Notas iniciais
Acho que fiz um bom trabalho... ou não. Digam-me vocês *O* Obrigada pelos comentários, postei antes só de felicidade

A rainha havia lhe dado um vestido de presente. E apesar de toda dor sentida nas mãos da família real, Sansa era uma menina vaidosa, e mesmo que não o fosse, o medo de qualquer represaria por uma desfeita a fez sorrir e agradecer como a etiqueta manda.

Na manhã em que seu novo vestido devia ficar pronto, Sansa sofreu nas mãos das empregadas, e logo depois foi mimada pelas próprias ais da rainha, tendo as unhas feitas e os cabelos escovados.

No fundo de sua mente, algo lhe gritava que aquilo estava errado, mas o conforto e o relaxamento que teve, enquanto seu casco cabeludo era massageado, a fez ignorar qualquer coisa.

Quando a rainha entrou junto com a costureira trazendo o mais belo vestido que Sansa já tinha visto na sua vida, mal pode acreditar.

A camisola de seda foi levemente tocada sobre o seu corpo, e escorreu pela pele macia e alva, o vestido de cor marfim e pano de prata, constatavam com seu lindo cabelo ruivo a deixando ainda mais bela.

A rainha disse algo sobre jóias, e Sansa se viu usando as pedras de lua que Joffrey uma vez havia lhe dado. Não quero essas jóias, essas jóias vieram do monstro. Novamente algo pitou em sua mente, então parou e escutou atentamente enquanto a rainha lhe dizia algo sobre ela estar muito bela. Sansa concordou. Willas ira me amar...Não vai casar comigo apenas por Winterfell, ele irá me amar. Sorriu, mas logo parou e encarou a rainha pelo grande espelho ornamentado.

“...Parece quase obsceno esbanjar essa doce inocência naquele gárgula.” Cersei terminou a frase, da qual Sansa perdeu o começo e fez sinal para a costureira.

“Que gárgula?” Sansa virou e encarou Cersei, mas no momento seguinte, tinha um manto pesado sobre os ombros com o lobo da casa Stark.

Então tudo veio em sua mente. Estavam a casando com alguém. Alguém que deveria ser um monstro. Alguém que a rainha odiava. Sua mente trabalhou arduamente, enquanto via a rainha sair do aposento Sor Meryn Trant e Sor Osmund Kettleblack entravam, a mente estava anuviada, mas ouviu alguém falar algo sobre o duende. Sansa segurou o ar e sentiu um nó se formar na garganta. A casariam com o duende. A casariam com o pequeno monstro.

Mãos fortes a guiaram para fora do quarto, e Sansa apenas se deixou arrastar. Mais uma vez lhe roubavam uma saída, mas uma vez lhe roubavam a felicidade.

Caminhavam por um grande corredor. Ninguém estava visível além da infortuna noiva e seus dois guardas. Guardas não. Estão aqui para que me obriguem a casar. O que meu pai e minha mãe pensariam disso? E tudo aconteceu muito rápido. Uma lança atravessou a garganta de Sor Meryn Trant e Sansa soltou um grito, que foi abafado por uma mão enluvada. Seu corpo foi pressionado contra outro corpo, um masculino e esguio. O corpo sem vida e ensangüentado do Sor Meryn caiu com um baque mudo, e enquanto Sor Osmundo tentava se recuperar do ataque repentino, Sansa viu um terceiro homem cortar sua garganta com uma pequena adaga. Debateu-se em busca da liberdade, o tão belo vestido ficou amassado nesse processo. Uma voz doce como e que parecia cantada por anjo disse em seu ouvido para se acalmar. Sansa reconheceu a voz, e virou-se lentamente, apenas para encarar os olhos castanhos de Sor Loras.

