About Flowers & Beasts (HIATOS)
4 Sansa
Notas iniciais
A aia Janet, muito curiosa e faladeira, já tinha explicado mil vezes, todas de formas diferentes, como o castelo funciona, e como era a aparência de Willas. Sansa estava zonza quando a garota terminou e deu graças aos sete que o seu banho estava finalmente pronto. Lentamente ela se livrou das vestes rudes de algodão e entrou na banheira de madeira, deixando o corpo relaxar depois da viagem.
“A senhora vai deixar seus cabelos naturais?” Janet perguntou enquanto escovava os cabelos castanhos de Alanna.
“Sim, eu quero voltar a ser Sansa da casa Stark, e não Alanna a mercadora.” Sansa fechou os olhos e deixou o perfume dos óleos de banho dominarem o ambiente e sua mente, anestesiando os últimos acontecimentos de sua vida.
Agora ela recomeçaria, seria a senhora de Jardim de Cima e uma esposa perfeita para o senhor Willas. Não importava a Sansa se o homem era perneta (segundo a terceira descrição de Janet) ou parecia um príncipe com perna de pau, quarta descrição, ela seria uma esposa amável e companheira, apenas para não correr o risco de ser devolvida para a rainha e seu filho monstro.
Ele não fará isso sua bobinha, esse casamento se baseia apenas no interesse dos Tyrell pelo Norte. Sem sonhos encantados Sansa. Sem sonhos. Ela se repreendeu enquanto esfregava levemente e pele úmida com uma esponja macia e perfumada.
“Senhora, eu vou buscar algo para comer. Alguma preferência?” Perguntou a aia limpando as mãos no vestido.
“Tortilhas de limão... Eu adoro tortilhas de limão.” Sansa sorriu e viu a garota deixar o quarto rapidamente. No fim aquilo não era de todo ruim, tudo bem que casaria com um homem que nunca havia visto na vida e dez anos mais velho que ela, mas Sansa estava segura. Longe dos abusos de Joffrey. Longe dos lábios repuxados e abusivos do Cão. Ela reprimiu o asco ao se lembrar do beijo roubado naquela noite caótica. Ela deveria se acostumar porque era assim que homens beijavam, com aquela gana e fúria. Provavelmente seu marido a beijaria assim. E faria coisas a mais.
Respirando fundo, decidiu que estava murchando na água e se pôs de pé, viu quando alguém empurrou um pouco a porta e agradeceu a chegada oportuna de sua aia.
Sansa pregou os pés no fundo da banheira e prendeu a respiração, reprimindo um grito de surpresa, quando um homem alto e de porte bonito abriu a porta e encarou estupefato. Ela sentiu os olhos castanhos percorrem cada gota que escorria de seu corpo e desejou um buraco bem fundo onde pudesse ir morar, ao lado do Estranho. O homem olhou novamente seus olhos e fechou a porta com um baque alto. Sansa voltou a respirar e escorreu na banheira, afundando a cabeça embaixo da água. O que foi isso?
Segundos depois sua aia entrou no quarto, e chamou por ela. Sansa emergiu apenas a cabeça e encarou a olha dos olhos castanhos que sorria.
“Senhor Willas estava na porta, ele mandou você ir vê-lo depois do banho.”
“Willas? Willas Tyrell?” Sansa perguntou agora erguendo completamente o tronco e ignorando o fato que a criada não tinha suas tortilhas.
“Sim, o próprio.” A aia era tão inocente que nem percebeu como Willas sabia do banho da patroa. “Suas tortilhas vão subir assim que ficarem prontas.” Ela completou como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Ele era o Willas. Meu Willas? Sansa foi envolta pela toalha felpuda e macia e sentou na cama, encarando a porta por onde seu futuro, e diga-se de passagem lindo, marido havia saído.
