AKAI ITO 01 - Amor a segunda vista
25 Capitulo 26 - PRIMEIRA VEZ FILANDO AULA, QUASE UMA DELIQUENTE
Era incrível como as pessoas ainda se impressionavam quando Percy e, eu chagávamos juntos na escola, elas não iriam se acostumar com isso não? Apesar de que eu gostava da atenção, era chato ver que as pessoas ainda nos olhávamos como se fossemos água e, óleo.
— Ainda está preocupada com mais cedo? – Percy me analisou
— Eu sinto muito – Eu suspirei – Às vezes eu acho que nunca...
— Ei! – Ele me interrompeu – Vamos superar isso, juntos.
Percy sorriu pra mim e, eu sorri de volta. Será que ele poderia ser menos cavalheiros as vezes? Corro o risco de começar a depender da presença dele.
Na hora do intervalo, Percy e eu sentamos junto com nossos amigos como de costume. Eu havia finalmente comparado minha grade com a do Percy e, para minha surpresa ele também havia eliminado as mátrias básicas e, havia substituído pelas superiores, nós teríamos quatro matérias juntos.
— O que vai fazer? – Perguntei a ele
— Engenharia Marinha – Ele disse orgulhos
— Porque não estou surpresa – Eu ri.
— Oi! – Selena se aproximou da nossa mesa. – Tem um minuto? – Ela falou comigo.
Todos nós a encaramos, eu olhei para barriga, ela ainda não parecia estar grávida.
— Claro! – Eu me levantei.
— Falei com o Charles – Selena disse nervosa. – Ele disse que assumiremos.
Eu suspirei em alivio
— Que bom Selena – Eu sorri
— Mas eu ainda não quero que as pessoas saibam... Até minha festa – Ela deu de ombros.
— Não se preocupe com minha boca, permanecerá calada.
— É que ainda não falei com meus pais – Ela admitiu – Se eu falar agora, perderei a festa e, eu já estou programando ela há um ano.
— Eu entendo... O que suas amigas falaram? – Perguntei. Selena fez uma cara culpada.
— Elas não sabem – Ela admitiu
— Ops! – Eu disse surpresa – Isso é uma responsabilidade muito grande pra mim...
— Ninguém mandou entrar no banheiro ontem e, ver meu desespero... Isso é culpa sua – Ela disse irritada
— Eu realmente preciso parar de estar nos lugares errados e, nas horas erradas – Resmunguei para mim mesma.
— Não faça com que eu me arrependa de ter confiado isso a você – Ela virou o rosto pra cima em seu casual humor superior e, saiu.
— Eu não entendo essa garota – Eu disse pra mim mesma.
— Ela veio procurar confusão? – Hazel se aproximou curiosa.
— Não... Perguntar sobre matéria – Odiava mentir para minhas amigas.
— Falando em matérias, como está as aulas a tarde? – Piper perguntou
— Estão perfeitas, não sabia que ia dar tanta gente – Respondi entusiasmada.
— Os garotos foram pro ginásio – Hazel avisou – Precisamos de um tempo para as garotas
Nós três rimos.
— Ei, sabe... Sobre aquela história com a Caly? – Eu perguntei enquanto íamos para biblioteca – Percy me mostrou uma conversa deles...
— Uau! Serio? – Hazel perguntou curiosa – Ela falou com ele? Que cara de pau... Vaca!
— Na verdade sobre esse assunto, ele quem foi procurar saber... Ela disse que não teve nada a ver com aquilo – Eu disse de uma vez
— O Percy não acreditou, não é? – Hazel me fitou
— Ele acredita nela – Eu suspirei
Piper me analisou.
— Não é errado se sentir ameaçada por conta disso Annie, você não precisa aceitar isso, só respeitar a opinião dele – Ela deu de ombros – Percy é assim desde que eu o conheço, ele tenta sempre olhar o lado bom das pessoas...
— O cavalheirismo do Percy às vezes me incomoda até demais – Hazel revirou os olhos.
