Abacaxi Zumbi - O Início
18 Capítulo 18
Abri meus olhos e comecei a ver umas coisas estranhas diante de mim, eu parecia mais estar drogada. Minha pele estava áspera, gelada, minha boca estava de uma roxidão sobrenatural. Não sabia se ia sobreviver. Naquele momento eu só pensava em gritar, para que meus amigos me ajudassem, mas já não dava mais, aliás, eu estava no meio do Rio. Quem entrasse ali, morreria junto comigo:
- Deia, fala com a gente! Fale algo! -gritou Juan na beira do rio.
Eles estavam quase perdendo, então comecei a sussurrar:
- Peguem um pote com a água do rio... -eu disse bem baixinho, já sem força alguma.
- O que? O barulho da água está muito alto, fala de novo!
- Peguem a água do Rio e misturem com o pó do café... -dessa vez eu falei mais alto e com mais esforço.
Acho que ele tinha escutado, não me lembro bem, eu estava apenas com meus olhos fechados, tinha gastado toda a energia que me restava, falando com Juan.
Eu dormi por muito e muito tempo mesmo, mas quando acordei, eu estava em lugar completamente desconhecido, a parede era azul turquesa e eu estava deitada em uma cama de ferro, até o colchão era duro, por sinal. Estava abrindo meus olhos e não lembrava de nada:
- Deia? -disse uma voz conhecida e com um tom amoroso.
- Ga-Ga... Biel? -eu perguntei ainda muito fraca.
- Docinho de coco, eles estão lá ainda. Você quase se afogou no rio. Conseguimos te puxar para a beira do Rio e te pegamos. Você está bem?
- Minha cabeça dói muito... O que está acontecendo?
- Bom, você fez um acordo com o PacNilson, de que, quem perdesse a briga, seria obrigado a se render e se matar, ou se tornar escravo do outro...
- EU FALEI ISSO??? AI MEU DEUS! -eu falei voltando as minhas energias normais.
- Sim amor, mas vai descansar....
- VAI SE FODER, SEU PANDA FEDIDO. EU TENHO UMA IDEIA, VEM! -eu falei colocando meus sapatos e saindo correndo até o parque central.
A cidade estava simplesmente horrorosa, não tinha ninguém, o cheiro era de podre, de abacaxi, só existiam restos mortais de humanos, abacaxis e cafeteiras pela cidade.
Até que chegamos ao parque, que por sinal, até as gramas estavam secas e sem vida:
- Ótimo, o que estamos fazendo aqui? -perguntou Gabriel, sentando num balanço.
- Ali é o início do Rio... Vá no carro e pegue os potes que eu trouxe. -eu falei enquanto caminhava até a margem do rio, que começava tão pequeno e ao decorrer ia crescendo.
Gabriel, como era lerdo, demorou muito até chegar, então eu peguei muitos potes e os carreguei com a água do Rio e ai colocando do lado, no gramado. Enquanto isso, Gabriel, que já tinha roubado sacos de pó de café no mercado, agora estava colocando dentro do pote de água do Rio:
- Vamos até lá... -eu disse confiante da nossa vitória.
- De jeito nenhum, eu vou! Você precisa descansar! -Gabriel respondeu cruzando os braços.
- Olha só, o seu Cuzão! Você por um acaso sabe dirigir essa merda de carro?! Até onde eu sei, você não pilota nem velocípede. Então, segura essas merdas de potes e senta no banco de trás, para não deixar contaminar o banco do carro.
Ele obedeceu e entrou, mas antes que pudesse segurar os potes, fiz com que ele, colocasse luvas nas mãos, para a água não afetar ele.
Pegamos e carro e depois de dois quarteirões, estávamos lá, onde tudo estava acontecendo, onde todos estavam brigando, debaixo da ponte, na rua da amargura.
Sai de fininho e tentei ficar atrás do nosso robô cafeteiro, mas, ao decorrer da briga, já não dava mais. Eles brigavam, se derrubavam, e a cafeteira estava quase toda destruída:
- Gabriel, sobe naquela cerca e escreve nesse cartaz, para chamar a atenção do índio e ele possa ficar parado, para eu carregar a cafeteira por trás! -eu falei, enquanto escrevia no cartaz:
" Mantenha-se PARADO. A luta, nós vamos ganhar. Não deixa que te vejam lendo isso."
Sem reclamar, Gabriel ia escalando a árvore, mas sempre caía, até que tentei ajudar, dando o impulso para ele.
Finalmente o gordo subiu e eu me afastei. Como planejado, o índio viu o cartaz e paralisou num canto. Cheguei por trás dele e o carreguei com todos os potes de água, deixando-o bem mais poderoso do que já estava antes.
Fale com o autor