Estávamos realmente preparados para a apocalipse, sabíamos que aquilo não era nem o começo, havia muitas coisas a serem esclarecidas.

Corremos a delegacia e até então estava tudo calmo, as únicas coisas que haviam pelas ruas, eram cadáveres e um líquido ácido amarelo, com um cheiro insuportável de abacaxi, como de costume.

Pegamos uma pick-up e jogamos nossa mala na caçamba, e todos entraram no carro:

- Bom, agora vai ser para valer! -falou Gabriel dirigindo.

- Com certeza absoluta! -Mário havia colocado a metralhadora para fora da janela, sentado no banco traseiro e recarregado a arma.

Eu, Andréia Fonomi, já estava sinceramente apavorada, primeiramente, o Gabriel não sabia dirigir e em segundo, aquela caçamba não era uma boa ideia, ainda mais, porque nossas coisas estava lá e em terceiro lugar, eu e Juan começamos a passar mal, o cheiro do abacaxi estava ficando cada vez mais forte e afetando nosso cérebro, trazendo irritações nas nossas narinas.

Chegamos até debaixo da ponte e por incrível que pareça, a cidade parecia estar morta, não tinham gritos, pessoas, zumbis e abacaxis em lugar nenhum, não tinha sequer um barulho, apenas dos ventos, que balançavam as árvores, de um lado para o outro:

- O que está havendo? -perguntou Gabriel, abrindo o pino, prestes a sair do carro.

- Cala a boca, sua baleia assassina! Não está vendo que é uma armadilha?! -perguntou Mário, enfurecido.

- Que armadilha o que?! Para mim, a apocalipse acabou... -saiu Gabriel no carro, voltando para sua casa que ficava logo na esquina seguinte.

- Esse cara está é louco!!!!! Alguém passa pro volante!! -gritou Juan no meio do banco traseiro.

- Calma galerinha, eu sei dirigir, deixa que eu vou! -Larissa sempre soube dirigir, com um passe de mágica, já estava no volante e saindo do local.

Eu não questionei Gabriel, não falei nada sobre ele, apenas coloquei as mãos na janela e observei, enquanto ele entrava na casa dele. No fundo, eu sabia que ele morreria e que ele era o amor da minha vida, mas também sabia, que ele mesmo sabia, que não conseguiria ficar conosco, e preferiu morrer sozinho, para não me ver sofrer:

- Calma Déia! Ele sabe se virar... -falou Larissa, querendo chorar.