Agora sim, nada nos ganharia, agora sim que eu queria ver. Quem vai querer vencer, não vai poder correr!

Os Robôs foram se movimentando, um para frente do outro. O cenário não era nada "atormentador" como antes. O único barulho que existia, era do Rio. As árvores secas, o asfalto, muito mal colocado, esburacado, uma ponte enorme a cima da nossa cabeça, quase caindo as pedaços, e de longe, nós víamos o parque da cidade.

A cidade nunca foi de ser silenciosa, mas dessa vez, não existia um barulho sequer. Tudo estava calmo demais. Eram, eu, Gabriel, Larissa e Mário lado a lado, e ao lado da Cafeteira gigante, que era comandada pelo índio. E a nossa frente, estavam Abacaxilson, com uma capa roxa e uma coroa de abacaxi na cabeça, ao lado de seu filho, Abacaxilson Júnior.

A briga estava prestes a começar:

- Estão preparados? -perguntou PacNilson, enquanto forçava seus olhos para enxergar os nossos rostos.

- Sempre estivemos... -respondi, enquanto apertava a mão do Andrógeno para que a briga começasse.

Até então, eles não tinham noção, que tínhamos carregado a cafeteira, eles estavam confiantes demais, mas não tão perceptivos quanto nós.

Como sempre, o Abacaxi Gigante, que mais parecia uma pilha de lixo, com casca de abacaxi, começou a lançar um jato que disparava o suco tão ácido.

Em seguida a cafeteira, jorrou belo buraco da tampa, o café fervoroso em cima do PacNilson e do Andrógeno.

Realmente, a briga estava ficando pesada e feia. Eles se machucaram feio, chegaram a cair no chão, mas quando se levantaram, estava com o rosto completamente roxo, e sangrando, eles haviam tido uma reação alérgica ao café.

Então chegou a vez do Abacaxi atacar. Eu sabia que não seria bom, e realmente não foi. Eles novamente lançaram um jato de suco, mas dessa vez, não foi na cafeteira, mas sim, em mim e no Juan.

Eles não paravam de acertar a gente. Os nossos gritos, estavam ficando ensurdecedores, a nossa pele estava tendo uma irritação de tal forma, que sentíamos que íamos morrer. Não tinha como se levantar. Aquilo estava me destruindo:

- Chega! -gritou Gabriel.

Quando ele gritou, começamos a ouvir um barulho estranho, era de algo voando no céu, não era um barulho de ave, ou de algum inseto. Mas parecia-se com um helicóptero:

- Vamos acabar com isso logo! falou PacNilson com uma enorme dificuldade de movimentar a boca.

O barulho estava ficando cada vez mais próximo. Mas mesmo com o alerta do helicóptero, nós não paramos, sempre um atingindo o outro, era uma gritaria, explosões.

Até que então o helicóptero desceu e se escondeu no meio de tantas árvores secas e mortas:

- Para onde eles foram? -perguntou Mário, indo atrás do local.

Enquanto ele ia atrás do helicóptero, a briga não acabava. Eram tiros, palavras cruéis, abacaxis, cafeteiras. Mas o final surpreendeu a todos.

Ninguém havia ganho a batalha, na verdade, os dois monstros se explodiram, só restaram os iniciais personagens no cenário. Eu, Juan, Biel, Larissa, PacNilson e o Andrógeno. O índio estava dentro do monstro e morreu queimado, os gritos era aterrorizantes.

O segundo filho do PacNilson teve o mesmo final, e o Mário, que havia se enfiado numa floresta tão morta, que havia perto de nós.

Todos nós estávamos jogados no chão. Não havia mais nada, não tinham Abacaxis, Cafeteiras, Zumbis e nem muitos humanos. Eram só nós ali, não existia mais nada.

Provavelmente os homens que estavam no helicóptero eram de uma cidade vizinha. Porque na nossa, não existia mais uma vida sequer, além da gente. Até os ricos morreram, uns morreram de fome, e outros foram mortos tentando sair de casa, por Zumbis.

Ficamos nos olhando por minutos, estiraçados no chão. Esperando a ajuda de alguém. PacNilson tinha visto apenas agora o estrago e já estávamos muito feridos, esperando o socorro de alguém.