“Não grite senhora.” Ele disse a puxando no caminho contrário ao que vieram. “Vamos te levar para Jardim de Cima, ainda está semana estará casada com meu irmão.” Dobraram apressadamente em uma pequena entrada, e Sansa encarou Varys, que sorria docemente. Sansa não conseguia dizer uma única palavra. Só ouvia falar de resgate de donzelas em canções. Será que era assim que sua tia Lyanna havia sido levada para Dorne? Afastou esse pensamento e se concentrou em não tropeçar na saia do vestido. O caminho era escuro e tortuoso e Sansa sentia uma sensação estranha no peito, como se fosse difícil de respirar, chegaram a um grande circulo, e Sansa reconheceu um grande dragão desenhado no meio. Havia várias portas metálicas e todas trancadas, podia ouvir vozes, mas não saberia dizer de onde vinham. Loras a encarou e sorriu. O cavaleiro das flores ficava ainda mais bonito na luz tênue da tocha. Varys surgiu logo atrás, e Sansa se perguntou como aquele homem com tanto corpo conseguia andar sem fazer nenhum som.

“Daqui em diante eu levo a senhora Sansa. Volte para o castelo para não causar suspeitas.” Varys tocou gentilmente no cotovelo de Sansa e a puxou por uma das portas. Sansa lançou um último olhar para Loras, a tocha iluminava apenas o seu rosto enquanto ela andava cada vez mais para o escuro. “Ficará tudo bem senhora. Ficará tudo bem.”

Após o que pareceu uma eternidade, alçaram uma saída perto do porto, onde um pequeno barco esperava por Sansa. Varys a cobriu com um manto e escondeu seus cabelos com uma touca. Sansa foi empurrada para dentro do barco. Porém, Varys continuou em pé, na beirada do porto. Em dois segundos, apenas um piscar de olhos, ele havia desaparecido.

Sansa encarou a sombra de Porto Real, enquanto ela se tornava cada vez menor. Não sabia ao certo quanto tempo ficou no pequeno barco, o homem que empunhava as pás não falou com ela. Sentiu um alívio crescer no peito a medida que se afastavam do local onde viveu seus piores pesadelos. Sansa abraçou o corpo e se permitiu chorar. Diferente de tantas vezes. Agora ela chorava de alívio.

Alcançaram uma pequena veleiro, onde Sansa foi recebida por uma mulher de traços fortes, que a levou para uma cabine.

“Troque de roupa senhora, não vai querer manchar sei vestido de casamento.” Ela entregou um vestido de algodão azul para Sansa. “Pelo menos para isso esses bastardos Lannister serviram.” Ela sorriu, virando Sansa e a ajudando a se vestir. Sansa pensou que poderia manter a camisola de seda, mas até isso a mulher a tirou, dizendo que seria uma belo presente de casamento para Willas. Sansa tomou um tom rubro forte e novamente chorou, lembrando-se que iria agora em direção a uma vida um pouco mais fácil. “ A minha querida, não chore, Willas é um bom moço.” Sansa balançou a cabeça, tentou explicar que era de felicidade, mas apenas abraçou a senhora e sentiu-se confortada. Após estar decentemente vestida recebeu seu jantar na cabine. E resolveu tentar dormir.

Sansa não sabe quanto tempo à viagem durou, mas após algumas noites eles desembarcaram em um local próximo a Poleiro do Abutre e tomaram uma comitiva pequena e discreta como se fossem mercadores. Sansa foi decentemente escondida em roupas simples, e seu cabelo ruivo pintado de negro. Sentia-se outra pessoa, que recebeu outro nome. Alanna eles disseram, chamara-se Alanna. Sansa sabia que o motivo daquilo era não ser reconhecida e apesar do desconforto se sentiu muito bem.

Pararam em uma pequena estalagem, onde Sansa dormiu com a senhora Megga. Uma das muitas filhas de vassalos de Jardim de Cima. Para todos os efeitos, ninguém além da senhora e de poucos cavaleiros, disfarçados de mercadores, sabiam sua verdadeira identidade e segredo deveria ser mantido até Jardim de Cima. Uma quinzena depois, Sansa já via as sombras do castelo, sentiu o coração ficar mais apertado e as dúvidas invadirem sua mente. Agora estava perto. Agora tudo se resolveria. Agora Sansa, ou Alanna, poderia dormir em paz.

Notas finais
e no próximo capítulo, saberemos as tretas que essa escapada vai causar em Jardim de Cima e Porto Real *O*