— O importante é que ela não está mais aqui – Piper disse aliviada
— Ela não foi transferida... A Reyna mentiu – Eu disse – Selena ficou surpresa quando comentei, ela disse que a Reyna deve ter entendido errado, mas eu vi que na mensagem Caly também havia dito ao Percy que ia embora... Ou seja... Acho que elas estão aprontando alguma – Eu revirei os olhos com raiva.
— Olha só quem está começando a ficar esperta – Hazel riu
— Eu quero distancia de confusão, isso sim – Eu dei de ombros
—Caly deve ter sangue de capiroto, pra tentar mais alguma coisa contra você – Hazel insistiu
— Hazel, você precisa parar de acusá-la assim, ninguém tem certeza de que ela realmente foi a mandante do ocorrido, por mais que a Caly seja uma vaca, levantar esse tipo de acusação pode te deixar encrencada – Piper a repreendeu
— Eu sei – Ela disse emburrada. – Então quer dizer que ela pode estar pela escola?
— Pode... – Eu deduzi
— Melhor uma resposta exata... Ela está – Piper segurou meu ombro e, me virou para trás.
Caly estava entre algumas garotas no corredor em direção a biblioteca. Quando nossos olhos se encontraram, eles se estreitaram e, depois desviram.
— Ela está abatida – Piper observou
— Que peninha – Hazel fez uma careta. – Vamos!
Hazel puxou nossos braços junto com ela. Passamos pela garota e, eu juro que se Caly tivesse o poder de um x-man chamado ciclope, eu estava em cinzas nesse exato momento.
Hazel avistou Reyna e, correu na nossa frente para segurar seu braço.
— Porque mentiu? – Ela perguntou
— Desculpe, não entendi – Reyna se fez de boba
— Você disse que ela tinha se transferido – Hazel a fitou
— Eu disse? Não lembro... Sai da frente – Reyna bateu de ombro com ela, mas quando passou por mim desfez a cara de valentona e, foi ao encontro das garotas.
— Nem pense! – Eu segurei o ombro da Hazel antes que ela fosse atrás. – Deixa pra lá.
— Annie tem razão, deixa pra la, temos um trabalho pra elaborar. – Piper nos fez sentar sobre as carteiras.
— Eu aposto o que quiserem que isso é um complô, elas com certeza estão aprontando algo – Hazel disse impaciente.
Piper me encarou, eu não disse nada. Eu também achava o mesmo, mas não queria alimentar essa idéia na cabeça das minhas amigas, o que eu mais queria era paz.
Depois que todas as aulas terminaram, fui até meu armário pegar algumas coisas para as aulas de reforço. Durante meu percurso senti olhares furiosos contra mim, não era impressão minha, a maioria das pessoas estavam me encarando e, cochichando. Aquilo me fez ficar deprimida, eu não sabia qual o motivo, mas a única coisa que vinha na minha cabeça era a questão do meu trauma. Vergonha e, constrangimento tomaram conta de mim.
— Uou! – Um garoto disse quando me bati contra ele.
— Desculpe – Eu disse desajeitada
— Sem problemas... Annabeth, não é? – Ele perguntou
Eu o encarei para tentar saber quem era. Alto, magro, olhos claros, cabelos curtos em um tom aloirado, parecia bem mais velho... Nunca o tinha visto na vida.
— Você não me conhece, eu sou Luke... Já ouvi muito sobre você, tipo muito mesmo – Ele deu um sorriso suspeito. Não gostei daquilo.
— Ah! – Foi a única coisa que eu disse e, tentei me desviar dele, mas ele obstruiu a passagem.
— Tem um tempo que estava criando coragem para falar com você – Ele deu um sorriso convencido. – Será que poderíamos nos conhecer melhor?
Ok! Essa era a parte que eu devo pensar antes de responder.
— Bem... Seu nome é Luke e, o meu você já sabe, acho que já nos conhecemos o bastante – Eu tentei desviar e, ele tomou a passagem de novo – Eu preciso de verdade ir embora. – Eu resmunguei.