Ela havia imaginado muitas versões de Willas, mas nenhuma se comparava a realidade. O homem que a encarou em um momento intimo tinha os olhos expressivos e castanhos, seus lindos cabelos lhe chegavam aos ombros e eram ondulados, Sansa sorriu e tentou se lembrar melhor do rosto dele, mas ela estava em estado de choque, agora teria uma visão melhor dele, e iria decorar cada centímetro de pele. Ele me viu nua. Pela Donzela. Ela ergueu o corpo novamente e deixou a preocupação tomar conta. O seu futuro marido havia visto nua! O que sua mãe pensaria disso? O beijo roubado de Sandor parecia inocente perto daquilo.
“Janet, sabe o vestido branco com bordo? O que tem uma manta de seda branca? Eu vou vesti-lo.”
A aia se ergueu e voltou com o vestido em mãos. O vestido de baixo era bordo com detalhes bordados em dourado e vermelho-sangue, ele tinha o peito estufado mas não cobria os ombros, por cima do vestido vinha um tecido leve e branco, com o interior no mesmo tom de bordo, as mangas eram longa e tocavam o chão quando Sansa abaixava os braços. O tecido branco se prendia abaixo dos seios, desenhando a cintura fina e os quadris largos de Sansa.
“Você está linda.” Janet exclamou quando Sansa terminou de vestir a peça branca.
“Prenda meu cabelo para trás e passe essa fita nele.” Sansa alcançou uma fita dourada para a aia, que prendeu a parte de cima e passou a fita nos cabelos castanhos, destacando ainda mais o penteado. “Acha que ele vai gostar?” Perguntou Sansa em um fiapo de voz.
Janet sorriu e alisou os ombros da senhora.
“Não existe no reino mulher mais bela que você. Eu juro.”
“Você nunca viu todas as mulheres do reino.” Sansa disse um pouco irritada. “Não pode mesmo afirmar isso.”
“Bem, eu já vi todas as mulheres de Jardim de Cima, e posso afirmar que daqui você é a mais bela.” Janet sorriu e Sansa abriu um sorriso radiante.
Respirando fundo ela saiu dos seus aposentos e guiada por Janet se encaminhou até uma grande porta de mogno.
“Bem, eu devo mandar as tortilhas para cá?”
“Sim. Sim, mande.” A aia se afastou e Sansa ainda encarava a porta. Respirando fundo ela bateu e aguardou.
O homem que a encarou na banheira abriu a porta, e Sansa sentiu as bochechas esquentarem. O olhar constrangido de seu futuro marido também não passou despercebido.
“Entre.” Ele disse num tom calmo dando passagem para ela.
Sansa entrou nos aposentos e respirou fundo, o cheiro de óleos de banho e almíscar, virou-se e deu de encontro com o peito magro, porém forte de Willas.
“Perdão.” Pediu se afastando e sentindo as bochechas corarem ainda mais forte. “Eu não vi você.”
“Eu que tenho que pedir perdão... Por hoje... Mais... Cedo.” Willas mancou até o lado de Sansa, e ela não pode deixar de notar nas coxas fortes e bonitas dele. Ela subiu o olhar, para a cintura de Willas. Ele tinha uma cintura delineada e peito se alargava, não era forte como os guerreiros, mas tinha mais corpo que Joffrey. Os braços também pareciam firmes por debaixo da túnica de linha que ele usava. Ela encarou o rosto, era angelical, porém masculino. Sansa chegou à conclusão que Willas era um exemplar raro e belo. Não tinha feições infantis, e nem severas. Perfeito.
Com um sorriso brincando nos lábios ela voltou a prestar atenção. Percebeu que perdeu metade do discurso de Willas e sentiu-se novamente envergonhada. Não podia estar fazendo isso. Tinha prometido parar com esses sonhos de donzela.
“Senhora?” Willas perguntou, quase docemente, e Sansa sentiu seu coração disparar. “Você está bem? Eu realmente sinto muito.”
“Tudo bem.” Ela disse baixo e sentou-se de frente para ele numa mesa próxima da janela. Agradeceu o vento que entrava pela mesma, assim conseguiria prestar atenção em outra coisa que não fosse aos lábios rosados e cheios do seu futuro marido. Não, homens como ele não devem beijar como o Cão. Lábios tão rosados devem ser macios e gentis. “Senhor, eu realmente sinto muito, podemos apenas esquecer aquela cena mais cedo?”
