Fazia mais de 3 horas e a Andreia ainda estava fora de nossa sala. Três homens a levaram de lá. Precisamos descobrir o que está acontecendo. Aliás, não podemos nos separar:

- Larissa, pode me dizer que horas são, princesa? -eu perguntei tentando dar em cima dela.

- Mário, não é hora para isso! Não temos relógio aqui, esqueceu?! Precisamos achar a Déia! -ela falou com uma lágrima descendo em seu rosto.

Passaram-se mais meia hora e em todos os canais da televisão, só mostravam a nossa antiga cidade, que agora, já não existia mais.

Até que então, chegou aquele cientista, que tinha mais, era cara de louco:

- Bom, sinto informar a vocês... Mas a coleguinha que estava aí, a tal Andreia, está louca. -ele falou enquanto mexia em uma papelada que mais parecia um exame.

Gabriel não demorou muito para ficar nervoso e levantou de imediato, chorando:

- Como assim? Cadê o meu amor? DÉIA! DÉIA, CADÊ VOCÊ??? -ele chorava e fala ao mesmo tempo.

- Olha só, ela estava tendo aquelas convulsões e resolvemos fazer um exame de sangue dela. Aqui está dizendo que tem algum líquido contaminável no sangue dela, que fazendo minhas pesquisas, é a água do Rio das Cristalinas. -ele falou nos encarando.

- E nós? O que vai acontecer com a gente? -perguntou Juan.

- Bom... Isso é o povo que vai escolher por votação.

- O que você está querendo dizer com isso? -perguntou Juan novamente.

- Estou dizendo que, ou vocês podem morrer, ou podem viver, isso está na mão do povo! -o cientista disse, enquanto saía da sala.

Isso tudo mais parecia um pesadelo, aliás, a culpa da destruição da cidade nem era minha, eu queria mais era sair de lá e viver minha vida.

As horas iam se passando e quando nos demos conta, eram quase 1:00h, já estava de madrugada, e Gabriel e Juan estavam dormindo, enquanto eu e Larissa conversávamos bem baixinho:

- Cara, nós nunca fizemos nada para esse velho estranho, por que temos que sofrer as consequências junto deles? -eu perguntei irritado.

- Verdade... Tipo, eu amo a Déia e adoro o Juan. Mas cara, nós não fizemos NADA! -ela disse começando a cair na minha pilha.

- Vamos fugir daqui e deixar eles aqui... Isso não vai dar certo para gente... -eu falei e ela concordou com a cabeça.

Nessa sala, tinha uma portinha que dava ao banheiro, que por sinal, era minúsculo, só davam 2 pessoas lá dentro. Sem fazer muito barulho, entramos lá, subimos no vaso sanitário e entramos numa entrada que tinha no teto:

- Me dá a mão, Lari. Vamos, você consegue! -eu disse enquanto a puxava para chegar até lá em cima.

Ela estava tentando subir, mas a privada estava toda urinada, isso dava uma dificuldade para ela:

- Vamos... Antes que eles acordem! -eu falei, a puxando com mais força.

Enfim, ela conseguiu subir e lá estava tudo muito escuro, o chão de madeira velha, tinha um cheiro horrendo de mofo, tinham buraquinhos que nos permitiam ver o que acontecia pelo andar de baixo.

Caminhamos muito, até começarmos a ouvir uns gritos:

"ABACAXIS! ELES ESTÃO POR TODAS AS PARTES, MATEM-OS!"

Quando olhamos por um dos buraquinhos, estava Deia se contorcendo em uma camisa de força, ela estava louca:

- Ai... Deia... -Larissa dizia enquanto sussurrava chorando e continuando a caminhar.

Fomos andando e finalmente chegamos até uma janelinha, que ficava logo na porta do "laboratório", pulamos dali e saímos correndo de fininho, para ninguém nos pegar.

Subi na cerca de arame e logo em seguida subiu Larissa, conseguimos sem muito esforço sair dali e pegar um ônibus, até o centro da cidade.

Íamos ficar num hotel por ali, aliás, eu ainda tinha alguns familiares que aceitariam, eu morar com a Lari num hotel barato.

É... Para nós, tudo aquilo tinha acabado.... Espero algum dia ver Gabriel e Juan.