— E eu preciso de verdade ter uma chance com você também. – Ele cruzou os braços
— Uma chance comigo? Ficou maluco? Eu tenho namorado... Da licença, garoto – Eu o fitei furiosa.
— Você ouviu o que ela disse, Luke? – Frank se aproximou de nós dois – Ela quer passar.
Luke estreitou os olhos e, analisou o enorme Frank a sua frente. Ele deu passagem para que pudéssemos passar sem protestar, mas continuou com um sorriso sínico.
— Até mais Annie – Ele disse.
Eu o olhei indignada, ele não tinha permissão para me chamar daquela forma. Frank puxou meu ombro de volta para frente.
— Conhece ele? – Frank perguntou
— Eu nunca o vi na escola – Eu resmunguei – Você o conhece?
— Ele é do segundo ano, participa de uns treinos conosco – Frank disse
— Segundo ano? Ele não parece tão novo assim – Eu resmunguei
— Porque não é... Ele é muito mais velho e, não é muito legal. – Frank suspirou nervoso –Percy e, ele não se dão muito bem, desde que eu me entendo como gente, então... Tente evitá-lo, pro bem dele, pois se o Percy...
— Eu entendi – Eu o interrompi – O Percy não é tão passivo assim
— Não... Na verdade ele acaba sendo pior quando se trata de você – Frank sorriu – E vai ser muito pior se o Luke estiver envolvido.
— Obrigada Frank, nos vemos depois – Eu me despedi dele um pouco sem graça.
A idéia de um Percy agressivo já era ruim, a idéia de um Percy louco de raiva era muito pior. Percy era doce e, calmo na maioria das vezes e, eu sabia que por trás daquela expressão seria e, tolerante existia um cara altamente explosivo, todas as vezes que Percy se meteu em uma briga foi pra causar estragos, ele não se importava de quantas pessoas eram contra ele, ou se o cara era mais forte, ele sempre ia com tudo e despejava sua fúria em socos e, chutes. Era o único defeito que eu conhecia muito bem. Algo me dizia que esse Luke não surgiu do nada.
***
Hoje já era sexta feira e, eu havia combinado com as garotas de ir ao shopping depois das aulas de reforço. Eu estava animada e, empolgada, porque seria a primeira festa que estaria acompanhada. As primeiras aulas passaram rápido e, a próxima eu estaria com o Percy. Quando nos encontramos no corredor ele me deu um largo sorriso, a aula era de seminário interdisciplinar, tínhamos que elaborar um projeto de pesquisa e, a professora estava explicando sobre cada tópico que seria focado.
— Não consegui me despedir de você ontem – Percy disse, quando a professora teve que sair da sala por alguns minutos
Nossas mesas estavam próximas o bastante para conversarmos.
— Eu tive umas coisas pra fazer antes de começar a dar as aulas... Me desculpe – Eu lhe dei um sorriso bobo.
— Você ser uma garota inteligente me faz pensar o quanto eu sou sortudo – Percy sorriu – A maioria dos caras escolhem as garotas pelo que elas apresentam por fora, não vou mentir, na maioria das vezes eu sempre fui assim, mas... Sua inteligência me chamou atenção, você não liga para nada que está na moda e, nem se importa em ser desastrada ou agressiva. Você é diferente.
— Eu sou fora de moda, desastrada e, agressiva... Não sei se posso classificar isso como um elogio – Eu disse brincando. – Você poderia pelo menos dizer o contrario disso... Você é meu namorado.
Percy riu.
— Justamente por ser seu namorado, não posso mentir – Percy quase deu uma risada alta, mas se conteve – Porem, essas foram às características que me fez enxergar você.
— Que contradição interessante... Você é estiloso, popular e, atraente, mas...
