Notas iniciais
Voltei :3

A janela. Aquela bendita janela que não parava de receber corvos. Havia uma pequena fortuna pela cabeça, que alguns diziam ser linda, da criança Stark. Bendito seja Garlan. Bendita seja Olenna. Que ambos se abraçassem e queimassem no fogo do inferno de todos os deuses. Esse era o sentimento mais puro e verdadeiro na mente de Willas. O meistre já nem abria mais as cartas. Todas iam direto ao fogo. Ninguém era estúpido, e a dúvida de que Sansa Stark estava em Jardim de Cima pairava em todos os Sete Reinos. A única de todas as cartas que de algum modo Willas não esperava, era a do Jovem Lobo. Era uma carta simples e direta. Case-se com ela. E lhe deixarei sem as duas pernas. Ameaça simples e muito direta. Garlan riu. O Jovem Lobo era muito ousado e não havia perdido nenhuma batalha. Mas, Willas deveria agradecer. Desde que recebeu a carta não sonhava mais com donzelas ruivas. Sonhava com lobos ferozes que lhe comiam a garganta. Benditos sejam.

Willas era de natureza pacifica. E aquele simples casamento lhe dava mais dor de cabeça que toda a guerra. Não foram uma nem duas as vezes que recebeu guardas reais em busca da pequena donzela. E graças a Mãe, a criança ainda não havia chegado a Jardim de Cima.

Completamente contrariado ele recebeu no dia seguinte uma pequena comitiva de Dorne. Eles estavam se dirigindo para Porto Real, mas pelo jeito Nymeria Sand havia se perdido no caminho.

“Meu bom senhor, que prazer em revê-lo.” Os olhos castanhos de Nymeria brilharam de malicia. Tudo que Willas não precisava agora era uma antiga amante em Jardim de Cima. Os vassalos estavam lentamente se reunindo para celebrar o casamento. Lentamente mesmo, para não chamar atenção de visitas indesejadas e com certeza Nymeria era uma delas.

“Nymeria, o que a traz a Jardim de Cima?” Willas estendeu a mão ajudando a morena a descer do cavalo. Ela sorriu e respirou fundo.

“Esse lugar é tão refrescante perto de Dorne.” Ela passou a mão pelo peito de Willas e sorriu. “Meu pai está indo para Porto Real, eu resolvi passar e fazer uma visita.” Willas se sentiu apreensivo, a morena usava vestes claras e que não deixavam muito para a imaginação.

“Nymeria, eu fico feliz com sua visita, vamos arrumar um quarto para você.” Willas estendeu a mão e gentilmente começou a guiar a morena para o castelo.

“Um quarto?” Ela ergueu uma sobrancelha. “Achei que poderíamos relembrar nossa juventude.” Disse num tom mais baixo, apenas para Willas.

“Eu receio que não.” Willas apertou a bengala. “Não somos mais jovens Nymeria, e eu estou compromissado.” Ele respirou fundo.

“Ah! Receio que nem todas as notícias sejam verdadeiras em Dorne, achei que ainda era solteiro.” Disse com um sorriso malicioso, tão típico de todas as filhas bastardas de Oberyn.

“Creio que sim, Senhora Nym.” Willas acenou para o meistre Lomys. “Se me concede sua licença, minha senhora, eu devo me retirar.”

“Claro, Willas.” Ela sorriu docemente, docemente demais para a opinião de Willas. “Vemos-nos mais tarde.” Ela acompanhou uma das aias e saiu fazendo seu vestido voar pelo salão frio.

“Fique de olho nela.” Foi o único aviso de Willas para o meistre. “Eu vou subir para os meus aposentos, a perna está doendo muito nos últimos dias.”

“Gostaria de leite de papoula, senhor?”

“Não, eu quero ficar bem acordado. Com sua licença, meistre.”

Willas passou mancando pelo meistre e tomou o caminho mais curto para o próprio aposento, que incluía passar pelo corredor próximo a entrada lateral do castelo, foi quando uma pequena multidão chamou sua atenção, no jardim lateral senhora Megga gritava ordens sem fim para um pequeno grupo, que pareciam mercadores, curioso Willas se aproximou e parou alguns metros.

“Senhora Megga.” A mulher se virou e sorriu, o rosto vermelho entregava o calor de ficar exposta no sol por muito tempo. “O que aconteceu?”

“Acabamos de chegar, meu bom senhor.” Ela olhou em volta, como se procurasse alguém. “Sua noiva, a garota Stark, estava aqui a alguns segundos. Pedi para aia leva-lá para um dos aposentos e estou pedindo para esses estúpidos não quebrarem as coisas da viagem.” Ela sorriu docemente, mas apesar de tudo a única informação que a cabeça de Willas assimilou foi a chegada da garota Stark.

“Onde ela está?” Perguntou se inclinando um pouco, para se livrar de orelhas indesejadas.

“Eu mandei Janet levar a menina para o quarto da ala oeste, o vento bate mais lá e a menina suava que nem um porco, pobre coitada, cresceu no meio do frio do Norte, deve estar passando um sufoco.” Megga abanou o rosto e logo começou a gritar ordens novamente, Willas fez uma breve mensura e se retirou.

Seus aposentos já não pareciam mais tão interessantes, queria colocar os olhos na garota Stark, queria ver os cabelos vermelhos como fogo. Sem pensar muito seu pés o levaram para a ala oeste do castelo, um pouco afoito Willas tentou se lembrar qual era o melhor quarto ali. Provavelmente Megga não colocaria a garota em um espaço pequeno, mancando lentamente, e sentindo cada vez mais a perna ruim, Willas chegou até o último quarto. Era na torre, ele teria que subir a escada em espiral, respirou fundo e se pôs em uma marcha lenta e dolorosa.

“Pelos Sete, parece que tudo é difícil quando se trata da criança Stark.” Finalmente chegou e encontrou a porta dos aposentos entreaberta, enxergando como um sinal que de a garota estava no aposento ele a abriu e parou estagnado na porta.

A garota dos cabelos negros pulou na banheira de madeira, a água escorreu pelo seu corpo, passando pelos pequenos seios e se acumulando entre os pequenos cachos ruivos entre as pernas. Willas piscou os olhos e sentiu o sangue correr para o rosto, tinha o mesmo tom de vermelho que a garota naquele momento.

“Perdoe-me, pelos Sete, eu... eu...” Willas começou a gaguejar e fechou a porta com um solavanco, respirando fundo. A aia vinha pela escada e parou na porta.

“Senhor?” Ela perguntou delicadamente, tocando no braço de Willas.

“Você é a Janet, a aia da minha futura esposa?” Perguntou ainda piscando os olhos e sentindo um desconforto entre as pernas, a imagem da pele sedosa e alva não saia da sua cabeça, os seios com o bicos túrgidos e rosados pareciam zombar de sua situação.

“Sim, senhor.” A garota piscou os grande olhos castanhos.

“Ela pintou os cabelos?” Perguntou, lembrando que apesar dos cabelos compridos e castanhos a garota da banheira tinha os pequenos cachos ruivos. Vermelhos como fogo.

“Sim...Para a viagem, por que senhor?”

“Mande-a para os meus aposentos quando ela terminar o banho.” Sem dizer mais nenhuma explicação, Willas começou a descer as escadas, esquecendo completamente a dor na perna. “Criança... Garlan estava certo, aquela garota não é nenhuma criança.”

Notas finais
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