“Como se esquecesse algo como aquilo?” Willas soltou com um sorriso, mas logo pareceu se arrepender e limpou a garganta, bebendo um longo gole do cálice a sua frente. “Aceita vinho?”
“Claro, senhor.”
“Willas.” Ele disse enquanto a servia. “Me chame de Willas, senhora.”
Ela levou o cálice até a boca e o bebeu, uma gota escorreu pelo queixo e Willas se inclinou e a limpou com o dedo, o levando até os lábios e lambendo. Sansa sentiu o corpo esquentar. “Sansa, me chame de Sansa.”
“Claro, Sansa.” Willas sorriu novamente, ele parecia não ter consciência de como aquele ato havia mexido com corpo de Sansa. Ele abriu os lábios rosados para dizer alguma coisa, mas uma batida na porta o fez parar. “Entre.”
Uma mulher de pele morena e usando, com muito pouco tecido na opinião de Sansa, um vestido esvoaçante de cor água-marina entrou no quarto com um sorriso sedutor. Que morreu em seus lábios cheios e curvilíneos ao se deparar com Sansa.
“Willas.” Ela disse com uma voz resignada. “Não sabia que tinha companhia.”
“Senhora Nim, minha futura esposa, Sansa” Willas disse, olhando carinhosamente para Sansa, que corou novamente.
“Encantada, senhora.” Sansa ressaltou a palavra senhora, como se para afirmar para a tal de “Senhora Nim” de que ela era mais jovem e mais bela. Não que Sansa tivesse feito isso propositalmente, mas era como se seu corpo soubesse como reagir de frente com uma inimiga. E Sansa sentia em suas entranhas que, assim como os lábios de Willas eram macios, Nim era concorrência.
“Sua noiva é uma criança? Que coisa feia Will.” Ela disse retomando o sorriso provocador.
Sansa mordeu o lábio e olhou para a janela. Tentando não se magoar com o comentário desapropriado.
Criança?! Ele não me olhava como uma criança ainda nesta manhã. Senhora ‘velha’ Nim. Os olhos verdes de Sansa encontraram os olhos castanhos de Willas, e ela desviou novamente o olhar para o horizonte floral de Jardim de Cima.
“Nymeria, se você realmente não tem nada importante para dizer, gostaria muito que se retirasse.” Willas disse seco e impaciente.
Sansa viu pelo canto do olho o sorriso de Nymeria sumir novamente, e ela lançar um olhar de desaforo para seu futuro marido. Ela virou, fazendo o vestido com pouco tecido dançar, e se retirou batendo a porta.
“Não dê ouvidos para Nymeria... Ela só está... “
“Ressentida porque queria você?” Sansa levou à mão a boca assim que deixou as palavras escaparem, no que ela estava pensando para agir com tamanha intimidade com ele?!
Willas sorriu e acenou a cabeça.
“Digamos que sim.”
“Desculpa.” Ela soltou em seguida. “Por atrapalhar sua vida, perto dela... Bem, eu sou realmente uma criança.” Sansa respirou fundo e levou o cálice até os lábios.
“Sansa...” Willas revirou os olhos e sorriu. Ele parece um anjo quando sorri. “Eu não me encontrava com Nymeria há muito tempo, foi realmente falta de sorte ela resolver aparecer justo agora. E eu posso afirmar minha querida, que você não se parece em nada com uma criança.”
Sansa sentiu as bochechas corarem e sorriu para si mesma. Minha querida. Ele me chamou de minha querida. E disse que não pareço uma criança... Ela corou novamente por lembrar-se de como ele podia afirmar isso. Pare de corar sua estúpida, ele vai pensar que você sofre de alguma doença.
“Obrigada, Willas.” Sansa saboreou como o nome dele saia dançando dos lábios dela. Sim, Willas. Meu Willas.
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