— Você nunca me notou – Ele me interrompeu, mas ao invés de ter uma feição triste, tinha um sorriso maroto – Com certeza é uma contradição interessante, você quebrou a linha tradicional das coisas, onde a garota que faz de tudo pra ser notada e, precisa mudar até a aparência pra isso acontecer.
— Mas eu quero mudar – Eu admiti – Eu tenho uma ambição, eu quero um futuro grandioso pra mim, onde eu poderei dar de tudo, para as pessoas que fizeram de tudo pra eu estar aqui.
— É uma ambição legal – Percy suspirou pensativo – Você terá um futuro grandioso Annie, uma garota que troca diversão por madrugadas em livros? Não existe futuro diferente do grandioso pra isso.
— E ai está! – Eu sorri pra ele – Você sabe mesmo como me motivar.
Percy sorriu de volta.
Uma garota tombou meu ombro quando passou entre minha carteira. Percy a fitou curioso e, depois olhou pra mim. Eu dei de ombros como se eu não tivesse entendido.
— Ei Bia! – Percy chamou – Não vai pedir desculpas? Você quase levou o ombro dela junto.
Percy deu um sorriso sarcástico. A Bia só fez dar um ar de riso.
— Percy, eu entendo que queira defender a garota que você da “uns pega” – Ela disse aquilo como se nossa relação fosse algo superficial — Mas não me faça interagir com ela, depois do que ela fez.
— O que eu fiz? – Me virei pra ela impaciente. – Desde ontem algumas de vocês me olham de canto como se eu tivesse lepra... Se tem algum problema comigo, fala logo. – Eu disse irritada.
— Você é muito cara de pau — A Bia riu
— Do que exatamente você está falando? – Percy perguntou
— Você é outro Percy, quem diria que você cederia as provocações dessa garota, não é? A Caly te ama, fez tudo por você e, você tem coragem de traí-la com ela? Já descobrimos tudo, já descobrimos que vocês dois sempre tiveram um caso, que a certinha e, nerd da Annabeth, vivia arrastando as asinhas pra você, atacou o Jason no baile e, quando viu que não ia dar em nada, se atirou pra outro... – Bia me olhou com cara de nojo.
Eu não sabia se ria, ou se chorava ao ouvi-la comentando aquilo
— Foi fácil não é? A passagem já estava de livre acesso – Um garoto disse rindo e, o resto da sala riu.
Percy se levantou enfurecido e, afastou as carteiras até chegar ao garoto. Ele o pegou pelo colarinho da camisa e, o pressionou na parede.
— Repete isso! – Percy disse
Eu me levantei automaticamente e, fui até ele.
— Percy a professora já vai voltar pra sala – Eu segurei seu ombro
— Não se mete Annie – Percy disse sem ao menos olhar pra mim – Repete o que você disse sobre ela... – Ele sacudiu o garoto, que fez um chiado de medo — Você pode pensar o que quiser, mas da próxima vez que pensar em voz alta e acabar insultando a Annabeth, vai se ver comigo... Entendeu?
— Foi mau cara, eu só disse o que estão comentando – O garoto disse amedrontado. Percy o soltou
Então foi por isso que Percy havia brigado no ginásio, por causa desses comentários vulgares sobre mim. Eu fiquei sem ar, ao imaginar o quanto as pessoas estavam rindo as minhas costas, com um problema tão serio sobre estupro.
— E você Bia, antes de começar a falar alguma merda, é melhor ter certeza de que suas fontes estão certas... De onde tirou essa idéia? – Ele a fitou
A Bia parecia mais receosa dessa vez, a sala toda estava nos encarando.
— É o que estão dizendo – Bia disse
— É o que estão dizendo? – Percy riu em ironia – Isso é brincadeira não é? É melhor parar de falar o que não sabe – Percy ainda parecia furioso. – Quem está dizendo?
— Eu não sei, os comentários se espalharam – Ela gaguejada – Desculpa, eu só achei que...
— Você não tem que achar nada – Percy exaltou a voz
Eu segurei seu braço e, o puxei, antes que ele se alterasse mais ainda. Percy conseguia sair do ponto frio ao ponto de ebulição em menos de um segundo.
