Mário veio andando um pouco assustado. Naquele momento silencioso, todos paramos de brigar, e demos atenção ao olhar solitário de Mário, que vinha caminhando em nossa direção:

- Quem são eles? -perguntei enquanto me levantava.

- São soldados enviados para nos destruir... -ele respondeu enquanto abaixava a cabeça.

- Por que vão fazer isso? -Larissa se enfiou na conversa, com um pouco de medo.

- Nós destruímos a cidade. Queimamos a floresta com a explosão, matamos familiares de muitas pessoas que moravam na cidade dele, que se não me engano é logo perto daqui, Katze7, o nome. -respondeu Mário pensativo.

- Ótimo, o que faremos?

- Não sei Larissa, não sei... Eles tem razão. Nós vamos ser enviados para essa cidade e lá vamos saber o que vai acontecer com a gente. -Mário disse enquanto se aprofundava no olhar penetrante de Larissa.

Todos paramos de falar e uns 6 homens começaram a vir em nossa direção, em suas mãos, tinham armas pesadas. Eles usavam capacetes e umas roupas sensacionais, como as de filmes de guerra. Atrás dele veio saindo um homem com um terno cinza, com óculos escuros e uma maleta em sua mão:

- Então foram vocês que destruíram a MINHA cidade? -falou o homem que era conhecido por todos nós.

- Ér, você não é o prefeito? -perguntou Mário.

- Sim, eu era... Até vocês acabarem com tudo. Você tem noção do trabalho que eu tive para limpar esse Rio? Sabem o quanto foi difícil arrumar o parque? Construir tudo, para que os habitantes tivessem se sentido confortáveis?! A partir de hoje, eu declaro, que essa cidade, vai ser uma cidade "fantasma", ninguém entra mais aqui. Vocês contaminaram o rio inteiro! -falou enquanto nos obrigava a entrar em outro helicóptero.

Tinham 3 helicópteros, para um lado, foram o Andrógeno, PacNilson e Gabriel e para o outro, fui eu, Larissa e Mário.

Eu sabia que me daria mal, mas estava aliviada, aquilo tudo tinha acabado, mas eu sabia que morreria em poucos dias, o efeito da água do Rio, estava afetando a minha cabeça, as vezes me trazendo alucinações e fazendo com que eu tivesse convulsões. Tudo ficou ainda pior com a minha reação alérgica ao suco de abacaxi.

Passaram-se horas e chegamos a um "aeroporto", tinham milhares de pessoas olhando pelo vidro, esperando a gente, para que nós chegássemos. Muitos estavam nos xingando, outros até com tochas querendo nos agredir.

Todos os meus amigos e meu namorado saíram algemados, mas eu, tive que ser carregada no colo. Não me restavam mais forças.

Entramos em um elevador enorme, que nos levaram para um hospital subterrâneo. Lá, nos colocaram numa maca, tiraram nossa roupa e revistaram tudo, o nosso corpo, nossas peças de roupa. Aquilo parecia mais um laboratório.

Tinha um velho lá dentro, que parecia ser um cientista, ele não parava de nos olhar. Até que então, ele sentou em uma cadeira giratória e começou a conversar conosco:

- Que estrago que vocês fizeram, hein?! rsrs... Como fizeram isso tudo? -perguntou ele, enquanto se aproximava da gente.

- Não sei, não fizemos nada, os causadores disso tudo, foram eles. -Mário estava apontando para o Sr. PacNilson e para o filho tão odiado dele.

O olhar do cientista mudou, a expressão amigável, agora era de um cara sem coração, os olhos brilhantes, agora estavam vazios, sem cor, sem nada:

- Tirem esses garotos da sala! E deixe apenas esse velho e o filho dele. -ele disse enquanto se levantava e abria seu armário de ferramentas.

Tiraram nossas macas e nos colocaram em uma sala mais confortável, mais colorida, que tinha uma televisão de tela plana para assistirmos:

- O que será que vai acontecer? -perguntou Juan sentado no sofá vendo a Fátima Bernardes no JN.

Passaram-se horas, e eles ainda estavam lá dentro. Então o inesperado aconteceu, eu comecei a falar coisas estranhas, meu corpo estava estranho e eu começava a ter muitas alucinações:

- Deia, você está bem? -perguntou Gabriel, enquanto via eu toda soada tremendo.

- Rs, como não?

Eu comecei a lamber a parede, estava tendo uns efeitos estranhos, eu estava enlouquecendo.

Existia uma campainha vermelha ao lado da porta, Mário correu até lá e começou a tocar sem parar. Até que então o cientista saiu da sala, com um ar desesperado:

- O que é que está acontecendo? -ele perguntou ainda com a mão na maçaneta.

- Ela está tento convulsão, sei lá. Faz alguma coisa. -Mário falou gritando.

Naquele momento o cientista ligou para um número e em menos de 5 minutos, chegaram uns 3 homens forte de roupa branca, começaram a me levar de lá. Me jogaram num quarto todo branco, logo em seguida coletaram um pouco do meu sangue e levaram embora e me deixaram lá, sozinha. Enquanto eu enlouquecia cada vez mais.

Tinham pessoas gritando coisas esquisitas de outros quartos, e eu gritava apenas:

"ABACAXIIIIIIS VÃO ME DEVORAR, TIREM ISSO DE CIMA DE MIM, SOOCOOOOOOOOOOOOOOOOOORRO!!"