo.

Fiz meu clone e me dirigi para meu lar. Se eu aparecesse em casa a essa hora, todos saberiam que deixava clones no trabalho. A única pessoa que sabia disso era Hanabi. Penando nisso, me dirigi para o lugar onde eu mais passava o tempo no clã, o túmulo de Hinata.

Cheguei, e como de costume, com uma flor prensada. Nunca entendi porque ela gostava de flores amassadas, e infelizmente nunca perguntei. Sempre trazia uma diferente, envoltas com meu chakra para não estragar. Desta vez era uma camélia. Depositei a flor no imenso mural que eu tinha feito atrás do tumulo dela. Já devia ter umas setecentas flores naquele mural, e não tinha nem um sexto ocupado. Após depositar a flor no seu devido lugar, sentei em frente ao tumulo.

–Aposto que tá pensado: Quero ver o que vai fazer quando esse mural estiver cheio. -Disse sorrindo. -Eu digo: Não se preocupe, se for preciso eu trago o monte Hokage pra cá só pra ter mais espaço.

–Não acha que isso seria abuso de poder?

–Eu sou o Hokage não sou? Acho que tenho autonomia para fazer isso, Nee-chan.

–Quem disse? A única coisa que você pode fazer é ficar atrás daquela mesa assinando um monte de coisa, dia após dia, sete dias por semana. -Disse ela rindo e sentando ao meu lado.

–Tem cuidado com o que fala, eu posso te rebaixar de volta à Gennin. -Disse rindo da cara de assustada que ela fez. Mais calma, ela deitou na grama e depositou sua cabeça em minhas pernas, enquanto eu afagava seus cabelos, a ouvindo ela suspirar.

–Sabe Hanabi, todo dia eu meu pergunto onde esse amor que eu sinto pela Hinata estava enfiado todo esse tempo. Se aparecesse um ninja suspeito dizendo que podia reviver minha Hinata em troca da minha vida, eu faria sem pensar duas vezes!

–Acho que sei como é...

–Sabe é? Quer dizer que tem um carinha de sorte na vila? Quero conhecer esse cara antes de qualquer coisa, entendeu?

–Para de falar besteira, Nii-san. Eu não disse isso.

–Então como você disse que me entende?

–É que... sei lá... acho que.. é a mesma coisa com o Otou-san. Eu faria tudo para protegê-lo, e você também.

–Acho que tem razão. Também faria isso se o ninja suspeito dissesse que reviveria a Kaa-chan.

–Você acha certo Nii-san, reviver os mortos?

–Bem... se pensar com calma, isso não parece muito legal.

–Tem razão.

–Mas é que é difícil perder alguém que se ama tanto. Você fica perturbado, quer fazer de tudo para ter a pessoa de volta.

–Uhun... -Murmurou ela.

–Não vai dormir, vai?

–Acho que sim...

–Eu já devia saber... sempre que eu faço isso você dorme!

–É que é muito gotoso... -Falou ela manhosa.

–Sei... mas acho melhor irmos antes que o Hiashi-sama fique preocupado com você.

–Me carrega...!?

–Não acha que tá muito velha pra isso não?

–Onegai Nii-san...!?

–Tá bom, mas só se me prometer uma coisa.

–Prometo...

–Mas você não sabe nem o que é!?

–Mas eu confio em você.

–Tá bom, me prometa que vai me apresentar esse cara antes que vocês comessem a namorar.

–Mas eu já disse que não tem cara nenhum, Nii-san...

–Mas quando tiver, você promete?

–Prometo. Agora anda, me carrega...

Ela levantou do meu colo e eu aproveitei para me despedir da minha Hinata.

–Até a próxima, amor. -Disse reverenciando e fazendo uma prece por Hinata.

Hanabi subiu nas minhas costas e acomodou seu queixo na curva do meu pescoço.

–O que você acha que vão pensar quando verem o Hokage carregando uma Chunnin de 13 anos?

–Sei lá... -Falou cansada.

Sorri pra mim mesmo e me dirigi para casa.

–Konbanwa*, Hiashi-sama. -Disse entrando. (*Boa noite).

–Konbanwa. O que é isso Naruto? Aconteceu alguma coisa? -Indagou ele surpreso. Só então percebi que entrei em casa ainda com Hanabi em minhas costas, e o pior, ela tinha dormido.

–Bem... é que... ela disse que se eu a carregasse ela prometia me dizer quem era o namorado dela.. -Disse me enrolando nas palavras.

–Que história é essa?

–N-Não... eu que expliquei errado. Ela ainda não tem um, mas quando tiver eu vou ser o primeiro a sabe pra pressionar ele sabe...

–Hun... depois você me explica essa história, agora é melhor levá-la para o quarto...

–Hai, sumimasen*. (*Com licença).