— Você precisa se acalmar – Eu disse, puxando-o para fora da sala. – Ei! Percy... Olha pra mim – Eu tentei acalmá-lo e o encostei na parede do corredor, um pouco longe da entrada da sala.
Eu ainda podia ouvir os murmúrios das pessoas lá dentro.
— Isso é ridículo, o que estão falando...
— Eu sei! – Eu o interrompi – Eu não ligo, quer dizer... Eu ligo, mas é melhor ignorarmos.
Percy me encarou alarmado.
— Promete? – Ele parecia perdido em pensamentos quando me perguntou – Por favor, promete que não vai deixar essas coisas ficarem entre nós...
— Para! – Eu segurei seu rosto – Para de achar que eu vou desistir de nós dois por qualquer coisa que as pessoas ficam falando.
Percy me olhou tentando analisar alguma brecha nas minhas palavras, mas não havia, porque eu estava certa no que dizia, eu não ia deixar essas coisas estragarem meu relacionamento. Eu tinha que ser madura para superar isso, eu não queria mais agir com infantilidade... Percy me abraçou bem forte, tão forte que quase me sufocou. Então era isso, Percy também tinha medo, tanto medo ou até mais do que eu, medo de que as coisas pudessem nos separar, medo de que algo pudesse acabar com a felicidade que estávamos construindo.
— Vamos pro terraço – Ele sussurrou entre o abraço
— Vamos filar aula? – Perguntei confusa
— Vamos! – Ele decidiu
— Ok! – Concordei.
Foi a primeira vez que filei em aula em minha vida.
No terraço Percy conseguiu se acalmar, nós nos sentamos próximos ao lugar que estávamos quando viemos aqui da primeira vez.
— A brisa fria desse lugar simula um pouco, a brisa fria da praia – Eu disse – Por isso gosta de vir aqui quando está nervoso?
— Não só quando estou nervoso – Ele admitiu – Ansioso, desanimado, com raiva... Com ciúmes – Ele me olhou com um sorriso no canto da boca.
Aquele sorriso de canto de boca era tão lindo.
— Falando em ciúmes... – Eu lembrei do garoto –O tal do Luke...
Percy me deu uma olhar mortal.
— O que tem ele? – Seu tom pareceu mais rude que o comum.
— Ele me parou ontem no corredor, não sei se ele sabe que sou sua namorada – Eu tentava amenizar – Ele pediu uma chance comigo
— Pediu o que? – Ele deu uma oitava na voz
— Ele não deve saber que sou sua namorada – Eu disse rapidamente
— Ah... Ele sabe com certeza – Percy disse com raiva
— Porque não se dão bem? – Perguntei tentando tirar o foco do seu ódio pelo assunto.
— Luke não é uma boa pessoa – Percy suspirou tentando controlar a raiva – Antigamente éramos amigos, nos conhecemos no ginásio, em uma escola diferente, ele era umas duas series a frente da minha, mas mesmo assim, criamos um vinculo de amizade, ele costumava ir para minha casa – Percy sorriu sem graça – Pra resumir a história...Toda confiança que minha família tinha nele acabou se tornando um pesadelo. Luke andava com pessoas ruins, ele planejou um sequestro da minha mãe, roubou nossa casa e, quase causou um acidente onde eu poderia ter morrido.
— Percy... – Eu sussurrei e, aflição.
— As coisas acabaram bem – Percy deu de ombros – Ele era apenas um aviãozinho de uma gangue da pesada, passava as informações e, segredos das famílias ricas que ele conhecia. A gangue foi presa, ele foi internado em um centro de reabilitação para menores, ficou alguns anos lá, por isso está tão atrasado na escola. Voltou dizendo que estava mudado, não sabia que ele iria começar a estudar aqui. Eu nem sabia que os pais dele tinha dinheiro... Porque se ele não tinha o porque viver da maneira que vivia, porque fazia aquilo? – Percy fez uma expressão duvidosa.
— Eu vou tomar cuidado com ele – Eu afirmei tentando conforta-lo.
— Annie, eu nem consigo imaginar uma situação onde ele tente algo com você – Percy suspirou e, balançou a cabeça negativamente.
— Tenho uma impressão de que ele não surgiu do nada – Eu admiti – Tenho impressão de que algumas pessoas estão tentando nos sabotar.
Eu hesitei em comentar que as pessoas seriam a Caly e, a Reyna. Eu estava tentando colocar um ponto final na questão “ciúmes da ex-peguete” do meu namoro. Percy suspirou
— Falta pouco para a escola acabar, continuaremos juntos depois disso... Não é como se eu tivesse certeza que nosso futuro esta ligado, mas... É o que eu desejo, é o que eu quero... Talvez você não ache dessa forma...
— Eu acho – Eu o interrompi – Eu acho que nossos destinos estão ligados. Eu acredito que depois dessa fase teremos inúmeras fases pela frente, algumas ruins, outras boas, outras muito boas... Outras bem ruins, mas no final eu sinto que estaremos ali, um para o outro.
— Ouvir isso de você me deixa confiante, me conforta, você não é muito romântica como a maioria das garotas, não expressa muito bem seus sentimentos – Percy riu – Você é determinada, ousada, teimosa, orgulhosa, forte...
— Você tem uma lista enorme de características sobre mim, a maior delas não me faz parecer ser uma boa pessoa, vamos começar a mudar isso ai – Eu brinquei.
— Eu já disse, são coisas que se destacam em você, boas ou não... Elas fizeram eu te notar, quando ninguém notou. – Ele suspirou
— Então eu acho que a maioria delas não precisa ser mudada – Eu sorri.
— Essas coisas que estão dizendo, não fazem sentido – Percy mudou de assunto, ele não conseguia esconder o incomodo pelo ocorrido – É tão ridículo que me faz querer rir.
— Eu também pensei em rir, mas também pensei em chorar – Eu murmurei.
— Eu bem que queria que você tivesse arrastado suas asinhas pra mim, me pouparia de planos infalíveis que tentava fazer pra você entender que a garota que eu gostava era você – Percy brincou e, eu o empurrei com o ombro.
— Você é um idiota – Eu resmunguei
O sinal tocou e, eu suspirei.
— É a primeira vez que filo aula – Eu suspirei mais uma vez – Na minha vida...
— Primeira vez que fila aula em toda sua vida? Uau! – Percy fingiu surpresa – Quase uma delinqüente.
— Muito engraçado – Eu fiz uma careta.
Percy riu.
— Amanha é a festa da Selena – Eu toquei no assunto enquanto nos levantávamos.
— Você quer mesmo ir? – Ele perguntou
— Ta brincando? Eu quero tomar todas – Eu disse rindo
— Definitivamente isso não vai acontecer – Percy se levantou e, me puxou junto – Você não é aprova de álcool.
— Eu preciso de algo para me deixar agitada, ou serei apenas uma estatua esquisita – Eu resmunguei.
— Eu gosto da idéia de estatua esquisita, isso não chama atenção dos garotos – Percy riu. – Você bêbada e dançando, chama...
Ele me girou enquanto andávamos e, me abraçou por trás, beijou meu pescoço entanto caminhávamos lentamente, faíscas elétricas percorreram minha espinha, eu me arrepiei, visivelmente. Percy riu entre um beijo na minha nuca, percebendo minha pele arrepiada. Eu corei, mas não consegui tentar pará-lo, era bom.
— Isso não vale – Eu sussurrei.
Percy se desprendeu de mim quando tivemos que descer os degraus, ele deu seu casual sorriso malicioso combinado com um olhar atraente. Que merda, ele descobriu um ponto fraco meu, isso poderá ser usado contra mim quando eu menos esperar... Ótimo, espero que ele use o quanto antes.
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