Disse subindo as escadas e caminhando em direção ao quarto de Hanabi. Depositei ela lentamente na cama para que não acordasse. Era muito estranha nossa relação. Eu nunca tive ninguém para se preocupar comigo, mas agora eu que tinha que me preocupar com alguém. E não era uma sensação ruim, muito pelo contrário, me fazia sentir útil. Deitei a Nee-chan e sentei na beirada da cama. Passei um bom tempo encarando ela, afagando seus longos cabelos. Ela podia não ter o mesmo cabelo da minha Hinata, mas de resto eram bem parecidas. A convivência com ela me mostrou que ela não era assim tão solta. Ela era uma garota até mesmo tímida, só falava com quem falava com ela, mas se era um amigo, era melhor se preparar para ficar ouvindo ela falar baboseiras por horas.

–Nee-chan!? Chamei para verificar se estava dormindo, não obtive resposta. -Sabia que você é tudo pra mim? Você é como se fosse um presente deixado pelo meu anjo. Não sei se teria conseguido viver depois da partida dela se você e o Hiashi-sama não tivessem me apoiado. Finalmente eu tenho um clã, uma família. -Dizia enquanto afagava seus cabelos. Eu adorava aquilo, e ela também. -Nunca pensei em ter uma irmã, até porque meus pais já se foram. Hun hun... sabe, quando eu percebi que estava apaixonado pela Hinata me imaginava acordando pela manhã, olhando para o outro lado da cama só para encontrá-la dormindo serenamente. Afagaria seus cabelos enquanto as crianças derribavam a porta e pulavam em nossa cama. -Já estava chorando rios de lágrima. -Mas eu sei que você não quer ouvir minhas baboseiras hehehe...

Depositei um beijo em sua testa, estiquei o cobertor e saí de lá antes que deitasse junto e a abraçasse para poder me reconfortar. Belo Hokage, se aproveitar de uma garotinha de 13 anos para afogar as mágoas. Mas ela era minha Nee-chan, acho que faria isso sem questionar... E sempre que a gente chora junto, no final se sente melhor.

Deixei a Nee-chan dormindo e desci para conversar com o Hiashi-sama.

–As perdas nunca serão repostas Naruto, não é chorando que trará a Hinata ou o Neji de volta.

–Não precisa dizer coisas obvias Hiashi-sama. -Eu disse sem qualquer tom de sarcasmo. Ele sorriu.

–Você parece mesmo o irmão dela.

–Eu sou o irmão dela.

–Então, isso me faz seu pai?

Arregalei os olhos com aquelas palavras. Um pai? Será mesmo? Nunca tinha parado pra pensar naquilo. Nesse um ano e meio que estou vivendo com os Hyuuga eu nunca tinha parado pra pensar em nossa relação familiar. Hanabi era sem dúvida minha pequena Nee-chan, mas e Hiashi-sama? E o resto do clã? As palavras dele me tocaram. Não consegui me conter e o abracei.

–Arigatou... Sussurrei.

–Doushite*? (*Por que?).

–Por me ajudar a seguir em frente... não sei se teria conseguido viver sem vocês.

–Não pense que é só você que se sente assim, Naruto. Hanabi era muito apegada a irmã, mas graças a você ela conseguiu superar. Você novamente utilizou esse seu poder de mudar as pessoas.

Soltei Hiashi-sama e sentamos no sofá.

–E então Hokage-sama, já conseguiu uma data para a reunião?

–Ainda não, mas é melhor assim. Ainda não me decidi se deixo as bijuus na nossa dimensão ou as mando para a delas. E o pior é que elas estão divididas, não posso separá-las.

–Mas mandá-las para a dimensão delas significa perder Kurama?

–Hai... -Respondi triste. -Não sei se consigo fazer isso.

–Então vote em deixá-las aqui! Você é o Hokage, sua opinião tem um peso maior que a dos outros Kages.

–Acho que nem vai precisar disso Hiashi-sama. Acho que quatro dos Kages tem essa opinião. Sem contar seis das bijuus. Sei que elas não vão querer se separar. Caso elas fiquem, vou fazer um selo muito especial para permitir a interação de umas com as outras quando estiverem próximas. E quem sabe também faça um selo que os possibilite ficarem fora dos Jichuurikis em tamanho reduzido! -Disse sorrindo.

–Não está pensando muito alto?

–...!? -Fiz uma cara emburrada, afinal eu era o Kage mais forte que já existiu. E isso só com 18 anos!

–Hun hun... mas acho que você é bem capaz de fazer isso..

–Nii-san... Otou-san...

Lá vem ela, me faz a carregar só pra acordar meia hora depois.

–Que bom que acordou Hanabi, por que agora quero que me explique essa história de namorado!

Ela gelou... e eu comecei a rir.

Ah... família. Naquele momento senti que meu anjo nos fazia companhia...

AISHITERU, HINATA...

Notas finais
Ó só povo. A fic não é toda de tragédia OK. Eu só decidi começar por um enredo triste, que nem chega a ser tragédia. Ja Ne...